Filosofia - História da Filosofia (3)
Plotino (204 - 270)
Para Plotino o Uno, que a tradição cristã identifica como Deus, transcende o ser, a substância e a morte, vai além de todas as coisas, é infinito e imaterial. Mas é o Deus-Uno que gera e conserva todas as coisas ilimitadamente. Nós não conseguimos entender, chegar até Ele, manifestar ou representar Deus. Ele cria as coisas como se fossem emanações que dele saem como a luz que sai de um astro luminoso e se espalha para tudo à sua volta.
Plotino se pergunta porque Deus existe e porque ele é da forma que é, e responde que Deus se auto-produziu. Ele é um supremo Bem que criou a si mesmo. E ele é dessa forma porque essa é a superior e melhor forma de ser. Ele existe Nele e para Ele e tem a suprema liberdade de criação. Além disso, Ele transcende a si próprio.
Deus quando pensa a si mesmo cria o intelecto que é a sua representação. O intelecto quando pensa em si cria a alma que é a representação do intelecto. Nesse processo de representação as criações vão perdendo a identidade com o que representam, da mesma forma como as cópias de cópias vão perdendo a qualidade. Assim, as coisas que tem origem em deus serão sempre mais inferiores a Deus à medida que se afastam dele.
Na sequência de importância das derivações está Deus em primeiro lugar, o intelecto em segundo, a alma em terceiro. Estes três primeiros formam o que pode ser apreendido pelo intelecto. Em seguida aparece o mundo físico, criado pela alma e que é composto de matéria que é algo negativa para Plotino. Deus está nessa sequência no patamar superior e a matéria está na parte mais baixa dessa visão. A matéria é o não ser, é o Mal, pois está privado de todo Bem. Ela é negativa, pois está desprovida de toda positividade que vem do Deus-Uno.
A alma inicialmente cria a matéria para depois dar forma a essa matéria. A alma dá forma à matéria iluminando-a. O mundo físico é, portanto formas criadas pela alma.
A consciência para Plotino é a capacidade de encontrar a verdade dentro de si mesmo. É na consciência que vamos encontrar as mais elevadas verdades e a origem de todas as verdades, que é Deus. Ir em busca das verdades da consciência é fazer um caminho de regresso à nós mesmos, um caminho de volta para dentro de nós. Retornar à nós mesmos é fazer o caminho que vai nos levar à Deus. Para percorrermos esse caminho devemos inicialmente nos tornar independentes da exterioridade corporal e após devemos nos purificar com as virtudes da inteligência e da sabedoria, do equilíbrio dos desejos, da coragem e da justiça. Essas virtudes devem ser comandadas pela razão e pelo intelecto, usando também como instrumentos o amor, a música e a filosofia.
Para Plotino, mesmo o mal tem a sua razão de ser, pois sendo ele inevitável, significa que ele é necessário. Ele atribui ao mal também uma função ética, ele vê no mal uma espécie de expiação por uma culpa original.
Sentenças:
- A beleza e o bem devem ser buscados no mesmo caminho.
- Três coisas conduzem a Deus: A música, o amor e a filosofia.
- Os olhos não veriam o sol se não fossem parecidos com o sol e a alma não verá a beleza se ela não for bela.
- A natureza não tem mãos para fabricar as mãos.
Plotino
Responsável: Arildo Luiz Marconatto
Marco Aurélio (121 - 180)
Em sua obra Recordações Marco Aurélio expõe de forma fragmentada algumas das suas ideias. Através de máximas e de pensamentos sucintos ele expõe seus julgamentos sobre sua época e sobre sua vivência. Em suas sentenças ficam claro suas ideias de que a sociedade, as coisas e os homens estão em estado de decadência, frivolidade e ausência de talento e criatividade. È clara também sua exposição melancólica do seu modo de ver o mundo.
Mesmo assim ele acreditava que o ser e o universo são fundamentados em um Deus uno que abarca e compõe tudo, identificando Deus com o conjunto de todas as coisas que existem, criando dessa forma uma realidade integrada. Sobre a ética e a forma da agir dos homens ele destaca a moral como sendo a explicação da valorização do viver.
Para Marco Aurélio o homem se constitui de três origens: a primeira que é o corpo, constituído de carne; a segunda que é a alma, formada por um sopro e que é a origem e o que impulsiona o corpo; e terceiro a inteligência que tem por base a nossa mente. E é a inteligência que direciona o ser humano em seus caminhos e ações, levando-nos a uma vida que seja merecedora do que somos, homens. A nossa inteligência faz também parte do mundo e nos serve de guia como se fosse uma parte do próprio Deus.
Nada pode destruir a nossa inteligência se ela não quiser que assim o seja. Nenhuma força bruta pode ser dificuldade para o nosso intelecto. Somente os juízos ou ideias fundamentadas podem ser obstáculo para mudar o rumo das nossas opiniões. Falsas avaliações podem também nos levar ao erro. Mas se nossa inteligência for bem conduzida ela pode ser o nosso local de proteção e abrigo onde encontraremos a plena paz.
A filosofia é quando nossa alma permanece em si mesma, quando faz um exame interior e de reflexão.
A nossa inteligência nos liga diretamente com Deus que se liga a inteligência das outras pessoas e é por isso que os homens são todos irmãos e devem amar-se como tais. Mas a nossa razão somente pode ser acessada por Deus e não pode ser atingida por outros seres humanos. Ninguém pode, portanto, atacar a nossa inteligência.
A morte é o que vai libertar a nossa alma pois o corpo é a sua prisão.
O homem é impotente frente a Deus, além de ser superficial sua posição e existência. O homem não tem sentido em si mesmo, a única saída para esse dilema é a sabedoria e a inteligência que podem dar um sentido para a existência individual dos homens.
Sentenças:
- O mundo é uma transformação perpétua e a vida somente uma opinião.
- O homem ambicioso tem seus fundamentos nas ações dos outros. O homem voluptuoso nas suas sensações e o homem sensato em sua próprias ações.
- Encontrarás conforto para as vãs fantasias do mundo se fizeres cada ato da tua vida como se fosse o último.
- O melhor modo para se defender de um inimigo é não se comportar como ele.
- Viver é mais parecido com a luta do que com a dança.
- A vida de um homem é o que seus pensamentos fazem dela.
- Nunca discuta com um superior, você corre o risco de ter razão.
- Os homens, façam o que façam, serão sempre homens.
- Cada dia vivido é um dia a menos para se viver.
- O que não é útil para o enxame não pode ser útil para a abelha.
- Vivemos somente por um instante para depois cairmos no completo esquecimento e no vazio infinito do tempo.
- Todo o que existe vai se desintegrar e tudo o que for criado pela natureza está destinado a morrer.
- Desejos nos levam à permanente preocupação e decepção.
Marco Aurélio
Responsável: Arildo Luiz Marconatto
Epicteto (55 - 135)
Musónio Epicteto busca em seus pensamentos destacar o lado prático da filosofia para desenvolver a moral. O filósofo é que vai educar e tratar os homens que sofrem com as paixões e ele busca fazer isso através da virtude.
Para Epicteto Deus está dentro de nós através da alma, Deus é a alma que está em nós e portanto nunca estamos sós, pois Deus está conosco. Deus é nosso pai e como tal devemos obediência a Ele. Foi Ele que nos deu a dádiva de existirmos e devemos a ele o reconhecimento dessa dádiva. Mas não precisamos para isso da religião, pois dependemos de Deus e não de outros homens. Podemos e devemos atingir a moral e a virtude através da razão em uma busca independente, pois podemos nos governar por nossas próprias leis.
Deus é sabedoria, inteligência e como tal segue a razão, a razão é um bem. Deus cuida de todas as coisas e de cada pessoa em particular. Obedecer Deus significa obedecer a sabedoria pois nela está o bem. Fazer a vontade de Deus é seguir a razão. Quando nos submetermos à vontade de Deus, ou seja, à razão, encontraremos a liberdade.
A virtude que alcançarmos através da razão vai nos dar liberdade, mas para isso precisamos também nos tornar independentes das coisas que estão no exterior de nós mesmos. Somente podemos confiar nas coisas que estão sob nosso poder, sobre as quais temos controle. Os bens materiais, a posição social e até mesmo nosso corpo são coisas externas, pois não podemos controlá-los. Não podemos deixar que essas coisas dominem nosso espírito porque se isso acontecer vamos também perder o controle sobre ele.
Uma liberdade garantida deve ter por fundamento coisas sobre as quais temos o domínio, coisas como desejo, opiniões e sentimentos. Devemos suportar o que não podemos modificar e tentar modificar o que precisa ser modificado das coisas que dominamos como desejos ou ideias irracionais.
Epicteto define assim o seu princípio filosófico definindo as coisas em dois conjuntos. O conjunto das coisas sobre as quais podemos exercer nosso poder e o conjunto das coisas sobre as quais não temos nenhum poder. As coisas boas e as coisas más estão incluídas no conjunto que está sobre nosso poder, pois elas são o resultado da nossa capacidade de fazer ou de não fazer algo. O que não está sobre nosso poder, além de não ser da nossa responsabilidade, não pode ser atingido pela nossa vontade.
Os dois conjuntos de coisas não podem estar juntos, pois são excludentes e um vai destruir o outro. Não levar em conta essa divisão é seguir o caminho que vai nos levar ao erro. Quem escolhe viver para e seguindo as normas do conjunto de coisas que não domina vai acabar se tornando escravo dessas coisas. Mas quem rejeitar ao que não está sob nossa dependência e se dedicar ao conjunto que dominamos, vai se tornar livre e encontrar paz espiritual.
Sentenças:
- Acusar os outros pelas nossas infelicidades é uma falta de educação.
- O que evitamos sofrer, fazemos sofrer os outros.
- Se você quer algo na vida, lute para conseguir.
- Ninguém é livre se não for dono de si mesmo.
- Não é o fato que desorienta as pessoas, mas os juízos que fazem dos fatos.
- O desejo e a felicidade não podem viver juntos.
- O erro dos velhos é julgar o hoje com os critérios do ontem.
- Na desgraça descobrimos os inimigos e colocamos a prova os amigos.
- Quem tem sorte ganha no genro um filho, quem não tem, perde uma filha.
- A verdade vence por si mesma, a mentira precisa de cúmplices.
- As grandes coisas precisam de tempo para serem criadas.
- Sábio é quem se alegra com o que tem e não fica triste pelo que não tem.
- É impossível aprender o que pensamos que já sabemos.
Epicteto
Responsável: Arildo Luiz Marconatto
Sêneca (4 - 65)
Lúcio Aneu Sêneca distingue o corpo da alma, o corpo é o que prende a alma e a alma é onde está o verdadeiro homem. Para que a alma se torne pura, ela tem que se libertar do corpo que é um peso que prende a alma nas coisas materiais. A alma tem uma parte racional e outra irracional. A parte irracional é dividida em duas, uma das paixões que é irascível e ambiciosa e outra humilde que é branda e que busca o prazer.
Na filosofia de Sêneca a consciência é a capacidade de conhecimento que o homem tem de distinguir entre o bem e o mal. As pessoas não podem livrar-se dessa capacidade, não conseguem esconder-se dela porque as pessoas não podem esconder-se de si mesmas. O criminoso pode evitar a punição da lei, mas não evita a punição de sua consciência que é um juiz que não perdoa ninguém.
O pecado está na estrutura e na fundamentação do homem. Para sermos homens precisamos pecar, se alguém nunca pecar, não é homem, mesmo o sábio é um pecador. Existe um constante contraste entre aquilo que o homem é e aquilo que o homem deveria ser. Essa hesitação entre ser uma coisa ou ser outra, em escolher entre o bem e o mal é algo exclusivo dos seres humanos.
Sêneca era contra a escravidão e contra as diferenciações sociais entre as pessoas. O que pode dar valor e nobreza a uma pessoa é somente a virtude e essa todos podem ter. Na sociedade o que define se alguém vai ser escravo ou um nobre é somente a sorte do nascimento. Em sua origem todos os homens eram iguais. A nobreza é uma construção de cada homem no desenvolvimento do seu espírito.
Devemos nos comportar com os nossos inferiores como gostaríamos que nossos superiores se comportassem conosco. O amor e a fraternidade é que deve fundamentar a relação entre as pessoas. Para ele a filosofia tem uma finalidade prática. O homem tem que conhecer a natureza e os seus fenômenos para perder o temor do mundo. Acreditava na predestinação dos homens que podem aceitar ou rejeitar seu destino, se aceitarem, podem viver em liberdade, se rejeitarem não terão uma vida livre.
Sentenças:
- Quem corre em um labirinto se confunde com a própria velocidade.
- Saber mais que os outros é fácil, difícil é saber melhor que os outros.
- Perdemos o dia esperando a noite e perdemos a noite esperando amanhecer.
- Os costumes começam como vícios.
- A verdadeira felicidade não é ter tudo, mas não desejar nada.
- Quem morre se adianta no caminho.
- Vemos melhor o sol quando ele está se pondo.
- A justiça tardia se parece muito com a injustiça.
- Se queres teus segredos guardados, guarda-os você mesmo.
- Quando não sabemos a que porto estamos indo, qualquer vento é favorável.
- De todos os dias da nossa vida, poucos dedicamos a nós mesmos.
- Pobre não é quem tem pouco, mas quem muito deseja.
- É inútil dar conselhos à um sábio e aconselhar um ignorante é perca de tempo.
- Quem é temido por muitos deve também temer a muitos.
- A paz é conveniente ao vencedor e necessária ao vencido.
- Sou homem e não considero estranho nada que é humano.
- Somos todos membros de um grande corpo.
- A divindade está perto de você, está contigo, está dentro de ti.
Sêneca
Responsável: Arildo Luiz Marconatto
Euclides de Alexandria (330 - 277 a.C.)
Euclides geralmente não é tido como filósofo, mas como matemático pois, foi nessa área que desenvolveu a maioria das suas teorias. A matemática sempre foi muito estimada pelos filósofos gregos e Euclides conhecedor dessas filosofias elaborou a síntese das teorias matemáticas de então. Para ele, que foi provavelmente discípulo de Platão, a matemática não tinha caminhos definitivos a ser seguidos.
Em seu livro Elementos Euclides discorre sobre diversos axiomas, para ele essas máximas, que são imediatamente evidentes por si mesma, são a base para outras verdades evidentes que se organizam em uma estrutura em que se associam mutuamente. Para organizar esses axiomas Euclides utiliza as deduções da lógica aristotélica. Seus livros iniciam com um grupo de proposições que podem ser consideradas como definições que vão esclarecer e embasar as proposições seguintes.
É bem conhecido o seu axioma do esgotamento: De duas grandezas diferentes, se diminuirmos da maior uma grandeza maior do que a metade, o que sobrar é uma grandeza maior do que a metade e assim continuamente, até que o que restar é uma grandeza que será menor do que a grandeza menor tomada. Através desse método Euclides chega à conclusão de que é sempre possível achar uma grandeza cada vez menor do que qualquer grandeza dada, seja qual for o seu tamanho. Não existe portanto um tamanho mínimo para as coisas e da mesma forma não existe também um tamanho máximo para as coisas pois sempre é possível existir algo maior ou menor.
Na geometria euclidiana o espaço é imutável e simétrico
Sentenças:
- Quem tenta permanecer jovem perde o passado e morre para o futuro.
- Entre os mortais é sábio quem pensa duas vezes.
