Filosofia - Biografias de Filósofos
Nasceu em Londres em 22 de janeiro de 1561. Sua educação foi direcionada à vida política, onde alcançou posições elevadas. Eleito em 1584 para a Câmara dos Comuns, desempenhou sucessivamente, durante o reinado de Jaime I (1566-1625), ocupou sucessivamente as funções de procurador-geral (1607), fiscal-geral (1613), guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). Em 1618 foi nomeado barão de Verulam e, em 1621, visconde de St. Albans. Acusado de corrupção, foi condenado, em 1621, ao pagamento de pesada multa e proibido de exercer cargos públicos.
Em paralelo ao seu envolvimento na política elaborou uma importante obra filosófica, recolhida em textos como Novum organum (Novo método) de 1620 e De Dignitate et Augmentis Scientiarum (Sobre a dignificação e progressos da ciência) de 1623. Ambos faziam parte de uma obra maior inacabada Instauratio Magna (Grande restauração), com a qual Bacon tencionava criar uma nova ciência, capaz de restaurar o saber. Como filósofo procurou exaltar a ciência como benéfica ao homem. Nas suas investigações ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo por isso considerado como fundador da ciência moderna. Francis Bacon elaborou uma classificação das ciências da seguinte forma:
As Ciências dividem-se em três grupos:
1)a poesia ou ciência da imaginação;
2)História ou ciência da memória;
3)Filosofia ou ciência da razão.
A História é subdividida em:
2.1)Natural e
2.2.)Civil
A Filosofia é subdividida em:
3.1)Filosofia da Natureza e
3.2)Antropologia.
Francis Bacon também foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Estudiosos apontam Bacon como o verdadeiro autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).
Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida, tentando realizar na prática seu método. No inverno de 1626 estava envolvido com experiências sobre conservação através do frio. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. Morreu em 9 de abril, vítima de uma bronquite. No ano seguinte foi publicada a Nova Atlantis (Nova Atlântida), na qual Bacon descreve a cidade ideal dos sábios.
Efetivamente, Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. Sua teoria dos idola antecipa, pelo menos potencialmente, a moderna sociologia do conhecimento. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem Moderno. Ademais, Bacon foi um escritor notável. Seus Essaios são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna.
A TEORIA DOS "IDOLOS".
O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A ciência antiga, de origem aristotélica, que se assemelha a um puro passatempo mental, é por ele criticada. A ciência deve restabelecer o império do homem sobre as coisas.
No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos:
A verdadeira filosofia não é, exclusivamente, a ciência das coisas divinas e humanas, não é a simples busca da verdade. É também algo de prático. Para se alcançar uma mentalidade científica, é necessário expurgar a mente de uma série de preconceitos ou ?ídolos?, de que enumera quatro classes:
1) ÍDOLOS DA TRIBO, ou os inerentes à natureza humana, que se referem em particular ao hábito de esperar mais ordem nos fenômenos do que a que realmente pode ser encontrada; Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana. Astrologia, alquimia e cabala são exemplos dessas generalizações;
2) ÍDOLOS DA CAVERNA, ou os preconceitos pessoais do próprio investigador; Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. Há, obviamente, uma alusão à alegoria da caverna platônica;
3) ÍDOLOS DA VIDA PÚBLICA, ou os que se relacionam à tirania das palavras e à influência dos hábitos verbais sobre a liberdade do espírito; Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos;
4) ÍDOLOS DO TEATRO, ou os que dizem respeito ao pensamento tradicional e se referem sobretudo ao sistema aristotélico e à filosofia medieval. Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo, a de Aristóteles). Os sistemas filosóficos careciam de demonstração, eram pura invenção como as peças de teatro.
O MÉTODO
O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenômenos.
Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam), a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e, pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia.
O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão.
O método de Bacon visa a apresentar uma nova maneira de estudar os fenômenos. A descoberta de fatos verdadeiros não depende de esforços puramente mentais, mas sim da observação, da experimentação guiada pelo raciocínio indutivo.
Pela concordância e concomitante variação dos fenômenos observados, pode-se chegar ao conhecimento da verdadeira causa que os determina. O filósofo aconselha para isso que, descritos os fatos, sejam colocados numa tábua os exemplos de ocorrência do fenômeno e, em outra, os de sua ausência. Por esse processo eliminam-se as várias causas que não se relacionam ao efeito ou fenômeno estudado. Numa terceira tábua registra-se a variação de sua intensidade. Seriam assim eliminadas as causas não pertinentes e se chegaria, pelo registro da presença e das variações, à verdadeira causa.
PRINCIPAIS OBRAS FILOSÓFICAS
As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. Nesta última, Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico.
Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo:
1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado, como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza), Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento), Historia naturalis (História natural), onde tenta aplicar seu método pela primeira vez;
2) Escritos relacionados com a Instauratio magna, mas não incluídos em seu plano original. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida), onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por idéias de caráter científico. Além deste, destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés);
3) Instauratio magna, onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes: (a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências), sistematização do conjunto do saber humano, de acordo com as faculdades que o produzem; (b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), exposição do método indutivo, trabalho esse que reformula e repete o Novum organum; (c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia), versa sobre a coleta de dados empíricos; (d) Scala intellectus, sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto), contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método; (e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda), onde faz considerações à margem do novo método, visando mostrar o avanço por ele permitido; (f) Philosophia secunda, sive Scientia activa (Filosofia segunda ou Ciência ativa), seria o resultado final, oragnizado em um sistema de axiomas.
Links
http://ich.ufpel.edu.br/economia/professores/nelson/metodecon/novum_organum.pdf
Versão eletrônica do livro ?Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza?
Autor: Francis Bacon
Tradução e notas: José Aluysio Reis de Andrade
Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia) Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/
http://www.luminarium.org/sevenlit/bacon
Contem biografia, ensaios sobre Francis Bacon e uma loja virtual das obras disponíveis de e sobre o autor para compra. Em inglês.
Fonte: Todas as fontes constam na postagem LINHA DO TEMPO DA FILOSOFIA
Em paralelo ao seu envolvimento na política elaborou uma importante obra filosófica, recolhida em textos como Novum organum (Novo método) de 1620 e De Dignitate et Augmentis Scientiarum (Sobre a dignificação e progressos da ciência) de 1623. Ambos faziam parte de uma obra maior inacabada Instauratio Magna (Grande restauração), com a qual Bacon tencionava criar uma nova ciência, capaz de restaurar o saber. Como filósofo procurou exaltar a ciência como benéfica ao homem. Nas suas investigações ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo por isso considerado como fundador da ciência moderna. Francis Bacon elaborou uma classificação das ciências da seguinte forma:
As Ciências dividem-se em três grupos:
1)a poesia ou ciência da imaginação;
2)História ou ciência da memória;
3)Filosofia ou ciência da razão.
A História é subdividida em:
2.1)Natural e
2.2.)Civil
A Filosofia é subdividida em:
3.1)Filosofia da Natureza e
3.2)Antropologia.
Francis Bacon também foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Estudiosos apontam Bacon como o verdadeiro autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).
Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida, tentando realizar na prática seu método. No inverno de 1626 estava envolvido com experiências sobre conservação através do frio. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. Morreu em 9 de abril, vítima de uma bronquite. No ano seguinte foi publicada a Nova Atlantis (Nova Atlântida), na qual Bacon descreve a cidade ideal dos sábios.
Efetivamente, Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. Sua teoria dos idola antecipa, pelo menos potencialmente, a moderna sociologia do conhecimento. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem Moderno. Ademais, Bacon foi um escritor notável. Seus Essaios são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna.
A TEORIA DOS "IDOLOS".
O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A ciência antiga, de origem aristotélica, que se assemelha a um puro passatempo mental, é por ele criticada. A ciência deve restabelecer o império do homem sobre as coisas.
No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos:
A verdadeira filosofia não é, exclusivamente, a ciência das coisas divinas e humanas, não é a simples busca da verdade. É também algo de prático. Para se alcançar uma mentalidade científica, é necessário expurgar a mente de uma série de preconceitos ou ?ídolos?, de que enumera quatro classes:
1) ÍDOLOS DA TRIBO, ou os inerentes à natureza humana, que se referem em particular ao hábito de esperar mais ordem nos fenômenos do que a que realmente pode ser encontrada; Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana. Astrologia, alquimia e cabala são exemplos dessas generalizações;
2) ÍDOLOS DA CAVERNA, ou os preconceitos pessoais do próprio investigador; Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. Há, obviamente, uma alusão à alegoria da caverna platônica;
3) ÍDOLOS DA VIDA PÚBLICA, ou os que se relacionam à tirania das palavras e à influência dos hábitos verbais sobre a liberdade do espírito; Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos;
4) ÍDOLOS DO TEATRO, ou os que dizem respeito ao pensamento tradicional e se referem sobretudo ao sistema aristotélico e à filosofia medieval. Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo, a de Aristóteles). Os sistemas filosóficos careciam de demonstração, eram pura invenção como as peças de teatro.
O MÉTODO
O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenômenos.
Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam), a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e, pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia.
O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão.
O método de Bacon visa a apresentar uma nova maneira de estudar os fenômenos. A descoberta de fatos verdadeiros não depende de esforços puramente mentais, mas sim da observação, da experimentação guiada pelo raciocínio indutivo.
Pela concordância e concomitante variação dos fenômenos observados, pode-se chegar ao conhecimento da verdadeira causa que os determina. O filósofo aconselha para isso que, descritos os fatos, sejam colocados numa tábua os exemplos de ocorrência do fenômeno e, em outra, os de sua ausência. Por esse processo eliminam-se as várias causas que não se relacionam ao efeito ou fenômeno estudado. Numa terceira tábua registra-se a variação de sua intensidade. Seriam assim eliminadas as causas não pertinentes e se chegaria, pelo registro da presença e das variações, à verdadeira causa.
PRINCIPAIS OBRAS FILOSÓFICAS
As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. Nesta última, Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico.
Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo:
1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado, como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza), Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento), Historia naturalis (História natural), onde tenta aplicar seu método pela primeira vez;
2) Escritos relacionados com a Instauratio magna, mas não incluídos em seu plano original. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida), onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por idéias de caráter científico. Além deste, destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés);
3) Instauratio magna, onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes: (a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências), sistematização do conjunto do saber humano, de acordo com as faculdades que o produzem; (b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), exposição do método indutivo, trabalho esse que reformula e repete o Novum organum; (c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia), versa sobre a coleta de dados empíricos; (d) Scala intellectus, sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto), contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método; (e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda), onde faz considerações à margem do novo método, visando mostrar o avanço por ele permitido; (f) Philosophia secunda, sive Scientia activa (Filosofia segunda ou Ciência ativa), seria o resultado final, oragnizado em um sistema de axiomas.
Links
http://ich.ufpel.edu.br/economia/professores/nelson/metodecon/novum_organum.pdf
Versão eletrônica do livro ?Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza?
Autor: Francis Bacon
Tradução e notas: José Aluysio Reis de Andrade
Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia) Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/
http://www.luminarium.org/sevenlit/bacon
Contem biografia, ensaios sobre Francis Bacon e uma loja virtual das obras disponíveis de e sobre o autor para compra. Em inglês.
Fonte: Todas as fontes constam na postagem LINHA DO TEMPO DA FILOSOFIA
Filósofo inglês, neopositivista, professor de metafísica na Universidade de Oxford (desde 1959). Fez-se conhecer através de seu livro "Linguagem, verdade e lógica" (1936), no qual defende as ideias do Círculo de Viena. Nos trabalhos posteriores "Os fundamentos do conhecimento empírico", 1940; "Pensamento e significado", 1947; "O problema do conhecimento", 1956, e outros. Ayer se afasta da forma ortodoxa do positivismo lógico e aproxima-se da filosofia linguística. Nestes trabalhos procura investigar segundo os princípios positivistas, a problemática filosófica (autenticidade do conhecimento, relação dos objetos materiais e os "dados sensoriais") através da análise dos conceitos correspondentes, traduzindo-os a uma terminologia "logicamente clara".
Principais Obras
- Ayer, A. J.- Linguagem, Verdade e Lógica. Lisboa. Editorial. Presença.1991 - Esse livro é considerado o manifesto do positivismo inglês. Com ele Ayer retoma as teses do Círculo de Viena sobre os seguintes critérios:
1.de verificação;
2.sobre a distinção entre enunciados empíricos e enunciados lógicos;
3.sobre a eliminação da metafísica;
4.sobre o caráter puramente subjetivo e emocional dos enunciados de ética e estética; etc.
- Ayer, A. J.- O Problema do Conhecimento. Lisboa. Editora Ulisseia. s/d.
- Ayer, A. J.- As Questões Centrais da Filosofia. Rio de Janeiro.Zahar.1975
- Ayer, A. J.- Hume. Lisboa. Pub. D. Quixote.
- Ayer, A. J.- As Idéias de Bertrand Russel. São Paulo. Cultrix. 1984
Links
http://plato.stanford.edu/entries/ayer/ Link para página em inglês sobre o filósofo
Frases
"Concluo pois que as condições necessárias e suficientes para o conhecimento de alguma coisa são: primeiro, que o que se diz conhecer seja verdadeiro; segundo, que estejamos certo disso; terceiro, que tenhamos o direito de estar certos" (O Problema do Conhecimento, trad. Português de Vieira de Almeida, p.32)
Principais Obras
- Ayer, A. J.- Linguagem, Verdade e Lógica. Lisboa. Editorial. Presença.1991 - Esse livro é considerado o manifesto do positivismo inglês. Com ele Ayer retoma as teses do Círculo de Viena sobre os seguintes critérios:
1.de verificação;
2.sobre a distinção entre enunciados empíricos e enunciados lógicos;
3.sobre a eliminação da metafísica;
4.sobre o caráter puramente subjetivo e emocional dos enunciados de ética e estética; etc.
- Ayer, A. J.- O Problema do Conhecimento. Lisboa. Editora Ulisseia. s/d.
- Ayer, A. J.- As Questões Centrais da Filosofia. Rio de Janeiro.Zahar.1975
- Ayer, A. J.- Hume. Lisboa. Pub. D. Quixote.
- Ayer, A. J.- As Idéias de Bertrand Russel. São Paulo. Cultrix. 1984
Links
http://plato.stanford.edu/entries/ayer/ Link para página em inglês sobre o filósofo
Frases
"Concluo pois que as condições necessárias e suficientes para o conhecimento de alguma coisa são: primeiro, que o que se diz conhecer seja verdadeiro; segundo, que estejamos certo disso; terceiro, que tenhamos o direito de estar certos" (O Problema do Conhecimento, trad. Português de Vieira de Almeida, p.32)
Nasceu em 6 de janeiro de 1838 em Marienberg, então no império austro-húngaro. Em 1864 ordenou-se clérigo e foi professor, Privatdozent em filosofia (1866) e professor nomeado (1872) na universidade de Würzburg. O dogma da infalibilidade papal, proclamado em 1870, acentuou suas dúvidas religiosas e em 1873 ele decidiu abandonar o sacerdócio. Um ano depois publicou o livro Psychologie von empirischen Standpunkte (Psicologia do ponto de vista empírico), em que desenvolveu seu conceito de intencionalidade [1].
Mediante a recuperação do significado grego do termo "empírico" como relativo à experiência, Brentano defendeu uma psicologia que fosse ciência da alma, não limitada ao estudo experimental, mas baseada na análise das reações suscitadas pela experiência humana. Sustentou que a mente se refere aos objetos mediante diferentes formas de intencionalidade:
a) por percepção e idealização, incluindo sensação e imagem.
b) por julgamento, incluindo atos de reconhecimento, rejeição, e recordação; e
c) por amor ou ódio, o que leva em conta desejos, intenções, vontade e sentimentos a percepção e ideação, que incluem a sensação e a imaginação; o julgamento, que abarca atos de conhecimento, rejeição e aceitação; e o amor ou o ódio, que se estende aos desejos, intenções e sentimentos.
Sua decisão de se casar em 1880 foi impedida pelas autoridades austríacas, que não aceitaram sua renúncia às ordens sacras e, considerando-o ainda um padre, recusaram-lhe a permissão para o matrimônio. Sendo forçado a deixar sua cátedra na universidade e mudar-se com a esposa para Leipzig. No ano seguinte obteve permissão para voltar à universidade, porém somente para a antiga posição de professor, cujo salário dependia de quantidade de alunos que escolhessem sua disciplina. Lá permaneceu até 1895.
Gozava de grande popularidade entre os estudantes, entre os quais estavam Sigmund Freud, o psicólogo Carl Stumpf, e o filósofo Edmund Husserl.
Após 1895 Brentano abandonou a cátedra para entregar-se inteiramente à pesquisa, e em 1911 completou suas teorias com Von der Klassifikation der psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos fenômenos psíquicos). Sua obra exerceu grande influência e foi uma das bases do método fenomenológico desenvolvido por seu discípulo Edmund Husserl, bem como influenciou a Freud, "É impressionante o quanto provavelmente Brentano influenciou a Freud. Este assistiu suas aulas por pelo menos dois anos, e exatamente na época que Brentano publicou seu famoso livro de 1874, no qual seu equacionamento entre o físico e o psíquico, o psicossomático, é mais salientado. O quanto Freud retirou de Schopenhauer foi provavelmente através de Brentano, citado inúmeras vezes no referido livro, no qual Brentano também discute amplamente Nicolau von Hartman, precisamente na questão dos estados mentais inconscientes." (COBRA, Rubem Queiroz)
Brentano morreu em 17 de março de 1917, em Zurique, Suíça.
PRINCIPAIS OBRAS
*Psychologie von Empirischem Standpunkt (Psicologia segundo o ponto de vista empírico), de 1874. A segunda edição desta obra inclui ainda Von der Klassifikation der Psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos fenômenos psíquicos).
*Von Simmlichen um Poetishen Bewusstsein (Sobre a consciência sensorial e poética) (póstuma), de 1928
LINKS
http://plato.stanford.edu/entries/brentano/ (Sítio virtual contendo pequena biografia em inglês e links para outros sítios contendo obras de e sobre o Brentano.)
NOTAS
[1] Conceito filosófico segundo o qual conhecer significa captar algo, ter presente um objeto que não se reduz ao fato psicológico, mas é algo existente em si, real e empiricamente. Elaborado pelo austríaco Franz Brentano.
Fontes: Barsa Consultoria Editorial Ltda. e http://www.cobra.pages.nom.br
Mediante a recuperação do significado grego do termo "empírico" como relativo à experiência, Brentano defendeu uma psicologia que fosse ciência da alma, não limitada ao estudo experimental, mas baseada na análise das reações suscitadas pela experiência humana. Sustentou que a mente se refere aos objetos mediante diferentes formas de intencionalidade:
a) por percepção e idealização, incluindo sensação e imagem.
b) por julgamento, incluindo atos de reconhecimento, rejeição, e recordação; e
c) por amor ou ódio, o que leva em conta desejos, intenções, vontade e sentimentos a percepção e ideação, que incluem a sensação e a imaginação; o julgamento, que abarca atos de conhecimento, rejeição e aceitação; e o amor ou o ódio, que se estende aos desejos, intenções e sentimentos.
Sua decisão de se casar em 1880 foi impedida pelas autoridades austríacas, que não aceitaram sua renúncia às ordens sacras e, considerando-o ainda um padre, recusaram-lhe a permissão para o matrimônio. Sendo forçado a deixar sua cátedra na universidade e mudar-se com a esposa para Leipzig. No ano seguinte obteve permissão para voltar à universidade, porém somente para a antiga posição de professor, cujo salário dependia de quantidade de alunos que escolhessem sua disciplina. Lá permaneceu até 1895.
Gozava de grande popularidade entre os estudantes, entre os quais estavam Sigmund Freud, o psicólogo Carl Stumpf, e o filósofo Edmund Husserl.
Após 1895 Brentano abandonou a cátedra para entregar-se inteiramente à pesquisa, e em 1911 completou suas teorias com Von der Klassifikation der psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos fenômenos psíquicos). Sua obra exerceu grande influência e foi uma das bases do método fenomenológico desenvolvido por seu discípulo Edmund Husserl, bem como influenciou a Freud, "É impressionante o quanto provavelmente Brentano influenciou a Freud. Este assistiu suas aulas por pelo menos dois anos, e exatamente na época que Brentano publicou seu famoso livro de 1874, no qual seu equacionamento entre o físico e o psíquico, o psicossomático, é mais salientado. O quanto Freud retirou de Schopenhauer foi provavelmente através de Brentano, citado inúmeras vezes no referido livro, no qual Brentano também discute amplamente Nicolau von Hartman, precisamente na questão dos estados mentais inconscientes." (COBRA, Rubem Queiroz)
Brentano morreu em 17 de março de 1917, em Zurique, Suíça.
PRINCIPAIS OBRAS
*Psychologie von Empirischem Standpunkt (Psicologia segundo o ponto de vista empírico), de 1874. A segunda edição desta obra inclui ainda Von der Klassifikation der Psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos fenômenos psíquicos).
*Von Simmlichen um Poetishen Bewusstsein (Sobre a consciência sensorial e poética) (póstuma), de 1928
LINKS
http://plato.stanford.edu/entries/brentano/ (Sítio virtual contendo pequena biografia em inglês e links para outros sítios contendo obras de e sobre o Brentano.)
NOTAS
[1] Conceito filosófico segundo o qual conhecer significa captar algo, ter presente um objeto que não se reduz ao fato psicológico, mas é algo existente em si, real e empiricamente. Elaborado pelo austríaco Franz Brentano.
Fontes: Barsa Consultoria Editorial Ltda. e http://www.cobra.pages.nom.br
EDGAR MORIN - O FILÓSOFO DA COMPLEXIDADE
A verdadeira esperança sabe que não tem certeza. É a esperança não no melhor dos mundos, mas em um mundo melhor. A origem está diante de nós, disse Heidegger. A metamorfose seria efetivamente uma nova origem. (Edgar Morin, jornal francês Le Monde, 9-01-2010)
O que lhe ensinou sua família? Ensinou-lhe o Mediterrâneo, o gosto pelo azeite, pela berinjela, pelo arroz com feijão-branco, pelas almôndegas de cordeiro aromatizadas, pelos folheados de queijo ou de espinafre. Todas estas substâncias e ingredientes incorporados por seus ancestrais na Espanha, na Toscana e na Salônica tornaram-se seus principais alimentos em Paris, onde nasceu e cresceu.
Sua historicidade é um encontro de vida e obra, pelo próprio Morin, onde ser e não-ser perdem, misturam seus sentidos. É o que se constata quando ainda diz: Muito cedo, minha vida orientou-se para o que deveria ser seu próprio trabalho. E tudo começa na madrugada quente de 8 de julho de 1921, perto das 4h, nasce Morin, o primeiro menino neto, filho de Vidal e Luna que receberam a missão familiar de unir os prenomes dos dois avós, porém, no intuito de não reforçarem a concorrência familiar optam por chamá-lo de Edgar Nahum. Em hebraico Nahum significa consolação para os judeus expulsos da Espanha no final do século XV.
Aos nove anos aprendia mais que tudo o que é a morte. Em 26 de junho de 1931, sua mãe é vítima de uma lesão no coração. Essa perda instalou a morte em seu ser como dor, horror e segredo. E por tempo escondeu de todos os membros de sua família. E passou a ouvir El reliquario mesmo sem entender a letra, que falava de amor e morte, porém o que Morin sentia era o amor infinito e a morte com fato irremediável enquanto ouvia a música. Esse acontecimento foi e é o acontecimento de sua vida.