- Um número é uma pluralidade composta de unidades.
- Aquilo que pode ser afirmado sem provas, pode também ser negado sem provas.
Euclides de Alexandria
Responsável: Arildo Luiz Marconatto
Pirro de Élida( 365 - 270 a.C.)
Pirro foi fundador da escola cética, ele distingue o que é o bem por natureza e o que é o bem pelas convenções humanas e chega à conclusão de que não existem coisas verdadeiras ou coisas falsas, não existe também na natureza conceitos como a feiura e a beleza ou a bondade e a maldade, esses conceitos todos são criações dos homens e ele os nega por serem somente uma convenção, um costume. Por isso não podemos fazer juízos sobre as coisas. Além do mais é impossível afirmar se algo é realmente falso ou verdadeiro, se uma atitude é justa ou injusta. Todos esses conceitos vão depender do que está convencionada nas relações sociais e não da natureza, e essa não faz convenções.
A atitude do filósofo é interromper em si mesmo a ação de fazer juízos, parar de julgar e conceituar as convenções pois esses juízos e conceitos são indiferentes para o homem. É inútil preferir algo em detrimento de outra coisa, todas as duas coisas são somente combinações feitas pelos homens e são combinações passageiras. O homem não deve se perturbar com nada no mundo, nem mesmo pelas paixões, essa é a atitude que ele chama de ataraxia, que é uma indiferença para com o mundo e suas coisas. A ataraxia leva o indivíduo à felicidade através da tranquilidade e da serenidade, indiferente ao mundo que o circunda.
Sobre as coisas do mundo não vale a pena nem sequer pronunciarmos nossas opiniões, a atitude mais coerente é ficarmos totalmente indiferente a elas.
A Escola cética teve diversos seguidores e muitas variantes das ideias de Pirro como a de que o saber é algo impossível de ser alcançado e que não existem afirmações que possam ser verdadeiras e que não sejam postas em dúvida. Para o filósofo cético Agripa existem cinco formas para podermos alcançar a interrupção dos nosso juízos: 1 - Discordância, os filósofos vão sempre discordar sobre diversas coisas, sendo impossível escolher entre a opinião de um e de outro; 2 - Prova última, toda prova parte do princípio de que existe uma prova para esta prova e esse argumento pode ser levado ao infinito pois sempre vai existir uma prova que prova a prova da prova; 3 - Relatividade, onde nós somente podemos conhecer os objetos relativos a nossa capacidade e a nossa forma de compreensão, que sempre será diferente da capacidade e da compreensão de todas as outras pessoas; 4 - Hipótese, porque todas as provas tem um fundamento último que não se pode provar e é portanto uma convenção, e que não é uma lei natural; 5 - Circulo vicioso, as convenções tomam por evidente e demonstrado justamente aquilo que se deveria demonstrar e isso acontece porque é impossível a demonstração do quem se quer demonstrar.
Segundo Sexto Empírico, no dia a dia o cético deve seguir quatro direções essenciais: 1 - os sentidos, que são os desígnios dados diretamente pela natureza; 2 - as necessidades naturais do corpo; 3 - as leis tradicionais que são os caminhos trilhados pela natureza humana e 4 - as artes e suas normas que são também muitas vezes criações e expressão da natureza humana.
Zenão de Cítio (340 - 264 a.C.)
Zenão foi o fundador da escola Estoica que rejeitava a metafísica e todo tipo de transcendência. Para essa escola a filosofia é a arte de bem viver que ele separa em três partes, a lógica e física e a ética. Em uma comparação clássica, os estoicos viam a filosofia como um pomar, a cerca em volta do pomar é a lógica que serve para defender e filtrar o que vai entrar no pomar, a física é representada pelas árvores que são a estrutura da filosofia e os frutos das árvores é a ética que é o objetivo da existência do pomar. A lógica produz um critério de verdade. A física é monista e panteísta e a ética é que vai dirigir o modo de proceder dos homens. O fim desse caminho é conquistar a felicidade.
A natureza leva o homem a amar e conservar a si próprio e esse instinto é muito mais que um impulso individual ou egoísta pois além de querer conservar a si o homem através desse instinto natural quer também conservar as pessoas que gera, seus filhos, e as pessoas que o geraram, pais e parentes. Esse instinto natural se expande a vários dos seus semelhantes. A natureza além de levar os indivíduos a amar a si mesmo também os leva a unir-se a amar e a ser útil também a outros indivíduos.
O homem é também um animal que vive em comunidade e essa comunidade amplia-se para todos os homens. Os estoicos dessa forma descartaram a diferenciação entre os homens por causa de instituições como nobreza, sangue ou superioridade de alguma raça sobre a outra. Todos os homens são capazes de alcançar a virtude, todos são livres e ninguém é naturalmente escravo. O conceito de liberdade e escravidão liga-se ao conhecimento e à sabedoria. O homem sábio é um homem livre e o tolo tende a ser um escravo.
A base dos nossos conhecimentos nós adquirimos através das sensações que temos dos objetos que imprimem em nós o que vai ser conduzido para a nossa alma, que vai fazer uma representação do objeto. Nós não temos ideias inatas. Os objetos é que imprimem em nós as sensações, mas nós temos a liberdade para nos posicionarmos diante dessa impressão. Nós é que vamos consentir ou não a ocorrência da representação. Se nós consentirmos nós vamos apreender o objeto, ou seja, nós vamos captar intelectualmente a ideia desse objeto.
Para Zenão os homens alcançam a plena felicidade no momento que renunciam as paixões, as contrariedades e os aborrecimentos. Para alcançarmos essa renúncia devemos viver na apatia, nos conduzindo pelo destino, sem temer nada e sem esperar nada.
Sentenças:
- O sentido da vida consiste estar de acordo com a natureza.
- Nenhum homem é por natureza escravo.
- O sábio não se comove por ninguém e não condena ninguém por um erro cometido.
Zenão de Cítio
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Diógenes de Sínope (413 - 323 a.C.)
Diógenes foi aluno de Antístenes, fundador da escola cínica. Em sua época Diógenes foi destaque e símbolo do cinismo pois tornou sua filosofia uma forma de viver radical. Diógenes expressava seu pensamento através da frase "procuro um homem". Conforme relatos históricos ele andava durante o dia em meio às pessoas com uma lanterna acessa pronunciando ironicamente a frase. Buscava um homem que vivesse segundo a sua essência. Procurava um homem que vivesse sua vida superando as exterioridades exigidas pelas convenções sociais como comportamento, dinheiro, luxo ou conforto. Ele buscava um homem que tivesse encontrado a sua verdadeira natureza, que vivesse conforme ela e que fosse feliz.
Para ele os deuses deram aos homens formas para viverem de modo fácil e feliz, mas esses mesmos deuses esconderam essas formas dos homens. Diógenes buscava descobrir esses modos de viver tentando demonstrar que as pessoas tem a seu dispor tudo aquilo que realmente precisam para ser feliz. Mas para isso as pessoas tem que conhecer a sua natureza e as verdadeiras exigências que essa lhe faz. Pensando nisso ele afirma que a música, a física, a matemática, a astronomia e a metafísica são inúteis pois são formuladoras de conceitos, muito além dos conceitos o que importa é a ação, o comportamento e o exemplo. Nossas reais necessidades são para ele aquelas que nos impõe a nossa condição animal, como nos alimentar por exemplo. O animal também não tem objetivos para viver, ele não tem que responder pelos seus atos para a sociedade, ele não precisa de casa ou conforto. É nas necessidades básicas dos animais que o homem deve se espelhar para conduzir sua vida.
Diógenes pôs em pratica seus pensamentos e passou a viver perambulando pelas ruas na mais completa miséria tomando por moradia um barril o que se tornou um ícone do quão pouco os homens precisam para viver. Alimentava-se do que conseguia recolher em sua cuia. Tinha por proteção um manto que usava para dormir e usava os espaços públicos para fazer tudo mais que precisava. Segundo ele esse modo de viver o deixava livre para ser ele mesmo pois eliminava a necessidade de coisas supérfluas. Ele acreditava atingir essa liberdade cansando o corpo para se habituar a dominar os prazeres até desprezá-los por completo pois para os cínicos os prazeres enfraquecem o corpo e a alma, pondo em perigo a liberdade do homem pois o torna escravo dos mesmos.
Os cínicos contestavam ainda o matrimônio e a convivência em sociedade. Eles se declaravam cidadãos do mundo. Acreditavam que o homem deve ser autônomo e autossuficiente tratando o mundo com indiferença pois a felicidade deve vir de dentro do homem e não do seu exterior.
Outro fato conhecido de Diógenes é seu encontro com Alexandre, então o homem mais poderoso conhecido. Alexandre solicitou que Diógenes pedisse o que quisesse e este pediu que Alexandre saísse de sua frente pois estava tapando o sol. Diógenes estava com esse ato demonstrando o quão pouco ele necessitava para viver bem conforme sua natureza.
Sentenças:
- Busco um homem honesto.
- Elogiar a si mesmo desagrada a todos.
- O amor é uma ocupação de quem não tem o que fazer.
- O insulto ofende a quem o faz e não a quem o recebe.
- A sabedoria serve para reprimir os jovens, para consolar os velhos, para enriquecer os pobres e para enfeitar os ricos.
- A liberdade para falar é a coisa mais bela para um homem.
- Um filósofo só serve para machucar os sentimentos de alguém.
- O tempo é o espelho da eternidade.
- Sou uma criatura do mundo.
Diógenes de Sínope em seu barril.
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Aristóteles (384 - 322 a.C.)
Aristóteles foi um filósofo empirista e fundamentou seus conhecimentos humanos na experiência, uma das suas principais ocupações foi buscar explicações racionais para o mundo que o cercava. As ideias não são transcendentes, mas são imanentes, ou seja, são causas formais das coisas materiais. Divide o ser humano entre corpo e alma, a alma comanda e o corpo é comandado, a alma se serve do corpo e este é um instrumento para a alma. Na alma o que comanda e julga é a razão e o resto por natureza obedece e é comandado. Por consequência a alma é melhor que o corpo, sendo mais preparada para comandar. E na alma a melhor parte é a razão e o pensamento. Mesmo divididos o corpo e a alma não se relacionam através da oposição, mas um colaborando com o outro, o corpo é o instrumento através do qual a alma age, especialmente a parte racional da alma.
Das coisas que são criadas algumas são criadas pela inteligência como as obras de arte. Outras são criadas pela natureza como os seres vivos e as plantas, a causa dessas coisas é a própria natureza. Outras coisas no entanto são criadas pelo acaso, essas coisas são todas as coisas que não são criadas nem pela arte, nem pela natureza, nem pela necessidade. As coisas criadas pelo acaso não tem finalidade mas as coisas criadas pela arte e pela natureza tem um objetivo. Na natureza as coisas tem uma finalidade e a finalidade do homem é o conhecimento.
A filosofia é tão boa quanto útil, mas a bondade tem privilégio sobre a utilidade.
A Ontologia é para Aristóteles a filosofia primeira e tem como seu principal objeto de pesquisa o ser enquanto tal, ele propõe a ontologia como um projeto de ciência com pretensões de universalidade. O ser é tudo aquilo que permanece com substância imutável, é tudo aquilo que fica indiferente às mudanças que ocorrem aos entes. Ente é tudo o que é, é tudo o que existe e esse existir pode ser de diversos modos como são diversas as coisas que existem. Existem 10 categorias que classificam os entes através de suas diferenças: Substância, qualidade, quantidade, relação, ação, tempo, lugar, posição, posse e paixão. Essas 10 categorias segundo Aristóteles permitem a completa classificação dos entes e nenhuma delas está em todos eles.
A grande preocupação dos filósofos é descobrir a substância das coisa. As substâncias são todas as coisas que existem no mundo e elas estão compostas de matéria e forma. Para explicar a mudança nas coisas Aristóteles sustenta que a matéria é aquilo que não muda, a árvore e a cadeira são feitas de madeira e isso não muda, o que muda é a forma da madeira. Existem dois tipos de substâncias, a principal e a secundária, a principal é relativa a somente um ser, um determinado homem, animal ou planta, a secundária é o que especifica melhor o que é a substância principal. Na frase o sol é uma estrela, sol é a substância primeira, pois é única e estrela é a substância secundária pois é um nome genérico que especifica melhor a essência e a natureza da substância primeira, o sol. As categorias, como não tem vida independente, são acidentes que ocorrem nas substâncias principais. Por exemplo a cor amarela, ela não é uma substância principal pois não tem vida independente, ela depende de outro para existir. Na frase o sol é amarelo, sol é a substância principal e amarelo é um acidente de qualidade da substância sol.
Ele identificou ainda a matéria como potência e a forma como ato. A potência é a possibilidade de produzir mudança ou de sofrer mudança. O ato já é a existência do objeto, o saber construir algo é a potência, e o ato é a efetiva construção do que se sabe construir. O ato é anterior a potência é também melhor que ela.
Aristóteles acreditava que a dialética era uma técnica para vencer uma discussão, para fazer prevalecer a minha tese sobre a tese do adversário e isso pode ser feito levando o adversário a se contradizer, mostrando como a sua tese, se for desenvolvida, pode levar a resultados ilógicos e contraditórios com a afirmação inicial da própria tese, considerada como verdadeira. Ele se ocupa ainda da formação dessas afirmações, que são as proposições.
Uma proposição é uma união de palavras que dão vida a uma afirmação, a um juízo. Uma proposição, uma afirmação ou um juízo podem ser verdadeiros ou falsos dependendo da sua relação de correspondência com a realidade, mas os termos isolados não podem ser nem falsos nem verdadeiros. Os termos sol e preto quando isolados não são nem verdadeiros ou falsos mas a proposição o sol é preto é falso pois não corresponde à realidade. Mas nem todas as preposições são verdadeiras ou falsas: pregações, invocações, ordens, são preposições relacionadas com a poesia e sobre poesia não podemos fazer julgamentos de veracidade ou falsidade. Aristóteles se ocupa das afirmações e juízos sobre as quais podemos reconhecer a possibilidade de serem falsas ou verdadeiras, a essas afirmações ele chama de proposições categóricas que podem ser qualitativamente afirmativas ou negativas. As preposições categóricas podem ainda ser classificadas quanto à sua quantidade como universais, quando são incluídos todos os pertencentes ao gênero, particulares, quando se refere a uma parte do gênero e singulares, quando se refere a somente um indivíduo. Aristóteles não se ocupa das proposições singulares, preocupando-se somente com as afirmações e negações dos universais ou particulares. Combinando os últimos quatro tipos de proposições temos quatro modelos sobre os quais os filósofos devem ocupar-se: Universais afirmativas, universais negativas, particulares afirmativas e particulares negativas.
Sobre a amizade o filósofo analisa os seus diversos fundamentos: a utilidade, o prazer e o bem e desses três derivam três tipologias de amizade: amizade por utilidade, por prazer ou por virtude. Para Aristóteles a amizade por utilidade é típica dos velhos, a amizade por prazer aparece mais nos homens maduros e nos jovens, os amigos nessas duas categorias não se amam realmente, mas se relacionam somente pela vantagem que traz a ligação de amizade e por isso esses dois tipos de amizade são frágeis e se criam e dissolvem com facilidade. A única verdadeira amizade é a que tem por base a virtude, ela é estável porque se baseia sobre o bem e é característica dos homens bons. A amizade baseada na virtude pressupõe duas coisas fundamentais: a igualdade entre os amigos, inteligência, riqueza, educação, etc. E o hábito de vida. A amizade se distingue ainda da caridade e do amor pois a caridade não precisa ser correspondida e no amor existem elementos instintivos. Mas Aristóteles não exclui a possibilidade de que uma relação de amor possa transformar-se em uma verdadeira amizade.