Quando criança e adolescência se sentia sufocado pelo excesso de cuidado, as preocupações paterna de tê-lo sempre perto. No entanto, não lhe deram limites disciplinares, nem impuseram princípios morais rígidos, o que lhe permitiu tornar-se uma pessoa do mundo sem preconceitos , desenvolvendo por si próprio uma ética.
A partir de sua adolescência, por volta dos quatorze ou quinze anos sua compreensão do mundo lhe chega por uma cultura marcada por problemas sociais e questionamentos antropológicos. Sua cultura intelectual tinha autores tais como Balzac, Zola, Ramain Rolland, Anatole France, Tolstoi, Dostoievsky. Enquanto, o cinema contribuía para a sua própria descoberta, refletindo sobre a condição humana, pelas condições vividas pelo coração e pela razão. Para Morin, a escola lhe ensinou a França e por si mesmo aprendeu o resto - que lhe colhe de surpresa no momento que anda pela cidade, em que anda pela noite, quando está adormecendo ou acordando, questionando desesperadamente sem perder a esperança. Morin responsabiliza seu conhecimento a sua caminhada autodidata.
Mais tarde, a partir das aulas de filosofia começa a ler ensaios de Montaigne e Rousseau. Apaixona-se pelos livros de Voltaire e Diderot que tratam da natureza humana. Entretanto, afasta-se da filosofia devido a uma péssima interseção com o seu professor. Daí descobre a música, adquiri o hábito de ir ao concerto do Conservatório. Em 1941, aos vinte anos esteve diante de tensões políticas e o marximos é, então, uma abertura, em vez de ver nele uma teoria reducionista que explica toda a história humana pela luta de classes, Morin passa a ver como a verdadeira ciência multidimensional. Filia-se então, ao Partido Comunista, em que atuaria por dez anos. Enquanto os marxistas oficiais eram exclusivistas e excludentes, Morin mantinha uma convivialidade, não se desviando de nenhuma escola de pensamento. Enquanto estudante, Morin não sentia nenhuma vocação profissional, sua preocupação era a de responder às suas necessidades de conhecimento. Então, dedicava-se aos estudos de História, Geografia, Sociologia, Direito e Ciências Políticas. Leu Hegel com o objetivo de enfrentar e superar as contradições maiores desses quatro anos de guerra, derrota, ocupação, resistência, tão pesados para o mundo e para a França. Mas se forma cedo em Sociologia.
E nesse período de fim de guerra que casa-se Violette Chapellaubeau, socióloga, amiga de escola e companheira desde 1941. Durante doze anos convivem com tudo que há de profundo, de sólido e de tranqüilizador. Segundo Morin, a sedimentação de anos de provações juntos parecia cimento definitivo. Edgar e Violette, tem duas filhas.
Seus relacionamentos são ampliados com a presença de Marguerite Duras e encontros notáveis com Albert Camus, Raymond Queneau e Merleau-Ponty. Nos anos que se seguiram lança seu primeiro livro, O ano zero da Alemanha. Entre 1949-51, passa seus dias na Biblioteca nacional na preparação de O homem e a morte. A partir daí, Morin desenvolve um saber que aos poucos chega à concepção da ideia de complexidade que o faz surgir tornando Karl Marx limitado.
Avançando o tempo de 1957 a 1962 funda com alguns amigos a Revista Arguments. A partir de então começa a fazer diagnósticos imediatos sobre os acontecimentos enquanto estavam ocorrendo na vida política e social. Publica O Espírito e o Tempo. Permanece sempre estudando e descobre as obras de Adorno, Marcuse, Horkheimer, Karl Korsch, do jovem Lukács e do Heidegger tardio. Nunca se deixava de estar submetido à pressão simultânea de duas idéias contrárias: o sentimento da irredutibilidade da contradição e o sentimento da complementaridade dos contrários.
Nesse processo de encontros, aprendizados, reaprendizados e reorganização dos princípios do conhecimento, Morin concebe a idéia de uma obra que se chamaria O Método, obra em que trabalhou desde meados da década de 1970 e da qual publicou seis volumes entre 1978 e 2004 ? trazendo o paradigma científico da modernidade, passando a ser reconhecido como o pioneiro e o principal teórico do paradigma emergente da ciência na virada do século XX para o XXI: o pensamento complexo.
As relações afetivas com as mulheres levam Morin a se debruçar sobre si pedindo injunção interior (usando o termo literal). E põe-se a pensar e a escrever, o que isso pode significar para si. Morin é um ser interligado e interligando-se a todo tempo, a todo instante, a cada experiência.. Nessa vida, diz Morin, as "relações" sufocam a relação com o outro. Os conhecimentos fazem com que diminuam as amizades. Assim, entre encontro e desencontro e desencontro e encontro, suas relações tornavam-se racionadas em seiva, privadas de sentimento. Era o que meditava nos anos que seguiam 1965. Em 1980 Morin se encontrava num novo casamento com a artista plástica Joahnne, No entanto, os anos que se seguem compreendem todo um trabalho intelectual onde a identidade humana é assistida numa perspectiva singular e complexa. Em Caldine, reencontra Edwiges, que havia conhecido em 1961, no Chile, casando-se com ela posteriormente. Nesse período faz amizade com alguns intelectuais italianos, pesquisadores e professores, que interessados no pensamento proposto por Morin, passam a trabalhar com ele e a divulgá-lo intensamente na Itália. 1981, Publicação de (Jornal de um Livro) e (Para Sair do Século XX). É agraciado com a Legião de Honra pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. 1982 Lança "Ciência com Consciência", onde destaca os limites, possibilidades e responsabilidades sociais da ciência. 1983, Publica ?Da Natureza da URSS: Complexo Totalitário e Novo Império?, no qual aprofunda sua análise do comunismo soviético e antecipa o rumo dos acontecimentos na era Gorbatchov: "uma evolução reformadora seguida de desintegração". 1984 participa do debate "O Problema Epistemológico da Complexidade" em Lisboa. Em Portugal seu pensamento encontra muita receptividade, principalmente na área da educação.
Então, é necessário dizer que não há lacuna, espaços vazios, ausência, de reflexão do momento em que esse filósofo sentiu a dor pela primeira vez e fez dela o amor pela humanidade. De 1984 a 2010, o pensamento complexo reintegra solidariedade e humanismo num presente e num futuro de incerteza, unificando prudência e audácia, radicalidade e compromisso.
Aos 88 anos, o filósofo francês Edgar Morin é hoje considerado um dos importantes pensadores vivos. Recente no Brasil a convite do diretor regional do SESC-SP marcou presença proferindo uma palestra sobre um novo modelo geopolítico, Pensar o Sul. Numa entrevista cedida durante sua permanência no Brasil, analisa o ceticismo dos escritores dizendo: A crise da humanidade deve-se em parte a uma crise do pensamento. A filosofia contemporânea está muito presa ao passado. O mundo dos intelectuais é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Nunca se precisou tanto deles e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta superficialidade nesse mundo. Penso num romance de Victor Hugo que se chama Quatrevingt-Treize (alusão ao ano 1793, em que Luís 16 foi decapitado e Robespierre espalhou o terror). Trata-se de um romance que mostra o horror provocado também por intelectuais de diferentes ideologias - um herói é condecorado por bravura e ao mesmo tempo condenado por negligência. Também é um ajuste de contas de Hugo com a história francesa e a própria história. É difícil escrever sem refletir sobre o presente, imaginando apenas o futuro. Temos de interagir com o mundo, participar dele, não apenas observar o que acontece. É o que mostra Muriel Barbery em L?Élégance du Hérisson (romance sobre um intelectual autodidata que, disfarçado de zelador inculto, interage com os moradores de seu prédio, entre eles um japonês). Recomendo entusiasticamente. É uma pequena maravilha. (MORIN, 2009).
A verdadeira esperança sabe que não tem certeza. É a esperança não no melhor dos mundos, mas em um mundo melhor. A origem está diante de nós, disse Heidegger. A metamorfose seria efetivamente uma nova origem. (Edgar Morin, jornal francês Le Monde, 9-01-2010)
O que lhe ensinou sua família? Ensinou-lhe o Mediterrâneo, o gosto pelo azeite, pela berinjela, pelo arroz com feijão-branco, pelas almôndegas de cordeiro aromatizadas, pelos folheados de queijo ou de espinafre. Todas estas substâncias e ingredientes incorporados por seus ancestrais na Espanha, na Toscana e na Salônica tornaram-se seus principais alimentos em Paris, onde nasceu e cresceu.
Sua historicidade é um encontro de vida e obra, pelo próprio Morin, onde ser e não-ser perdem, misturam seus sentidos. É o que se constata quando ainda diz: Muito cedo, minha vida orientou-se para o que deveria ser seu próprio trabalho. E tudo começa na madrugada quente de 8 de julho de 1921, perto das 4h, nasce Morin, o primeiro menino neto, filho de Vidal e Luna que receberam a missão familiar de unir os prenomes dos dois avós, porém, no intuito de não reforçarem a concorrência familiar optam por chamá-lo de Edgar Nahum. Em hebraico Nahum significa consolação para os judeus expulsos da Espanha no final do século XV.
Aos nove anos aprendia mais que tudo o que é a morte. Em 26 de junho de 1931, sua mãe é vítima de uma lesão no coração. Essa perda instalou a morte em seu ser como dor, horror e segredo. E por tempo escondeu de todos os membros de sua família. E passou a ouvir El reliquario mesmo sem entender a letra, que falava de amor e morte, porém o que Morin sentia era o amor infinito e a morte com fato irremediável enquanto ouvia a música. Esse acontecimento foi e é o acontecimento de sua vida.
Quando criança e adolescência se sentia sufocado pelo excesso de cuidado, as preocupações paterna de tê-lo sempre perto. No entanto, não lhe deram limites disciplinares, nem impuseram princípios morais rígidos, o que lhe permitiu tornar-se uma pessoa do mundo sem preconceitos , desenvolvendo por si próprio uma ética.
A partir de sua adolescência, por volta dos quatorze ou quinze anos sua compreensão do mundo lhe chega por uma cultura marcada por problemas sociais e questionamentos antropológicos. Sua cultura intelectual tinha autores tais como Balzac, Zola, Ramain Rolland, Anatole France, Tolstoi, Dostoievsky. Enquanto, o cinema contribuía para a sua própria descoberta, refletindo sobre a condição humana, pelas condições vividas pelo coração e pela razão. Para Morin, a escola lhe ensinou a França e por si mesmo aprendeu o resto - que lhe colhe de surpresa no momento que anda pela cidade, em que anda pela noite, quando está adormecendo ou acordando, questionando desesperadamente sem perder a esperança. Morin responsabiliza seu conhecimento a sua caminhada autodidata.
Mais tarde, a partir das aulas de filosofia começa a ler ensaios de Montaigne e Rousseau. Apaixona-se pelos livros de Voltaire e Diderot que tratam da natureza humana. Entretanto, afasta-se da filosofia devido a uma péssima interseção com o seu professor. Daí descobre a música, adquiri o hábito de ir ao concerto do Conservatório. Em 1941, aos vinte anos esteve diante de tensões políticas e o marximos é, então, uma abertura, em vez de ver nele uma teoria reducionista que explica toda a história humana pela luta de classes, Morin passa a ver como a verdadeira ciência multidimensional. Filia-se então, ao Partido Comunista, em que atuaria por dez anos. Enquanto os marxistas oficiais eram exclusivistas e excludentes, Morin mantinha uma convivialidade, não se desviando de nenhuma escola de pensamento. Enquanto estudante, Morin não sentia nenhuma vocação profissional, sua preocupação era a de responder às suas necessidades de conhecimento. Então, dedicava-se aos estudos de História, Geografia, Sociologia, Direito e Ciências Políticas. Leu Hegel com o objetivo de enfrentar e superar as contradições maiores desses quatro anos de guerra, derrota, ocupação, resistência, tão pesados para o mundo e para a França. Mas se forma cedo em Sociologia.
E nesse período de fim de guerra que casa-se Violette Chapellaubeau, socióloga, amiga de escola e companheira desde 1941. Durante doze anos convivem com tudo que há de profundo, de sólido e de tranqüilizador. Segundo Morin, a sedimentação de anos de provações juntos parecia cimento definitivo. Edgar e Violette, tem duas filhas.
Seus relacionamentos são ampliados com a presença de Marguerite Duras e encontros notáveis com Albert Camus, Raymond Queneau e Merleau-Ponty. Nos anos que se seguiram lança seu primeiro livro, O ano zero da Alemanha. Entre 1949-51, passa seus dias na Biblioteca nacional na preparação de O homem e a morte. A partir daí, Morin desenvolve um saber que aos poucos chega à concepção da ideia de complexidade que o faz surgir tornando Karl Marx limitado.
Avançando o tempo de 1957 a 1962 funda com alguns amigos a Revista Arguments. A partir de então começa a fazer diagnósticos imediatos sobre os acontecimentos enquanto estavam ocorrendo na vida política e social. Publica O Espírito e o Tempo. Permanece sempre estudando e descobre as obras de Adorno, Marcuse, Horkheimer, Karl Korsch, do jovem Lukács e do Heidegger tardio. Nunca se deixava de estar submetido à pressão simultânea de duas idéias contrárias: o sentimento da irredutibilidade da contradição e o sentimento da complementaridade dos contrários.
Nesse processo de encontros, aprendizados, reaprendizados e reorganização dos princípios do conhecimento, Morin concebe a idéia de uma obra que se chamaria O Método, obra em que trabalhou desde meados da década de 1970 e da qual publicou seis volumes entre 1978 e 2004 ? trazendo o paradigma científico da modernidade, passando a ser reconhecido como o pioneiro e o principal teórico do paradigma emergente da ciência na virada do século XX para o XXI: o pensamento complexo.
As relações afetivas com as mulheres levam Morin a se debruçar sobre si pedindo injunção interior (usando o termo literal). E põe-se a pensar e a escrever, o que isso pode significar para si. Morin é um ser interligado e interligando-se a todo tempo, a todo instante, a cada experiência.. Nessa vida, diz Morin, as "relações" sufocam a relação com o outro. Os conhecimentos fazem com que diminuam as amizades. Assim, entre encontro e desencontro e desencontro e encontro, suas relações tornavam-se racionadas em seiva, privadas de sentimento. Era o que meditava nos anos que seguiam 1965. Em 1980 Morin se encontrava num novo casamento com a artista plástica Joahnne, No entanto, os anos que se seguem compreendem todo um trabalho intelectual onde a identidade humana é assistida numa perspectiva singular e complexa. Em Caldine, reencontra Edwiges, que havia conhecido em 1961, no Chile, casando-se com ela posteriormente. Nesse período faz amizade com alguns intelectuais italianos, pesquisadores e professores, que interessados no pensamento proposto por Morin, passam a trabalhar com ele e a divulgá-lo intensamente na Itália. 1981, Publicação de (Jornal de um Livro) e (Para Sair do Século XX). É agraciado com a Legião de Honra pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. 1982 Lança "Ciência com Consciência", onde destaca os limites, possibilidades e responsabilidades sociais da ciência. 1983, Publica ?Da Natureza da URSS: Complexo Totalitário e Novo Império?, no qual aprofunda sua análise do comunismo soviético e antecipa o rumo dos acontecimentos na era Gorbatchov: "uma evolução reformadora seguida de desintegração". 1984 participa do debate "O Problema Epistemológico da Complexidade" em Lisboa. Em Portugal seu pensamento encontra muita receptividade, principalmente na área da educação.
Então, é necessário dizer que não há lacuna, espaços vazios, ausência, de reflexão do momento em que esse filósofo sentiu a dor pela primeira vez e fez dela o amor pela humanidade. De 1984 a 2010, o pensamento complexo reintegra solidariedade e humanismo num presente e num futuro de incerteza, unificando prudência e audácia, radicalidade e compromisso.
Aos 88 anos, o filósofo francês Edgar Morin é hoje considerado um dos importantes pensadores vivos. Recente no Brasil a convite do diretor regional do SESC-SP marcou presença proferindo uma palestra sobre um novo modelo geopolítico, Pensar o Sul. Numa entrevista cedida durante sua permanência no Brasil, analisa o ceticismo dos escritores dizendo: A crise da humanidade deve-se em parte a uma crise do pensamento. A filosofia contemporânea está muito presa ao passado. O mundo dos intelectuais é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Nunca se precisou tanto deles e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta superficialidade nesse mundo. Penso num romance de Victor Hugo que se chama Quatrevingt-Treize (alusão ao ano 1793, em que Luís 16 foi decapitado e Robespierre espalhou o terror). Trata-se de um romance que mostra o horror provocado também por intelectuais de diferentes ideologias - um herói é condecorado por bravura e ao mesmo tempo condenado por negligência. Também é um ajuste de contas de Hugo com a história francesa e a própria história. É difícil escrever sem refletir sobre o presente, imaginando apenas o futuro. Temos de interagir com o mundo, participar dele, não apenas observar o que acontece. É o que mostra Muriel Barbery em L?Élégance du Hérisson (romance sobre um intelectual autodidata que, disfarçado de zelador inculto, interage com os moradores de seu prédio, entre eles um japonês). Recomendo entusiasticamente. É uma pequena maravilha. (MORIN, 2009).
HANNAH ARENDT - História e Historicidade
História e Historicidade não andam na contramão na vida de Hannah Arendt, caminham, navegam e sobrevoam em tempos sombrios, onde a vida do espírito ganha reflexão entre o passado e o futura, em busca de uma política justa capaz de julgar com responsabilidade, religando liberdade privada e a liberdade pública, sem perder a condição humana, a pluralidade e a singularidade.
Existem pessoas que durante sua temporada existencial fecundam aos cuidados da própria historicidade valores elevados de interesse público e geralmente tudo isso acontece em tempos politicamente medíocre, em meio às calamidades cotidianas e insuficiências da política prática. Hannah Arendt nos deixou um legado, sua confiança na possibilidade de nós começarmos de novo, de fazer a coisa diferente, de sermos capazes de fazer o improvável e o incalculável.
Nascida em casa, Hanover, Baixa Saxônia, 14 de outubro de 1906, um domingo, às 21h30, depois de vinte e duas horas de contrações, conta sua mãe Martha num caderno intitulado Nosso Bebê (Unser kind), onde anotava a evolução física e psicológica da filha. Assim descreve a mãe, sua fase até os onze anos: Ela não gosta de ficar sozinha; rir com as canções alegres; chora com as sentimentais. O contexto de vida de Hannah Arendt foi em tempo de explícitos conflitos políticos que desembocavam em guerras e doenças, mortes de familiares queridos, seguidos de avó, tio e pai. A própria Hannah sofria de eczema desde criança.
Sua historicidade e história nasceram juntas, a cada passo constituíam-se em uma única vida, privada e pública. Romances, amizades, família e sua formação intelectual e espiritual. Vinda de duas famílias judias liberais, cultas e com uma boa situação financeira, seguidores de uma política socialista, compartilham de um mundo igualitário. A relação de Hannah com ajudeidade vai constituir o fio condutor de sua vida, tanto pessoa quanto intelectual.
Hannah tem dez anos quando a revolução democrática de fevereiro, 1918, explode na Rússia, ano do nascimento do partido comunista alemão. Aos quinze anos compartilha com a mãe uma nova família, pois esta faz um novo casamento, onde tem que coabitar com duas filhas do padrasto. Clara de vinte anos e Eva de dezenove. Clara influenciou Hannah com seus livros, com seu amor a língua grega e sua paixão por poesia. Aos dezessete anos faz cursos de latim, grego e teologia cristã na universidade. Aqui começa a escrever seus poemas com questionamentos metafísicos que dizem:Nenuhuma palavra irrompe na escuridão/ Nenhum deus levanta sua mão ? Até onde meu olhar alcança/ vejo terra que se agiganta. Nenhuma forma se desprende, Nenhuma sombra pairante se dá. E continuo sempre apenas a ouvir: Tarde demais, tarde demais.
Uma mulher, uma pensadora, uma amante das paixões entre olhares, uma amante das paixões entre reflexões filosóficas, uma intelectual antes de tudo, ou não. Hannah é orientada pela própria vida a estudar filosofia. Por quê? Em 1964, responde a um jornalista: Fiz muitas vezes essa pergunta a mim mesma e só posso lhes responder: Desde os 14 anos ... Eu tinha lido Kant. Uma filósofa em constante vida do espírito reflexivo. O estudo da filosofia caminha junto com o de teologia, como compreender. Para Hannah o que a confrontava era como fazer teologia quando se é judia? Como encarar isso? Ela dizia que não tinha a menor ideia. Esses momento de tormentos do ser, a melancolia que tomava conta de seu ser, a ausência de lugar no mundo constituíram para a filósofa uma preparação mental e psíquica à descoberta da obra de Martin Heidegger. Hannah era uma filósofa fértil tanto de idéias quanto de amores, vivia cercada de amigos filósofos, que de amigos uma vez amores de primavera, de outono, depois de amores se tornavam amigos. É o que diz um poema de sua autoria: Se de novo nos virmos/ Brancos lilases irão florescer/ Te envolverei de mimos,/ De nada mais deves carecer. Queremos o tom da alegria, Que o vinho seco, Que as tílias perfumadas, Nos encontrem ainda juntos. Quando as folhas caírem/Deixa nossos caminhos porém se apartarem. Que adianta nossas fúrias se elevarem? É preciso simplesmente sofrer a separação. Hannah tem dezoito anos, é uma intelectual angustiada, que assume a tempestade do pensamento, quer compreender a totalidade da vida natural e espiritual, mas desconfia de qualquer dogmatismo.
Porém encontrar Heidegger no seu caminho de leituras e nos corredores e salas de aula e seminários, esse encontro a leva a um novo amor intelectual e emocional, dois romances. E passa a interrogação filosófica a questionar os problemas da existência. Porém o mundo de Hannah é abalado pelas guerras e perseguições. O chão foge sob seus pés. Porém continua seus estudos sobre a fenomenologia de Husserl, se interessa por Nietezsche, Kiekegaarde, faz curso de Karl Jaspers. Inicia sua amizade com Walter Benjamin. 1926-27. Torna-se assistente de Max Scheler e em 1928 conclui sua primeira obra filosófica, Do Ter, constituída de sete capítulos sobre a antropologia do conhecimento. E seguido de uma tese sobre O conceito de amor em Santo Agostinho sob a orientação de Karl Jaspers. Hannah se casa em Berlim em junho de 1929. Em 1930 faz uma conferência sobre Rahel Varnhagen, é alemã ou judia? Neste ano Hannah rompe toda relação com Heidegger e o coloca no campo dos inimigos irredutíveis. Não há futuro sem Hitler, Hitler é o nosso futuro. É o que Heidegger diz, escreve e publica.
Presa e solta depois de oito dias na prisão, Hannah antecipa sua partida, ela saiu da Alemanha e foi para Paris, a capital francesa, onde entrou em contato com intelectuais como o escritor Walter Benjamin.
Nessa época, colaborou em instituições dedicadas a preparar jovens para viverem como operários ou agricultores na Palestina - ao mesmo tempo, trabalhou como secretária da baronesa Rotschild, de uma família de banqueiros.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo francês de Vichy colaborou com os invasores alemães e, por ser judia, Hannah foi enviada a um campo de concentração, em Gurs, como "estrangeira suspeita". Porém, conseguiu escapar e aportou em Nova York, em maio de 1941.
Exilada, ficou sem direitos políticos até 1951, quando conseguiu a cidadania norte-americana. Então começou realmente sua carreira acadêmica, que duraria até sua morte. Combateu com toda a alma os regimes totalitários e condenou-os em seus livros "Eichmann em Jerusalém" e "As origens do totalitarismo". No primeiro, estuda o conceito da "banalidade do mal". Em seus depoimentos, Eichmann disse que cumpria ordens e considerava desonesto não executar o trabalho que lhe foi dado, no caso, exterminar os judeus. Hannah concluiu que ele dizia a verdade: não se tratava de um malvado ou de um paranóico, mas de um homem comum, incapaz de pensar por si próprio, como a maior parte das pessoas. Essa afirmação é um eco da frase do filósofo e matemático francês Pascal (1623-1662) "Nada é mais difícil que pensar".
Então vejamos um pouco de algumas obras da filósofa:
1. O que é Política? Agosto de 1950, diz a filósofoa: a política trata da convivência entre diferentes.
2. A Condição Humana. 1958: A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha existir.
3. Entre o Passado e o Futuro. 1954: O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas, a partir dos tempos antigos, mostra o quanto parece natural iniciar um novo mundo com aqueles que por nascimento e por natureza novos.
4. Responsabilidade e Julgamento. 1960: A filosofia é uma atividade solitária, e parece apenas natural que a necessidade de filosofar surja em tempos de transição, quando os homens jão confiam na estabilidade do mundo e em seu papel neste mundo...
5. Homens em tempos sombrios. 1955: se o verdadeiro anel existisse, significaria o fim do discurso, e portanto da amizade, e portanto da humanidade.
6. Origem do Totalitarismo. 1973: Este livro é uma tentativa de compreender os fatos que, à primeira vista, pareciam apenas ultrajantes. Repito: compreender não significa negar o ultrajante, subtrair o inaudito do que tem precedentes, ou explicar fenômenos por meio de analogias e generalidades tais que deixa de sentir o impacto da realidade e o choque da experiência. Significa antes examinar e suportar conscientemente o fardo que os acontecimentos colocaram sobre nós. Compreender significa, em suma, encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela - qualquer que seja, veja a ser ou possa ter sido.
7. A Vida do Espírito. 1971: A questão que se impunha era: seria possível que a atividade do pensamento como tal - o hábito de examinar o que quer que aconteça ou chame a atenção, independentemente de resultados e conteúdo específico - estivesse entre as condições que levam os homens a abster-se de fazer o mal, ou mesmo que ela realmente os condicione contra ele?
A Filósofo em 1975, após um jantar com amigos falece em sua cadeira de balanço, sentada, quieta sem reclamar.
História e Historicidade não andam na contramão na vida de Hannah Arendt, caminham, navegam e sobrevoam em tempos sombrios, onde a vida do espírito ganha reflexão entre o passado e o futura, em busca de uma política justa capaz de julgar com responsabilidade, religando liberdade privada e a liberdade pública, sem perder a condição humana, a pluralidade e a singularidade.
Existem pessoas que durante sua temporada existencial fecundam aos cuidados da própria historicidade valores elevados de interesse público e geralmente tudo isso acontece em tempos politicamente medíocre, em meio às calamidades cotidianas e insuficiências da política prática. Hannah Arendt nos deixou um legado, sua confiança na possibilidade de nós começarmos de novo, de fazer a coisa diferente, de sermos capazes de fazer o improvável e o incalculável.
Nascida em casa, Hanover, Baixa Saxônia, 14 de outubro de 1906, um domingo, às 21h30, depois de vinte e duas horas de contrações, conta sua mãe Martha num caderno intitulado Nosso Bebê (Unser kind), onde anotava a evolução física e psicológica da filha. Assim descreve a mãe, sua fase até os onze anos: Ela não gosta de ficar sozinha; rir com as canções alegres; chora com as sentimentais. O contexto de vida de Hannah Arendt foi em tempo de explícitos conflitos políticos que desembocavam em guerras e doenças, mortes de familiares queridos, seguidos de avó, tio e pai. A própria Hannah sofria de eczema desde criança.
Sua historicidade e história nasceram juntas, a cada passo constituíam-se em uma única vida, privada e pública. Romances, amizades, família e sua formação intelectual e espiritual. Vinda de duas famílias judias liberais, cultas e com uma boa situação financeira, seguidores de uma política socialista, compartilham de um mundo igualitário. A relação de Hannah com ajudeidade vai constituir o fio condutor de sua vida, tanto pessoa quanto intelectual.
Hannah tem dez anos quando a revolução democrática de fevereiro, 1918, explode na Rússia, ano do nascimento do partido comunista alemão. Aos quinze anos compartilha com a mãe uma nova família, pois esta faz um novo casamento, onde tem que coabitar com duas filhas do padrasto. Clara de vinte anos e Eva de dezenove. Clara influenciou Hannah com seus livros, com seu amor a língua grega e sua paixão por poesia. Aos dezessete anos faz cursos de latim, grego e teologia cristã na universidade. Aqui começa a escrever seus poemas com questionamentos metafísicos que dizem:Nenuhuma palavra irrompe na escuridão/ Nenhum deus levanta sua mão ? Até onde meu olhar alcança/ vejo terra que se agiganta. Nenhuma forma se desprende, Nenhuma sombra pairante se dá. E continuo sempre apenas a ouvir: Tarde demais, tarde demais.
Uma mulher, uma pensadora, uma amante das paixões entre olhares, uma amante das paixões entre reflexões filosóficas, uma intelectual antes de tudo, ou não. Hannah é orientada pela própria vida a estudar filosofia. Por quê? Em 1964, responde a um jornalista: Fiz muitas vezes essa pergunta a mim mesma e só posso lhes responder: Desde os 14 anos ... Eu tinha lido Kant. Uma filósofa em constante vida do espírito reflexivo. O estudo da filosofia caminha junto com o de teologia, como compreender. Para Hannah o que a confrontava era como fazer teologia quando se é judia? Como encarar isso? Ela dizia que não tinha a menor ideia. Esses momento de tormentos do ser, a melancolia que tomava conta de seu ser, a ausência de lugar no mundo constituíram para a filósofa uma preparação mental e psíquica à descoberta da obra de Martin Heidegger. Hannah era uma filósofa fértil tanto de idéias quanto de amores, vivia cercada de amigos filósofos, que de amigos uma vez amores de primavera, de outono, depois de amores se tornavam amigos. É o que diz um poema de sua autoria: Se de novo nos virmos/ Brancos lilases irão florescer/ Te envolverei de mimos,/ De nada mais deves carecer. Queremos o tom da alegria, Que o vinho seco, Que as tílias perfumadas, Nos encontrem ainda juntos. Quando as folhas caírem/Deixa nossos caminhos porém se apartarem. Que adianta nossas fúrias se elevarem? É preciso simplesmente sofrer a separação. Hannah tem dezoito anos, é uma intelectual angustiada, que assume a tempestade do pensamento, quer compreender a totalidade da vida natural e espiritual, mas desconfia de qualquer dogmatismo.
Porém encontrar Heidegger no seu caminho de leituras e nos corredores e salas de aula e seminários, esse encontro a leva a um novo amor intelectual e emocional, dois romances. E passa a interrogação filosófica a questionar os problemas da existência. Porém o mundo de Hannah é abalado pelas guerras e perseguições. O chão foge sob seus pés. Porém continua seus estudos sobre a fenomenologia de Husserl, se interessa por Nietezsche, Kiekegaarde, faz curso de Karl Jaspers. Inicia sua amizade com Walter Benjamin. 1926-27. Torna-se assistente de Max Scheler e em 1928 conclui sua primeira obra filosófica, Do Ter, constituída de sete capítulos sobre a antropologia do conhecimento. E seguido de uma tese sobre O conceito de amor em Santo Agostinho sob a orientação de Karl Jaspers. Hannah se casa em Berlim em junho de 1929. Em 1930 faz uma conferência sobre Rahel Varnhagen, é alemã ou judia? Neste ano Hannah rompe toda relação com Heidegger e o coloca no campo dos inimigos irredutíveis. Não há futuro sem Hitler, Hitler é o nosso futuro. É o que Heidegger diz, escreve e publica.
Presa e solta depois de oito dias na prisão, Hannah antecipa sua partida, ela saiu da Alemanha e foi para Paris, a capital francesa, onde entrou em contato com intelectuais como o escritor Walter Benjamin.
Nessa época, colaborou em instituições dedicadas a preparar jovens para viverem como operários ou agricultores na Palestina - ao mesmo tempo, trabalhou como secretária da baronesa Rotschild, de uma família de banqueiros.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo francês de Vichy colaborou com os invasores alemães e, por ser judia, Hannah foi enviada a um campo de concentração, em Gurs, como "estrangeira suspeita". Porém, conseguiu escapar e aportou em Nova York, em maio de 1941.
Exilada, ficou sem direitos políticos até 1951, quando conseguiu a cidadania norte-americana. Então começou realmente sua carreira acadêmica, que duraria até sua morte. Combateu com toda a alma os regimes totalitários e condenou-os em seus livros "Eichmann em Jerusalém" e "As origens do totalitarismo". No primeiro, estuda o conceito da "banalidade do mal". Em seus depoimentos, Eichmann disse que cumpria ordens e considerava desonesto não executar o trabalho que lhe foi dado, no caso, exterminar os judeus. Hannah concluiu que ele dizia a verdade: não se tratava de um malvado ou de um paranóico, mas de um homem comum, incapaz de pensar por si próprio, como a maior parte das pessoas. Essa afirmação é um eco da frase do filósofo e matemático francês Pascal (1623-1662) "Nada é mais difícil que pensar".
Então vejamos um pouco de algumas obras da filósofa:
1. O que é Política? Agosto de 1950, diz a filósofoa: a política trata da convivência entre diferentes.
2. A Condição Humana. 1958: A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha existir.
3. Entre o Passado e o Futuro. 1954: O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas, a partir dos tempos antigos, mostra o quanto parece natural iniciar um novo mundo com aqueles que por nascimento e por natureza novos.
4. Responsabilidade e Julgamento. 1960: A filosofia é uma atividade solitária, e parece apenas natural que a necessidade de filosofar surja em tempos de transição, quando os homens jão confiam na estabilidade do mundo e em seu papel neste mundo...
5. Homens em tempos sombrios. 1955: se o verdadeiro anel existisse, significaria o fim do discurso, e portanto da amizade, e portanto da humanidade.
6. Origem do Totalitarismo. 1973: Este livro é uma tentativa de compreender os fatos que, à primeira vista, pareciam apenas ultrajantes. Repito: compreender não significa negar o ultrajante, subtrair o inaudito do que tem precedentes, ou explicar fenômenos por meio de analogias e generalidades tais que deixa de sentir o impacto da realidade e o choque da experiência. Significa antes examinar e suportar conscientemente o fardo que os acontecimentos colocaram sobre nós. Compreender significa, em suma, encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela - qualquer que seja, veja a ser ou possa ter sido.
7. A Vida do Espírito. 1971: A questão que se impunha era: seria possível que a atividade do pensamento como tal - o hábito de examinar o que quer que aconteça ou chame a atenção, independentemente de resultados e conteúdo específico - estivesse entre as condições que levam os homens a abster-se de fazer o mal, ou mesmo que ela realmente os condicione contra ele?
A Filósofo em 1975, após um jantar com amigos falece em sua cadeira de balanço, sentada, quieta sem reclamar.
EMMANUEL LÉVINAS - FILÓSOFO DA ALTERIDADE
Sua vida teve começo na Lituânia, em Kaunas, janeiro de 1906. Herdeiro de uma cultura judaica cresceu em um ambiente em que as vozes soavam russo e hebraico, idiomas falados e estudados em sua casa. Aos nove anos de idade Lévinas sua infância recebia de seu pai, um livreiro, a influencia pelos livros. Foi quando, nesta época, os judeus foram expulsos da Lituânia e sua família foi obrigada a emigrar para a Ucrânia, onde Lévinas fez o curso secundário. Somente em 1929, aos vinte e três anos é que a família volta para Lituânia, porém o filósofo logo resolve morar sozinho, matriculando-se na Universidade de Estrasburgo.
Sua vida intelectual começa por curto período quando se torna seguidor da filosofia do processo de Henry Bérgson, seguido pela escola da fenomenologia de Edmund Husserl, ali estudo de 1928 a 1929, quando encontra Martin Heidegger. Porém, o filósofo segue para França a fim de completar sua primeira obra, A TEORIA DA INTUIÇÃO NA FENOMENOLOGIA DE HUSSERL, onde retém os princípios do método fenomenológico, que são, eminentemente primeiro, uma descrição dos atos do espírito, de sua intencionalidade e de suas afeições (de sua sensibilidade); segundo, uma reflexão a partir do indivíduo. É a partir dessas posições que emerge uma concepção particular de ética, compreendida como o permanente reconhecimento do outro. Também trabalha na tradução MEDITAÇÕES CARTESIANAS. No entanto mantinha distância das interpretações radicais dos textos fenomenológicos.
Nesse período, na França, ensinando na Aliança Israelita Universal, casa-se e nos anos que se seguem teve dois filhos. Conhece o existencialismo religioso de Gabriel Marcel. Surge no meio político o movimento Socialista Nacional, fato que o deixa transtornado, mas o fato que o entristece é o apoio ideológico que Martin Heidegger deu ao partido nazista. Neste momento, Lévinas publica seu primeiro artigo, REFLEXÕES SOBRE A FILOSOFIA DO HITLERISMO na Revista Esprit (Paris, 1934).
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Lévinas faz parte do exército francês como tradutor, pois tinha fluência nas línguas russa e alemã. No entanto, é capturado por volta de 1940 pelo exército alemão, sendo levado como prisioneiro para um campo de trabalhas forçados e não para o campo de concentração por estar de uniforme francês. Sua família em Lituana foi morta ainda nos primeiros anos da guerra. Na França sua esposa e seu primeiro filho foram levados rapidamente para um mosteiro pelo amigo Maurice Blanchot. Durante este tempo escreveu EXISTENTE E EXISTENTES, onde elabora a liberdade do existente sobre o existir. Ele constrói seu pensamento a partir de uma idéia de que consciência precisa das coisas para conceber-se, e as coisas precisam da consciência para ter sentido.
Fim da guerra. Lévinas tornou-se diretor de um instituto de estudos judaicos e durante quatro anos dedicou-se ao estudo intensivo do Talmude que resultou num escrito volumoso sobre JUDEIDADE. 1961 apresenta sua obra TOTALIDADE E INFINIDADE. 1973 ocupou a cátedra de filosofia na Sorbonne, aposentando-se em 1979. Leciona depois na universidade de Paris-Sorbone (1973-1984). Lévinas morreu dia 27 de dezembro de 1995,menos de uma semana antes de seu aniversário de 90 anos.
Sua vida teve começo na Lituânia, em Kaunas, janeiro de 1906. Herdeiro de uma cultura judaica cresceu em um ambiente em que as vozes soavam russo e hebraico, idiomas falados e estudados em sua casa. Aos nove anos de idade Lévinas sua infância recebia de seu pai, um livreiro, a influencia pelos livros. Foi quando, nesta época, os judeus foram expulsos da Lituânia e sua família foi obrigada a emigrar para a Ucrânia, onde Lévinas fez o curso secundário. Somente em 1929, aos vinte e três anos é que a família volta para Lituânia, porém o filósofo logo resolve morar sozinho, matriculando-se na Universidade de Estrasburgo.
Sua vida intelectual começa por curto período quando se torna seguidor da filosofia do processo de Henry Bérgson, seguido pela escola da fenomenologia de Edmund Husserl, ali estudo de 1928 a 1929, quando encontra Martin Heidegger. Porém, o filósofo segue para França a fim de completar sua primeira obra, A TEORIA DA INTUIÇÃO NA FENOMENOLOGIA DE HUSSERL, onde retém os princípios do método fenomenológico, que são, eminentemente primeiro, uma descrição dos atos do espírito, de sua intencionalidade e de suas afeições (de sua sensibilidade); segundo, uma reflexão a partir do indivíduo. É a partir dessas posições que emerge uma concepção particular de ética, compreendida como o permanente reconhecimento do outro. Também trabalha na tradução MEDITAÇÕES CARTESIANAS. No entanto mantinha distância das interpretações radicais dos textos fenomenológicos.
Nesse período, na França, ensinando na Aliança Israelita Universal, casa-se e nos anos que se seguem teve dois filhos. Conhece o existencialismo religioso de Gabriel Marcel. Surge no meio político o movimento Socialista Nacional, fato que o deixa transtornado, mas o fato que o entristece é o apoio ideológico que Martin Heidegger deu ao partido nazista. Neste momento, Lévinas publica seu primeiro artigo, REFLEXÕES SOBRE A FILOSOFIA DO HITLERISMO na Revista Esprit (Paris, 1934).
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Lévinas faz parte do exército francês como tradutor, pois tinha fluência nas línguas russa e alemã. No entanto, é capturado por volta de 1940 pelo exército alemão, sendo levado como prisioneiro para um campo de trabalhas forçados e não para o campo de concentração por estar de uniforme francês. Sua família em Lituana foi morta ainda nos primeiros anos da guerra. Na França sua esposa e seu primeiro filho foram levados rapidamente para um mosteiro pelo amigo Maurice Blanchot. Durante este tempo escreveu EXISTENTE E EXISTENTES, onde elabora a liberdade do existente sobre o existir. Ele constrói seu pensamento a partir de uma idéia de que consciência precisa das coisas para conceber-se, e as coisas precisam da consciência para ter sentido.
Fim da guerra. Lévinas tornou-se diretor de um instituto de estudos judaicos e durante quatro anos dedicou-se ao estudo intensivo do Talmude que resultou num escrito volumoso sobre JUDEIDADE. 1961 apresenta sua obra TOTALIDADE E INFINIDADE. 1973 ocupou a cátedra de filosofia na Sorbonne, aposentando-se em 1979. Leciona depois na universidade de Paris-Sorbone (1973-1984). Lévinas morreu dia 27 de dezembro de 1995,menos de uma semana antes de seu aniversário de 90 anos.
MICHEL ONFRAY é um filósofo francês. Nasceu em 1959, em Argentan, no seio de uma família de agricultores normandos. Doutorado em Filosofia, lecionou no ensino secundário durante 20 anos. Em 2002, fundou a Universidade Popular de Caen, uma universidade gratuita, cuja concepção assenta nos princípios do seu manifesto La communauté philosophique. Os seus escritos celebram o hedonismo, a razão e o ateísmo.
Tem publicado mais de trinta obras traduzidas a mais de quinze línguas e seu pensamento, fundamentado numa recuperação crítica das margens hedonistas, materialistas e radicalmente ateus da história da filosofia, converteu-se num discurso referencial de nossa época. Recentemente, Onfray publicou seu Tratado de ateología, que na França vendeu quase 200.000 cópias. A mesma editorial tem publicado já os dois primeiros volumes de outro importante projeto filosófico do autor: A contra-historia da filosofia.
Dentro da tradição do século 19, o filósofo Michel Onfray fundou, em 2002, uma a Universidade Popular de Caen, com o objetivo de democratizar a cultura, proporcionando gratuitamente o saber para o maior número possível de pessoas - um novo Jardim de Epicuro, mas fora das paredes, lançando as bases para uma autêntica "comunidade filosófica" contra o mercantilismo dos saberes. Dentro da lógica de Michel Onfray, a universidade popular se inspira na universidade tradicional (qualidade das informações, progressão pessoal, transmissão de um conteúdo antes de todo debate). O que justifica seu interesse pelo século 19, esta no objetivo de atingir o maior número de pessoas, que não precisariam fazer exames para poder vir ao encontro do saber e não pagavam nada para ter acesso ao conhecimento. Foi um pouco nesse espírito que ele veio criar o seu projeto. Quanto ao povo, acha que seria preciso defini-lo hoje como aquele que não exerce o poder, mas sobre o qual o poder é exercido. São pessoas privadas do saber de uma maneira geral.
Contudo, seu projeto conserva do café filosófico à abertura para todos os públicos, a utilização crítica dos saberes e a prática do diálogo. A fórmula precisa respeitar determinados critérios: os docentes são benévolos; as aulas são gratuitas; os participantes totalmente livres. Participa quem quer, sem precisar se inscrever previamente, sem condições de idade ou de diploma, e sem precisar submeter-se a um controle dos conhecimentos.
Os fãs o consideram um sucessor de Michel Foucault (1926-1984), o mais influente filósofo francês do século passado. Em seus livros, Onfray propõe o que chama de "projeto hedonista ético", em que defende o direito do ser humano ao prazer. Uma de suas obras, A Escultura de Si, ganhou em 1993 o Prêmio Médicis, o mais importante da França para jovens autores.
Atualmente, o filósofo frances, aos 51 anos dedica-se a sua produção filosófica e ao seu projeto educacional, pois segundo o próprio filósofo, os direitos autorais o possíbilita a ficar afastado da educação institucionalizada para se dar por inteiro a Universidade Popular de Caen e as aulas de contra-história da filosofia que atraem público de toda a França.
Tem publicado mais de trinta obras traduzidas a mais de quinze línguas e seu pensamento, fundamentado numa recuperação crítica das margens hedonistas, materialistas e radicalmente ateus da história da filosofia, converteu-se num discurso referencial de nossa época. Recentemente, Onfray publicou seu Tratado de ateología, que na França vendeu quase 200.000 cópias. A mesma editorial tem publicado já os dois primeiros volumes de outro importante projeto filosófico do autor: A contra-historia da filosofia.
Dentro da tradição do século 19, o filósofo Michel Onfray fundou, em 2002, uma a Universidade Popular de Caen, com o objetivo de democratizar a cultura, proporcionando gratuitamente o saber para o maior número possível de pessoas - um novo Jardim de Epicuro, mas fora das paredes, lançando as bases para uma autêntica "comunidade filosófica" contra o mercantilismo dos saberes. Dentro da lógica de Michel Onfray, a universidade popular se inspira na universidade tradicional (qualidade das informações, progressão pessoal, transmissão de um conteúdo antes de todo debate). O que justifica seu interesse pelo século 19, esta no objetivo de atingir o maior número de pessoas, que não precisariam fazer exames para poder vir ao encontro do saber e não pagavam nada para ter acesso ao conhecimento. Foi um pouco nesse espírito que ele veio criar o seu projeto. Quanto ao povo, acha que seria preciso defini-lo hoje como aquele que não exerce o poder, mas sobre o qual o poder é exercido. São pessoas privadas do saber de uma maneira geral.
Contudo, seu projeto conserva do café filosófico à abertura para todos os públicos, a utilização crítica dos saberes e a prática do diálogo. A fórmula precisa respeitar determinados critérios: os docentes são benévolos; as aulas são gratuitas; os participantes totalmente livres. Participa quem quer, sem precisar se inscrever previamente, sem condições de idade ou de diploma, e sem precisar submeter-se a um controle dos conhecimentos.
Os fãs o consideram um sucessor de Michel Foucault (1926-1984), o mais influente filósofo francês do século passado. Em seus livros, Onfray propõe o que chama de "projeto hedonista ético", em que defende o direito do ser humano ao prazer. Uma de suas obras, A Escultura de Si, ganhou em 1993 o Prêmio Médicis, o mais importante da França para jovens autores.
Atualmente, o filósofo frances, aos 51 anos dedica-se a sua produção filosófica e ao seu projeto educacional, pois segundo o próprio filósofo, os direitos autorais o possíbilita a ficar afastado da educação institucionalizada para se dar por inteiro a Universidade Popular de Caen e as aulas de contra-história da filosofia que atraem público de toda a França.