Aristóteles estudou também astronomia e sobre essa ciência ele propôs a teoria do geocentrismo colocando a terra no centro do movimento do universo, para ele a terra era formada por quatro elementos: a terra o ar o fogo e a água e a composição desses quatro elementos forma tudo que existe sobre a terra. Cada elemento tinha duas das quatro características ou atributos da matéria: o seco (terra e fogo), o úmido (ar e água), o frio (agua e terra) e o calor (fogo e ar). Cada elemento tem a tendência a permanecer ou a retornar ao seu lugar próprio na natureza que para a terra e a água é embaixo e para o ar e o fogo é o alto. Portanto a terra como planeta tem que estar no centro do universo pois ele é formada por dois elementos que tendem a ficar por baixo e o absolutamente baixo é o centro do universo. Acreditava ainda que fora da terra existia um quinto elemento chamado éter pois ele não acreditava na existência do vazio. O éter, que não existe sobre a terra, não tem massa, é invisível, eterno e inalterável.
Ele fundou a biologia como ciência e seus estudos foram bastante descritivos das diversas formas de vida, desenvolvendo um esquema de classificação dos seres vivos que foi usado por muito tempo. Para ele as espécies são eternas e imutáveis e a reprodução não determina a mudança na substância principal, mas somente nas substâncias secundárias dos novos indivíduos.
Aristóteles expôs na Política a teoria clássica das formas de governo, teoria essa que continua sendo utilizada para o entendimento da política atual. Para formular sua teoria das seis formas de governo levou em conta dois fatores principais, quem governa e como governa. Com base no critério de quem governa ele definiu os governos como sendo de uma pessoa, de poucas pessoas e de muitas pessoas, a primeira é a monarquia, a segunda é a aristocracia e a terceira é a democracia. Seguindo o critério de como se governa ele definiu as formas de governo como puras e impuras, sendo as puras boas e as impuras ruins. Aplicando o critério de quem governa com a forma impura de governo ele obteve a tirania, governo de um só, oligarquia, governo de poucos e a democracia, governo de muitos. A todas essas formas de governo ele deu uma hierarquia levando em conta se os interesses do governo era comum ou individual, classificando as mesmas em uma sequência que vai da melhor para a pior: 1 - Monarquia, 2 - Aristocracia, 3 - Democracia, 4 - Demagogia, 5 - Oligarquia, 6 - Tirania.
Em sua ética ele defende que o ser humano em suas atividades e em suas escolhas busca sempre um fim que pareça bom e desejável e o fim último de todas as buscas é a felicidade. E a felicidade consiste em o ser humano alcançar a sua missão, o seu objetivo, algo que lhe é próprio. As pessoas são felizes quando fazem bem a sua missão, o músico é feliz quanto toca bem pois tocar é a sua missão. As pessoas atingem a sua missão e por consequência a sua felicidade através da razão e da virtude, assim as pessoas somente serão felizes se forem virtuosas e utilizarem a razão para atingirem sua missão.
Sentenças:
- Alguns acreditam que para ser amigos basta querer, como se para estar saudável bastasse desejar a saúde.
- Avaro é aquele que não gasta naquilo que deve, nem naquilo que não deve, nem quando deve.
- Cometer uma injustiça é pior que sofrer uma injustiça.
- A razão são os olhos do espírito.
- Ensinar não é uma função vital, porque não tem o fim em si mesmo, a função vital é aprender.
- A vitória pior de se alcançar é a vitória sobre si mesmo.
- Deus e a natureza não fazem nada inutilmente.
- O amigo de todos não é um bom amigo.
- Nas democracias as revoluções são quase sempre obra dos demagogos.
- Quem é sábio não diz nunca tudo o que pensa, mas sempre pensa em tudo o que diz.
- O amor só acontece entre pessoas virtuosas.
- A amizade é uma alma que mora em dois corpos, um coração que palpita em duas almas.
- Quem é solitário pode ser um monstro ou um deus.
- O castigo do mentiroso é que não acreditamos quando ele fala a verdade.
- A riqueza é muito mais desfrutar do que possuir.
- Um ignorante afirma, o sábio duvida e reflete.
- O homem é um animal político.
- Superar o mestre é o objetivo do verdadeiro discípulo.
- O homem mais poderoso é o que é dono de si mesmo.
- A esperança é o sonho do homem acordado.
- A história conta o que aconteceu, a poesia o que deveria acontecer.
- O que temos que aprender aprendemos fazendo
- Grandes conhecimentos geram grandes dúvidas.
- Não se pode desatar um nó sem saber como ele é feito.
- Amamos mais o que conquistamos com sofrimento.
- Todos os homens por natureza buscam o conhecimento.

Aristóteles
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Das coisas que são criadas algumas são criadas pela inteligência como as obras de arte. Outras são criadas pela natureza como os seres vivos e as plantas, a causa dessas coisas é a própria natureza. Outras coisas no entanto são criadas pelo acaso, essas coisas são todas as coisas que não são criadas nem pela arte, nem pela natureza, nem pela necessidade. As coisas criadas pelo acaso não tem finalidade mas as coisas criadas pela arte e pela natureza tem um objetivo. Na natureza as coisas tem uma finalidade e a finalidade do homem é o conhecimento.
A filosofia é tão boa quanto útil, mas a bondade tem privilégio sobre a utilidade.
A Ontologia é para Aristóteles a filosofia primeira e tem como seu principal objeto de pesquisa o ser enquanto tal, ele propõe a ontologia como um projeto de ciência com pretensões de universalidade. O ser é tudo aquilo que permanece com substância imutável, é tudo aquilo que fica indiferente às mudanças que ocorrem aos entes. Ente é tudo o que é, é tudo o que existe e esse existir pode ser de diversos modos como são diversas as coisas que existem. Existem 10 categorias que classificam os entes através de suas diferenças: Substância, qualidade, quantidade, relação, ação, tempo, lugar, posição, posse e paixão. Essas 10 categorias segundo Aristóteles permitem a completa classificação dos entes e nenhuma delas está em todos eles.
A grande preocupação dos filósofos é descobrir a substância das coisa. As substâncias são todas as coisas que existem no mundo e elas estão compostas de matéria e forma. Para explicar a mudança nas coisas Aristóteles sustenta que a matéria é aquilo que não muda, a árvore e a cadeira são feitas de madeira e isso não muda, o que muda é a forma da madeira. Existem dois tipos de substâncias, a principal e a secundária, a principal é relativa a somente um ser, um determinado homem, animal ou planta, a secundária é o que especifica melhor o que é a substância principal. Na frase o sol é uma estrela, sol é a substância primeira, pois é única e estrela é a substância secundária pois é um nome genérico que especifica melhor a essência e a natureza da substância primeira, o sol. As categorias, como não tem vida independente, são acidentes que ocorrem nas substâncias principais. Por exemplo a cor amarela, ela não é uma substância principal pois não tem vida independente, ela depende de outro para existir. Na frase o sol é amarelo, sol é a substância principal e amarelo é um acidente de qualidade da substância sol.
Ele identificou ainda a matéria como potência e a forma como ato. A potência é a possibilidade de produzir mudança ou de sofrer mudança. O ato já é a existência do objeto, o saber construir algo é a potência, e o ato é a efetiva construção do que se sabe construir. O ato é anterior a potência é também melhor que ela.
Aristóteles acreditava que a dialética era uma técnica para vencer uma discussão, para fazer prevalecer a minha tese sobre a tese do adversário e isso pode ser feito levando o adversário a se contradizer, mostrando como a sua tese, se for desenvolvida, pode levar a resultados ilógicos e contraditórios com a afirmação inicial da própria tese, considerada como verdadeira. Ele se ocupa ainda da formação dessas afirmações, que são as proposições.
Uma proposição é uma união de palavras que dão vida a uma afirmação, a um juízo. Uma proposição, uma afirmação ou um juízo podem ser verdadeiros ou falsos dependendo da sua relação de correspondência com a realidade, mas os termos isolados não podem ser nem falsos nem verdadeiros. Os termos sol e preto quando isolados não são nem verdadeiros ou falsos mas a proposição o sol é preto é falso pois não corresponde à realidade. Mas nem todas as preposições são verdadeiras ou falsas: pregações, invocações, ordens, são preposições relacionadas com a poesia e sobre poesia não podemos fazer julgamentos de veracidade ou falsidade. Aristóteles se ocupa das afirmações e juízos sobre as quais podemos reconhecer a possibilidade de serem falsas ou verdadeiras, a essas afirmações ele chama de proposições categóricas que podem ser qualitativamente afirmativas ou negativas. As preposições categóricas podem ainda ser classificadas quanto à sua quantidade como universais, quando são incluídos todos os pertencentes ao gênero, particulares, quando se refere a uma parte do gênero e singulares, quando se refere a somente um indivíduo. Aristóteles não se ocupa das proposições singulares, preocupando-se somente com as afirmações e negações dos universais ou particulares. Combinando os últimos quatro tipos de proposições temos quatro modelos sobre os quais os filósofos devem ocupar-se: Universais afirmativas, universais negativas, particulares afirmativas e particulares negativas.
Sobre a amizade o filósofo analisa os seus diversos fundamentos: a utilidade, o prazer e o bem e desses três derivam três tipologias de amizade: amizade por utilidade, por prazer ou por virtude. Para Aristóteles a amizade por utilidade é típica dos velhos, a amizade por prazer aparece mais nos homens maduros e nos jovens, os amigos nessas duas categorias não se amam realmente, mas se relacionam somente pela vantagem que traz a ligação de amizade e por isso esses dois tipos de amizade são frágeis e se criam e dissolvem com facilidade. A única verdadeira amizade é a que tem por base a virtude, ela é estável porque se baseia sobre o bem e é característica dos homens bons. A amizade baseada na virtude pressupõe duas coisas fundamentais: a igualdade entre os amigos, inteligência, riqueza, educação, etc. E o hábito de vida. A amizade se distingue ainda da caridade e do amor pois a caridade não precisa ser correspondida e no amor existem elementos instintivos. Mas Aristóteles não exclui a possibilidade de que uma relação de amor possa transformar-se em uma verdadeira amizade.
Aristóteles estudou também astronomia e sobre essa ciência ele propôs a teoria do geocentrismo colocando a terra no centro do movimento do universo, para ele a terra era formada por quatro elementos: a terra o ar o fogo e a água e a composição desses quatro elementos forma tudo que existe sobre a terra. Cada elemento tinha duas das quatro características ou atributos da matéria: o seco (terra e fogo), o úmido (ar e água), o frio (agua e terra) e o calor (fogo e ar). Cada elemento tem a tendência a permanecer ou a retornar ao seu lugar próprio na natureza que para a terra e a água é embaixo e para o ar e o fogo é o alto. Portanto a terra como planeta tem que estar no centro do universo pois ele é formada por dois elementos que tendem a ficar por baixo e o absolutamente baixo é o centro do universo. Acreditava ainda que fora da terra existia um quinto elemento chamado éter pois ele não acreditava na existência do vazio. O éter, que não existe sobre a terra, não tem massa, é invisível, eterno e inalterável.
Ele fundou a biologia como ciência e seus estudos foram bastante descritivos das diversas formas de vida, desenvolvendo um esquema de classificação dos seres vivos que foi usado por muito tempo. Para ele as espécies são eternas e imutáveis e a reprodução não determina a mudança na substância principal, mas somente nas substâncias secundárias dos novos indivíduos.
Aristóteles expôs na Política a teoria clássica das formas de governo, teoria essa que continua sendo utilizada para o entendimento da política atual. Para formular sua teoria das seis formas de governo levou em conta dois fatores principais, quem governa e como governa. Com base no critério de quem governa ele definiu os governos como sendo de uma pessoa, de poucas pessoas e de muitas pessoas, a primeira é a monarquia, a segunda é a aristocracia e a terceira é a democracia. Seguindo o critério de como se governa ele definiu as formas de governo como puras e impuras, sendo as puras boas e as impuras ruins. Aplicando o critério de quem governa com a forma impura de governo ele obteve a tirania, governo de um só, oligarquia, governo de poucos e a democracia, governo de muitos. A todas essas formas de governo ele deu uma hierarquia levando em conta se os interesses do governo era comum ou individual, classificando as mesmas em uma sequência que vai da melhor para a pior: 1 - Monarquia, 2 - Aristocracia, 3 - Democracia, 4 - Demagogia, 5 - Oligarquia, 6 - Tirania.
Em sua ética ele defende que o ser humano em suas atividades e em suas escolhas busca sempre um fim que pareça bom e desejável e o fim último de todas as buscas é a felicidade. E a felicidade consiste em o ser humano alcançar a sua missão, o seu objetivo, algo que lhe é próprio. As pessoas são felizes quando fazem bem a sua missão, o músico é feliz quanto toca bem pois tocar é a sua missão. As pessoas atingem a sua missão e por consequência a sua felicidade através da razão e da virtude, assim as pessoas somente serão felizes se forem virtuosas e utilizarem a razão para atingirem sua missão.
Sentenças:
- Alguns acreditam que para ser amigos basta querer, como se para estar saudável bastasse desejar a saúde.
- Avaro é aquele que não gasta naquilo que deve, nem naquilo que não deve, nem quando deve.
- Cometer uma injustiça é pior que sofrer uma injustiça.
- A razão são os olhos do espírito.
- Ensinar não é uma função vital, porque não tem o fim em si mesmo, a função vital é aprender.
- A vitória pior de se alcançar é a vitória sobre si mesmo.
- Deus e a natureza não fazem nada inutilmente.
- O amigo de todos não é um bom amigo.
- Nas democracias as revoluções são quase sempre obra dos demagogos.
- Quem é sábio não diz nunca tudo o que pensa, mas sempre pensa em tudo o que diz.
- O amor só acontece entre pessoas virtuosas.
- A amizade é uma alma que mora em dois corpos, um coração que palpita em duas almas.
- Quem é solitário pode ser um monstro ou um deus.
- O castigo do mentiroso é que não acreditamos quando ele fala a verdade.
- A riqueza é muito mais desfrutar do que possuir.
- Um ignorante afirma, o sábio duvida e reflete.
- O homem é um animal político.
- Superar o mestre é o objetivo do verdadeiro discípulo.
- O homem mais poderoso é o que é dono de si mesmo.
- A esperança é o sonho do homem acordado.
- A história conta o que aconteceu, a poesia o que deveria acontecer.
- O que temos que aprender aprendemos fazendo
- Grandes conhecimentos geram grandes dúvidas.
- Não se pode desatar um nó sem saber como ele é feito.
- Amamos mais o que conquistamos com sofrimento.
- Todos os homens por natureza buscam o conhecimento.
Aristóteles
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Platão (430 - 347) a.C.
Platão em sua filosofia determinou algumas das ideias centrais do pensamento ocidental como as ideias políticas que aparecem nos escritos Diálogos e na República, nas teorias psicológicas que expõe em Fedro, na cosmologia de Timeu e na filosofia das ciências abordas na obra Teeteto.