SÊNECA, UM INTERPRETE DA ALMA HUMANA
Na história intelectual das escolas filosóficas, o Estoicismo romano é do período helenista, no alvorecer da era cristã, que vai do início dos 300 a.C ao fim do século II d.C, marca o período de diluição entre as fronteiras e a distinção entre povos, difundindo-se para além de Atenas, chegando a Roma. Nos idos de 4 a.C a 65 a.C, Lúcio Aneu Sêneca, nascido em Córdoba (Espanha) estudou Direito em Roma, onde se destacaria como político, preceptor do futuro imperador Nero (37-68), mais tarde seu conselheiro. A visão de mundo trazida por Sêneca e seus contemporâneos é de caráter pouco abstrato do pensamento da versão romana que até então vigorava, onde as questões sobre a natureza nem sempre aparecem vinculadas à preocupação ética.
Sêneca rompera com essa tradição. Ele desenvolveu uma nova abordagem prática de filosofia, que compreendia a ética, pois considerava a filosofia um assunto eminentemente prático. Ele percebeu que estava trilhando uma nova concepção a respeito da filosofia, tanto que não hesitava em tomar de outras correntes filosóficas elementos que podiam contribuir para formular um pensamento que ensine a viver bem. Sêneca vai além do materialismo estóico, descobre a consciência como força espiritual e moral, ela é o conhecimento do bem e do mal, originário e ineliminável. E outra descoberta, ainda não pensada pela filosofia grega era a vontade como uma faculdade distinta do conhecimento. Porém, não soube dar um adequado fundamento teórico a essa descoberta.
Durante sua juventude seu interesse pela filosofia começou com o pitagorismo e posteriormente se interessou pelo estoicismo. Aos 26 anos foi escolhido para preceptor do Imperador Nero. Esteve à frente do império por quase dez anos.
Quanto ao agir humano, Sêneca deu grande importância à dimensão ética interior, negou qualquer valor às diferenças sociais e políticas dos homens: todos os homens são iguais enquanto tais. Não havia filósofo estóico que, mais do que ele, tenha-se oposto à instituição da escravidão exaltado o amor e a fraternidade entre os homens. E dedicou-se a observar as questões existenciais que buscavam consolação diante da dor.
Aos 44 anos, famoso intelectual e orador, faz um discurso no foro, acentuando seu pensamento contrário à instituição da escravidão e as distinções sociais, pondo como fundamento das relações entre os homens a fraternidade e o amor. Sêneca propõe que se deve comportar-se com os inferiores como gostarias que se comportassem contigo aqueles que te são superiores. Tal discurso provocou a ira do imperador romano Calígula, que se sente ofendido e decide matar Sêneca. O filósofo foi salvo por uma das amantes de Calígula que argumentou sobre a frágil saúde de Sêneca, que este não teria vida longa. Sobre sua doença, Sêneca declara que o médico dizia que a batida do pulso indicava uma agitação, mal definida de algo que perturbava as condições normais do organismo. No total o filósofo conheceu cinco imperadores romanos.
A moral romana ainda não conhecia um equilíbrio tão perfeito; e esse equilíbrio nascia num homem que sofria e lutava, que tirava experiência do pensador e do homem de Estado, sujeito a todas as exigências e conveniências da política; e que todavia sabia elevar-se acima da ruína causada por sanguinários tiranos ou por literatos aduladores. A doutrina moral de Sêneca nasce do amor; e também da dor. É uma contínua tentativa para fortalecer a alma contra as injúrias da sorte e da iniquidade humana; é um Diálogo da Clemência preparação do homem aos combates extremos: deve-se viver entre os próprios bens, entre as coisas mais queridas, como se a todo momento essas pudessem deixar-nos, como se a todo momento a vida mesma viesse a nos faltar. Sêneca se dedicou a observa as dores humanas, o sofrimento, a angústia e a buscar a consolação, a sabedoria, que viessem tranqüilizar as alma infortunadas de temores.
Em 62 solicita permissão a Nero para se afastar dos negócios em Roma, e escreve seus trabalhos filosóficos mais importantes. Em 65 os inimigos de Sêneca fazem uma falsa denúncia a Nero que condena-o à morte através do suicídio. Esta morte foi uma agonia, como descreveu Tácito (Annales XV, 60-5) e foi esplêndidamente ilustrada por Rubens. Corta uma veia do pé em busca de uma morte tranquila. Porém demorou tanto a sangrar que pediu um banho quente para facilitar a hemorragia. Antes, lembra-se de um texto e chama um secretário para copiar um ditado. Enquanto a vida se esvai lentamente deixa seu pensamento imortal através da escrita. Ao final, como Sócrates, acabou tomando o veneno da cicuta.
Principais obras de Sêneca
- CONSOLAÇÃO A MÁRCIA (40 d. C.) - CONSOLAÇÃO A POLÍBIO (43 d. C.) - (56 d. C.) ? A VIDA FELIZ; - A TRANQUILIDADE DA ALMA; - A CONSTÂNCIA DO SÁBIO; AS RELAÇÕES HUMANAS (A amizade, os livros, a filosofia, o sábio e atitude perante a morte).
Na história intelectual das escolas filosóficas, o Estoicismo romano é do período helenista, no alvorecer da era cristã, que vai do início dos 300 a.C ao fim do século II d.C, marca o período de diluição entre as fronteiras e a distinção entre povos, difundindo-se para além de Atenas, chegando a Roma. Nos idos de 4 a.C a 65 a.C, Lúcio Aneu Sêneca, nascido em Córdoba (Espanha) estudou Direito em Roma, onde se destacaria como político, preceptor do futuro imperador Nero (37-68), mais tarde seu conselheiro. A visão de mundo trazida por Sêneca e seus contemporâneos é de caráter pouco abstrato do pensamento da versão romana que até então vigorava, onde as questões sobre a natureza nem sempre aparecem vinculadas à preocupação ética.
Sêneca rompera com essa tradição. Ele desenvolveu uma nova abordagem prática de filosofia, que compreendia a ética, pois considerava a filosofia um assunto eminentemente prático. Ele percebeu que estava trilhando uma nova concepção a respeito da filosofia, tanto que não hesitava em tomar de outras correntes filosóficas elementos que podiam contribuir para formular um pensamento que ensine a viver bem. Sêneca vai além do materialismo estóico, descobre a consciência como força espiritual e moral, ela é o conhecimento do bem e do mal, originário e ineliminável. E outra descoberta, ainda não pensada pela filosofia grega era a vontade como uma faculdade distinta do conhecimento. Porém, não soube dar um adequado fundamento teórico a essa descoberta.
Durante sua juventude seu interesse pela filosofia começou com o pitagorismo e posteriormente se interessou pelo estoicismo. Aos 26 anos foi escolhido para preceptor do Imperador Nero. Esteve à frente do império por quase dez anos.
Quanto ao agir humano, Sêneca deu grande importância à dimensão ética interior, negou qualquer valor às diferenças sociais e políticas dos homens: todos os homens são iguais enquanto tais. Não havia filósofo estóico que, mais do que ele, tenha-se oposto à instituição da escravidão exaltado o amor e a fraternidade entre os homens. E dedicou-se a observar as questões existenciais que buscavam consolação diante da dor.
Aos 44 anos, famoso intelectual e orador, faz um discurso no foro, acentuando seu pensamento contrário à instituição da escravidão e as distinções sociais, pondo como fundamento das relações entre os homens a fraternidade e o amor. Sêneca propõe que se deve comportar-se com os inferiores como gostarias que se comportassem contigo aqueles que te são superiores. Tal discurso provocou a ira do imperador romano Calígula, que se sente ofendido e decide matar Sêneca. O filósofo foi salvo por uma das amantes de Calígula que argumentou sobre a frágil saúde de Sêneca, que este não teria vida longa. Sobre sua doença, Sêneca declara que o médico dizia que a batida do pulso indicava uma agitação, mal definida de algo que perturbava as condições normais do organismo. No total o filósofo conheceu cinco imperadores romanos.
A moral romana ainda não conhecia um equilíbrio tão perfeito; e esse equilíbrio nascia num homem que sofria e lutava, que tirava experiência do pensador e do homem de Estado, sujeito a todas as exigências e conveniências da política; e que todavia sabia elevar-se acima da ruína causada por sanguinários tiranos ou por literatos aduladores. A doutrina moral de Sêneca nasce do amor; e também da dor. É uma contínua tentativa para fortalecer a alma contra as injúrias da sorte e da iniquidade humana; é um Diálogo da Clemência preparação do homem aos combates extremos: deve-se viver entre os próprios bens, entre as coisas mais queridas, como se a todo momento essas pudessem deixar-nos, como se a todo momento a vida mesma viesse a nos faltar. Sêneca se dedicou a observa as dores humanas, o sofrimento, a angústia e a buscar a consolação, a sabedoria, que viessem tranqüilizar as alma infortunadas de temores.
Em 62 solicita permissão a Nero para se afastar dos negócios em Roma, e escreve seus trabalhos filosóficos mais importantes. Em 65 os inimigos de Sêneca fazem uma falsa denúncia a Nero que condena-o à morte através do suicídio. Esta morte foi uma agonia, como descreveu Tácito (Annales XV, 60-5) e foi esplêndidamente ilustrada por Rubens. Corta uma veia do pé em busca de uma morte tranquila. Porém demorou tanto a sangrar que pediu um banho quente para facilitar a hemorragia. Antes, lembra-se de um texto e chama um secretário para copiar um ditado. Enquanto a vida se esvai lentamente deixa seu pensamento imortal através da escrita. Ao final, como Sócrates, acabou tomando o veneno da cicuta.
Principais obras de Sêneca
- CONSOLAÇÃO A MÁRCIA (40 d. C.) - CONSOLAÇÃO A POLÍBIO (43 d. C.) - (56 d. C.) ? A VIDA FELIZ; - A TRANQUILIDADE DA ALMA; - A CONSTÂNCIA DO SÁBIO; AS RELAÇÕES HUMANAS (A amizade, os livros, a filosofia, o sábio e atitude perante a morte).
LINHA DO TEMPO:
Como as biografias a serem postadas não seguirão, necessariamente, uma linha cronológica, tomei a liberdade de fazer essa pequena relação dos filósofos e alguns eventos importantes para a filosofia. Há, de forma bem sucinta, após o nome do filósofo a linha de pensamento a qual os pensadores são identificados, isso, principalmente aos primeiros filósofos, em virtude de pouco de suas obras terem sobrevivido ao tempo. O que for relacionado à filosofia brasileira está indicado com o nome BRASIL após o ano do evento. Esta relação estará sendo atualizada sempre com novos dados, afinal a filosofia é viva.
625 a.C.: Nasce TALES de Mileto.
610 a.C.: Nasce ANAXIMANDRO de Mileto
séc. VI a.C.: Início da filosofia ocidental com Tales de Mileto. São chamados físicos, que procuram o primeiro princípio das coisas.
585 a.C.: Nasce ANAXÍMENES de Mileto.
570 a.C.: Nasce PITÁGORAS. O real se reduz a números ou combinações de números. Nasce XENÓFANES de Colofão.
556 a.C.: Morre Tales de Mileto.
547 a.C.: Morre Anaximandro de Mileto.
540 a.C.:Nasce HERÁCLITO de Éfeso. O real é puro vir a ser.
530 a.C.: Nasce PARMÊNIDES de Eléia. O vir a ser é pura aparência: o ser é imóvel.
528 a.C.: Morrem Anaxímenes de Mileto e Xenófanes de Colofão.
504 a.C.: Nasce ZENÃO de Eléia.
500 a.C.: Nasce ANAXÁGORAS. Espiritualismo, o mundo é governado por uma inteligência.
496 a.C.: Morte de Pitágoras.
485 a.C.: Nasce GÓRGIAS.
480 a.C.: Nasce PROTÁGORAS, Sofística: ceticismo; fenomenismo; morre Heráclito de Éfeso
470 a.C.: Nasce SÓCRATES. Direciona a Atitude Filosófica para o homem. Conhece-te a ti mesmo. Morre Heráclito de Éfeso.
460 a.C.: Nasce DEMÓCRITO. Atomismo. Materialismo. Morre Parmênides de Eléia
440 a.C.: Nasce ANTÍSTENES. Fundador da Escola cínica.
435 a.C.: Nasce ARISTIPO de Cirene. Hedonismo.
430 a.C.: Nasce PLATÃO. Realismo ontológico. Teoria das Idéias.
428 a.C.: Morre Anaxágora.
411 a.C.: Morre Protágoras.
399 a.C.: Sócrates condenado à morte em Atenas.
387 a.C.: Platão funda a Academia em Atenas, a primeira universidade do planeta.
384 a.C.: Nasce ARISTÓTELES. Realismo moderado. Teoria do conceito.
380 a.C.: Morre Górgias
371 a.C.: Morre Demócrito
360 a.C.: Nasce PIRRO. Ceticismo universal.
347 a.C.: Morre Platão.
341 a.C.: Nasce EPICURO. Materialismo. Moral do prazer (ataraxia).
340 a.C.: Nasce ZENÃO de Citium. Estoicismo,
335 a.C.: Aristóteles funda o Liceu em Atenas, escola rival da Academia.
330 a.C.: Nasce EUCLIDES de Alexandria. Funda a geometria
322 a.C.: Morre Aristóteles.
287 a.C.: Nasce ARQUIMEDES. Ciência experimental.
270 a.C.: Morrem Pirro e Euclides de Alexandria
269 a.C.: Morre Epicuro
264 a.C.: Morre Zenão de Citium
214 a.C.: Nasce CARNÉADAS. Nova academia: probabilismo.
212 a.C.: Morre Arquimedes
129 a.C.: Morre Carneadas
106 a.C.: Nasce CÍCERO
98 a.C.: Nasce LUCRÉCIO
55 a.C.: Morre Lucrécio.
43 a.C.: Morre Cícero.
4: Nasce SÊNECA.
95: Nasce LUCRÉCIO. Atomismo. Materialismo.(sistema de Epicuro)
121: Nasce MARCO AURÉLIO
170: Nasce SEXTO EMPÍRICO. Ceticismo universal
180: Morre Marco Aurélio.
205: Nasce MANÉS. Maniqueísmo (dualismo).
324: O imperador Constantino muda a capital do Império Romano para Bizâncio.
354: Nasce SANTO AGOSTINHO.
400: Santo Agostinho escreve Confissões. A filosofia é absorvida pela teologia cristã. Neoplatonismo.
410: Roma é saqueada pelos visigodos.
430: Morre Santo Agostinho.
529: Fechamento da Academia em Atenas, pelo imperador Justiniano, marca o fim da era greco-romana e consolida a entrada na Alta Idade Média.
65: Morre Sêneca.
810: Nasce SCOTO ERIGENA. Neoplatonismo
875: Morre Scoto Erigena.
980: Nasce AVICENA. Aristotelismo.
1033: Nasce SANTO ANSELMO. Realismo Moderado.
1037: Morre Avicena
1050: Nasce ROSCELINO. Nominalismo.
106: Nasce CÍCERO. Ecletismo (probabilismo)
1079: Nasce ABELARDO. Conceitualismo.
1109: Morre Santo Anselmo
1120: Morre Roscelino
1126: Nasce AVERRÓES. Averroísmo (Panteísmo emanatista).
1135: Nasce MAIMÔNIDES. Sincretismo de aristotelismo e judaísmo.
1142: Morre Abelardo
1198: Morre Averróes.
meados do séc. XIII: Tomás de Aquino escreve seus comentários sobre Aristóteles. Era da filosofia escolástica.
1204: Morre Maimônides.
1206: Nasce SANTO ALBERTO, o grande. Aristotelismo.
1221: Nasce SÃO BOAVENTURA. Agostinianismo
1225: Nasce SANTO TOMÁS DE AQUINO. Síntese cristã do aristotelismo e do agostinismo.
1260: Nasce ECKART. Misticismo Neoplatônico.
1265: Nasce DANTE.
1266: Nasce DUNS SCOT. Voluntarismo.
1274: Morrem São Tomás e São Boaventura.
1280: Morre Santo Alberto, o grande.
1283: Morre Siger de Brebant. Averroísmo.
1290: Nasce OCKHAM. Nominalismo
1308: Morre Duns Scot.
1321: Morre Dante.
1322: Morre Pedro Auriol. Empirismo
1327: Morre Eckart.
1349: Morre Ockham.
1360: Morre Nicolau de Autricort.
1453: Queda de Bizâncio para os Turcos, fim do Império Bizantino.
1464: Morre Nicolau de Cusa. Neoplatonismo.
1469: Nasce MAQUIAVEL.
1492: Colombo chega à América. Renascimento em Florença e renovação do interesse pela aprendizagem do grego.
1527: Morre Maquiavel.
1533: Nasce MONTAIGNE. Ceticismo.
1543: Copérnico publica Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes, com um modelo matemático no qual a Terra gira em torno do Sol.
1548: Nascem GIORDANO BRUNO. Averróismo. e SUÁREZ. Ecletismo neotomista.
1549: BRASIL Chegada dos primeiros jesuítas com Tomé de Souza, sendo entregue À Companhia de Jesus o trabalho de catequese e ilustração.
1550: BRASIL Doação de terreno a Manuel da Nóbrega para a construção do primeiro colégio.
1556: BRASIL Funda-se o centro inicial de aprendizado; aplica-se a primeira legislação escolar da Companhia de Jesus.
1559: BRASIL As constituições exigem cinco anos para letras e sete para os estudos de filosofia.
1561: Nasce FRANCIS BACON. Empirismo.
1572: BRASIL Primeiros títulos universitários concedidos e primeiro curso de filosofia no país.
1572/75: BRASIL Primeiros títulos universitários concedidos e primeiro curso de filosofia no país destinado aos membros da Companhia de Jesus, ministrado pelo Pe. Gonçalo Leite.
1580: BRASIL Provável início do estudo oficial da filosofia no Brasil, em Olinda.
1588: Nasce HOBBES.
1592: Morre Montaigne.
1596: Nasce DESCARTES. Cartesianismo (Idealismo).
1608: BRASIL Nasce ANTONIO VIEIRA.
1613: Nasce LA ROCHEFOUCOULD.
1623: Nasce PASCAL.
1629: BRASIL Curso de Filosofia, de autoria do Padre Antonio Vieira, considerado como o primeiro livro de textos para lições que proferiu no curso de artes nos anos 1629 e 1632.
1632: Nascem LOCKE, empirismo e SPINOZA, panteísmo.
1633: Galileu é forçado pela Igreja a abjurar a teoria heliocêntrica, até que (e se) surgissem evidências conclusivas dessa hipótese.
1638: Nasce MALEBRANCHE. Ontologismo.
1641: Descartes publica Meditações, início da filosofia moderna.
1642: Morre Galileu Galilei.
1642: Nasce NEWTON.
1646: Nasce LEIBNIZ. Ecletismo idealista.
1650: Morre Descartes.
1662: Morre Pascal.
1677: Morre Spinoza. Publicação póstuma de sua obra Ética.
1679: Morre Hobbes
1685: Nasce GEROGE BEKELEY.
1687: Isaac Newton publica Principia, introduzindo o conceito de gravidade.
1689: Locke publica o Ensaio Sobre o Entendimento Humano. Início do Empirismo.
1689: Nasce MONTESQUIEU
1699: BRASIL Nasce Sebastião José de Carvalho e Melo, o MARQUÊS DE POMBAL.
1704: Morre Locke.
1705: BRASIL Nasce MATIAS AIRES.
1710: Berkeley publica Princípios do Conhecimento Humano, levando o empirismo a novos extremos.
1711: Nasce DAVID HUME.
1713: Nasce DIDEROT
1715: Nascem Etiènne Bonnot de CONDILLAC e Claude-Adrien HELVÉTIUS.
1716: Morte de Leibniz.
1718: BRASIL Nasce LUIZ ANTONIO VERNEY.
1724: Nasce IMMANUEL KANT.
1727: Morre Newton.
1739-40: Hume publica Tratado Sobre a Natureza Humana, conduzindo o empirismo a seus limites lógicos.
1740: BRASIL Nasce FRANCISCO SANTOS LEAL.
1747: BRASIL Publicação de Verdadeiro Método de Estudar, de Luiz A. Verney.
1752: BRASIL Publicação de Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, de Matias Aires.
1753: Morre Berkeley.
1755: Morte de Montesquieu.
1762: Nasce FICHTE.
1763: BRASIL Morre Matias Aires.
1769: BRASIL Nasce, em Lisboa, SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA, ministra no Brasil aula de filosofia entre 1810 a 1821.
1770: Nasce HEGEL.
1771: Morre Helvétius.
1772: Nasce Joseph-Marie DEGÉRANDO.
1773: BRASIL Suspensão da Companhia de Jesus no Brasil
1776: Morre David Hume.
1780: Morre Condillac.
1781: Kant, despertado de seu sono dogmático por Hume, publica a Crítica da Razão Pura. Início da grande era do idealismo alemão.
1782: BRASIL Morre Pombal.
1784: Morre Diderot.
1784: BRASIL Nascem FRANCISCO DE MONTALVERNE e DIOGO FEIJO.
1788: Nasce ARTHUR SCHOPENHAUER.
1788/92: BRASIL Publicação de História dos Filósofos Antigos e Modernos, de Francisco Leal.
1798: Nasce AUGUSTE COMTE. Positivismo.
1804: Morre Kant.
1807: Hegel publica Fenomenologia do Espírito: apogeu do idealismo alemão.
1808: BRASIL Chegada da corte portuguesa ao Brasil.
1813: Nasce KIERKEGAARD
1813: BRASIL Nasce MAUÁ; Silvestre Pinheiro Ferreira inicia curso de filosofia no Real Colégio de São Joaquim e publica Preleções Filosóficas sobre a Teórica dos Discursos e da Linguagem, a Estética, a Diceósina e a Cosmologia.
1814: Morre Fichte
1814: BRASIL Nasce PEDRO DE FIGUEIREDO.
1817: Morre Durkheim.
1818: Nasce KARL MARX.
1818: Schopenhauer publica O Mundo Como Vontade e Representação.
1818: BRASIL Morre Francisco Santos Leal; Padre Diogo Feijó em seus Cadernos de Filosofia dedica-se a transmitir os aspectos centrais do pensamento kantiano, sendo um dos seus primeiros divulgadores no país.
1822: BRASIL Proclamação da Independência do Brasil.
1824: BRASIL Nasce Manuel Maria de Moraes e Vale.
1827: BRASIL São criados os cursos jurídicos em São Paulo e Olinda, em cujas escolas se concentravam os núcleos mais importantes do debate de idéias novas; o pensamento filosófico começa a adquirir certa autonomia em nosso meio, sob a égide do romantismo,
1831: Morre Hegel.
1833: BRASIL Nasce Benjamin Constant Botelho de Magalhães
1835: BRASIL Feijó se torna regente do império.
1837: BRASIL Fundação do Colégio Pedro II.
1839: BRASIL Nasce Tobias Barreto; publicação em Paris de Noções Elementares de Filosofia Geral e Aplicada às Ideologias de Silvestre Pinheiro, com qual procurava superar o compêndio de Genuense, admitido no Brasil e além-mar como o livro de texto no ensino de filosofia.
1839: Nasce PEIRCE
1840: BRASIL Nasce Luís Pereira Barreto.
1842: Nasce WILLIAM JAMES. Morre Degérando.
1842: BRASIL Em Discurso sobre o Objeto e Importância da Filosofia, Gonçalves de Magalhães preconiza entusiasticamente o racionalismo como único método que deve orientar o estudo da filosofia, apesar de haver sido o mais alto representante da primeira fase romântica no Brasil. E resume a filosofia de seu tempo em quatro sistemas: sensualismo, espiritualismo, cepticismo e misticismo.
1843: BRASIL Morre Diogo Feijó.
1844: Nasce NIETZSCHE. Marx escreve Manuscritos de Filosofia e Economia que dão origem a teoria Marxista.
1844: BRASIL Apresentada à faculdade de Medicina de Salvador a tese Plano e Método de um Curso de Filosofia, de Justiniano da Silva Gomes, considerada a primeira manifestação do positivismo no Brasil.
1846: BRASIL Antonio Pedro de Figueiredo funda a revista O Progresso e traduz Curso de História da Filosofia Moderna, de Victor Cousin. Morre Silvestre Pinheiro Ferreira.
1848: Nasce FREGE
1850: BRASIL Abolição do tráfico negreiro.
1854: BRASIL Publicação de Investigação de Psicologia do méidco Eduardo Ferreira França.
1855: Morre Kierkegaard.
1855: BRASIL Morre Frei Francisco de MontAlverne.
1857: Nasce SAUSSURE
1857: Morre Comte.
1858: Nasce ÉMILE DURKHEIM.
1859: Nascem EDMUND HUSSERL e JOHN DEWEY.
1859: BRASIL Nascem Pedro Lessa e Clovis Beviláqua; morre Antonio Pedro de Figueiredo; publicada Compêndio de Filosofia, obra póstuma de frei Francisco de MontAlverne.
1860: Morre Schopenhauer.
1862: BRASIL Nasce Raymundo de Farias Brito.
1864: Nasce MAX WEBER.
1866: BRASIL Nasce Euclides da Cunha.
1868: BRASIL Em A Propósito de uma Teoria de Santo Tomás de Aquino, Tobias Barreto rompe com a filosofia dominante, adotando os princípios de Comte.
1872: Nasce RUSSELL
1874: BRASIL Publicação de Filosofia Teológica de Luís Pereira Barreto.
1876: BRASIL Publicação de Filosofia Metafísica de Luís Pereira Barreto; é fundada no Rio de Janeiro a primeira sociedade positivista.
1877: BRASIL Miguel Lemos publica Pequenos Ensaios Positivistas e, junto com Raimundo Teixeira Mendes, inaugura a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, transformada logo depois em Apostolado Positivista do Brasil.
1878: BRASIL Silvio Romero lança A Filosofia no Brasil, primeiro livro sobre a filosofia no país.
1879: Gottlob Frege, publica a Begriffsschrift (Conceitografia ou Ideografia), um marco na história da Lógica e da tradição posteriormente conhecida como filosofia analítica.
1882: Nietzsche, em sua obra Gaia Ciência afirma: Deus estava morto.
1882: BRASIL Morre Gonçalves de Magalhães.
1883: Nasce JOHN MAYNARD KEYNES.
1883: Morre marx.
1889: Nasce MARTIN HEIDEGGER.
1889: BRASIL Proclamação da República
1891: BRASIL Nasce ALCIDES BEZERRA.
1892: Nasce WALTER BENJAMIN. Escola de Frankfurt.
1892: Gottlob Frege, publica Sobre Sentido e Referência, onde apresenta um paradoxo envolvendo semântica e epistemologia, e também uma solução para o mesmo. O paradoxo envolve sinônimos e a possibilidade de uma pessoa desconhecer a relação de sinonímia. 1894: BRASIL Nascem Pontes de Miranda e Alceu Amoroso Lima.
1895: Nasce MAX HORKHEIMER. Escola de Frankfurt.
1895: BRASIL Publicação de A Filosofia como Atividade Permanente do Espírito, de Farias Brito.
1896: Nasce JEAN PIAGET e ROMAN JAKOBSON
1898: G.E.Moore publica The Nature of Judgment, uma das obras que inaugura a tradição da filosofia analítica na Inglaterra.
1899: Nasce MICHAL KALECKI e LOUIS HJELMSLEV
1899: BRASIL Publicação de A Filosofia Moderna, de Farias Brito.
1900: Morre Nietzsche.
1900: BRASIL Nasce Gilberto Freire; publicação de É a História uma Ciência de Pedro Lessa.
1902: Nasce KARL R. POPPER.
1902: BRASIL nasce Sérgio Buarque de Holanda e Leôncio Basbaum.
1903: Moore publica Principia Ethica.
1903: Nasce THEODOR W. ADORNO. Escola de Frankfurt.
1903: Bertrand Russell publica The Principles of Mathematics.
1905: Bertrand Russell publica seu artigo On Denoting, em que expõe pela primeira vez sua teoria das descrições definidas.
1905: nasce JEAN-PAUL SARTRE
1905: BRASIL Publicação de Evolução e Relatividade e A Verdade como Regra das Ações de Farias Brito.
1907: BRASIL Nascem CAIO PRADO JÚNIOR e DJACIR MENEZES.
1908: Nasce MAURICE MERLEAU-PONTY, existencialismo e CLAUDE LÉVI-STRAUSS, Antropologia Estruturalista.
1909: BRASIL Primeira universidade no Brasil: Manaus/AM
1910: Morre William James.
1910: Bertrand Russell e A.N. Whitehead publicam o primeiro volume de Principia Mathematica.
1910: BRASIL - Nasce MIGUEL REALE - Teoria Tridimensional do Direito.
1911: BRASIL Nascem EVALDO COUTINHO e NELSON WERNECK SODRÉ.
1912: BRASIL Nasce ANATOL ROSENFELD; publicação de Estudos de Filosofia do Direito de Pedro Lessa e A Base Física do Espírito de Farias Brito.
1912: Nasce Arne Dekke Eide Næss filósofo e ecologista norueguês, inventor da teoria da ecologia profunda.
1913: Morre Saussure.
1914: BRASIL Nascem ERNANI FIORI e EVARISTO DE MORAES FILHO; Morre Silvio Romero. Publicação de O Mundo Interior de Farias Brito.
1916: BRASIL Morre Miguel Lemos.
1917: BRASIL Morre Farias Brito.
1918: BRASIL Publicação de Filosofia da Arte, de Vicente Licínio Cardoso, e de Noções de História da Filosofia, de Pe. Leonel Franca.
1919: BRASIL Publicado Ensaio de crítica e filosofia de Alcides Bezerra. Nasce GILDA DE MELLO E SOUZA.
1920: Morre Max Weber.
1920: BRASIL Nasce Florestan Fernandes; criação da Universidade do Rio de Janeiro, primeira universidade criada por decreto; é lançado Estética da Vida. De Graça Aranha, que virá a influenciar no movimento modernista de 1922.
Década de 1920: O círculo de Viena (capitaneado por Rudolf Carnap e Moritz Schlick, entre outros) apresenta o positivismo lógico.
1921: Wittgenstein publica o Tractatus logico-phiosophicus, advogando a solução final para os problemas da filosofia.
1921: BRASIL Jackson de Figueiredo lança a revista A Ordem; nascem HENRIQUE CLAUDIO DE LIMA VAZ,Antropologia Filosófica; PAULO FREIRE, Pedagogia da Libertação e DARCI RIBEIRO, Antropologia e Sociologia; morre Paulo Lessa.
1922: BRASIL Semana de Arte Moderna; Jackson de Figueiredo cria o Centro Dom Vital.
1923: BRASIL Nasce PAULO MERCADANTE. Morre Pereira Barreto.
1925: Morre Frege.
1926: BRASIL É extinta a universidade Manaus.
1927: Heidegger publica a primeira parte de Ser e tempo, anunciando a ruptura entre a filosofia analítica e a continental.
1927: BRASIL Nascem ROQUE SPENCER MACIEL DE BARROS e ANTONIO PAIM.
1928: Nasce NOAM CHOMSKY. Rudolf Carnap publica Der logische Aufbau der Welt.
1928: BRASIL Morre Jackson de Figueiredo.
1929: Nasce JÜRGEN HABERMAS. Escola de Frankfurt
1929: BRASIL Nascem BENEDITO NUNES, GERD BORNHEIM e NEWTON DA COSTA.
1930: Kurt Gödel publica The Completeness of the axioms of the functional calculus of logic
1930: BRASIL Revolução de 1930,; nasce Gerd Bornheim.
1931: Gödel publica On formally undecidable propositions of Principia Mathematica and related systems I.
1931: BRASIL Estatuto das Universidades Brasileiras.
1933: BRASIL Nasce NELSON SALDANHA.
1934: BRASIL Criação da Universidade de São Paulo, primeira universidade do novo modelo.
1936: BRASIL Primeira edição de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.
1937: Carnap publica The Logical Syntax of Language.
1937: BRASIL Nasce BENTO PRADO JÚNIOR.
1938: Morre Husserl.
1938: BRASIL Morre Alcides Bezerra.
1940: Walter Benjamin suicida-se. Neste mesmo ano é publicada suas Teses sobre a Filosofia da História.
1940: BRASIL Chega ao Brasil Vilém Flusser, foragido da perseguição aos judeus.
1941: BRASIL Nasce MARILENA CHAUÍ
1942: Camus publica O Mito de Sisifo onde ele começa a desenvolver filosoficamente o conceito do Absurdo, retomando criticamente o pensamento dos filósofos anteriores à ele que também questionaram sobre o absurdo da existência.
1943: Sartre publica O ser e o nada, avançando no pensamento de Heidegger e instigando o surgimento do existencialismo.
1943: BRASIL Nasce RICARDO VÉLEZ RODRÍGUEZ.
1945: Morre Keynes.
1945: BRASIL Publicação de História Econômica no Brasil, de Caio Prado Júnior, e de A Filosofia no Brasil de João Cruz Costa.
1948: BRASIL Morre Leonel Franca.
1949: BRASIL Publicação de A doutrina de Kant no Brasil, de Miguel Reale.
1950: Carnap publica Empiricism, Semantic and Ontology.
1950: W.V.O. Quine publica Two Dogmas of Empiricism, que contem uma rejeição da distinção análitico/sintético.
1950: Peter Strawson publica On Referring, criticando aquele paradigma da filosofia (como disse Frank Ramsey), a teoria das descrições definidas de Russell.
1952: Camus publica O Homem Revoltado onde analisa historicamente o conceito de revolta e critica ferozmente o marxismo. Este livro marca o rompimento definitivo de sua amizade com Sartre (que defendia uma colaboração com a URSS), com o qual Camus não podia concordar diante das noticias que saiam por baixo da cortina de ferro. Morre John Dewey.
1953: Publicação póstuma de Investigações Filosóficas, de Wittgenstein. Auge da análise lingüística.
1954: É publicado Doença Mental e Psicologia, de Michel Foucault.
1954: BRASIL Publicação de Compêndio de Filosofia de Luiz Washington Vita.
1955: Morre Teilhard de Chardin, após a publicação de sua obra prima O Fenômeno Humano
1955: BRASIL Criação do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Criado para ser um núcleo irradiador de idéias e tinha como objetivo principal a discussão em torno do desenvolvimentismo, foi fechado com o golpe militar de 1964.
1957: BRASIL Publicação de A Filosofia no Brasil, de Hélio Jaguaribe; Ensaios Filosóficos, de Euríalo Cannabrava e O Brasil no Pensamento Brasileiro, com introdução, organização de Djacir Menezes.
1958: BRASIL Vilém Flusser engaja-se na comunidade filosófica brasileira, tornando-se membro do IBF.
1959: Strawson publica Individuals.
1959: BRASIL Publicação de O Ensino de Filosofia no Brasil, de Evaristo de Moraes Filho.
1960: Morre Albert Camus em um acidente de carro.
1960: BRASIL Publicação de Contribuição à História das Idéias no Brasil de João Cruz Costa.
1961: Morre Merleau-Ponty.
1962: Thomas Kuhn publica The Structure of Scientific Revolutions.
1962: BRASIL Publicação de História Sincera da República de Leôncio Basbaum.
1963: BRASIL Publicação de Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado.
1965: Karl Jaspers publica Kleine Schule Des Philosophischen Denkes (Introdução ao pensamento filosófico) série de pequenos ensaios feitos para um programa de televisão da Baviera.
1965: Morre Hjelmslev
1967: BRASIL Publicação de Panorama da Filosofia no Brasil, de Luís Washington Vita e de História das Idéias Filosóficas no Brasil de Antonio Paim. Bento Prado Júnior defende sua tese de livre-docência Presença e campo transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson, considerada referência internacional sobre o tema.
1968: Morre Luiz Washington Vita. Publicação de Passagem para o poético - Filosofia e Poesia em Heidegger de Benedito Nunes e Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale.
1969: Morrem Karl Jaspers e Theodor Adorno
1969: BRASIL Criação do CEBRAP, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Instituição de pesquisa interdisciplinar dedicado à análise da realidade social brasileira e à participação no debate político e institucional; morre Leôncio Basbaum.
1970: Morrem Bertrand Russell e Kalecki
1971: Saul Kripke publica Identity and Necessity.
1971: BRASIL Publicação de Texto e Contexto de Anatol Rosemfeld.
1972: Kripke publica a primeira edição de Naming and Necessity.
1972: BRASIL Publicação de Síntese da História da Cultura Brasileira, de Nelson Werneck Sodré e A Imagem Autônoma, de Evaldo Coutinho.
1973: Morre Max Horkheimer.
1973: BRASIL Publicação da Bibliografia Filosófica Brasileira: Período Contemporâneo: 1931-9171, Rio de Janeiro, pelo Departamento de Filosofia da UFRJ; morre Anatol Rosemfeld.
1975: Hilary Putnam publica O Significado do Significado.
1976: Morre Heidegger.
1976: BRASIL Publicação de Rumos da Filosofia Atual no Brasil em Auto-retratos, de Stanislaus Ladusans, e de A Filosofia no Brasil, de Geraldo Pinheiro Machado.
1977: David Kaplan profere as conferências publicadas mais tarde (1989) com o título Demonstratives-An Essay on the Semantics, Logic ,Metaphysics, and Epistemology of Demonstratives and other Indexicals.
1977: BRASIL Publicação de Dialética: teoria e prática, Gerd Bornheim.
1978: BRASIL Publicação de Militares e Civis: a ética e o compromisso, de Paulo Mercadante.
1979: Tyler Burge publica Individualism and the Mental. Stanley Cavell publica The Claim of Reason.
1979: BRASIL Publicação de Filósofos Brasileiros, de Guilhermo Francovich; Ensaio sobre os fundamentos da lógica de Newton da Costa e O Tupi e o Alaúde de Gilda Mello e Souza.
1980: Richard Rorty publica Philosophy and the Mirror of Nature.
1980: Xavier Zubiri publica Inteligencia Sentiente: Inteligencia y Realidad
1980: Morrem Jean-Paul Sartre e Jean Piaget.
1982: Kripke publica Wittgenstein on Rules and Private Language.
1982: Morre Jakobson.
1983: BRASIL Criação da ANPOF Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia; morre Alceu Amoroso Lima; publicação de 1000 Títulos de Autores Brasileiros, organizado por Geraldo Pinheiro Machado e Humanismo e história - Problemas de Teoria e Cultura de Nelson Saldanha.
1985: Bernard Williams publica Ethics and the Limits of Philosophy.
1985: BRASIL Morre Ernani Fiori.
1987: BRASIL Publicação da Bibliografia Filosófica Brasileira: Período Contemporâneo: 1931-1980, pelo Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro (Salvador/BA); publicação de Grandes Correntes da Filosofia no Século XX e suas Influências no Brasil, de Urbano Zilles e de História das Idéias no Brasil, de José Antonio Tobias; morre Gilberto Freire.
1988: BRASIL Publicação da Bibliografia Filosófica Brasileira: Período Contemporâneo: 1981-1985, pelo Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro (Salvador/BA).
1989: BRASIL Publicação de Presença e Campo Transcendental: Consciência e Negatividade na Filosofia de Bergson de Bento Prado Júnior.
1990: BRASIL Publicação de A Filosofia no Brasil Catálogo Sistemático dos Profissionais, Cursos, Entidades e Publicações da Área da Filosofia no Brasil, de Antonio Joaquim Severino e O Fenômeno Totalitário de Roque Spencer Maciel de Barros; morre Caio Prado Júnior.
1992: BRASIL Vilém Flusser morre em Robion, França.
1994: Robert B. Brandom publica Making It Explicit. John McDowell publica Mente e Mundo.
1995: BRASIL Publicação de Tópicos Especiais de filosofia moderna de Ricardo Vélez Rodríguez. Morrem Florestan Fernandes e Pontes de Miranda.
1996: BRASIL Morre Djacir Menezes.
1997: BRASIL Morrem Darci Ribeiro e Paulo Freire; publicação de Os Programas de Pós-graduação em Filosofia: 90-95, de Luís Alberto de Boni; publicação de Pequenos Estudos de Filosofia Brasileira de Aquiles Côrtes Guimarães, de História da Filosofia no Brasil de Jorge Jaime.
1998: João Paulo II publica Fides et Ratio.
1999: Patrick Glynn publica o livro God the Evidence: The Reconciliation of Faith and Reason in a Postsecular World.
1999: BRASIL Morrem Roque Spencer Maciel de Barros e Nelson Werneck Sodré. Publicação de Nervura do Real de Marilena Chauí.
2002: BRASIL Morrem Gerd Bornheim e Lima Vaz; publicação de Filosofia Brasileira ontogênese da consciência de si de Luiz Alberto Cerqueira
2005: BRASIL Morre Gilda de Mello e Souza.
2006: BRASIL - Morre Miguel Reale.
2007: Morre Richard Rorty.
2007: BRASIL Morrem Bento Prado Júnior e Evaldo Coutinho.
2009: Morrem Claude Levi-Strauss e Arne Dekke Eide Næss
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Responsável: Márcio José
fontes na rede:
http://afilosofia.no.sapo.pt/mileto.htm,
http://www.dominiopublico.gov.br
Bibliografia utilizada:
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CHAUI, Marilena - Filosofia - série Brasil Ed. Ática
CRIPPA, Adolpho (org.) - As idéias Filosóficas no Brasil - Ed. Convívio - 1978
CRUZ COSTA, João - Contribuição à História das idéias no Brasil - Civilização Brasileira - 1967
FEARN, Nicholas - Aprendendo a Filosofar - Jorge Zahar Editor - 2004
FERRATER MORA, José - Diccionario de Filosofia - Alianza Editorial - 1987
FRANCA, Pe. Leonel - Noções de História da Filosofia - Agir - 1960
FROST JR. S. E. - Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos - Ed. Cultrix - 1961
GUIMARÃES, Aquiles Côrtes - Pequenos Estudos de Filosofia Brasileira - NAU Editora - 1997
HUISMAN, Denis - Dicionário de Obras Filosóficas - Martins Fontes - 2000
HUISMAN, Denis - Dicionário dos Filósofos - Martins Fontes - 2001
JAGUARIBE, Hélio - A Filosofia no Brasil - ISEB - 1957
JOLIVET. R. - Curso de Filosofia - Agir - 1961
MACHADO, Geraldo Pinheiro - A Filosofia no Brasil - Cortez & Moraes - 1976
MARÍAS, Julián - Introdução à Filosofia - Livraria Duas Cidades - 1966
MATOS. Olgária - Filosofia a polifonia da razão - Ed. Scipione - 1997
PAIM, Antônio - História das idéias Filosóficas no Brasil - Ed. Convívio/INL - 1984
PAIM, Antônio - A Escola Cientificista Brasileira - Edições CEFIL 2002
PAIM, Antônio O Estudo do Pensamento Brasileiro Tempo Brasileiro - 1979
REZENDE, Antonio (org.) - Curso de Filosofia - Jorge Zahar Editor - 1988
SOUZA, Ricardo Timm de - O Brasil Filosófico - Perspectiva - 2003
VITA, Luís Washington - Compêndio de Filosofia - Edições Melhoramento - 1954
VITA, Luís Washington - Escorço da Filosofia no Brasil - Atlântida - 1964
VITA, Luís Washington - Introdução à Filosofia - Edições Melhoramento - 1965
Como as biografias a serem postadas não seguirão, necessariamente, uma linha cronológica, tomei a liberdade de fazer essa pequena relação dos filósofos e alguns eventos importantes para a filosofia. Há, de forma bem sucinta, após o nome do filósofo a linha de pensamento a qual os pensadores são identificados, isso, principalmente aos primeiros filósofos, em virtude de pouco de suas obras terem sobrevivido ao tempo. O que for relacionado à filosofia brasileira está indicado com o nome BRASIL após o ano do evento. Esta relação estará sendo atualizada sempre com novos dados, afinal a filosofia é viva.
625 a.C.: Nasce TALES de Mileto.
610 a.C.: Nasce ANAXIMANDRO de Mileto
séc. VI a.C.: Início da filosofia ocidental com Tales de Mileto. São chamados físicos, que procuram o primeiro princípio das coisas.
585 a.C.: Nasce ANAXÍMENES de Mileto.
570 a.C.: Nasce PITÁGORAS. O real se reduz a números ou combinações de números. Nasce XENÓFANES de Colofão.
556 a.C.: Morre Tales de Mileto.
547 a.C.: Morre Anaximandro de Mileto.
540 a.C.:Nasce HERÁCLITO de Éfeso. O real é puro vir a ser.
530 a.C.: Nasce PARMÊNIDES de Eléia. O vir a ser é pura aparência: o ser é imóvel.
528 a.C.: Morrem Anaxímenes de Mileto e Xenófanes de Colofão.
504 a.C.: Nasce ZENÃO de Eléia.
500 a.C.: Nasce ANAXÁGORAS. Espiritualismo, o mundo é governado por uma inteligência.
496 a.C.: Morte de Pitágoras.
485 a.C.: Nasce GÓRGIAS.
480 a.C.: Nasce PROTÁGORAS, Sofística: ceticismo; fenomenismo; morre Heráclito de Éfeso
470 a.C.: Nasce SÓCRATES. Direciona a Atitude Filosófica para o homem. Conhece-te a ti mesmo. Morre Heráclito de Éfeso.
460 a.C.: Nasce DEMÓCRITO. Atomismo. Materialismo. Morre Parmênides de Eléia
440 a.C.: Nasce ANTÍSTENES. Fundador da Escola cínica.
435 a.C.: Nasce ARISTIPO de Cirene. Hedonismo.
430 a.C.: Nasce PLATÃO. Realismo ontológico. Teoria das Idéias.
428 a.C.: Morre Anaxágora.
411 a.C.: Morre Protágoras.
399 a.C.: Sócrates condenado à morte em Atenas.
387 a.C.: Platão funda a Academia em Atenas, a primeira universidade do planeta.
384 a.C.: Nasce ARISTÓTELES. Realismo moderado. Teoria do conceito.
380 a.C.: Morre Górgias
371 a.C.: Morre Demócrito
360 a.C.: Nasce PIRRO. Ceticismo universal.
347 a.C.: Morre Platão.
341 a.C.: Nasce EPICURO. Materialismo. Moral do prazer (ataraxia).
340 a.C.: Nasce ZENÃO de Citium. Estoicismo,
335 a.C.: Aristóteles funda o Liceu em Atenas, escola rival da Academia.
330 a.C.: Nasce EUCLIDES de Alexandria. Funda a geometria
322 a.C.: Morre Aristóteles.
287 a.C.: Nasce ARQUIMEDES. Ciência experimental.
270 a.C.: Morrem Pirro e Euclides de Alexandria
269 a.C.: Morre Epicuro
264 a.C.: Morre Zenão de Citium
214 a.C.: Nasce CARNÉADAS. Nova academia: probabilismo.
212 a.C.: Morre Arquimedes
129 a.C.: Morre Carneadas
106 a.C.: Nasce CÍCERO
98 a.C.: Nasce LUCRÉCIO
55 a.C.: Morre Lucrécio.
43 a.C.: Morre Cícero.
4: Nasce SÊNECA.
95: Nasce LUCRÉCIO. Atomismo. Materialismo.(sistema de Epicuro)
121: Nasce MARCO AURÉLIO
170: Nasce SEXTO EMPÍRICO. Ceticismo universal
180: Morre Marco Aurélio.
205: Nasce MANÉS. Maniqueísmo (dualismo).