Platão fundou a Academia de Atenas, escola onde estudou Aristóteles. Escreveu sobre diversos temas como epistemologia, metafísica, ética e política. Em seus diálogos um dos personagens frequente é Sócrates de quem Platão foi discípulo. Em muitos momentos é difícil dividir o pensamento dos dois filósofos.
Em seus diálogos Platão utiliza diversos personagens históricos como Górgias, Parmênides e Sócrates para através de suas falas expor suas teorias filosóficas. Uma de suas teorias mais conhecidas é a das Ideias em que afirma que o mundo que conhecemos através dos cinco sentidos, o mundo sensível, é um mundo imperfeito e falho, mera sombra do real mundo das ideias. O Mundo das Ideias é muito superior ao mundo sensível. O mundo que sentimos é somente uma cópia apagada do mundo das ideias pois as ideias são únicas e imutáveis e as coisas do mundo sensível estão constantemente mudando. Esse pensamento aparece no livro República e é conhecida como Mito da Caverna. Para Platão a única forma para conhecermos a realidade inteligível é através da razão pois os nosso sentidos podem nos enganar.
Ele divide o mundo em três partes, na primeira estão os objetos perceptíveis pelos sentidos. Na segunda estão as coisas que não podem ser percebidas pelos sentidos mas podem ser entendidos pelo espírito humano como a matemática e a geometria. Na terceira parte de sua divisão Platão coloca as ideias superiores como a virtude e a justiça que somente podem ser conhecidas pela inteligência através da utilização de outras ideias.
Platão escreveu ainda sobre diversos assuntos como a melhor forma de governo e sobre o Estado, para ele a sociedade deveria ser dividida em três partes que correspondem e se relacionam com a alma dos indivíduos. A primeira parte é a vontade ou o apetite e corresponde aos trabalhadores braçais. A segunda parte é a do espírito e é relacionada aos guerreiros e aventureiros que tem que ser destemidos, fortes e espirituosos. A terceira parte é reservada aos filósofos e aos governantes, é a parte da razão e é reservada aos inteligentes e racionais, qualidades essas mais apropriadas para indivíduos que vão tomar decisões representando toda sociedade. É portanto a razão e a sabedoria que devem governar, os filósofos devem governar como reis ou os reis devem ser filósofos para governar com racionalidade.
Em seu escrito A República Platão descreve a maneira que se pode passar de um regime político a outro e classifica os regimes de governo em cinco formas: 1- O governo dos filósofos ou aristocracia que ele define como o governo dos mais capazes. Esse é para ele o regime perfeito pois corresponde ao ideal do filósofo rei que reúne poder e sabedoria em uma só pessoa. Esse regime é seguido por quatro regimes imperfeitos: 2- A timocracia, regime fundamentado sobre a honra; 3- Oligarquia, fundamentado sobre a riqueza; 4- Democracia que se fundamenta sobre a ideia de igualdade e 5- Tirania que se funda no desejo do tirano e representa o fim da política porque nele são abolidas as leis.
Sobre Epistemologia Platão elabora a teoria da reminiscência segundo a qual aprender é recordar-se. Para ele as ideias são imutáveis, eternas, incorruptíveis e não criadas, estas ideias estão hospedadas no hiperurânio que está localizado num mundo suprasensível. Esse mundo é parcialmente visível para as almas que estão desligadas do próprio corpo. Quando nossa alma estava desligada do nosso corpo ela viu e conheceu as ideias do hiperurânio e quando entraram novamente em um corpo, reencarnando-se, nossa alma esqueceu a visão que teve das ideias. O trabalho do filósofo é fazer com que as pessoas recordem dessas ideias através do diálogo. Mas é impossível aos seres humanos conhecer completamente o mundo das ideias que é acessível somente aos desuses, o melhor conhecimento a que os humanos conseguem atingir é o conhecimento filosófico, o amor pelo saber e a incansável busca da verdade. Para Platão o homem tem necessidade de conhecimento e ele não teria necessidade de conhecimento se não tivesse visto nunca esse conhecimento. O homem busca o conhecimento porque ele não o tem mais, porque ele o perdeu.
O mito é uma forma de conhecimento inferior à filosofia porque é baseado sobre a intuição que não tem como ser demonstrada. E a ciência é um saber inferior porque necessita ser demonstrada e porque é baseada sobre hipóteses, mas na falta de conhecimentos melhores mesmo o mito e a ciência são conhecimentos que podem ser utilizados pelos filósofos para alcançar as ideias. O único conhecimento que o filósofo não pode aceitar é a opinião.
Na questão ética Platão liga beleza e bondade, tudo aquilo que é belo é também verdadeiro e bom e vice-versa. É a beleza das ideias que atraem a inteligência do filósofo e o bem, também por ser belo, atrai a sabedoria.
O amor para Platão é uma forma de delírio divino que se manifesta no afeto à uma pessoa a um objeto ou até mesmo à uma ideia. Esse afeto é acompanhado da ideia de que a satisfação desse desejo pode ser uma forma de elevar a existência. Ele distingue o amor através das suas diferentes finalidades condenando o amor carnal e exaltando o amor pela sabedoria que é expresso pela filosofia que contempla o verdadeiro belo. O amor é o desejo de beleza e ela é desejada porque ela é o bem que torna as pessoas felizes. A primeira beleza que aparece é a beleza do corpo, em seguida vem a beleza de todos os corpos, acima dela está a beleza da alma que é inferior à beleza das leis e das organizações humanas, acima dela está a beleza das ciências e acima de tudo está a ideia de beleza, é a beleza em si que é eterna e fundamenta todas as outras belezas. O amor é ainda insuficiência pois ele deseja qualquer coisa que não tem e ele deseja essa coisa porque ele precisa dessa coisa e se ele precisa de algo é porque ele é imperfeito.
Outro ponto importante da filosofia de Platão é a questão da justiça pois para ele nenhuma sociedade pode manter-se sem justiça. A justiça é o que fundamenta o estado e ela acontece quando os cidadãos pertencentes a um estado cumprem a tarefa que pertence a cada um deles. A justiça é o que une o estado, ela é a união do indivíduo com o estado. Para que o estado seja justo devem ser cumpridas duas condições, a primeira é a eliminação da riqueza e da pobreza e a segunda é o fim da vida familiar dando às mulheres igualdade de participação no estado. Os filhos seriam criados pelo estado que assim seria uma única e grande família.
Platão acreditava que o papel do filósofo é amar conhecer todas as coisas e não somente algumas coisas e somente é possível conhecer as coisas que são pois o que não é, não é também cognoscível. O ser é a ciência que é o verdadeiro conhecimento e o não ser é a ignorância. A opinião é o meio termo entre o conhecimento e a ignorância. A arte imitativa, como a pintura e a poesia, são condenáveis por serem somente ilusões. A pintura representa uma imitação de uma pequena parte da aparência dos objetos e a poesia vai representar somente uma parte da alma que são as emoções. Ambas são imitações incompletas e de pouco valor.
Sentenças :
- Buscando o bem de nossos semelhantes encontramos o nosso.
- Cada lágrima nos ensina uma verdade.
- Quando a multidão exerce a autoridade, ela é mais cruel do que os tiranos.
- Existe somente um tipo de virtude, de maldades existem muitos tipos.
- Onde reina o amor, sobram as leis.
- O corpo é a prisão da alma.
- O homem sábio vai querer estar sempre com quem seja melhor que ele.
- Aquele que aprende e não pratica o que sabe é como o que ara e não semeia.
- Frio e enfadonho é o consolo que não vem acompanhado de algum remédio.
- A conquista própria é a maior das vitórias.
- Filosofia é a ciência dos homens livres.
- Liberdade é ser dono da própria vida.
- A música é para a alma o que a ginástica é para o corpo.
- A pobreza não vem da diminuição das riquezas, mas da multiplicação dos desejos.
- Os amigos se convertem com frequência em ladrões do nosso tempo.
- Um dos castigos por recusarmos a participar da política é que seremos governados por homens inferiores a nós.
- Não conheço um caminho infalível para chegar ao sucesso, mas existe um caminho seguro para o fracasso: querer contentar a todos.
- Somente os mortos viram o fim da guerra.
- Uma vida sem pesquisa não é digna de ser vivida pelo homem.
Platão
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Hipócrates de Cós (460 - 377 a.C)
A medicina foi exercida inicialmente pelos sacerdotes mas ela somente se tornou uma ciência médica após adotar métodos específicos para a pesquisa dos males humanos. Esses métodos, que foram desenvolvidos na Grécia antiga principalmente por Hipócrates, são oriundos da filosofia.
Assim como a filosofia se distanciou dos mitos a medicina também se distanciou dos sacerdotes por buscar respostas que esses não conseguiam responder. Através dos métodos filosóficos da busca do conhecimento a medicina grega formou sua própria identidade.
Sempre existiram pessoas que buscavam a cura de outras pessoas, mas a medicina como ciência e como pesquisa foi impulsionada pela filosofia da natureza grega que conseguiu formatar um sistema de teorias que apoiavam as pesquisas científicas da recém nascida medicina.
Hipócrates é na antiguidade o principal formulador de um sistema de teorias médicas. Ele era chefe da escola de Cós e lecionou medicina também em Atenas onde contou com a admiração de Platão e Aristóteles a quem influenciou. Em seu nome foram transmitidas todas as obras de sua escola.
Nas obras atribuídas a Hipócrates aparece uma clara distinção entre o sagrado e o desconhecido. Como era o caso da epilepsia que era considerada algo sobrenatural e Hipócrates, através de argumentos lógicos, a classifica como uma doença igual às outras separando o divino das reais causas das doenças. Para ele a epilepsia era uma mudança ocorrida no cérebro que tinha causas naturais e inteligíveis como as das demais doenças.
Para Hipócrates o homem tem que ser visto também como parte integrante do ambiente em que vive. Para ele todo o contexto onde está a pessoa tem que ser analisado pois elementos como os ventos, as águas, as mudanças climáticas e a posição das casas e o relevo vão ter influência sobre a saúde e a doença dos indivíduos. O bom médico deve conhecer esse ambiente onde o doente vive.
Além do ambiente natural para Hipócrates também os regimes políticos e as suas instituições influenciam a saúde dos homens. A democracia era a que melhor equilibrava diversos elementos e portanto gerava seres humanos mais saudáveis e o despotismo ao contrário criava indivíduos doentes.
A medicina não pode ser fundamentada em dogmas absolutos pois cada pessoa pode reagir de modo diferente em diferentes ambientes, da mesma forma uma doença pode ter diversas causas e consequências variadas em indivíduos diferentes. A medicina deve ser um saber rigoroso e preciso que vai prescrever tratamentos vantajosos e exatos para cada pessoa.
Aqui a medicina teve que se separar da filosofia para poder preservar a sua cientificidade pois a filosofia vai buscar a essência que seja comum à totalidade dos homens e a medicina precisava produzir conhecimentos que fossem específicos para um indivíduo ou para um grupo de indivíduos e para as coisas que influenciavam a sua saúde e criavam as suas doenças. A medicina deve buscar um conhecimento rigoroso sobre o que é o homem e estabelecer as causas que o envolvem e de onde elas vieram. Nasce assim o que ele chama de prognose que é um prognosticar baseado não somente na anamnese da pessoa mas também em seu ambiente, envolvendo em ambos os elementos do presente, do passado e do futuro.
Outra questão fundamental desenvolvida por Hipócrates e por sua escola é a questão Ética. A Ética Médica é bem conhecida até hoje através do Juramento de Hipócrates que fundamentalmente diz que o doente não é um objeto ou um meio para alcançar um fim, mas é ele mesmo o fim último de todos os atos e o médico deve comportar-se buscando respeitar esse fundamento. Uma grande inovação introduzida por Hipócrates em seu juramento é o conceito do segredo profissional.
Sentenças:
- A arte é longa e a vida breve.
- A guerra é a melhor escola para um cirurgião.
- A febre da doença e causada pelo próprio corpo. A febre do amor é causada pelo corpo de outro.
- Os homens deveriam saber que somente do cérebro vem as alegrias, o prazer, o riso, a preguiça, os sofrimentos, a dor, a tristeza e as lamentações.
- Os jovens de hoje parecem não ter nenhum respeito pelo passado e nenhuma esperança para o futuro
- Que o alimento seja tua melhor medicina.
- Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que vão curar tuas doenças.
- Para os males extremos, extremos remédios.
- Se tiver amor pelos homens terá também amor pela ciência.
- Trabalhar, comer, beber, dormir e amar, tudo deve ser moderado.
- Se duas dores aparecem ao mesmo momento em dois pontos diferentes do corpo, a mais forte reprime a outra.
- A cura está ligada ao tempo e às vezes também ás circunstâncias.
- Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas.
Euclides de Megara (435 - 365 a.C.)
O filósofo Euclides é o fundador da Escola de Megara, sua filosofia está a meio caminho entre as teorias de Sócrates e a dos Eleatas. Para Euclides o Bem é identificado com o Uno que tem a característica de ser idêntico e igual a si mesmo. O não ser não existe porque é contrário ao ser. Não existem também todas as coisas que são contrárias ao Bem. Como o ser é uno, não existe também as múltiplas coisas e a mudança constante do devir.
É próprio do Uno e do Bem os atributos da sabedoria e do conhecimento entre outros. Muitos chamam o Bem e o Uno de Deus, mente ou virtude, mesmo aparecendo sobre diversos nomes são em seu fundamento sempre a mesma coisa.
A escola de Megara desenvolveu também a dialética e a disputa de argumentos em debates filosóficos conhecida como erística onde o objetivo é vencer a discussão e não essencialmente descobrir a verdade dos argumentos, técnica igualmente desenvolvida pelos sofistas. A dialética era utilizada para demolir as opiniões infundadas dos antagonistas na discussão e acreditava-se que dessa forma purgava essas opiniões do erro, tendo assim um caráter ético pois livrava essas pessoas do erro e da infelicidade causada pelo erro em que se encontravam.
Para os Megáricos as nossas sensações não servem para fundamentar nosso conhecimento pois as sensações podem nos enganar. O conhecimento deve ter por alicerce somente a razão.
Aristipo (435 - 366 a.C.)
Segundo a filosofia de Aristipo o bem estar do homem é físico. O prazer é o que movimenta o homem, o prazer é sempre algo positivo, não importando de onde venha esse prazer. Ele era hedonista, o prazer é o que dá sentido à vida.
Aristipo fundou a Escola Cirenaica onde eram rejeitados os estudos da física e da matemática que foram consideradas desnecessárias para que as pessoas encontrassem o bem e a felicidade. Mesmo a lógica e as suas investigações tiveram sua importância diminuída. Os cirenaicos eram fenomenistas e limitaram a forma de conhecimento do mundo às sensações subjetivas. As investigações teóricas são colocadas em segundo plano e servem apenas para contribuir para delinear a conduta moral e no auxílio na busca da felicidade
Como o conhecimento é subjetivo a denominação das coisas do mundo é somente uma convenção, na realidade elas exprimem somente uma percepção individual de cada ser humano e essas percepções não podem ser comparadas com as percepções dos outros indivíduos. Elas são únicas, sensorialmente únicas. A referência para descobrir a verdade das coisas é a sensação, mas elas não dizem nada sobre a essência dos objetos que produzem as sensações nas pessoas.