324: O imperador Constantino muda a capital do Império Romano para Bizâncio.
354: Nasce SANTO AGOSTINHO.
400: Santo Agostinho escreve Confissões. A filosofia é absorvida pela teologia cristã. Neoplatonismo.
410: Roma é saqueada pelos visigodos.
430: Morre Santo Agostinho.
529: Fechamento da Academia em Atenas, pelo imperador Justiniano, marca o fim da era greco-romana e consolida a entrada na Alta Idade Média.
65: Morre Sêneca.
810: Nasce SCOTO ERIGENA. Neoplatonismo
875: Morre Scoto Erigena.
980: Nasce AVICENA. Aristotelismo.
1033: Nasce SANTO ANSELMO. Realismo Moderado.
1037: Morre Avicena
1050: Nasce ROSCELINO. Nominalismo.
106: Nasce CÍCERO. Ecletismo (probabilismo)
1079: Nasce ABELARDO. Conceitualismo.
1109: Morre Santo Anselmo
1120: Morre Roscelino
1126: Nasce AVERRÓES. Averroísmo (Panteísmo emanatista).
1135: Nasce MAIMÔNIDES. Sincretismo de aristotelismo e judaísmo.
1142: Morre Abelardo
1198: Morre Averróes.
meados do séc. XIII: Tomás de Aquino escreve seus comentários sobre Aristóteles. Era da filosofia escolástica.
1204: Morre Maimônides.
1206: Nasce SANTO ALBERTO, o grande. Aristotelismo.
1221: Nasce SÃO BOAVENTURA. Agostinianismo
1225: Nasce SANTO TOMÁS DE AQUINO. Síntese cristã do aristotelismo e do agostinismo.
1260: Nasce ECKART. Misticismo Neoplatônico.
1265: Nasce DANTE.
1266: Nasce DUNS SCOT. Voluntarismo.
1274: Morrem São Tomás e São Boaventura.
1280: Morre Santo Alberto, o grande.
1283: Morre Siger de Brebant. Averroísmo.
1290: Nasce OCKHAM. Nominalismo
1308: Morre Duns Scot.
1321: Morre Dante.
1322: Morre Pedro Auriol. Empirismo
1327: Morre Eckart.
1349: Morre Ockham.
1360: Morre Nicolau de Autricort.
1453: Queda de Bizâncio para os Turcos, fim do Império Bizantino.
1464: Morre Nicolau de Cusa. Neoplatonismo.
1469: Nasce MAQUIAVEL.
1492: Colombo chega à América. Renascimento em Florença e renovação do interesse pela aprendizagem do grego.
1527: Morre Maquiavel.
1533: Nasce MONTAIGNE. Ceticismo.
1543: Copérnico publica Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes, com um modelo matemático no qual a Terra gira em torno do Sol.
1548: Nascem GIORDANO BRUNO. Averróismo. e SUÁREZ. Ecletismo neotomista.
1549: BRASIL Chegada dos primeiros jesuítas com Tomé de Souza, sendo entregue À Companhia de Jesus o trabalho de catequese e ilustração.
1550: BRASIL Doação de terreno a Manuel da Nóbrega para a construção do primeiro colégio.
1556: BRASIL Funda-se o centro inicial de aprendizado; aplica-se a primeira legislação escolar da Companhia de Jesus.
1559: BRASIL As constituições exigem cinco anos para letras e sete para os estudos de filosofia.
1561: Nasce FRANCIS BACON. Empirismo.
1572: BRASIL Primeiros títulos universitários concedidos e primeiro curso de filosofia no país.
1572/75: BRASIL Primeiros títulos universitários concedidos e primeiro curso de filosofia no país destinado aos membros da Companhia de Jesus, ministrado pelo Pe. Gonçalo Leite.
1580: BRASIL Provável início do estudo oficial da filosofia no Brasil, em Olinda.
1588: Nasce HOBBES.
1592: Morre Montaigne.
1596: Nasce DESCARTES. Cartesianismo (Idealismo).
1608: BRASIL Nasce ANTONIO VIEIRA.
1613: Nasce LA ROCHEFOUCOULD.
1623: Nasce PASCAL.
1629: BRASIL Curso de Filosofia, de autoria do Padre Antonio Vieira, considerado como o primeiro livro de textos para lições que proferiu no curso de artes nos anos 1629 e 1632.
1632: Nascem LOCKE, empirismo e SPINOZA, panteísmo.
1633: Galileu é forçado pela Igreja a abjurar a teoria heliocêntrica, até que (e se) surgissem evidências conclusivas dessa hipótese.
1638: Nasce MALEBRANCHE. Ontologismo.
1641: Descartes publica Meditações, início da filosofia moderna.
1642: Morre Galileu Galilei.
1642: Nasce NEWTON.
1646: Nasce LEIBNIZ. Ecletismo idealista.
1650: Morre Descartes.
1662: Morre Pascal.
1677: Morre Spinoza. Publicação póstuma de sua obra Ética.
1679: Morre Hobbes
1685: Nasce GEROGE BEKELEY.
1687: Isaac Newton publica Principia, introduzindo o conceito de gravidade.
1689: Locke publica o Ensaio Sobre o Entendimento Humano. Início do Empirismo.
1689: Nasce MONTESQUIEU
1699: BRASIL Nasce Sebastião José de Carvalho e Melo, o MARQUÊS DE POMBAL.
1704: Morre Locke.
1705: BRASIL Nasce MATIAS AIRES.
1710: Berkeley publica Princípios do Conhecimento Humano, levando o empirismo a novos extremos.
1711: Nasce DAVID HUME.
1713: Nasce DIDEROT
1715: Nascem Etiènne Bonnot de CONDILLAC e Claude-Adrien HELVÉTIUS.
1716: Morte de Leibniz.
1718: BRASIL Nasce LUIZ ANTONIO VERNEY.
1724: Nasce IMMANUEL KANT.
1727: Morre Newton.
1739-40: Hume publica Tratado Sobre a Natureza Humana, conduzindo o empirismo a seus limites lógicos.
1740: BRASIL Nasce FRANCISCO SANTOS LEAL.
1747: BRASIL Publicação de Verdadeiro Método de Estudar, de Luiz A. Verney.
1752: BRASIL Publicação de Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, de Matias Aires.
1753: Morre Berkeley.
1755: Morte de Montesquieu.
1762: Nasce FICHTE.
1763: BRASIL Morre Matias Aires.
1769: BRASIL Nasce, em Lisboa, SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA, ministra no Brasil aula de filosofia entre 1810 a 1821.
1770: Nasce HEGEL.
1771: Morre Helvétius.
1772: Nasce Joseph-Marie DEGÉRANDO.
1773: BRASIL Suspensão da Companhia de Jesus no Brasil
1776: Morre David Hume.
1780: Morre Condillac.
1781: Kant, despertado de seu sono dogmático por Hume, publica a Crítica da Razão Pura. Início da grande era do idealismo alemão.
1782: BRASIL Morre Pombal.
1784: Morre Diderot.
1784: BRASIL Nascem FRANCISCO DE MONTALVERNE e DIOGO FEIJO.
1788: Nasce ARTHUR SCHOPENHAUER.
1788/92: BRASIL Publicação de História dos Filósofos Antigos e Modernos, de Francisco Leal.
1798: Nasce AUGUSTE COMTE. Positivismo.
1804: Morre Kant.
1807: Hegel publica Fenomenologia do Espírito: apogeu do idealismo alemão.
1808: BRASIL Chegada da corte portuguesa ao Brasil.
1813: Nasce KIERKEGAARD
1813: BRASIL Nasce MAUÁ; Silvestre Pinheiro Ferreira inicia curso de filosofia no Real Colégio de São Joaquim e publica Preleções Filosóficas sobre a Teórica dos Discursos e da Linguagem, a Estética, a Diceósina e a Cosmologia.
1814: Morre Fichte
1814: BRASIL Nasce PEDRO DE FIGUEIREDO.
1817: Morre Durkheim.
1818: Nasce KARL MARX.
1818: Schopenhauer publica O Mundo Como Vontade e Representação.
1818: BRASIL Morre Francisco Santos Leal; Padre Diogo Feijó em seus Cadernos de Filosofia dedica-se a transmitir os aspectos centrais do pensamento kantiano, sendo um dos seus primeiros divulgadores no país.
1822: BRASIL Proclamação da Independência do Brasil.
1824: BRASIL Nasce Manuel Maria de Moraes e Vale.
1827: BRASIL São criados os cursos jurídicos em São Paulo e Olinda, em cujas escolas se concentravam os núcleos mais importantes do debate de idéias novas; o pensamento filosófico começa a adquirir certa autonomia em nosso meio, sob a égide do romantismo,
1831: Morre Hegel.
1833: BRASIL Nasce Benjamin Constant Botelho de Magalhães
1835: BRASIL Feijó se torna regente do império.
1837: BRASIL Fundação do Colégio Pedro II.
1839: BRASIL Nasce Tobias Barreto; publicação em Paris de Noções Elementares de Filosofia Geral e Aplicada às Ideologias de Silvestre Pinheiro, com qual procurava superar o compêndio de Genuense, admitido no Brasil e além-mar como o livro de texto no ensino de filosofia.
1839: Nasce PEIRCE
1840: BRASIL Nasce Luís Pereira Barreto.
1842: Nasce WILLIAM JAMES. Morre Degérando.
1842: BRASIL Em Discurso sobre o Objeto e Importância da Filosofia, Gonçalves de Magalhães preconiza entusiasticamente o racionalismo como único método que deve orientar o estudo da filosofia, apesar de haver sido o mais alto representante da primeira fase romântica no Brasil. E resume a filosofia de seu tempo em quatro sistemas: sensualismo, espiritualismo, cepticismo e misticismo.
1843: BRASIL Morre Diogo Feijó.
1844: Nasce NIETZSCHE. Marx escreve Manuscritos de Filosofia e Economia que dão origem a teoria Marxista.
1844: BRASIL Apresentada à faculdade de Medicina de Salvador a tese Plano e Método de um Curso de Filosofia, de Justiniano da Silva Gomes, considerada a primeira manifestação do positivismo no Brasil.
1846: BRASIL Antonio Pedro de Figueiredo funda a revista O Progresso e traduz Curso de História da Filosofia Moderna, de Victor Cousin. Morre Silvestre Pinheiro Ferreira.
1848: Nasce FREGE
1850: BRASIL Abolição do tráfico negreiro.
1854: BRASIL Publicação de Investigação de Psicologia do méidco Eduardo Ferreira França.
1855: Morre Kierkegaard.
1855: BRASIL Morre Frei Francisco de MontAlverne.
1857: Nasce SAUSSURE
1857: Morre Comte.
1858: Nasce ÉMILE DURKHEIM.
1859: Nascem EDMUND HUSSERL e JOHN DEWEY.
1859: BRASIL Nascem Pedro Lessa e Clovis Beviláqua; morre Antonio Pedro de Figueiredo; publicada Compêndio de Filosofia, obra póstuma de frei Francisco de MontAlverne.
1860: Morre Schopenhauer.
1862: BRASIL Nasce Raymundo de Farias Brito.
1864: Nasce MAX WEBER.
1866: BRASIL Nasce Euclides da Cunha.
1868: BRASIL Em A Propósito de uma Teoria de Santo Tomás de Aquino, Tobias Barreto rompe com a filosofia dominante, adotando os princípios de Comte.
1872: Nasce RUSSELL
1874: BRASIL Publicação de Filosofia Teológica de Luís Pereira Barreto.
1876: BRASIL Publicação de Filosofia Metafísica de Luís Pereira Barreto; é fundada no Rio de Janeiro a primeira sociedade positivista.
1877: BRASIL Miguel Lemos publica Pequenos Ensaios Positivistas e, junto com Raimundo Teixeira Mendes, inaugura a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, transformada logo depois em Apostolado Positivista do Brasil.
1878: BRASIL Silvio Romero lança A Filosofia no Brasil, primeiro livro sobre a filosofia no país.
1879: Gottlob Frege, publica a Begriffsschrift (Conceitografia ou Ideografia), um marco na história da Lógica e da tradição posteriormente conhecida como filosofia analítica.
1882: Nietzsche, em sua obra Gaia Ciência afirma: Deus estava morto.
1882: BRASIL Morre Gonçalves de Magalhães.
1883: Nasce JOHN MAYNARD KEYNES.
1883: Morre marx.
1889: Nasce MARTIN HEIDEGGER.
1889: BRASIL Proclamação da República
1891: BRASIL Nasce ALCIDES BEZERRA.
1892: Nasce WALTER BENJAMIN. Escola de Frankfurt.
1892: Gottlob Frege, publica Sobre Sentido e Referência, onde apresenta um paradoxo envolvendo semântica e epistemologia, e também uma solução para o mesmo. O paradoxo envolve sinônimos e a possibilidade de uma pessoa desconhecer a relação de sinonímia. 1894: BRASIL Nascem Pontes de Miranda e Alceu Amoroso Lima.
1895: Nasce MAX HORKHEIMER. Escola de Frankfurt.
1895: BRASIL Publicação de A Filosofia como Atividade Permanente do Espírito, de Farias Brito.
1896: Nasce JEAN PIAGET e ROMAN JAKOBSON
1898: G.E.Moore publica The Nature of Judgment, uma das obras que inaugura a tradição da filosofia analítica na Inglaterra.
1899: Nasce MICHAL KALECKI e LOUIS HJELMSLEV
1899: BRASIL Publicação de A Filosofia Moderna, de Farias Brito.
1900: Morre Nietzsche.
1900: BRASIL Nasce Gilberto Freire; publicação de É a História uma Ciência de Pedro Lessa.
1902: Nasce KARL R. POPPER.
1902: BRASIL nasce Sérgio Buarque de Holanda e Leôncio Basbaum.
1903: Moore publica Principia Ethica.
1903: Nasce THEODOR W. ADORNO. Escola de Frankfurt.
1903: Bertrand Russell publica The Principles of Mathematics.
1905: Bertrand Russell publica seu artigo On Denoting, em que expõe pela primeira vez sua teoria das descrições definidas.
1905: nasce JEAN-PAUL SARTRE
1905: BRASIL Publicação de Evolução e Relatividade e A Verdade como Regra das Ações de Farias Brito.
1907: BRASIL Nascem CAIO PRADO JÚNIOR e DJACIR MENEZES.
1908: Nasce MAURICE MERLEAU-PONTY, existencialismo e CLAUDE LÉVI-STRAUSS, Antropologia Estruturalista.
1909: BRASIL Primeira universidade no Brasil: Manaus/AM
1910: Morre William James.
1910: Bertrand Russell e A.N. Whitehead publicam o primeiro volume de Principia Mathematica.
1910: BRASIL - Nasce MIGUEL REALE - Teoria Tridimensional do Direito.
1911: BRASIL Nascem EVALDO COUTINHO e NELSON WERNECK SODRÉ.
1912: BRASIL Nasce ANATOL ROSENFELD; publicação de Estudos de Filosofia do Direito de Pedro Lessa e A Base Física do Espírito de Farias Brito.
1912: Nasce Arne Dekke Eide Næss filósofo e ecologista norueguês, inventor da teoria da ecologia profunda.
1913: Morre Saussure.
1914: BRASIL Nascem ERNANI FIORI e EVARISTO DE MORAES FILHO; Morre Silvio Romero. Publicação de O Mundo Interior de Farias Brito.
1916: BRASIL Morre Miguel Lemos.
1917: BRASIL Morre Farias Brito.
1918: BRASIL Publicação de Filosofia da Arte, de Vicente Licínio Cardoso, e de Noções de História da Filosofia, de Pe. Leonel Franca.
1919: BRASIL Publicado Ensaio de crítica e filosofia de Alcides Bezerra. Nasce GILDA DE MELLO E SOUZA.
1920: Morre Max Weber.
1920: BRASIL Nasce Florestan Fernandes; criação da Universidade do Rio de Janeiro, primeira universidade criada por decreto; é lançado Estética da Vida. De Graça Aranha, que virá a influenciar no movimento modernista de 1922.
Década de 1920: O círculo de Viena (capitaneado por Rudolf Carnap e Moritz Schlick, entre outros) apresenta o positivismo lógico.
1921: Wittgenstein publica o Tractatus logico-phiosophicus, advogando a solução final para os problemas da filosofia.
1921: BRASIL Jackson de Figueiredo lança a revista A Ordem; nascem HENRIQUE CLAUDIO DE LIMA VAZ,Antropologia Filosófica; PAULO FREIRE, Pedagogia da Libertação e DARCI RIBEIRO, Antropologia e Sociologia; morre Paulo Lessa.
1922: BRASIL Semana de Arte Moderna; Jackson de Figueiredo cria o Centro Dom Vital.
1923: BRASIL Nasce PAULO MERCADANTE. Morre Pereira Barreto.
1925: Morre Frege.
1926: BRASIL É extinta a universidade Manaus.
1927: Heidegger publica a primeira parte de Ser e tempo, anunciando a ruptura entre a filosofia analítica e a continental.
1927: BRASIL Nascem ROQUE SPENCER MACIEL DE BARROS e ANTONIO PAIM.
1928: Nasce NOAM CHOMSKY. Rudolf Carnap publica Der logische Aufbau der Welt.
1928: BRASIL Morre Jackson de Figueiredo.
1929: Nasce JÜRGEN HABERMAS. Escola de Frankfurt
1929: BRASIL Nascem BENEDITO NUNES, GERD BORNHEIM e NEWTON DA COSTA.
1930: Kurt Gödel publica The Completeness of the axioms of the functional calculus of logic
1930: BRASIL Revolução de 1930,; nasce Gerd Bornheim.
1931: Gödel publica On formally undecidable propositions of Principia Mathematica and related systems I.
1931: BRASIL Estatuto das Universidades Brasileiras.
1933: BRASIL Nasce NELSON SALDANHA.
1934: BRASIL Criação da Universidade de São Paulo, primeira universidade do novo modelo.
1936: BRASIL Primeira edição de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.
1937: Carnap publica The Logical Syntax of Language.
1937: BRASIL Nasce BENTO PRADO JÚNIOR.
1938: Morre Husserl.
1938: BRASIL Morre Alcides Bezerra.
1940: Walter Benjamin suicida-se. Neste mesmo ano é publicada suas Teses sobre a Filosofia da História.
1940: BRASIL Chega ao Brasil Vilém Flusser, foragido da perseguição aos judeus.
1941: BRASIL Nasce MARILENA CHAUÍ
1942: Camus publica O Mito de Sisifo onde ele começa a desenvolver filosoficamente o conceito do Absurdo, retomando criticamente o pensamento dos filósofos anteriores à ele que também questionaram sobre o absurdo da existência.
1943: Sartre publica O ser e o nada, avançando no pensamento de Heidegger e instigando o surgimento do existencialismo.
1943: BRASIL Nasce RICARDO VÉLEZ RODRÍGUEZ.
1945: Morre Keynes.
1945: BRASIL Publicação de História Econômica no Brasil, de Caio Prado Júnior, e de A Filosofia no Brasil de João Cruz Costa.
1948: BRASIL Morre Leonel Franca.
1949: BRASIL Publicação de A doutrina de Kant no Brasil, de Miguel Reale.
1950: Carnap publica Empiricism, Semantic and Ontology.
1950: W.V.O. Quine publica Two Dogmas of Empiricism, que contem uma rejeição da distinção análitico/sintético.
1950: Peter Strawson publica On Referring, criticando aquele paradigma da filosofia (como disse Frank Ramsey), a teoria das descrições definidas de Russell.
1952: Camus publica O Homem Revoltado onde analisa historicamente o conceito de revolta e critica ferozmente o marxismo. Este livro marca o rompimento definitivo de sua amizade com Sartre (que defendia uma colaboração com a URSS), com o qual Camus não podia concordar diante das noticias que saiam por baixo da cortina de ferro. Morre John Dewey.
1953: Publicação póstuma de Investigações Filosóficas, de Wittgenstein. Auge da análise lingüística.
1954: É publicado Doença Mental e Psicologia, de Michel Foucault.
1954: BRASIL Publicação de Compêndio de Filosofia de Luiz Washington Vita.
1955: Morre Teilhard de Chardin, após a publicação de sua obra prima O Fenômeno Humano
1955: BRASIL Criação do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Criado para ser um núcleo irradiador de idéias e tinha como objetivo principal a discussão em torno do desenvolvimentismo, foi fechado com o golpe militar de 1964.
1957: BRASIL Publicação de A Filosofia no Brasil, de Hélio Jaguaribe; Ensaios Filosóficos, de Euríalo Cannabrava e O Brasil no Pensamento Brasileiro, com introdução, organização de Djacir Menezes.
1958: BRASIL Vilém Flusser engaja-se na comunidade filosófica brasileira, tornando-se membro do IBF.
1959: Strawson publica Individuals.
1959: BRASIL Publicação de O Ensino de Filosofia no Brasil, de Evaristo de Moraes Filho.
1960: Morre Albert Camus em um acidente de carro.
1960: BRASIL Publicação de Contribuição à História das Idéias no Brasil de João Cruz Costa.
1961: Morre Merleau-Ponty.
1962: Thomas Kuhn publica The Structure of Scientific Revolutions.
1962: BRASIL Publicação de História Sincera da República de Leôncio Basbaum.
1963: BRASIL Publicação de Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado.
1965: Karl Jaspers publica Kleine Schule Des Philosophischen Denkes (Introdução ao pensamento filosófico) série de pequenos ensaios feitos para um programa de televisão da Baviera.
1965: Morre Hjelmslev
1967: BRASIL Publicação de Panorama da Filosofia no Brasil, de Luís Washington Vita e de História das Idéias Filosóficas no Brasil de Antonio Paim. Bento Prado Júnior defende sua tese de livre-docência Presença e campo transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson, considerada referência internacional sobre o tema.
1968: Morre Luiz Washington Vita. Publicação de Passagem para o poético - Filosofia e Poesia em Heidegger de Benedito Nunes e Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale.
1969: Morrem Karl Jaspers e Theodor Adorno
1969: BRASIL Criação do CEBRAP, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Instituição de pesquisa interdisciplinar dedicado à análise da realidade social brasileira e à participação no debate político e institucional; morre Leôncio Basbaum.
1970: Morrem Bertrand Russell e Kalecki
1971: Saul Kripke publica Identity and Necessity.
1971: BRASIL Publicação de Texto e Contexto de Anatol Rosemfeld.
1972: Kripke publica a primeira edição de Naming and Necessity.
1972: BRASIL Publicação de Síntese da História da Cultura Brasileira, de Nelson Werneck Sodré e A Imagem Autônoma, de Evaldo Coutinho.
1973: Morre Max Horkheimer.
1973: BRASIL Publicação da Bibliografia Filosófica Brasileira: Período Contemporâneo: 1931-9171, Rio de Janeiro, pelo Departamento de Filosofia da UFRJ; morre Anatol Rosemfeld.
1975: Hilary Putnam publica O Significado do Significado.
1976: Morre Heidegger.
1976: BRASIL Publicação de Rumos da Filosofia Atual no Brasil em Auto-retratos, de Stanislaus Ladusans, e de A Filosofia no Brasil, de Geraldo Pinheiro Machado.
1977: David Kaplan profere as conferências publicadas mais tarde (1989) com o título Demonstratives-An Essay on the Semantics, Logic ,Metaphysics, and Epistemology of Demonstratives and other Indexicals.
1977: BRASIL Publicação de Dialética: teoria e prática, Gerd Bornheim.
1978: BRASIL Publicação de Militares e Civis: a ética e o compromisso, de Paulo Mercadante.
1979: Tyler Burge publica Individualism and the Mental. Stanley Cavell publica The Claim of Reason.