A felicidade está no homem que aprecia o momento que está vivendo. O prazer é o momento em que o homem está vivendo um impulso ou um movimento delicado e ameno, já a dor é comparada a um movimento feito com força e ímpeto. Quando a pessoa não está vivendo nem um movimento delicado nem um movimento impetuoso, ela não está sentindo nem prazer nem dor, ela está em êxtase. O êxtase é para os cirenaicos parecido com o sono, com o dormir. O êxtase não é nem aprazível nem doloroso. A felicidade é o conjunto dos prazeres que o indivíduo viveu, vive e vai viver, mas o prazer vive-se sempre no presente.
O homem deve viver o prazer do instante, esse momento muito breve e que é o único que ele realmente tem, sem com isso lamentar-se com o passado vivido nem se infligir com o futuro que poderá viver. Aceitar o prazer momentâneo que a vida oferece é viver conforme a virtude. A virtude é a moderação dos prazeres, mas uma moderação interesseira, moderação para que não se esgote a fonte dos prazeres.
O prazer físico é o bem supremo, maior do que os prazeres da alma, da mesma forma a dor física é maior que a dor da alma. Mesmo assim para eles o homem deve saber dominar os prazeres e não ser dominado por eles. O prazer não é algo ruim, ruim é ser subjugado por ele. O homem deve satisfazer os seus desejos sem se deixar envolver por eles. O prazer é sempre algo bom, mas a falta de moderação no relacionamento com os prazeres pode fazer do homem escravo e dependente deles, e isso é algo condenável.
Aristipo e seus seguidores querem que o homem seja sempre superior aos seus instintos, se ele conseguir isso o seu prazer vai estar em harmonia com a sua liberdade de espírito. E essa superioridade que vai conduzir o homem à liberdade de espírito é conseguida através da cultura e da inteligência.
Os cirenaicos fundam ainda a visão do homem cosmopolita, cidadão do mundo, que foge da organização social da polis da época, onde havia quem ordenava e quem obedecia. O homem assim não está circunscrito a uma cidade e a obedecer as suas leis, ele é cidadão do mundo e segue as suas próprias leis. Dessa forma ele pode viver livremente a busca dos seus prazeres.
Sentenças
- Possuo, não sou possuído.
- É melhor que o dinheiro seja perdido por Aristipo do que Aristipo pelo dinheiro.
- É melhor ser pobre que sem cultura, ao pobre falta dinheiro, ao inculto falta humanidade.
Aristipo
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Antístenes (440 - 365 a.C.)
Fundador da Escola Cínica, Antístenes foi discípulo de Sócrates e destacou das teorias deste em especial as práticas morais como o auto domínio a autossuficiência a força de ânimo e a capacidade de superar as dificuldades como o cansaço.
Para ele não existe uma simples definição das coisas, o que acontece é que nós conhecemos as coisas através da nossa percepção e vamos descrever essas coisas através das relações de semelhança que elas tem com outras coisas. Descrevemos os traços comuns entre as coisas através de analogias. Para podermos fazer uma descrição mais complexa das coisas o que fazemos é descrever cada um dos elementos de que são constituídas.
Antístenes levou ao extremo uma das ideias de Sócrates que é a da autossuficiência. O homem deve bastar-se a si mesmo, isso é, não depender dos outros para nada ou para o mínimo possível, as pessoas em sua autossuficiência precisam não ter necessidade de nada de que venha de outras pessoas.
Além da autossuficiência Antístenes radicaliza também o conceito de auto domínio proposto por Sócrates. O ser humano tem que dominar além dos prazeres as dores. Antístenes vê o prazer como um mal e dele temos que nos separar sempre e de qualquer forma. A busca pelo prazer e o prazer em si tira das pessoas o controle que elas tem delas mesmas. O homem deve portanto combater os impulsos que o levem a buscar prazer e se separar das riquezas que o acomodam a uma vida fácil.
A glória e a fama são para Antístenes ilusões criadas pela sociedade e que destroem a liberdade das pessoas fazendo com que se tornem escravas dessas ilusões. Para ele a pessoa sábia deve viver segundo as regras da virtude e não segundo as regras da sociedade. O homem para libertar-se dessas ilusões deve afastar-se das relações sociais e buscar em si mesmo algo que lhe baste, a virtude.
É creditada também a Antístenes uma grande valorização do trabalho o que em sua época vai contra o senso comum de que o trabalho é algo negativo e que inferioriza o homem. O homem digno encontra sua dignidade no trabalho que está diretamente ligado a busca da virtude. O modelo era Hércules que em seus trabalhos superou grandes fadigas e venceu monstros tornando-se símbolo da sabedoria cínica por superar os prazeres e vencer as dores demonstrando sua autossuficiência e a força do seu ânimo.
O fim do homem é a felicidade e o homem alcança a felicidade vivendo na virtude que é suficiente em si mesma. A virtude é o bem maior e os prazeres só fazem afastar os homens da virtude fazendo com que se distanciem da felicidade.
Sentenças
- Observe o teu inimigo porque é ele que primeiro vê teus defeitos.
- Eu prefiro enlouquecer a sentir prazer.
- Os corvos devoram os mortos e os aduladores devoram os vivos.
- As paixões têm causas mas não tem princípios.
- Não imagine que os outros tem tanto desejo de te escutar como você tem de falar.
- A gratidão é a memória do coração.
- Devemos converter nossa alma em uma fortaleza inexpugnável.
- A virtude é mesquinha nas palavras; o vício fala sem parar.
Antístenes
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Sócrates (470 - 399 a.C.)
Sócrates não fundou uma escola como diversos outros filósofos. Era um pregador que ensinava em locais públicos e não escreveu nada de seus pensamentos. Suas ideias chegaram até nós através dos escritos dos seus discípulos, principalmente Platão que faz de Sócrates porta voz de muitas de suas ideias, sendo difícil separar o pensamento dos dois. O mesmo ocorre com os outros autores que escreveram sobre Sócrates.
O Conhecimento do Homem
Ele acreditava na imortalidade da alma e que ele próprio recebeu em sua vida uma missão do deus Apolo para que ele defendesse o Conhece-te a Ti Mesmo. Dessa forma a filosofia torna-se um incessante exame de si e dos outros colocando o homem e os seus problemas como centro dos interesses da filosofia. A sabedoria passa a ter como objeto de pesquisa o homem. A Sabedoria Humana é o quanto o homem pode saber sobre o próprio homem. Sócrates busca responder a questão de qual é o ser, a natureza última, a essência do homem. A essa pergunta Sócrates responde que o homem é a sua alma, e a alma do homem é a sua razão. A alma do homem é a sua consciência. A alma é o que dá ao homem a sua personalidade intelectual e moral. Cuidar de si mesmo é cuidar da própria alma mais do que do corpo. O educador tem assim por tarefa ensinar os homens a cuidar da própria alma. Sócrates considerava-se um educador e como tal tinha por tarefa ensinar as pessoas a cuidar da alma mais do que do corpo e das riquezas. Ele buscava a virtude e a virtude não nasce da riqueza nem do culto ao corpo, tão próprio dos atenienses da época. O corpo tem que ser um instrumento da alma, da sabedoria. Conhecer a si mesmo é conhecer a própria alma.
A missão de Sócrates é conhecer a realidade humana, investigar o homem e a sua alma. A filosofia deve levar o homem a conhecer a si mesmo, conhecer os seus limites, as suas possibilidades. Busca a justiça e a solidariedade. A relação do homem com ele e com os outros e a relação dos outros com ele. Para ele o limite de sua sabedoria era a sua própria ignorância – Só sei que nada sei. Os erros que cometemos em nossa vida são culpa da nossa ignorância. Não se proclamava sábio e tentava fazer com que as pessoas se sentissem ignorantes e que admitissem a sua ignorância e fazia isso através do perguntar e do questionar, Sócrates tanto fez isso que conquistou diversas inimizades.
A Virtude
Para Sócrates as pessoas deveriam concentrar os seus esforços em serem virtuosos, para si mesmos, para seus amigos e para a comunidade a que pertencem pois a virtude deve ser conquistada também pelo grupo humano, pela polis. Esse é um dos motivos pelo qual não fugiu da sua sentença de morte, acreditava que fugir da sua comunidade e da sentença que ela lhe impôs era deixar de ser virtuoso e isso era ir contra todos os seus princípios.
Para os gregos a virtude era a qualidade essencial que faz do ser o que ele é, assim é virtuoso o homem que tenta ser bom e perfeito utilizando a razão e o conhecimento para atingir esse objetivo porque essas qualidades são próprias do homem. O contrário da virtude é o vício que é caracterizado basicamente pela ignorância que é a ausência da razão e do conhecimento.
O melhor modo do homem virtuoso viver segundo Sócrates é buscando o desenvolvimento da sua razão e do seu conhecimento e não buscando riquezas materiais que geralmente desviam o homem do caminho da virtude. A virtude é o bem mais precioso que a pessoa pode ter. Os reais valores não estão ligados ao que é exterior ao homem como a fama o poder e a riqueza, nem aos atributos do corpo como a beleza e o vigor físico mas nos atributos da alma que são caracterizados principalmente pelo conhecimento. Os outros valores quando estiverem ligados ao conhecimento também podem ser virtuosos.
O homem para ser virtuoso não precisa renunciar aos prazeres, a virtude deve levar o homem a uma vida perfeita não a negação dessa vida.
A Maiêutica
É a forma encontrada por Sócrates para fazer com que as pessoas através da interrogação feita de forma organizada e direcionada cheguem ao conhecimento. A Maiêutica é um estímulo para a pesquisa, através dela ele buscava fazer "parir" nas pessoas as ideias, os conhecimentos. Ele próprio se declarava sem sabedoria e não criou nenhuma organização metodológica e doutrinal. Era o parteiro das ideias nos outros e não podia parir conhecimentos em si mesmo.
Através da Maiêutica a pessoa que parece ignorante pode achar em si conhecimentos que desconhecia ter, Sócrates somente ajuda a pessoa nessa pesquisa, mas não lhe ensina nada.
Política
Sócrates era contrário a aristocracia democrática, defendia que a república deveria ser governada por filósofos. Pensava também que em algumas situações os tiranos podem até ser mais legítimos que a democracia. Os filósofos seriam os perfeitos governadores do estado pois somente eles tem a capacidade de entender os mais profundos conhecimentos.
Religião
Ele não era ateu mas afirmava que acreditava em uma divindade particular, filha dos deuses tradicionais que ele chamava daimonion que era um ser inferior aos deuses mas superior aos homens. Mesmo assim ele era contra os deuses nos quais a cidade acreditava.
Sócrates se dizia atormentado por essa voz divina interior que ele ouvia não tanto para o indicar a pensar e agir, mas para o dissuadir de fazer determinada ação.
Para ele os cultos religiosos devem fazer parte da vida de todos os cidadãos. Aconselha as pessoas a que sigam os cultos e aos costumes da sua cidade. Os deuses são a expressão do princípio divino. Esse princípio divino pode trazer aos homens o supremo bem que é a virtude. A religião pra Sócrates é a sua filosofia. Seu Deus é a inteligência que pode conhecer todas as coisas e que pode também ordenar essas coisas.
Sentenças
- Eu digo cidadãos que me haveis matado, que uma vingança recairá sobre vós, logo depois da minha morte, bem mais grave do que aquela pela qual vos vingastes de mim, matando-me. Hoje, vós fizestes isso na esperança de que vos tereis libertado de ter que prestar contas de vossa vida. No entanto, vos acontecerá inteiramente o contrário: eu vo-lo predigo. Não serei mais somente eu, mas muitos a vos pedir contas.
- Você sabe onde se vende peixe? Sim, no mercado. E sabe aonde os homens se tornam virtuosos? Não. Então me siga.
Sócrates
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Górgias (485 - 380 a.C)
Górgias para fundamentar sua filosofia toma por base o niilismo, a descrença por razão principal, onde nada existe de absoluto, onde não existem verdades morais e nem hierarquia de valores. A verdade não existe, qualquer saber é impossível e tudo é falso porque é ilusório.
Seu niilismo baseias-se em três tópicos, primeiro na não existência do ser, existe somente o nada. O ser não é uno, não é múltiplo, nem incriado e nem gerado, por conseguinte o ser é nada. Segundo, mesmo que o ser existisse ele não poderia ser conhecido pois se podemos pensar em coisas que não existem é porque existe uma separação entre o que pensamos e o ser, o que impossibilita o seu conhecimento. E terceiro, mesmo que pudéssemos pensar e conhecer o ser nós não poderíamos expressar como ele é porque as palavras não conseguem transmitir com veracidade nada que não seja ela mesma. Quando comunicamos, comunicamos palavras e não o ser.
O filósofo destrói dessa forma a possibilidade de alcançarmos a verdade absoluta. Nossa razão somente pode iluminar as situações em que os homens vivem mas não tem a capacidade de formular regras absolutas. Podemos somente analisar a condição em que nos encontramos e expor o que devemos ou não fazer e mesmo o que devemos ou não fazer muda muito dependendo da situação em que nos encontramos. Uma mesma atividade pode ser boa ou ruim dependendo de quem a pratica e em que situação se encontra.
Como não existe uma verdade absoluta e a falsidade está em tudo as palavras assumem uma autonomia quase sem limites pois estão desligadas do ser. As palavras são independentes e estão disponíveis para os mais diversos usos. Um dos principais usos é a retórica que utiliza a palavra para sugerir, para fazer crer e para persuadir os cidadãos. A retórica tem assim grande utilidade para a política. As palavras têm também grande expressão na poesia que diferente da retórica não tem interesses práticos, mas artísticos. Frente ao drama da vida a única consolação é a palavra que adquire valor próprio porque não exprime a verdade mas a aparência. A palavra cia um mundo perfeito onde é belo viver. A palavra exprime da melhor forma as paixões que direcionam a vida dos homens.
Sentenças:
- Assim como a visão não conhece os sons, o ouvido não ouve as cores, mas os sons. Quem fala expressa bem um som, mas não pode falando expressar uma cor ou uma experiência.
- A poesia é um discurso com métrica e quem a escuta é invadido por um arrepio de estupor, uma compaixão que arranca lágrimas, um ardente desejo de dor e pelo efeito das palavras a alma sofre seu próprio sofrimento ao ouvir a sorte ou o azar de fatos e pessoas estranhas.
- Se é eterno não teve princípio, se não tem princípio é infinito, se é infinito não está em nenhum lugar, se não está em nenhum lugar não existe.
- Mesmo que as coisas sejam elas não são conhecíveis.
- O artista é um criador de mundos.
Diógenes de Apolônia (499 - 428 a.C )
É considerado o último dos filósofos pré-socráticos, defende o monismo, ou seja, a unidade da realidade como um todo porque se o mundo tiver origens em diversos elementos que sejam diferentes entre si eles não poderiam se misturar e atuar uns sobre os outros. As coisas devem se originar através da transformação de um mesmo elemento. Para Diógenes esse elemento é o que ele chama de ar infinito que é um elemento inteligente. Esse ar inteligente administra e governa tudo e se assemelha com Deus pois está em todas as partes, utiliza-se de todas as coisas e está dentro de tudo.
Não existe nada que não tome parte desse ar inteligente e nenhuma coisa participa dele na mesma medida que outra coisa. Existem muitas formas desse ar e dessa inteligência. Ele pode ser mais quente ou mais frio, mais seco ou mais úmido, mais parado ou mais em movimento. Ele pode também se modificar infinitamente através dos prazeres e das cores.