1979: BRASIL Publicação de Filósofos Brasileiros, de Guilhermo Francovich; Ensaio sobre os fundamentos da lógica de Newton da Costa e O Tupi e o Alaúde de Gilda Mello e Souza.
1980: Richard Rorty publica Philosophy and the Mirror of Nature.
1980: Xavier Zubiri publica Inteligencia Sentiente: Inteligencia y Realidad
1980: Morrem Jean-Paul Sartre e Jean Piaget.
1982: Kripke publica Wittgenstein on Rules and Private Language.
1982: Morre Jakobson.
1983: BRASIL Criação da ANPOF Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia; morre Alceu Amoroso Lima; publicação de 1000 Títulos de Autores Brasileiros, organizado por Geraldo Pinheiro Machado e Humanismo e história - Problemas de Teoria e Cultura de Nelson Saldanha.
1985: Bernard Williams publica Ethics and the Limits of Philosophy.
1985: BRASIL Morre Ernani Fiori.
1987: BRASIL Publicação da Bibliografia Filosófica Brasileira: Período Contemporâneo: 1931-1980, pelo Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro (Salvador/BA); publicação de Grandes Correntes da Filosofia no Século XX e suas Influências no Brasil, de Urbano Zilles e de História das Idéias no Brasil, de José Antonio Tobias; morre Gilberto Freire.
1988: BRASIL Publicação da Bibliografia Filosófica Brasileira: Período Contemporâneo: 1981-1985, pelo Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro (Salvador/BA).
1989: BRASIL Publicação de Presença e Campo Transcendental: Consciência e Negatividade na Filosofia de Bergson de Bento Prado Júnior.
1990: BRASIL Publicação de A Filosofia no Brasil Catálogo Sistemático dos Profissionais, Cursos, Entidades e Publicações da Área da Filosofia no Brasil, de Antonio Joaquim Severino e O Fenômeno Totalitário de Roque Spencer Maciel de Barros; morre Caio Prado Júnior.
1992: BRASIL Vilém Flusser morre em Robion, França.
1994: Robert B. Brandom publica Making It Explicit. John McDowell publica Mente e Mundo.
1995: BRASIL Publicação de Tópicos Especiais de filosofia moderna de Ricardo Vélez Rodríguez. Morrem Florestan Fernandes e Pontes de Miranda.
1996: BRASIL Morre Djacir Menezes.
1997: BRASIL Morrem Darci Ribeiro e Paulo Freire; publicação de Os Programas de Pós-graduação em Filosofia: 90-95, de Luís Alberto de Boni; publicação de Pequenos Estudos de Filosofia Brasileira de Aquiles Côrtes Guimarães, de História da Filosofia no Brasil de Jorge Jaime.
1998: João Paulo II publica Fides et Ratio.
1999: Patrick Glynn publica o livro God the Evidence: The Reconciliation of Faith and Reason in a Postsecular World.
1999: BRASIL Morrem Roque Spencer Maciel de Barros e Nelson Werneck Sodré. Publicação de Nervura do Real de Marilena Chauí.
2002: BRASIL Morrem Gerd Bornheim e Lima Vaz; publicação de Filosofia Brasileira ontogênese da consciência de si de Luiz Alberto Cerqueira
2005: BRASIL Morre Gilda de Mello e Souza.
2006: BRASIL - Morre Miguel Reale.
2007: Morre Richard Rorty.
2007: BRASIL Morrem Bento Prado Júnior e Evaldo Coutinho.
2009: Morrem Claude Levi-Strauss e Arne Dekke Eide Næss
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Responsável: Márcio José
fontes na rede:
http://afilosofia.no.sapo.pt/mileto.htm,
http://www.dominiopublico.gov.br
Bibliografia utilizada:
BACCA, Juan David G. (trad. e notas) - Los Presocraticos - Fondo de Cultura Económica - 1980
BORNHEIM, Gerd A. - Os Filósofos Pré-Socráticos - Cultrix
CARVALHO, José Mauricio de - Antologia do Culturalismo Brasileiro - Edições CEFIL - 1998
CERQUEIRA, Luiz Alberto - Filosofia Brasileira - Vozes/Faperj - 2002
CHAUI, Marilena - Filosofia - série Brasil Ed. Ática
CRIPPA, Adolpho (org.) - As idéias Filosóficas no Brasil - Ed. Convívio - 1978
CRUZ COSTA, João - Contribuição à História das idéias no Brasil - Civilização Brasileira - 1967
FEARN, Nicholas - Aprendendo a Filosofar - Jorge Zahar Editor - 2004
FERRATER MORA, José - Diccionario de Filosofia - Alianza Editorial - 1987
FRANCA, Pe. Leonel - Noções de História da Filosofia - Agir - 1960
FROST JR. S. E. - Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos - Ed. Cultrix - 1961
GUIMARÃES, Aquiles Côrtes - Pequenos Estudos de Filosofia Brasileira - NAU Editora - 1997
HUISMAN, Denis - Dicionário de Obras Filosóficas - Martins Fontes - 2000
HUISMAN, Denis - Dicionário dos Filósofos - Martins Fontes - 2001
JAGUARIBE, Hélio - A Filosofia no Brasil - ISEB - 1957
JOLIVET. R. - Curso de Filosofia - Agir - 1961
MACHADO, Geraldo Pinheiro - A Filosofia no Brasil - Cortez & Moraes - 1976
MARÍAS, Julián - Introdução à Filosofia - Livraria Duas Cidades - 1966
MATOS. Olgária - Filosofia a polifonia da razão - Ed. Scipione - 1997
PAIM, Antônio - História das idéias Filosóficas no Brasil - Ed. Convívio/INL - 1984
PAIM, Antônio - A Escola Cientificista Brasileira - Edições CEFIL 2002
PAIM, Antônio O Estudo do Pensamento Brasileiro Tempo Brasileiro - 1979
REZENDE, Antonio (org.) - Curso de Filosofia - Jorge Zahar Editor - 1988
SOUZA, Ricardo Timm de - O Brasil Filosófico - Perspectiva - 2003
VITA, Luís Washington - Compêndio de Filosofia - Edições Melhoramento - 1954
VITA, Luís Washington - Escorço da Filosofia no Brasil - Atlântida - 1964
VITA, Luís Washington - Introdução à Filosofia - Edições Melhoramento - 1965
Nasceu em Dysert, no condado de Kilkenny, Irlanda, em 12 de março de 1685. Aos 15 anos ingressou no Trinity College da Universidade de Dublin, onde após sua formação permaneceu como professor até 1713. Ordenado ministro anglicano em 1709, foi nomeado bispo da diocese de Cloyne, Irlanda, em 1734.
Sua filosofia pode ser dividida em três partes: a primeira está contida em Um Ensaio Para um Nova Teoria da Visão (1709), cuja tese central diz que a apreensão perceptiva dos objetos se faz pelo sentido do tato e não pela visão. A segunda se caracteriza pela elaboração da teoria imaterialista, descrita em Tratado Sobre os Princípios do Conhecimento Humano(1710) e em Três diálogos entre Hylas e Philonous (1713). Em Siris (1744) está contida a terceira parte, onde ele expõe suas concepções neoplatônicas.
Sua teoria sobre a visão pretende demonstrar a natureza da percepção visual da distância, da grandeza e da posição dos objetos. Segundo ela, o fato de percebermos visualmente os objetos deve-se a uma associação entre certas sensações visuais e as idéias de distância, grandeza e posição proporcionadas pelo tato. À visão corresponderia apenas a percepção da luz e das cores.
A doutrina imaterialista, que constitui o núcleo da filosofia de Berkeley, nega enfaticamente a possibilidade de existirem idéias abstratas. Na verdade, nunca concebemos um triângulo que não seja isósceles ou equilátero, ou seja, correspondente a uma forma previamente percebida pelos sentidos a partir de um objeto particular. A generalidade que se pode atribuir às idéias [1] é a de sua significação: a idéia de um triângulo pode servir para representar qualquer triângulo. Essa generalidade, no entanto, não pode ser tomada como atributo da própria idéia, mas apenas como um sistema de relações com outras idéias do mesmo gênero.
Sumariamente, a doutrina imaterialista consiste na negação da matéria, negação que constitui o que Berkeley denominou "novo princípio". Berkeley nunca negou a existência dos objetos. De fato, eles existem, mas somente na condição de objetos percebidos. O que se nega é a substância material, já atingida por um processo de crítica que prolonga a negação das qualidades secundárias como qualidades de existência independente do perceptor que as apreende. Também as qualidades primárias dos objetos não têm existência independente. Assim, a existência das coisas, conceituadas como objetivação de idéias, supõe a dos espíritos. No entanto, Berkeley não entende os espíritos que dão garantia a esse processo como espíritos finitos, daí sua concepção platônica do espírito absoluto.
Ao postular a existência de Deus como espírito infinito e garantia derradeira do processo de conhecimento, Berkeley inverte a fórmula do senso comum. Ordinariamente, se acredita que todas as coisas são conhecidas ou percebidas por Deus porque se crê em sua existência. Berkeley, no entanto, concluiu a necessidade da existência do espírito absoluto pelo fato de que as coisas sensíveis devem ser percebidas por ele, sem o que elas desapareceriam.
"Ser é perceber ou ser percebido." Essa afirmação sintetiza a filosofia do imaterialismo de Berkeley, para quem os objetos são feixes de qualidades sensíveis e assim são apreendidos pelo espírito, num processo que garante sua objetivação.
A filosofia de Berkeley não teve muita repercussão em seu tempo, mas muitos de seus princípios são reencontrados no empirismo de David Hume e no idealismo alemão. Depois de viver vários anos em Londres, Berkeley tentou, infrutiferamente, fundar um colégio nas Bermudas para a educação de filhos de colonos e indígenas. Transferiu-se logo para Newport, nos Estados Unidos, onde pretendia implantar o ensino superior. Depois de um novo período na Irlanda, morreu em Oxford em 14 de janeiro de 1753.
PRINCIPAIS OBRAS
*TRATADO SOBRE OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO (1710)
A partir de pressupostos empiristas, Berkeley critica a noção tradicional de matéria e fundamenta seu imaterialismo no princípio de que ‘se é perceber ou ser percebido’.
*TRÊS DIÁLOGOS ENTRE HILAS E PHILONOUS (1713)
Os Diálogos se dão em três manhãs consecutivas, provavelmente no pátio de uma universidade, entre dois personagens que agora definiremos: Hylas que representa um leigo suficientemente educado e mais ou menos atualizado nas teorias científicas e filosóficas e que acredita na existência do mundo material e Philonous que representara o ponto de vista de Berkeley. Os Três Diálogos entre Hylas e Philonous, seriam, algo ingenuamente, os Três Diálogos entre a Matéria e o Espírito ou, sofisticadamente, os Debates entre a Matéria e a Inteligência Universal. O local dos diálogos assim como a condição e a idade dos personagens não são indicados com clareza, as referências às tulipas, as cerejas e a fonte, entretanto, supõem um jardim fechado; seu momento é a manhã e a época, se fiarmo-nos nas indicações esparsas, e a primavera. O Dialogo I concentra-se em mostrar que não há objetos dos sentidos nem nada parecido, fora da mente. As coisas "corpóreas" são idéias e a crença na substancia material implica na negação da realidade das coisas sensíveis. O objeto fundamental do Dialogo II é a "causa" das idéias e ele é construído para mostrar que somente Deus explica o mundo sensível: as substâncias materiais nada explicam e sua existência e uma impossibilidade. Berkeley começa ajustando suas contas com Descartes e Locke primeiro e depois com os materialistas, dizendo que não há explicação fisiológica possível para as "idéias". Esta pretensa explicação admite necessariamente a hipótese inconcebível da matéria atuar sobre o espírito. O cérebro, de qualquer forma, é um complexo de idéias e não pode de per-si ser causa de outras idéias; a única explicação admissível para a existência das idéias é uma mente infinita. O Diálogo III trata de uma miscelânea de objeções que podem ser levantadas à doutrina exposta. Nos dois primeiros diálogos, de modo geral, Philonous interroga e Hylas responde; aqui a situação inverte-se. A primeira parte deste dialogo resume tais objeções ao imaterialismo; a seguir estas são discutidas mais detidamente.
LINKS
http://www.maths.tcd.ie/~dwilkins/Berkeley (em inglês) Contem ligações para biografia do filósofo, e textos on line nos sites do Trinity College of Dublin, em outras páginas virtuais e um estudo sobre as controvérsias matemáticas de Berkeley com Newton e outros matemáticos.
http://georgeberkeley.tamu.edu (em inglês) Site da Sociedade Internacional Berkeley, voltada ao estudo da obra do filósofo.
Sua filosofia pode ser dividida em três partes: a primeira está contida em Um Ensaio Para um Nova Teoria da Visão (1709), cuja tese central diz que a apreensão perceptiva dos objetos se faz pelo sentido do tato e não pela visão. A segunda se caracteriza pela elaboração da teoria imaterialista, descrita em Tratado Sobre os Princípios do Conhecimento Humano(1710) e em Três diálogos entre Hylas e Philonous (1713). Em Siris (1744) está contida a terceira parte, onde ele expõe suas concepções neoplatônicas.
Sua teoria sobre a visão pretende demonstrar a natureza da percepção visual da distância, da grandeza e da posição dos objetos. Segundo ela, o fato de percebermos visualmente os objetos deve-se a uma associação entre certas sensações visuais e as idéias de distância, grandeza e posição proporcionadas pelo tato. À visão corresponderia apenas a percepção da luz e das cores.
A doutrina imaterialista, que constitui o núcleo da filosofia de Berkeley, nega enfaticamente a possibilidade de existirem idéias abstratas. Na verdade, nunca concebemos um triângulo que não seja isósceles ou equilátero, ou seja, correspondente a uma forma previamente percebida pelos sentidos a partir de um objeto particular. A generalidade que se pode atribuir às idéias [1] é a de sua significação: a idéia de um triângulo pode servir para representar qualquer triângulo. Essa generalidade, no entanto, não pode ser tomada como atributo da própria idéia, mas apenas como um sistema de relações com outras idéias do mesmo gênero.
Sumariamente, a doutrina imaterialista consiste na negação da matéria, negação que constitui o que Berkeley denominou "novo princípio". Berkeley nunca negou a existência dos objetos. De fato, eles existem, mas somente na condição de objetos percebidos. O que se nega é a substância material, já atingida por um processo de crítica que prolonga a negação das qualidades secundárias como qualidades de existência independente do perceptor que as apreende. Também as qualidades primárias dos objetos não têm existência independente. Assim, a existência das coisas, conceituadas como objetivação de idéias, supõe a dos espíritos. No entanto, Berkeley não entende os espíritos que dão garantia a esse processo como espíritos finitos, daí sua concepção platônica do espírito absoluto.
Ao postular a existência de Deus como espírito infinito e garantia derradeira do processo de conhecimento, Berkeley inverte a fórmula do senso comum. Ordinariamente, se acredita que todas as coisas são conhecidas ou percebidas por Deus porque se crê em sua existência. Berkeley, no entanto, concluiu a necessidade da existência do espírito absoluto pelo fato de que as coisas sensíveis devem ser percebidas por ele, sem o que elas desapareceriam.
"Ser é perceber ou ser percebido." Essa afirmação sintetiza a filosofia do imaterialismo de Berkeley, para quem os objetos são feixes de qualidades sensíveis e assim são apreendidos pelo espírito, num processo que garante sua objetivação.
A filosofia de Berkeley não teve muita repercussão em seu tempo, mas muitos de seus princípios são reencontrados no empirismo de David Hume e no idealismo alemão. Depois de viver vários anos em Londres, Berkeley tentou, infrutiferamente, fundar um colégio nas Bermudas para a educação de filhos de colonos e indígenas. Transferiu-se logo para Newport, nos Estados Unidos, onde pretendia implantar o ensino superior. Depois de um novo período na Irlanda, morreu em Oxford em 14 de janeiro de 1753.
PRINCIPAIS OBRAS
*TRATADO SOBRE OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO (1710)
A partir de pressupostos empiristas, Berkeley critica a noção tradicional de matéria e fundamenta seu imaterialismo no princípio de que ‘se é perceber ou ser percebido’.
*TRÊS DIÁLOGOS ENTRE HILAS E PHILONOUS (1713)
Os Diálogos se dão em três manhãs consecutivas, provavelmente no pátio de uma universidade, entre dois personagens que agora definiremos: Hylas que representa um leigo suficientemente educado e mais ou menos atualizado nas teorias científicas e filosóficas e que acredita na existência do mundo material e Philonous que representara o ponto de vista de Berkeley. Os Três Diálogos entre Hylas e Philonous, seriam, algo ingenuamente, os Três Diálogos entre a Matéria e o Espírito ou, sofisticadamente, os Debates entre a Matéria e a Inteligência Universal. O local dos diálogos assim como a condição e a idade dos personagens não são indicados com clareza, as referências às tulipas, as cerejas e a fonte, entretanto, supõem um jardim fechado; seu momento é a manhã e a época, se fiarmo-nos nas indicações esparsas, e a primavera. O Dialogo I concentra-se em mostrar que não há objetos dos sentidos nem nada parecido, fora da mente. As coisas "corpóreas" são idéias e a crença na substancia material implica na negação da realidade das coisas sensíveis. O objeto fundamental do Dialogo II é a "causa" das idéias e ele é construído para mostrar que somente Deus explica o mundo sensível: as substâncias materiais nada explicam e sua existência e uma impossibilidade. Berkeley começa ajustando suas contas com Descartes e Locke primeiro e depois com os materialistas, dizendo que não há explicação fisiológica possível para as "idéias". Esta pretensa explicação admite necessariamente a hipótese inconcebível da matéria atuar sobre o espírito. O cérebro, de qualquer forma, é um complexo de idéias e não pode de per-si ser causa de outras idéias; a única explicação admissível para a existência das idéias é uma mente infinita. O Diálogo III trata de uma miscelânea de objeções que podem ser levantadas à doutrina exposta. Nos dois primeiros diálogos, de modo geral, Philonous interroga e Hylas responde; aqui a situação inverte-se. A primeira parte deste dialogo resume tais objeções ao imaterialismo; a seguir estas são discutidas mais detidamente.
LINKS
http://www.maths.tcd.ie/~dwilkins/Berkeley (em inglês) Contem ligações para biografia do filósofo, e textos on line nos sites do Trinity College of Dublin, em outras páginas virtuais e um estudo sobre as controvérsias matemáticas de Berkeley com Newton e outros matemáticos.
http://georgeberkeley.tamu.edu (em inglês) Site da Sociedade Internacional Berkeley, voltada ao estudo da obra do filósofo.
Nasceu em Estagira (por isso chamado "o Estagirita"), na Macedônia, em 384 a.C. Viveu em Atenas desde 367, filho de Nicômaco, médico do rei Amintas II da Macedônia (pai de Filipe), descendente de uma das famílias de Asclépiades, eram famílias que se dedicavam à arte da medicina e cujos ensinamentos eram transmitidos de pai a filho. Foi por vinte anos discípulo de Platão. Com a morte do mestre, instalou-se, provavelmente instigado por Platão, em Assos, na Tróade, na corte do tirano Hérmias de Atarnéia. Ali inicia os seus ensinamentos e elaborar suas pesquisa biológicas ao mesmo tempo em que participa da vida política, o que virá acarretar em um primeiro exílio com o assassinato de Hérmias. É chamado em 343 à corte de Filipe da Macedônia para cuidar da educação de seu filho, que passaria à história como Alexandre o Grande. Pouco depois da morte de Alexadre, Aristóteles retorna à Atenas, onde funda o Liceu, escola rival da Academia, Aristóteles ensinava sob um pórtico. Durante 13 anos dedicou-se ao ensino e à elaboração da maior parte de suas obras. Se com Platão a filosofia já havia alcançado extraordinário nível conceitual, pode-se afirmar que Aristóteles - através do rigor de sua metodologia, pela amplitude dos campos em que atuou e por seu empenho em considerar todas as manifestações do conhecimento humano como ramos de um mesmo tronco - foi o primeiro pesquisador científico no sentido atual do termo.
Todas as obras publicadas por Aristóteles se perderam, com exceção da Constituição de Atenas, descoberta em 1890. As obras conhecidas resultaram de notas para cursos e conferências do filósofo, ordenadas por alguns discípulos e depois, de forma mais sistemática, por Adronico de Rodes (c. 60 a.C.).
As principais obras de Aristóteles, agrupadas por matérias, são:
(1) Lógica: Categorias, Da interpretação, Primeira e segunda analítica, Tópicos, Refutações dos sofistas;
(2) Filosofia da natureza: Física;
(3) Psicologia e antropologia: Sobre a alma, além de um conjunto de pequenos tratados físicos;
(4) Zoologia: Sobre a história dos animais;
(5) Metafísica: Metafísica;
(6) Ética: Ética a Nicômaco, Grande ética, Ética a Eudemo;
(7) Política: Política, Econômica;
(8) Retórica e poética: Retórica, Poética.
Aristóteles compreendeu a necessidade de integrar de forma coerente o pensamento anterior a sua própria pesquisa. Por isso começa procurando resolver as contradições do conhecimento do ser acumuladas por seus antecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança, problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.
O projeto de Aristóteles visa, em última análise, restabelecer a unidade do homem consigo mesmo e com o mundo, tanto quanto o projeto de Platão, baseado numa visão do cosmos. Entretanto, Aristóteles censura Platão por ter seguido um caminho ilusório, que retira a natureza do alcance da ciência. Aristóteles procura apoio na psicologia. O ser existe diferentemente na inteligência e nas coisas, mas o intelecto ativo, que é atributo da primeira, capta nas últimas o que elas têm de inteligível, estabelecendo-se dessa forma um plano de homogeneidade.
Com a morte de Alexandre (323), Aristóteles teve de fugir à perseguição dos democratas atenienses, refugiando-se em Cálcide, na Eubéia, onde morreu em 322 a.C.
RESENHA DE OBRAS (Os Pensadores)
*TÓPICOS Integra o Organon conjunto de escritos lógicos de Aristóteles e examina os argumentos que partem de opiniões geralmentes aceitas. Aqui se situa a dialética, na concepção aristotélica: a arte da discussão e do confronto de opiniões, importante exercício intelectual que prepara o espírito para a construção da ciência. As atuais pesquisasobre a lógica do pensamento não formalizável, desenvolvidas pela Teoria da Argumentação ou Nova Retórica, ressaltam o interesse dos Tópicos para a compreensão da estrutura da argumentação utilizada não apenas pela linguagem corrente, como também pela Publicidade, pela Jurisprudência, pelas CiênciasSociais e pela Filosofia
* DOS ARGUMENTO SOFÍSTICOS
Complementam os Tópicos e investigam os principais tipos de argumentos capciosos: aqueles que são um simulacro da verdade, aparentando ser genuínos quando de fato são falsos.
* METAFÍSICA
Uma das obras que mais influenciaram o desenvolvimento da filosofia ocidental, Aristóteles investiga as causas do surgimento da especulação filosófica, a partir de outras atividades humanas, e oferece sua interpretação crítica das doutrinas dos filósofos que o antecederam - preparando a exposição de suas próprias idéias.
* ÉTICA A NICÔMACO
Aplicando à análise do agir humano seus postulados metafísicos. Aristóteles discute conceitos éticos fundamentais, como felicidade e virtude, detendo-se na apreciação de várias virtudes particulares.
* POÉTICA
O que é poesia, suas diferentes espécies, suas origens, a comédia e a tragédia, poesia e história - são alguns dos temas dessa obra de Aristóteles que marcou profundamente os estudos posteriores sobre a arte literária.