As almas de todos os animais são feitas da mesma coisa, um ar mais quente do que aquele fora de nós mas mais frio do que aquele que está perto do sol. O que difere os animais é o calor das almas que é um pouco diferente em cada um, umas são mais quentes e outras mais frias, mas todos vivem, ouvem e veem por resultado do elemento ar e da sua inteligência.
A nossa alma é um ar pensante que enquanto vivemos e respiramos se manifesta, mas quando o último ar sai de nós através do último suspiro, morremos.
Diógenes vai explicar os mais diferentes fenômenos a partir desse ar infinito e consciente. O ar se condensa, se rarefaz e sofre mutações de qualidade, produzindo as outras coisas em suas formas. Ele escolhe o ar como fundamento pois esse se adapta bem às mudanças o que não acontece com a terra que dificilmente se move ou muda.
Sentenças:
- A terra é redonda, está ao centro, suportada pelo ar. O sol é uma espécie de pedra pomes.
- Nada procede do não ser, e nada se resolve no não ser.
- Me parece, que todos os entes são diversificações de um só e são um só.
- E isto é bem claro: porque, se os que agora existem neste mundo, - a terra, a água, o ar, o fogo e todos os mais que aparecem neste mundo, - fosse cada um diferente do outro, diferente por sua própria substância, e não um mesmo ente que de muitas maneiras muda e se diversifica, de nenhum modo poderiam eles misturar-se uns com os outros, nem ajudar-se ou prejudicar-se entre si.
Não poderia a planta surgir da terra, nem o animal, nem outra coisa poderia nascer, se não estivessem de tal modo constituídos que fossem o mesmo.
Todos estes entes, uma vez que se diversificam a partir de um só, se tornam diferentes em circunstâncias diversas e retornam ao mesmo.
- Para quem começa um discurso é necessário que exiba um começo sem disputas e uma explanação simples e sóbria.
- O ar é o princípio de todas as coisas. Existem mundo infinitos e infinito é também o espaço. O ar produz os mundos ao condensar-se e rarefazer-se. Nada procede do não ser, e nada se resolve no não ser.
Não existe nada que não tome parte desse ar inteligente e nenhuma coisa participa dele na mesma medida que outra coisa. Existem muitas formas desse ar e dessa inteligência. Ele pode ser mais quente ou mais frio, mais seco ou mais úmido, mais parado ou mais em movimento. Ele pode também se modificar infinitamente através dos prazeres e das cores.
As almas de todos os animais são feitas da mesma coisa, um ar mais quente do que aquele fora de nós mas mais frio do que aquele que está perto do sol. O que difere os animais é o calor das almas que é um pouco diferente em cada um, umas são mais quentes e outras mais frias, mas todos vivem, ouvem e veem por resultado do elemento ar e da sua inteligência.
A nossa alma é um ar pensante que enquanto vivemos e respiramos se manifesta, mas quando o último ar sai de nós através do último suspiro, morremos.
Diógenes vai explicar os mais diferentes fenômenos a partir desse ar infinito e consciente. O ar se condensa, se rarefaz e sofre mutações de qualidade, produzindo as outras coisas em suas formas. Ele escolhe o ar como fundamento pois esse se adapta bem às mudanças o que não acontece com a terra que dificilmente se move ou muda.
Sentenças:
- A terra é redonda, está ao centro, suportada pelo ar. O sol é uma espécie de pedra pomes.
- Nada procede do não ser, e nada se resolve no não ser.
- Me parece, que todos os entes são diversificações de um só e são um só.
- E isto é bem claro: porque, se os que agora existem neste mundo, - a terra, a água, o ar, o fogo e todos os mais que aparecem neste mundo, - fosse cada um diferente do outro, diferente por sua própria substância, e não um mesmo ente que de muitas maneiras muda e se diversifica, de nenhum modo poderiam eles misturar-se uns com os outros, nem ajudar-se ou prejudicar-se entre si.
Não poderia a planta surgir da terra, nem o animal, nem outra coisa poderia nascer, se não estivessem de tal modo constituídos que fossem o mesmo.
Todos estes entes, uma vez que se diversificam a partir de um só, se tornam diferentes em circunstâncias diversas e retornam ao mesmo.
- Para quem começa um discurso é necessário que exiba um começo sem disputas e uma explanação simples e sóbria.
- O ar é o princípio de todas as coisas. Existem mundo infinitos e infinito é também o espaço. O ar produz os mundos ao condensar-se e rarefazer-se. Nada procede do não ser, e nada se resolve no não ser.
Protágoras de Abdera (480 - 411 a.C.)
A base da filosofia de Protágoras está na máxima "O Homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são." Para ele medida significava juízo e as coisas são os fatos e as experiências das pessoas. Com essa máxima Protágoras tinha por objetivo negar um critério absoluto para distinguir o ser do não ser. O critério para a diferenciação torna-se o homem, cada homem. Ele explica melhor "Tal como cada coisa se apresenta para mim, assim ela é para mim, tal como ela se apresenta para você, assim ela é para você." O vento que sopra é frio ou quente? A resposta vai depender de cada pessoa, para algumas vai estar frio e para outras vai estar quente, dessa forma ninguém vai estar errado e a verdade vai estar em cada sujeito e no que ele pensa sobre sua experiência.
Se os homens são a medida de todas as coisas, por consequência, nenhuma medida pode ser a medida para todos os homens. As coisas assim vão ser definidas pelas pessoas que as definem, o que vale para determinada situação não vai valer para outras. As coisas vão ser conhecidas particularmente por cada indivíduo.
Protágoras ensinava também técnicas e métodos para tornar um argumento fraco em um argumento forte. Ele ensinava a aptidão de fazer sobressair um ponto de vista sobre um ponto de vista contrário. Os homens tem em si a faculdade de julgar com justiça, a função do sofista é fazer com que eles expressem essa capacidade.
Para ele as coisas são portanto relativas aos indivíduos e aos seus pareceres. Não existe uma verdade absoluta assim como não existem padrões morais absolutos, o que existem são coisas mais oportunas, úteis e convenientes. A pessoa sábia vai ser aquela que consegue distinguir o que é mais vantajoso e decente para cada situação. O sábio vai conseguir também convencer os outros a reconhecer essa qualidade superior e fazer com que eles a ponham em prática.
Protágoras afirmou também que em relação aos deuses ele não poderia afirmar se existem ou se não existem pois muitas coisas o impediam de fazer tais afirmações, ele considerava o assunto obscuro e a vida breve para se achar uma resposta para a questão. Mostrava-se agnóstico nas suas crenças pois o divino vai além da capacidade humana de compreensão dessa experiência sendo o homem limitado em seu saber. Para ele era possível criarmos argumentos tanto a favor como contra a existência dos deuses.
Ele dizia ainda que os sábios e os bons oradores deveriam guiar através de conselhos as outras pessoas.
Sentenças:
- Sobre qualquer questão existem dois argumentos contrários entre si.
- Sobre os deuses não posso saber se existem ou se não existem.
- Das coisas belas umas são belas por natureza e outras por lei, mas as coisas justas não são justas por causa da natureza, os homens estão continuamente disputando pela justiça e a alteram também continuamente.
- Toda a vida do homem tem necessidade de ordem e de adaptação.
Protágoras
Demócrito (460 - 371 a.C.)
Para Demócrito é impossível o não ser. O ser é pleno, o não ser é o vazio.
As coisas nascem quando se juntam e a morte é a separação das coisas. O que origina as coisas reais é um infinito número de corpos que são invisíveis porque tem um volume muito pequeno. Esses corpos são os átomos que em grego significa não divisível. Eles não são divisíveis porque se fossem divisíveis ao infinito eles iriam se dissolver no vazio. Os átomos são naturalmente indestrutíveis, não criados e imutáveis. Os átomos não se diferenciam quanto à qualidade, todos eles são igualmente um ser completo, o que os diferencia é a forma ou a figura geométrica que eles assumem. São diversos entre si como as letras do alfabeto, mas podem formar diversas palavras e discursos através das suas combinações.
O átomo tem uma forma originária e única. A forma do átomo também é indivisível. O que diferencia um átomo dos outros é a sua figura, a sua posição e a sua organização. Esses três elementos que distinguem um átomo do outro podem assumir variações infinitas. Os nossos sentidos não conseguem perceber o átomo, mas a nossa inteligência consegue conhece-los. Eles são eternamente contínuos o por isso diferente dos outros corpos que são a junção de diferentes e diversos átomos. A qualidade de todos os corpos depende da forma e da ordem dos átomos que os compõem.
Os átomos possuem qualidades próprias como movimento, número, dureza e forma, mas cor, sabor, odor, calor e frio são aparências que provocam sensações em nossos sentidos mas não pertencem aos átomos. Os átomos provocam essas essas qualidades objetivas devido à suas combinações.
Os átomos são espontaneamente animados, eles se chocam ou se ricocheteiam entre si, gerando o nascimento a morte ou a mudança das coisas. As leis que regem o movimento dos átomos são imutáveis. O movimento dos átomos é giratório e eles ao girar chocam-se em todas as direções produzindo um vértice, nesse movimento as partes mais pesadas vão para o centro e as mais leves vão para a periferia. No movimento vertical os átomos mais pesados descem empurrando os átomos mais leves para cima. Através desse movimento são gerados infinitos mundos que se criam e se dissolvem também infinitamente.
O conhecimento também é explicado através desse movimento. A imagem que emana do átomo produz nas pessoas uma sensação, essas sensações são percebidas através do tato que é gerado pelo contato dos átomos com o corpo das pessoas. Mas mesmo com essas possibilidades para Demócrito nosso conhecimento ainda é limitado. Além de limitado o conhecimento modifica de pessoa para pessoa e vai depender também das circunstâncias. Esse conhecimento não nos dá um critério incontestável para definirmos a verdade e a falsidade. Podemos chegar a um conhecimento mais aprofundado dessa realidade utilizando o conhecimento racional que é uma ferramenta mais sensível que possuímos. Através do conhecimento racional pode ser distinguida a aparência da realidade.
A Ética
A concepção de ética em Demócrito não tem relação com as suas concepções físicas. Para ele o mais nobre bem que o homem pode alcançar é a felicidade. Essa felicidade não está no possuir as coisas, na riqueza. A felicidade mora somente na alma. A justiça e a razão é que nos tornam felizes. Somente através da razão vamos conseguir superar o medo da morte. Os excessos perturbam a alma do homem pois geram nele movimentos muito fortes. Os excessos geram movimentos de um extremo ao outro criando a inconstância e o descontentamento no homem. A alegria espiritual não está ligada ao prazer que não é em si mesmo um bem. O que é realmente necessário vai vir do belo. Devemos respeitar a nós mesmos antes de qualquer coisa.
Demócrito condenava o matrimônio porque este se fundamenta nas relações sexuais e as relações sexuais reduzem o domínio que o homem tem de si mesmo. Condenava o casamento também porque a educação dos filhos diminui a dedicação ao trabalho.
Sentenças:
- Fama e riqueza sem inteligência não são posses seguras.
- A palavra é uma sombra das ações.
- O homem é um pequeno mundo.
- Para mim um homem vale tanto quanto uma multidão e uma multidão tanto quanto um homem.
- É sinal de alma elevada suportar os excessos dos outros.
- Quem cede diante do dinheiro não será jamais um homem justo.
- O ignorante pensa sempre que não tem o que ele não conheça.
- Tudo que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade.
- Não por medo, mas por obrigação, temos que nos distanciar dos erros.
- É adequado cedermos diante da lei, diante do governante e diante do mais sábio.
- Para persuadirmos muitas vezes a palavra é mais funcional do que o ouro.
- Muitos dos que cometem as ações mais vergonhosas argumentam com as melhores razões.
- Em matéria de virtude é necessário esforçar-se por fatos e atitudes e não por palavras.
- A quem tem um jeito de ser ordenado a sua vida resulta ser ordenada.
- É arrogância querer falar de tudo e não querer ouvir nada.
- Viver não vale a pena para quem não tem um bom amigo.
- A música é a mais jovem das artes, porque não é feita por necessidade, mas surge do supérfluo.
- O melhor para o homem é passar a vida o mais contente e o menos aflito possível. Isso seria possível se os prazeres não se baseassem em coisas passageiras.
- Os homens em sua fuga da morte a vai perseguindo.
- Uma vida sem festas é um longo caminho sem repouso.
- Discreto é aquele que não se aflige com o que não tem, mas se alegra com o que tem.
- Nada existe além de átomos e do vazio.
- O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade enquanto o homem a ignora
Demócrito
Anaxágoras (500 - 428 a.C.)
Anaxágoras concordava com a ideia de que o não ser não pode existir e que a substância do ser é imutável. Para ele o nascer e o morrer não são acontecimentos reais. Nada nasce ou morre, o que acontece é que as coisas que existem se decompõem e se compõem novamente. As coisas que morrem estão se decompondo e as coisas que nascem estão se compondo, se construindo.
Para a filosofia de Anaxágoras as coisas que existem vão além dos quatro elementos colocados por Empédocles. As quatro raízes que formam as outras coisas, terra, ar, água e fogo não conseguem explicar as diversas qualidades através das quais os fenômenos se manifestam. Anaxágoras defende a ideia de que existem inúmeras sementes das quais vem todas as coisas. O número de sementes que fundamentam e criam as coisas é do mesmo número das coisas e elas são inumeráveis como inumeráveis são as manifestações dos fenômenos no mundo. Essas sementes não são criadas - são eternas - e são imutáveis, elas são de todas as formas, de todos os gostos e de todos os tipos. Nenhuma dessas sementes de qualidades se transforma em outras sementes. As sementes são também infinitas na quantidade. Elas não podem ser limitadas em sua grandeza ou na sua pequenez. Elas podem ser divididas ao infinito sem nunca deixar de ser pois o não ser não existe. Assim podemos dividir qualquer semente, qualquer substância ao infinito sem que ela perca a sua qualidade. As partes divididas das sementes terão sempre a mesma qualidade que tinham antes de ser divididas.
No começo todas as sementes estavam juntas e não eram distintas uma das outras. O que separou as sementes foi a Inteligência que através de um movimento ordenou o caos existente entre as substâncias. Dessa forma todas as coisas são uma mistura ordenada das sementes e em todas as coisas existem todas as sementes mesmo que em pequenas quantidades. O que vai definir que uma coisa seja o que é vai ser a predominância de determinada semente ou de outra. Em todas as coisas existem sementes de todas as outras coisas. No grão de trigo existe a semente do cabelo, da carne e do osso, caso contrário como da semente do grão de trigo poderia surgir o cabelo, a carne e o osso? Tudo sempre esteve e sempre vai estar no ser.
A Inteligência (ou Nous que também pode ser traduzido por mente, pensamento ou espírito) que dividiu as sementes é divina, ela é ilimitada, independente e não está misturada a nada. Essa Inteligência divina é sutil, pura, tem pleno conhecimento de tudo e tem uma força imensa. A Inteligência domina as coisas que tem vida. Ela deu o impulso inicial na rotação que distribuiu ordenadamente todas as outras coisas. Nada se forma ou se divide se não for através da Inteligência.
Anaxágoras estudou também o problema do conhecimento humano e desenvolveu sobre o conhecimento uma ideia original. Ele divide o conhecimento em três estágios: 1 - a experiência e a sensação; 2 - a memória e 3 - a técnica. A experiência é o tópico central para o conhecimento humano, sem ela nenhum conhecimento seria possível. A experiência é a nossa relação com o mundo e implica na nossa sensibilidade para sentirmos as modificações dos objetos externos. O que nós vivenciarmos através das sensações vai ser depositado na nossa memória que é a nossa capacidade de conservar as experiências e os conhecimentos adquiridos. O acúmulo dos conhecimentos em nossa memória vai gerar a sabedoria e a sabedoria vai gerar a técnica que é a nossa capacidade de utilizar os conhecimentos para construir objetos e modificar a natureza.
Sentenças:
- Tudo está em tudo.
- Em cada coisa há parte de cada coisa.
- Não há um grau mínimo do pequeno mas há sempre um grau menor, sendo impossível que o que é deixe de ser por divisão. Mas também do grande há sempre um maior. E o grande é igual ao pequeno em composição. Considerada em si mesma, toda a coisa é a um tempo pequena e grande.
- A fraqueza dos nossos sentidos impede-nos de alcançar a verdade.
- Tudo tem uma explicação natural. A lua não é uma deusa, mas um grande globo de rocha e o sol não é um deus mas um imenso mundo em fogo.
- Prefiro uma gota de sabedoria a toneladas de riqueza.
- Medimos a grandeza de uma ideia pela resistência que ela provoca.
Anaxágoras
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Empédocles de Agrigento (484 - 421 a.C.)
Para a filosofia de Empédocles o nascer e o morrer não existem se entendermos o nascer e o morrer como um vir do nada e um ir para o nada. Ele pensa dessa forma porque acredita que o ser é e o não ser não é. Assim não existe o nascimento e a morte de algo. Para ele o que chamamos de nascimento e morte é simplesmente a aproximação e a separação de algumas substâncias. Essas substâncias são indestrutíveis e eternamente iguais. Para Empédocles a água, o ar a terra e o fogo são as substâncias que estão no princípio de todas as outras coisas. Elas são as substâncias mais simples das quais derivam todas as outras, são os elementos básicos que não mudam nunca sua qualidade. As quatro substâncias básicas se unem e se separam umas das outras formando todas as substâncias existentes. Elas são a origem das restantes.
Os quatro elementos da filosofia de Empédocles criam as coisas quando se unem e quando se separam destroem o que existia quando estavam unidos. A amizade ou o amor é a força cósmica que une os elementos e o ódio ou a discórdia causam a desunião e a consequente separação dos elementos. O destino é que alterna a predominância das duas forças que atuam sobre os quatro elementos em um tempo constante. Quando o amor ou a amizade é mais forte os elementos se juntam em uma unidade. E ao contrário, quando o mais forte é o ódio ou a discórdia os elementos se separam e voltam a ser unicamente água, terá, fogo ou ar.
Tanto os elementos como as forças que atuam sobre eles são divinos. Deus é o Esfero, a união de todos os elementos através do amor ou da amizade. Na fase em que o amor domina todos os elementos eles vão estar ligados em perfeita harmonia. Nessa fase não existe o sol a terra ou o mar, mas uma unidade de tudo que Empédocles denomina como sendo o Esfero. As almas também são constituídas pelos elementos e sofrem a ação das forças do amor ou da amizade e do ódio ou da discórdia. Ao contrário do domínio do amor no domínio do ódio existe a dissolução dos elementos e forma-se assim o caos. Quando o caos está instalado os elementos começam novamente a se unificar começando um novo ciclo.
Para que o mundo exista devem existir tanto o elemento positivos quanto o negativo, pois se existir somente o amor ou a amizade todos os elementos vão se reunir e formar uma unidade compacta, vão formar uma única coisa. E ao contrário se toda a força for do ódio ou da discórdia os elementos ficarão completamente separados, fazendo também com que o cosmos não exista.
Portanto as coisas do mundo passam a existir no período de transição que vai do predomínio do amor ao predomínio do ódio. Assim o cosmos nasce e se destrói continuamente dependente e através da ação das duas forças sobre os elementos. Não existe um momento em que a constituição do cosmos possa ser considerada perfeita.
Empédocles pensava que dos poros das coisas saíam emanações que atingem os nossos órgãos de sentido. Assim as partes que são semelhantes nos nossos órgãos e nas coisas vão se reconhecer. O que for fogo em nossos sentidos vai reconhecer as emanações que vem do fogo, o que for regido pela água vai reconhecer as emanações que vem da água. Somente com nossa visão acontece o contrário, nela as emanações partem dos olhos mas da mesma forma essas emanações vão reconhecer nas coisas o que lhe for semelhante.
Para Empédocles nosso conhecimento está no coração e o veículo que transporta esse conhecimento é o sangue. O conhecimento assim não acontece somente no homem. Os conhecimentos que o homem pode ter são também limitados. Ele somente consegue perceber uma pequena parte de sua vida, as coisas que por acaso ele tem a possibilidade de se relacionar. Por isso ele não pode desperdiçar nenhuma dessas possibilidades. Deve aproveitar e utilizar todos os seus sentidos e através do intelecto perceber as evidências nas coisas que conhece.
Empédocles sustenta ainda uma teoria sobre a evolução dos seres vivos. Para ele no princípio havia numerosas partes de homens e animais - pernas, olhos, orelhas - que estavam distribuídas desordenadamente. Através do amor essas partes se juntavam aleatoriamente formando criaturas disformes que eram inviáveis para sobreviver e pereciam. As espécies que formavam uma boa combinação sobreviviam.
Sentenças:
- O sol, uma seta aguda. A lua do olho claro. O mar, suor da terra. A noite solitária e cega.
- Os iguais se reconhecem.
- Sobrevive o que for mais capacitado
- O mundo evoluiu da água por meios naturais.Os quatro elementos da filosofia de Empédocles criam as coisas quando se unem e quando se separam destroem o que existia quando estavam unidos. A amizade ou o amor é a força cósmica que une os elementos e o ódio ou a discórdia causam a desunião e a consequente separação dos elementos. O destino é que alterna a predominância das duas forças que atuam sobre os quatro elementos em um tempo constante. Quando o amor ou a amizade é mais forte os elementos se juntam em uma unidade. E ao contrário, quando o mais forte é o ódio ou a discórdia os elementos se separam e voltam a ser unicamente água, terá, fogo ou ar.
Tanto os elementos como as forças que atuam sobre eles são divinos. Deus é o Esfero, a união de todos os elementos através do amor ou da amizade. Na fase em que o amor domina todos os elementos eles vão estar ligados em perfeita harmonia. Nessa fase não existe o sol a terra ou o mar, mas uma unidade de tudo que Empédocles denomina como sendo o Esfero. As almas também são constituídas pelos elementos e sofrem a ação das forças do amor ou da amizade e do ódio ou da discórdia. Ao contrário do domínio do amor no domínio do ódio existe a dissolução dos elementos e forma-se assim o caos. Quando o caos está instalado os elementos começam novamente a se unificar começando um novo ciclo.
Para que o mundo exista devem existir tanto o elemento positivos quanto o negativo, pois se existir somente o amor ou a amizade todos os elementos vão se reunir e formar uma unidade compacta, vão formar uma única coisa. E ao contrário se toda a força for do ódio ou da discórdia os elementos ficarão completamente separados, fazendo também com que o cosmos não exista.
Portanto as coisas do mundo passam a existir no período de transição que vai do predomínio do amor ao predomínio do ódio. Assim o cosmos nasce e se destrói continuamente dependente e através da ação das duas forças sobre os elementos. Não existe um momento em que a constituição do cosmos possa ser considerada perfeita.
Empédocles pensava que dos poros das coisas saíam emanações que atingem os nossos órgãos de sentido. Assim as partes que são semelhantes nos nossos órgãos e nas coisas vão se reconhecer. O que for fogo em nossos sentidos vai reconhecer as emanações que vem do fogo, o que for regido pela água vai reconhecer as emanações que vem da água. Somente com nossa visão acontece o contrário, nela as emanações partem dos olhos mas da mesma forma essas emanações vão reconhecer nas coisas o que lhe for semelhante.
Para Empédocles nosso conhecimento está no coração e o veículo que transporta esse conhecimento é o sangue. O conhecimento assim não acontece somente no homem. Os conhecimentos que o homem pode ter são também limitados. Ele somente consegue perceber uma pequena parte de sua vida, as coisas que por acaso ele tem a possibilidade de se relacionar. Por isso ele não pode desperdiçar nenhuma dessas possibilidades. Deve aproveitar e utilizar todos os seus sentidos e através do intelecto perceber as evidências nas coisas que conhece.
Empédocles sustenta ainda uma teoria sobre a evolução dos seres vivos. Para ele no princípio havia numerosas partes de homens e animais - pernas, olhos, orelhas - que estavam distribuídas desordenadamente. Através do amor essas partes se juntavam aleatoriamente formando criaturas disformes que eram inviáveis para sobreviver e pereciam. As espécies que formavam uma boa combinação sobreviviam.
Sentenças:
- O sol, uma seta aguda. A lua do olho claro. O mar, suor da terra. A noite solitária e cega.
- Os iguais se reconhecem.
- Sobrevive o que for mais capacitado
Empédocles
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Melisso de Samos
Sobre Melisso temos hoje alguns fragmentos do seu livro Sobre a Natureza ou Sobre o Ser. Ele, como Zenão, aprofundou e defendeu as teorias de Parmênides. Melisso escreve de forma clara é dedutivamente rigoroso em seus argumentos. Ele sistematizou e escreveu basicamente sobre as doutrinas e preocupações dos Eleatas, mas também modificou em alguns pontos as teorias destes. Essas correções acabaram tendo um peso notável na história da reflexão sobre o ser.
Para Melisso o ser deveria ser infinito - Parmênides dizia que o ser devia ser finito. Melisso defende o ser infinito porque ele não pode ter limites nem no tempo nem no espaço. Se o ser fosse finito ele teria que fazer limite com o vazio, o vazio é um não ser e é impossível que o ser seja limitado pelo não ser. O ser além de ser infinito é uno porque se fossem dois um deveria fazer limite com o outro e fazer limite significa limitar e o ser não pode ser limitado por outra coisa, mesmo outro ser. O ser não pode ter sido gerado pois se tivesse sido gerado ou se pudesse ter fim o ser seria finito no tempo, o ser seria limitado pelo tempo. O ser não pode ter vindo do nada nem pode acabar no nada, não pode ter início nem fim, ele vai além do tempo, nele o presente o passado e o futuro coincidem. O ser sempre foi é e sempre será.
O ser é também incorpóreo, mas esse incorpóreo não quer dizer que ele seja imaterial, ele tem que ser incorpóreo porque não pode ter uma forma e os corpos têm forma. Se o ser tivesse uma forma ele teria que ser limitado pois a forma tem limites e o ser não pode ter limites. Aqui Melisso novamente modifica a teoria de Parmênides, pois este acreditava que o ser era como uma esfera. O ser de Melisso não pode ter a aparência corpórea de uma esfera porque mesmo a esfera põe limite no ser e o ser é ilimitado. O ser é pleno e qualquer forma de vazio e nada não existem.
Melisso além de defender a unidade do ser defende também a imobilidade do ser contra a ilusão do mundo sensível que se apresenta como múltiplo e em constante movimento. O conhecimento sensível é falso e a prova disso é que ele demonstra ao mesmo tempo a coisa e a sua modificação mas se as coisas fossem verdadeiras elas não modificariam.
O ser não pode ter forma, não é composto de partes, se apresenta infinito no espaço e no tempo, é sempre idêntico a si mesmo. Os atributos fundamentais do ser são portanto unidade, completude e imobilidade.
A propósito da natureza inalterável do ser ele desenvolveu o argumento do cabelo segundo o qual se o ser fosse modificado em dez mil anos mesmo que de um só cabelo ele teria se auto destruído porque ele teria se tornado um outro na eternidade, mesmo que seja em pequena medida.
Sentenças:
- Se nada é, que coisa podemos dizer disso, como se fosse alguma coisa.
- Sempre foi aquilo que sempre será. Porque se tivesse não sido seria necessário que antes de nascer fosse nada. Mas se era nada, do nada não poderia ter nascido.
- Mas como sempre foi assim se torna necessário que seja sempre infinito em grandeza.
- Aquilo que teve princípio e fim não é nem eterno nem infinito.
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Para Melisso o ser deveria ser infinito - Parmênides dizia que o ser devia ser finito. Melisso defende o ser infinito porque ele não pode ter limites nem no tempo nem no espaço. Se o ser fosse finito ele teria que fazer limite com o vazio, o vazio é um não ser e é impossível que o ser seja limitado pelo não ser. O ser além de ser infinito é uno porque se fossem dois um deveria fazer limite com o outro e fazer limite significa limitar e o ser não pode ser limitado por outra coisa, mesmo outro ser. O ser não pode ter sido gerado pois se tivesse sido gerado ou se pudesse ter fim o ser seria finito no tempo, o ser seria limitado pelo tempo. O ser não pode ter vindo do nada nem pode acabar no nada, não pode ter início nem fim, ele vai além do tempo, nele o presente o passado e o futuro coincidem. O ser sempre foi é e sempre será.
O ser é também incorpóreo, mas esse incorpóreo não quer dizer que ele seja imaterial, ele tem que ser incorpóreo porque não pode ter uma forma e os corpos têm forma. Se o ser tivesse uma forma ele teria que ser limitado pois a forma tem limites e o ser não pode ter limites. Aqui Melisso novamente modifica a teoria de Parmênides, pois este acreditava que o ser era como uma esfera. O ser de Melisso não pode ter a aparência corpórea de uma esfera porque mesmo a esfera põe limite no ser e o ser é ilimitado. O ser é pleno e qualquer forma de vazio e nada não existem.
Melisso além de defender a unidade do ser defende também a imobilidade do ser contra a ilusão do mundo sensível que se apresenta como múltiplo e em constante movimento. O conhecimento sensível é falso e a prova disso é que ele demonstra ao mesmo tempo a coisa e a sua modificação mas se as coisas fossem verdadeiras elas não modificariam.
O ser não pode ter forma, não é composto de partes, se apresenta infinito no espaço e no tempo, é sempre idêntico a si mesmo. Os atributos fundamentais do ser são portanto unidade, completude e imobilidade.
A propósito da natureza inalterável do ser ele desenvolveu o argumento do cabelo segundo o qual se o ser fosse modificado em dez mil anos mesmo que de um só cabelo ele teria se auto destruído porque ele teria se tornado um outro na eternidade, mesmo que seja em pequena medida.
Sentenças:
- Se nada é, que coisa podemos dizer disso, como se fosse alguma coisa.
- Sempre foi aquilo que sempre será. Porque se tivesse não sido seria necessário que antes de nascer fosse nada. Mas se era nada, do nada não poderia ter nascido.
- Mas como sempre foi assim se torna necessário que seja sempre infinito em grandeza.
- Aquilo que teve princípio e fim não é nem eterno nem infinito.
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Parmênides de Eléia (530 - 460 a.C)
Parmênides é um filósofo que expôs seus pensamentos através da poesia em estilo homérico, mas nem por isso deixa de usar rigorosos argumentos dedutivos em suas colocações. Parmênides é o fundador da escola de Eléia e despertou grande admiração de Platão.
Dos seus poemas restaram-nos 154 versos e eles dividem-se em três partes. A primeira é uma introdução onde ele coloca como chegou às suas revelações. O filósofo conta a sua viagem imaginária pela morada da deusa da justiça que o conduzirá ao coração da verdade. A deusa mostra a Parmênides o caminho da opinião que conduz à aparência e ao engano e o caminho da verdade que conduz à sabedoria do ser. Cada um desses caminhos será tratado nas duas partes seguintes.