DICA DE SÍTIO VIRTUAL: http://www.obrasdearistoteles.net
Segue abaixo descrição deste site (ou sítio como bem falam nossos irmãos lusitanos). É necessário cadastrar-se para ter acesso ao material lá disposto. O objetivo do projeto OBRAS COMPLETAS DE ARISTÓTELES consiste em tornar acessível ao leitor português a totalidade da coleção aristotélica, aí incluídos os cerca de trinta tratados completos que subsistiram até aos nossos dias, os textos que, de modo fragmentário, foram transmitidos pela tradição e ainda as sete obras apócrifas que circularam em época tardia sob o nome de Aristóteles. Ao propor-se levar a cabo a tradução coletiva deste conjunto, o presente projeto torna-se, a nível mundial, o primeiro e, até ao momento, o único a englobar a integralidade do legado aristotélico. Este projeto é promovido pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com a colaboração de outros institutos de investigação científica nacional, e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. A publicação é assegurada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. No portal www.obrasdearistoteles.net encontra-se, para além da descrição do projeto, do plano e calendário da edição e do elenco dos colaboradores e instituições participantes, uma base de dados com a bibliografia fundamental de e sobre Aristóteles, em permanente atualização, e o texto completo de todos os volumes publicados, o qual será disponibilizado ao mesmo tempo que a entrada em circulação da versão em papel. Compreensivelmente, esta última facilidade está reservada a investigadores, docentes, alunos de graduação e pós-graduação, intercâmbio com outras instituições ou situações análogas expressamente tipificadas. Para beneficiar dela, deverá o interessado inscrever-se através do formulário existente para o efeito. As propostas serão atentamente consideradas. Todas as sugestões, correções e críticas são bem-vindas. Agradece-se em especial a colaboração no desenvolvimento da bibliografia, que se deseja tão completa quanto possível.
É NECESSÁRIO SE CADASTRAR
Fonte: Todas as fontes constam na postagem LINHA DO TEMPO DA FILOSOFIA
Todas as obras publicadas por Aristóteles se perderam, com exceção da Constituição de Atenas, descoberta em 1890. As obras conhecidas resultaram de notas para cursos e conferências do filósofo, ordenadas por alguns discípulos e depois, de forma mais sistemática, por Adronico de Rodes (c. 60 a.C.).
As principais obras de Aristóteles, agrupadas por matérias, são:
(1) Lógica: Categorias, Da interpretação, Primeira e segunda analítica, Tópicos, Refutações dos sofistas;
(2) Filosofia da natureza: Física;
(3) Psicologia e antropologia: Sobre a alma, além de um conjunto de pequenos tratados físicos;
(4) Zoologia: Sobre a história dos animais;
(5) Metafísica: Metafísica;
(6) Ética: Ética a Nicômaco, Grande ética, Ética a Eudemo;
(7) Política: Política, Econômica;
(8) Retórica e poética: Retórica, Poética.
Aristóteles compreendeu a necessidade de integrar de forma coerente o pensamento anterior a sua própria pesquisa. Por isso começa procurando resolver as contradições do conhecimento do ser acumuladas por seus antecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança, problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.
O projeto de Aristóteles visa, em última análise, restabelecer a unidade do homem consigo mesmo e com o mundo, tanto quanto o projeto de Platão, baseado numa visão do cosmos. Entretanto, Aristóteles censura Platão por ter seguido um caminho ilusório, que retira a natureza do alcance da ciência. Aristóteles procura apoio na psicologia. O ser existe diferentemente na inteligência e nas coisas, mas o intelecto ativo, que é atributo da primeira, capta nas últimas o que elas têm de inteligível, estabelecendo-se dessa forma um plano de homogeneidade.
Com a morte de Alexandre (323), Aristóteles teve de fugir à perseguição dos democratas atenienses, refugiando-se em Cálcide, na Eubéia, onde morreu em 322 a.C.
RESENHA DE OBRAS (Os Pensadores)
*TÓPICOS Integra o Organon conjunto de escritos lógicos de Aristóteles e examina os argumentos que partem de opiniões geralmentes aceitas. Aqui se situa a dialética, na concepção aristotélica: a arte da discussão e do confronto de opiniões, importante exercício intelectual que prepara o espírito para a construção da ciência. As atuais pesquisasobre a lógica do pensamento não formalizável, desenvolvidas pela Teoria da Argumentação ou Nova Retórica, ressaltam o interesse dos Tópicos para a compreensão da estrutura da argumentação utilizada não apenas pela linguagem corrente, como também pela Publicidade, pela Jurisprudência, pelas CiênciasSociais e pela Filosofia
* DOS ARGUMENTO SOFÍSTICOS
Complementam os Tópicos e investigam os principais tipos de argumentos capciosos: aqueles que são um simulacro da verdade, aparentando ser genuínos quando de fato são falsos.
* METAFÍSICA
Uma das obras que mais influenciaram o desenvolvimento da filosofia ocidental, Aristóteles investiga as causas do surgimento da especulação filosófica, a partir de outras atividades humanas, e oferece sua interpretação crítica das doutrinas dos filósofos que o antecederam - preparando a exposição de suas próprias idéias.
* ÉTICA A NICÔMACO
Aplicando à análise do agir humano seus postulados metafísicos. Aristóteles discute conceitos éticos fundamentais, como felicidade e virtude, detendo-se na apreciação de várias virtudes particulares.
* POÉTICA
O que é poesia, suas diferentes espécies, suas origens, a comédia e a tragédia, poesia e história - são alguns dos temas dessa obra de Aristóteles que marcou profundamente os estudos posteriores sobre a arte literária.
DICA DE SÍTIO VIRTUAL: http://www.obrasdearistoteles.net
Segue abaixo descrição deste site (ou sítio como bem falam nossos irmãos lusitanos). É necessário cadastrar-se para ter acesso ao material lá disposto. O objetivo do projeto OBRAS COMPLETAS DE ARISTÓTELES consiste em tornar acessível ao leitor português a totalidade da coleção aristotélica, aí incluídos os cerca de trinta tratados completos que subsistiram até aos nossos dias, os textos que, de modo fragmentário, foram transmitidos pela tradição e ainda as sete obras apócrifas que circularam em época tardia sob o nome de Aristóteles. Ao propor-se levar a cabo a tradução coletiva deste conjunto, o presente projeto torna-se, a nível mundial, o primeiro e, até ao momento, o único a englobar a integralidade do legado aristotélico. Este projeto é promovido pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com a colaboração de outros institutos de investigação científica nacional, e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. A publicação é assegurada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. No portal www.obrasdearistoteles.net encontra-se, para além da descrição do projeto, do plano e calendário da edição e do elenco dos colaboradores e instituições participantes, uma base de dados com a bibliografia fundamental de e sobre Aristóteles, em permanente atualização, e o texto completo de todos os volumes publicados, o qual será disponibilizado ao mesmo tempo que a entrada em circulação da versão em papel. Compreensivelmente, esta última facilidade está reservada a investigadores, docentes, alunos de graduação e pós-graduação, intercâmbio com outras instituições ou situações análogas expressamente tipificadas. Para beneficiar dela, deverá o interessado inscrever-se através do formulário existente para o efeito. As propostas serão atentamente consideradas. Todas as sugestões, correções e críticas são bem-vindas. Agradece-se em especial a colaboração no desenvolvimento da bibliografia, que se deseja tão completa quanto possível.
É NECESSÁRIO SE CADASTRAR
Fonte: Todas as fontes constam na postagem LINHA DO TEMPO DA FILOSOFIA
Nasceu em 11 de setembro de 1906 em Frankfurt-sobre-o-Meno, Alemanha. Filósofo e crítico musical, estudou composição em Viena com Alban Berg, uma das figuras que mais contribuíram para o amadurecimento da música atonal. A música atonal evita qualquer tonalidade ou modo, fazendo livre uso de todas as 12 notas da escala cromática. A atonalidade significa ausência de tonalidade. Tornou-se a própria essência do estilo dos compositores expressionistas.
Adorno foi professor em Frankfurt, em cuja universidade doutorou-se, e nessa cidade participou, em 1924, da fundação do Instituto de Pesquisas Sociais. Emigrou para a Inglaterra em 1933, a fim de escapar à perseguição movida contra judeus pelo nacional-socialismo, e em 1937 foi para os Estados Unidos, onde colaborou decisivamente com o Instituto, reconstituído por seus fundadores na Universidade de Columbia.
O Instituto de Pesquisas Sociais, mais conhecido como Escola de Frankfurt, recebeu esse nome porque seus principais representantes integravam o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, na década de 1930. O exame crítico que esse grupo fez das sociedades desenvolvidas exerceu poderosa influência sobre os movimentos de contestação da segunda metade do século XX, particularmente as manifestações estudantis de maio de 1968 na França. Esta Escola constituiu o núcleo de uma linha original de pensamento filosófico-político desenvolvido por Walter Benjamim, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Jürgen Habermas e Adorno. A teoria crítica proposta por esses pensadores se opõe à teoria tradicional, que se pretende neutra quanto às relações sociais. Ela toma a própria sociedade como objeto e rejeita a idéia de produção cultural independente da ordem social em vigor.
O conceito de "indústria cultural" foi criado por Adorno para designar a exploração sistemática e programada dos bens culturais com finalidade de lucro. A obra de arte produzida e consumida segundo os critérios da sociedade capitalista se rebaixa ao nível de mercadoria e perde sua potencialidade de crítica e contestação.
Baseados nos fundamentos da dialética de Hegel, Adorno imprimiu conteúdo sociológico a seus escritos filosóficos e musicais,. Assim produziu obras capitais do pensamento estético, como Dialektik der Aufklärung (1947; Dialética do esclarecimento), com Horkheimer, Philosophie der neuen Musik (1949; Filosofia da nova música) e a inacabada Ästhetische Theorie (1970; Teoria estética), na qual trabalhou até a morte.
Adorno retornou à Alemanha em 1949, voltando a exercer suas atividades docentes e participou intensamente da vida política e cultural do país. Antes de sua morte em Visp, Suíça, em 6 de agosto de 1969, teve destacada e polêmica participação nos movimentos estudantis que sacudiram a Europa a partir de maio de 1968.
PRINCIPAIS OBRAS
DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO: "Dialética do Esclarecimento" discute o que foi tema constante da abordagem Frankfurtiana: a dominação. Discutindo-a em seus subsistemas, como a Indústria Cultural e o positivismo, destrincha o controle sobre a sociedade exercido pela burguesia. Ótimo exemplo da Teoria Crítica. Ed. Jorge Zahar, 1985.
INDÚSTRIA CULTURAL E SOCIEDADE: O conceito de Indústria Cultural, cunhado por Theodor W. Adorno (1903-1969) na década de 1950, permanece essencial para a compreensão das características e contradições fun-damentais da moderna sociedade capitalista. Nos três importantes ensaios reunidos neste livro, A Indústria Cultural - o Iluminismo como Mistificação das Massas, de 1947 (em co-autoria com Max Horkheimer), Crítica Cultural e Sociedade, de 1949, e Tempo Livre, de 1969, a arguta capacidade de observação e a inteligência crítica de Adorno iluminam, de maneira muitas vezes surpreendente, as diversas faces da relação entre economia, política e cultura no mundo contemporâneo. Ed. Paz e Terra, 2002.
MINIMA MORALIA - Esta obra, a mais famosa de Adorno, reúne 153 aforismos, está dividida em três partes, datadas sucessivamente de 1944, 1945 e 1946-47. O autor apresenta estas «pequenas morais» como «reflexões sobre a vida mutilada», na qual o indivíduo é atomizado: a delicadeza dá lugar às relações utilitárias. São abordadas: a mentira, a cólera, a adesão partidária, o genocídio, a alienação do homem. Edições 70 (Portugal). 2001.
LINKS
http://plato.stanford.edu/entries/adorno
Biografia em inglês contendo um resumo de suas principais idéias, bibliografia e conexões para outros sítios virtuais.
http://www.urutagua.uem.br//04fil_silva.htm
Texto analisando a explanação de Adorno referente a Indústria Cultural, elaborado por Daniel Ribeiro da Silva
Adorno foi professor em Frankfurt, em cuja universidade doutorou-se, e nessa cidade participou, em 1924, da fundação do Instituto de Pesquisas Sociais. Emigrou para a Inglaterra em 1933, a fim de escapar à perseguição movida contra judeus pelo nacional-socialismo, e em 1937 foi para os Estados Unidos, onde colaborou decisivamente com o Instituto, reconstituído por seus fundadores na Universidade de Columbia.
O Instituto de Pesquisas Sociais, mais conhecido como Escola de Frankfurt, recebeu esse nome porque seus principais representantes integravam o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, na década de 1930. O exame crítico que esse grupo fez das sociedades desenvolvidas exerceu poderosa influência sobre os movimentos de contestação da segunda metade do século XX, particularmente as manifestações estudantis de maio de 1968 na França. Esta Escola constituiu o núcleo de uma linha original de pensamento filosófico-político desenvolvido por Walter Benjamim, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Jürgen Habermas e Adorno. A teoria crítica proposta por esses pensadores se opõe à teoria tradicional, que se pretende neutra quanto às relações sociais. Ela toma a própria sociedade como objeto e rejeita a idéia de produção cultural independente da ordem social em vigor.
O conceito de "indústria cultural" foi criado por Adorno para designar a exploração sistemática e programada dos bens culturais com finalidade de lucro. A obra de arte produzida e consumida segundo os critérios da sociedade capitalista se rebaixa ao nível de mercadoria e perde sua potencialidade de crítica e contestação.
Baseados nos fundamentos da dialética de Hegel, Adorno imprimiu conteúdo sociológico a seus escritos filosóficos e musicais,. Assim produziu obras capitais do pensamento estético, como Dialektik der Aufklärung (1947; Dialética do esclarecimento), com Horkheimer, Philosophie der neuen Musik (1949; Filosofia da nova música) e a inacabada Ästhetische Theorie (1970; Teoria estética), na qual trabalhou até a morte.
Adorno retornou à Alemanha em 1949, voltando a exercer suas atividades docentes e participou intensamente da vida política e cultural do país. Antes de sua morte em Visp, Suíça, em 6 de agosto de 1969, teve destacada e polêmica participação nos movimentos estudantis que sacudiram a Europa a partir de maio de 1968.
PRINCIPAIS OBRAS
DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO: "Dialética do Esclarecimento" discute o que foi tema constante da abordagem Frankfurtiana: a dominação. Discutindo-a em seus subsistemas, como a Indústria Cultural e o positivismo, destrincha o controle sobre a sociedade exercido pela burguesia. Ótimo exemplo da Teoria Crítica. Ed. Jorge Zahar, 1985.
INDÚSTRIA CULTURAL E SOCIEDADE: O conceito de Indústria Cultural, cunhado por Theodor W. Adorno (1903-1969) na década de 1950, permanece essencial para a compreensão das características e contradições fun-damentais da moderna sociedade capitalista. Nos três importantes ensaios reunidos neste livro, A Indústria Cultural - o Iluminismo como Mistificação das Massas, de 1947 (em co-autoria com Max Horkheimer), Crítica Cultural e Sociedade, de 1949, e Tempo Livre, de 1969, a arguta capacidade de observação e a inteligência crítica de Adorno iluminam, de maneira muitas vezes surpreendente, as diversas faces da relação entre economia, política e cultura no mundo contemporâneo. Ed. Paz e Terra, 2002.
MINIMA MORALIA - Esta obra, a mais famosa de Adorno, reúne 153 aforismos, está dividida em três partes, datadas sucessivamente de 1944, 1945 e 1946-47. O autor apresenta estas «pequenas morais» como «reflexões sobre a vida mutilada», na qual o indivíduo é atomizado: a delicadeza dá lugar às relações utilitárias. São abordadas: a mentira, a cólera, a adesão partidária, o genocídio, a alienação do homem. Edições 70 (Portugal). 2001.
LINKS
http://plato.stanford.edu/entries/adorno
Biografia em inglês contendo um resumo de suas principais idéias, bibliografia e conexões para outros sítios virtuais.
http://www.urutagua.uem.br//04fil_silva.htm
Texto analisando a explanação de Adorno referente a Indústria Cultural, elaborado por Daniel Ribeiro da Silva
Nasceu em Lancaster no dia 26 de março de 1911 e faleceu em Oxford no dia 8 de fevereiro de 1960. Considerado um filósofo da linguagem responsável pelo desenvolvimento de uma grande parte da atual teoria dos atos de discurso. Filiado à linha da Filosofia Analítica, interessou-se pelo problema do sentido em filosofia.
Realizou seus estudos no Balliol College, da Universidade de Oxford. Serviu no serviço britânico de inteligência, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se professor titular da cátedra de Filosofia Moral, em Oxford, considerada a mais importante cadeira de Filosofia Moral do Mundo.
Na filosofia da linguagem, Austin, estava próximo a Ludwig Wittgenstein (1889-1951), preconizando o exame da maneira como as palavras são usadas para elucidar seu significado. Contudo, o próprio Austin considerava-se mais próximo da filosofia do senso comum de G.E. Moore.
Todo o trabalho desenvolvido por Austin, na segunda metade do século XX, é uma conseqüência direta da guinada lingüística promovida pelo método de análise iniciado por Ludwig Wittgenstein, algumas décadas antes.
Austin pertencia ao chamado Grupo de Oxford que, como o Grupo de Cambridge, foi fortemente influenciado por Wittgenstein. Entretanto, enquanto o último procurava fomentar um "positivismo terapêutico", que visava "curar" os equívocos filosóficos através da discussão da linguagem natural e os desvios provocados pela tradição filosófica; o Grupo de Oxford, composto principalmente por Gilbert Ryle (1900-1976), Peter Frederick Strawson, Willard van Orman Quine (1908-2000), incluindo o próprio Austin, voltou-se exclusivamente para o campo lingüístico, com toda interpretação filosófica filtrada pelo prisma da análise da linguagem. Os críticos dessa posição chegaram a denunciar que esses autores, estavam reduzindo a filosofia a uma ciência da linguagem ou a transformando em lexicografia.
As duas obras fundamentais de Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico (1921) e as Investigações Filosóficas (1953), marcaram profundamente esses dois grupos. Austin interessou-se, particularmente, pela análise dos jogos de linguagem, deixada em aberto nas Investigações. Wittgenstein não havia sido exaustivo em sua análise das funções linguísticas desempenhadas pelos diversos tipos de expressões. Austin, por sua vez, esforçou-se na tentativa de delimitar os modos em que as proposições, além de descrever uma determinada situação ?verdadeira ou falsa -, realizam também uma ação no mundo: um ato de fala.
Em How to do Things with Words (traduzido no Brasil por Quando Dizer é Fazer, 1990), Austin categorizou os atos de linguagem em conceitos fundamentais para compreensão posterior do papel da linguagem e da comunicação, por conseguinte. Primeiro, Austin distinguiu as sentenças performativas, aquelas que, ao serem proferidas, realizam uma ação: apostar, declarar, nomear, batizar etc, das constatativas, declarações verdadeiras ou falsas sobre um fato que é descrito. Haveria também três âmbitos linguísticos específicos nos atos de fala o ato locucionário, que apenas observa o modo como as sentenças são proferidas; o ato ilocucionário, onde os proferimentos tem uma força linguística convencional própria, tais como informar, ordenar, avisar, prometer, perguntar etc; e, por fim, o ato perlocucionário, no qual, ao se dizer algo, se produz uma alteração no ouvinte, que passa a reagir conforme essa ação de convencimento, impedimento, surpresa, confusão etc.
A Teoria dos Atos de Fala, lançada por Austin, foi desenvolvida posteriormente por John Searle, no livro Os Atos de Fala (1969). Tudo em conseqüência da revolução filosófica desencadeada por Wittgenstein, que teve em Austin um de seus brilhantes discípulos e continuadores, ao delimitar o domínio da pragmática, na Filosofia da Linguagem.
LINK
http://www.infoamerica.org/teoria/austin1.htm
(Em espanhol, contém vida e obra do pensador, além de ligações para outras páginas de referências)
Fonte: Todas as fontes constam na postagem LINHA DO TEMPO DA FILOSOFIA
Realizou seus estudos no Balliol College, da Universidade de Oxford. Serviu no serviço britânico de inteligência, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se professor titular da cátedra de Filosofia Moral, em Oxford, considerada a mais importante cadeira de Filosofia Moral do Mundo.
Na filosofia da linguagem, Austin, estava próximo a Ludwig Wittgenstein (1889-1951), preconizando o exame da maneira como as palavras são usadas para elucidar seu significado. Contudo, o próprio Austin considerava-se mais próximo da filosofia do senso comum de G.E. Moore.
Todo o trabalho desenvolvido por Austin, na segunda metade do século XX, é uma conseqüência direta da guinada lingüística promovida pelo método de análise iniciado por Ludwig Wittgenstein, algumas décadas antes.
Austin pertencia ao chamado Grupo de Oxford que, como o Grupo de Cambridge, foi fortemente influenciado por Wittgenstein. Entretanto, enquanto o último procurava fomentar um "positivismo terapêutico", que visava "curar" os equívocos filosóficos através da discussão da linguagem natural e os desvios provocados pela tradição filosófica; o Grupo de Oxford, composto principalmente por Gilbert Ryle (1900-1976), Peter Frederick Strawson, Willard van Orman Quine (1908-2000), incluindo o próprio Austin, voltou-se exclusivamente para o campo lingüístico, com toda interpretação filosófica filtrada pelo prisma da análise da linguagem. Os críticos dessa posição chegaram a denunciar que esses autores, estavam reduzindo a filosofia a uma ciência da linguagem ou a transformando em lexicografia.
As duas obras fundamentais de Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico (1921) e as Investigações Filosóficas (1953), marcaram profundamente esses dois grupos. Austin interessou-se, particularmente, pela análise dos jogos de linguagem, deixada em aberto nas Investigações. Wittgenstein não havia sido exaustivo em sua análise das funções linguísticas desempenhadas pelos diversos tipos de expressões. Austin, por sua vez, esforçou-se na tentativa de delimitar os modos em que as proposições, além de descrever uma determinada situação ?verdadeira ou falsa -, realizam também uma ação no mundo: um ato de fala.
Em How to do Things with Words (traduzido no Brasil por Quando Dizer é Fazer, 1990), Austin categorizou os atos de linguagem em conceitos fundamentais para compreensão posterior do papel da linguagem e da comunicação, por conseguinte. Primeiro, Austin distinguiu as sentenças performativas, aquelas que, ao serem proferidas, realizam uma ação: apostar, declarar, nomear, batizar etc, das constatativas, declarações verdadeiras ou falsas sobre um fato que é descrito. Haveria também três âmbitos linguísticos específicos nos atos de fala o ato locucionário, que apenas observa o modo como as sentenças são proferidas; o ato ilocucionário, onde os proferimentos tem uma força linguística convencional própria, tais como informar, ordenar, avisar, prometer, perguntar etc; e, por fim, o ato perlocucionário, no qual, ao se dizer algo, se produz uma alteração no ouvinte, que passa a reagir conforme essa ação de convencimento, impedimento, surpresa, confusão etc.
A Teoria dos Atos de Fala, lançada por Austin, foi desenvolvida posteriormente por John Searle, no livro Os Atos de Fala (1969). Tudo em conseqüência da revolução filosófica desencadeada por Wittgenstein, que teve em Austin um de seus brilhantes discípulos e continuadores, ao delimitar o domínio da pragmática, na Filosofia da Linguagem.
LINK
http://www.infoamerica.org/teoria/austin1.htm
(Em espanhol, contém vida e obra do pensador, além de ligações para outras páginas de referências)
Fonte: Todas as fontes constam na postagem LINHA DO TEMPO DA FILOSOFIA
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