Na segunda parte ele argumenta que o que é é diferente do que geralmente os homens supõem que seja. Nessa parte, intitulada Caminho da Verdade (alétheia), ele coloca o que a razão nos diz e ele faz isso através da metafísica dedutiva. Começa por premissas que ele acredita serem verdadeiras e dedutivamente ele chega a conclusões que também devem ser verdadeiras. Seus argumentos lógicos reconstruídos podem ser expressos da seguinte forma:
1 - Ou algo existe ou algo não existe.
2 - Se é possível pensar em algo, esse algo pode existir.
3 - Nada não pode existir.
4 - Se podemos pensar em algo esse algo não é nada.
5 - Se podemos pensar em algo esse algo tem quem ser alguma coisa.
6 - Se podemos pensar em algo esse algo tem que existir.
Na sequencia Parmênides expõe que somente nos resta dizer que esse algo é, pensar ou dizer que esse algo não é é impossível. Esse algo que é tem portanto obrigatoriamente que ser incriado e imperecível.
Na terceira parte, intitulada Caminho da Opinião (doxa), sobre a qual não podemos ter nenhuma certeza, ele faz uma descrição de como ele vê o mundo. Para ele essa sua descrição é falsa e enganosa pois é simplesmente o resultado de uma ordenação de palavras, mas essa ordenação é a melhor coisa que os homens podem fazer, sendo portanto a melhor descrição apresentada. Aqui ele expõe as crenças das pessoas simples. São conjuntos de teorias físicas como o dualismo entre o limitado e o ilimitado, que ele relaciona com a luz e as trevas, fazendo da realidade física uma mistura e uma luta entre esses dois elementos. É através dessa divisão que ele ordena as qualidades. Na comparação entre a luz e a escuridão, a escuridão é a negação da luz. Diferenciou as qualidades da natureza em positivas e negativas tomando por base outros opostos como vida e morte, fogo e terra, masculino e feminino, quente e frio, ativo e passivo, leve e pesado. Assim para ele nosso mundo se divide em duas esferas, as de qualidade positiva (luz, vida, fogo, masculino, quente, ativo, leve) e as de qualidade negativa (escuridão, morte, terra, feminino, frio, passivo, pesado). As qualidades negativas são uma negação das qualidades positivas e Parmênides utiliza os termos "não ser" para o negativo e "ser" para o positivo.
Parmênides via as mudanças físicas que ocorrem no mundo como uma mistura onde participam o ser e o não ser, resultando num vir a ser. A mistura é feita pelo desejo e quando o desejo é satisfeito o ser e o não ser novamente se separam. O filósofo conclui assim que a mudança é uma ilusão. Somente existem o ser e o não ser, o vir a ser é portanto uma ilusão dos nossos sentidos.
A filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a aparência. A aparência é percebida pelos sentidos que nos mostram o ser e o não ser e nos levam a diversos erros. Já a verdade somente pode ser buscada pela razão, que para Parmênides demonstra que não podemos pensar o não ser, pois não podemos pensar sem que esse pensar seja sobre algo. Pensar sobre nada é não pensar da mesma forma que dizer nada é não dizer. Somente podemos pensar e expressar o que pensamos através de um objeto e esse objeto já é algo, já é um ser. Ele conclui que o ser é e não pode não ser e através dessa ideia ele expressa sua principal tese filosófica que vai dirigir toda sua investigação racional. Ele cria assim os principais fundamentos da ontologia que é vista como metafísica pois o ser não é somente o ser da natureza, mas também o ser do homem e das suas ações, e mais ainda, é o ser de qualquer coisa que possa ser pensada.
Sentenças:
- O ser é e não pode não ser.
- O pensamento e o ser são a mesma coisa.
- O ser é imóvel porque se se movesse poderia vir a ser e então seria e não seria ao mesmo tempo.
Parmênides
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Xenófanes (570 - 475 a.C.)
Xenófanes escreveu em versos sua oposição às ideias de Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Chegaram até nós diversos de seus versos e de suas idéias filosóficas. Delas podemos destacar seu combate ao antropomorfismo (atribuir aos deuses formas e sentimentos humanos) que ele expressa especialmente contra os poemas de Homero e Hesíodo. Ele dizia que se os animais tivessem o dom da pintura eles iriam pintar seus deuses com formas animais. "Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo aquilo que para os homens é objeto de vergonha e baixeza: roubar, praticar adultério e enganar-se... os mortais consideram que os deuses nasceram, e que possuem roupas, vozes e corpos como os seus... os Etíopes acreditam que seus deuses possuem narizes achatados e que são negros; e os Trácios que os seus deuses possuem olhos azuis e cabelo vermelho... mas se os bois, cavalos e leões tivessem mãos e soubessem desenhar... os cavalos desenhariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, os bois semelhantes a bois." Ele queria com isso mostrar que o verdadeiro deus é único, absoluto e tem pouca semelhança com os homens, com seus pensamentos ou com as diversas representações feitas dele. Esse deus único é diretamente ligado ao cosmos, ele tudo vê, pensa e ouve e com a força do seu pensamento faz tudo vibrar, ele está sempre no mesmo lugar e não se move pois não é próprio de um deus estar hora em um lugar e depois noutro.
Xenófanes era de Colofão mas viajou por diversos lugares das colônias gregas itálicas. Ele recitava seus poemas como um filósofo andarilho, além de criticar o antropomorfismo ele defendia a sabedoria e os prazeres vividos socialmente mas sem excessos. Ele era um pensador independente e acreditava que da terra é que surgiam as coisas. A terra é o princípio das coisas que são feitas de terra e água, inclusive o homem.
Moralmente o filósofo destaca como superiores os valores da inteligência e da sabedoria sobre os valores da força física, que era muito valorizada pelos gregos da época e tinha no atleta o seu representante. Para Xenófanes o que torna melhor os homens e as cidades (polis) em que eles vivem é a força da inteligência e da sabedoria. Tudo vem da terra e para ela volta.

Xenófanes
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Xenófanes era de Colofão mas viajou por diversos lugares das colônias gregas itálicas. Ele recitava seus poemas como um filósofo andarilho, além de criticar o antropomorfismo ele defendia a sabedoria e os prazeres vividos socialmente mas sem excessos. Ele era um pensador independente e acreditava que da terra é que surgiam as coisas. A terra é o princípio das coisas que são feitas de terra e água, inclusive o homem.
Moralmente o filósofo destaca como superiores os valores da inteligência e da sabedoria sobre os valores da força física, que era muito valorizada pelos gregos da época e tinha no atleta o seu representante. Para Xenófanes o que torna melhor os homens e as cidades (polis) em que eles vivem é a força da inteligência e da sabedoria. Tudo vem da terra e para ela volta.
Xenófanes
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Zenão de Eléia (489 - 430 a.C)
Sabemos pouco sobre a vida de Zenão de Eléia e dos seus pensamentos foram conservados poucos fragmentos. Das suas concepções conhecemos algumas coisas graças sobretudo ao que contêm nos diálogos platônicos Parmênides, no livro Vida dos Filósofos de Diógenes Laércio e nos escritos de Física de Aristóteles.
Ele é conhecido sobretudo pelos paradoxos formulados basicamente sobre a tese da impossibilidade do movimento que hoje são conhecidos como paradoxos de Zenão. Seguindo as pegadas de seu mestre Parmênides, através da dialética, ele tenta afirmar a teoria da imutabilidade do ser reduzindo ao absurdo o seu contrário. A tese contestada por Zenão é a tese dos Pitagóricos que acreditam na multiplicidade do ser em relação ao seu número. Contesta também a tese de Anaxágoras, seu contemporâneo.
Zenão foi discípulo de Parmênides e coloca a serviço de seu mestre seus conhecimentos lógicos inventando vários argumentos com o objetivo de desacreditar os críticos da visão de mundo exposta por Parmênides, com quem visitou Atenas e conheceu Sócrates.
Os paradoxos mais famosos de Zenão são os que buscam demonstrar a inexistência do movimento. Eles são descritos por Aristóteles nos seus estudos sobre Física. O método de Zenão consiste em assumir como certas as hipóteses das teses dos seus adversários e partindo dessas hipóteses ele chega a conclusões contraditórias e inaceitáveis, buscando assim desacreditar os argumentos de seus antagonistas.
Dos paradoxos, ou aporias (estradas sem saída), criadas por Zenão o mais famoso é o de Aquiles (um dos mais fortes e rápidos guerreiros gregos) e a tartaruga. Mesmo sendo um rápido corredor Aquiles não poderá jamais numa corrida ultrapassar uma lenta tartaruga que está correndo à sua frente pois ao se aproximar da tartaruga esta já percorreu um certo espaço, quando Aquiles percorre esse espaço, a tartaruga percorreu outro espaço menor, quando Aquiles percorre essa segunda distância, a tartaruga já andou um percurso menor ainda e assim sucessivamente em movimentos infinitos e cada vez menores. Conclusão de Zenão: Aquiles pode se aproximar cada vez mais da tartaruga, mas não a ultrapassa jamais. Um argumento similar a esse é o da dicotomia (divisão por dois): Quando existe um movimento de um corpo de um ponto A em direção a um ponto B, antes do corpo atingir B ele deve percorrer metade do caminha entre A e B, depois deve chegar até a metade da metade do caminho de A a B e assim o corpo segue numa divisão infinita entre as duas distâncias sem nunca chegar ao ponto B como ilustrado abaixo.
A--------------------A1----------A2-----A3-----B
A dicotomia demonstra a impossibilidade do movimento porque quando alguma coisa se move ele deve chegar primeiro ao estágio intermediário antes de chegar à sua meta. Por exemplo, suponhamos que um objeto se move de A a B, para chegar ao ponto B o objeto deve antes atingir o ponto intermediário B1, mas antes de chegar a B1 deve chegar ao ponto B2 que é a metade da distância entre A e B1, para chegar a B2 também deve antes chegar ao ponto B3. Esse movimento vai ao infinito demonstrando que o movimento não pode ser iniciado conforme ilustra a figura abaixo:
A-----B3-----B2----------B1--------------------B
Estes paradoxos expostos por Zenão se baseiam sobre o conceito de divisão infinita do espaço, segundo essa divisão podemos decompor o espaço em um número infinito de pontos. Ele igualava o espaço real e físico ao espaço abstraído pela nossa mente. O filósofo não fazia distinção entre esses dois planos. Para ele o plano ideal do nosso pensamento era diretamente relacionado à realidade, criando assim uma relação confusa entre o espaço físico e o espaço geométrico. A visão virtual da geometria é diretamente relacionada com a matéria física, criando assim os paradoxos.

Zenão de Eléia
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Ele é conhecido sobretudo pelos paradoxos formulados basicamente sobre a tese da impossibilidade do movimento que hoje são conhecidos como paradoxos de Zenão. Seguindo as pegadas de seu mestre Parmênides, através da dialética, ele tenta afirmar a teoria da imutabilidade do ser reduzindo ao absurdo o seu contrário. A tese contestada por Zenão é a tese dos Pitagóricos que acreditam na multiplicidade do ser em relação ao seu número. Contesta também a tese de Anaxágoras, seu contemporâneo.
Zenão foi discípulo de Parmênides e coloca a serviço de seu mestre seus conhecimentos lógicos inventando vários argumentos com o objetivo de desacreditar os críticos da visão de mundo exposta por Parmênides, com quem visitou Atenas e conheceu Sócrates.
Os paradoxos mais famosos de Zenão são os que buscam demonstrar a inexistência do movimento. Eles são descritos por Aristóteles nos seus estudos sobre Física. O método de Zenão consiste em assumir como certas as hipóteses das teses dos seus adversários e partindo dessas hipóteses ele chega a conclusões contraditórias e inaceitáveis, buscando assim desacreditar os argumentos de seus antagonistas.
Dos paradoxos, ou aporias (estradas sem saída), criadas por Zenão o mais famoso é o de Aquiles (um dos mais fortes e rápidos guerreiros gregos) e a tartaruga. Mesmo sendo um rápido corredor Aquiles não poderá jamais numa corrida ultrapassar uma lenta tartaruga que está correndo à sua frente pois ao se aproximar da tartaruga esta já percorreu um certo espaço, quando Aquiles percorre esse espaço, a tartaruga percorreu outro espaço menor, quando Aquiles percorre essa segunda distância, a tartaruga já andou um percurso menor ainda e assim sucessivamente em movimentos infinitos e cada vez menores. Conclusão de Zenão: Aquiles pode se aproximar cada vez mais da tartaruga, mas não a ultrapassa jamais. Um argumento similar a esse é o da dicotomia (divisão por dois): Quando existe um movimento de um corpo de um ponto A em direção a um ponto B, antes do corpo atingir B ele deve percorrer metade do caminha entre A e B, depois deve chegar até a metade da metade do caminho de A a B e assim o corpo segue numa divisão infinita entre as duas distâncias sem nunca chegar ao ponto B como ilustrado abaixo.
A--------------------A1----------A2-----A3-----B
A dicotomia demonstra a impossibilidade do movimento porque quando alguma coisa se move ele deve chegar primeiro ao estágio intermediário antes de chegar à sua meta. Por exemplo, suponhamos que um objeto se move de A a B, para chegar ao ponto B o objeto deve antes atingir o ponto intermediário B1, mas antes de chegar a B1 deve chegar ao ponto B2 que é a metade da distância entre A e B1, para chegar a B2 também deve antes chegar ao ponto B3. Esse movimento vai ao infinito demonstrando que o movimento não pode ser iniciado conforme ilustra a figura abaixo:
A-----B3-----B2----------B1--------------------B
Estes paradoxos expostos por Zenão se baseiam sobre o conceito de divisão infinita do espaço, segundo essa divisão podemos decompor o espaço em um número infinito de pontos. Ele igualava o espaço real e físico ao espaço abstraído pela nossa mente. O filósofo não fazia distinção entre esses dois planos. Para ele o plano ideal do nosso pensamento era diretamente relacionado à realidade, criando assim uma relação confusa entre o espaço físico e o espaço geométrico. A visão virtual da geometria é diretamente relacionada com a matéria física, criando assim os paradoxos.
Zenão de Eléia
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Pitágoras (570 - 496 a.C.)
Pitágoras era de Samos, uma ilha do mar Egeu na costa da Ásia Menor, na época pertencente à Grécia. Pitágoras mudou-se para Crotona, na atual Itália e ali fundou uma escola filosófica que muito se assemelhava a um culto religioso ou seita fechada somente para iniciados. A biografia deste filósofo é envolta por lendas e relatos de outros escritores pois tudo o que dele sabemos deve-se ao que foi transmitido oralmente não tendo deixado nada escrito.
Pouco sabemos de Pitágoras e sua escola e isso se deve também ao fato de que ela tinha muitas regras sigilosas que protegiam os seus segredos. Os iniciados na Escola Pitagórica cumpriam regras de silêncio. O filósofo e matemático Pitágoras, além de fundador e líder, era visto como profeta. A escola praticava rituais de purificação através do estudo de Geometria, Aritmética, Música e Astronomia. Acreditavam na metempsicose, ou seja, a transmigração da alma de um corpo para o outro após a morte. Acreditavam portanto na reencarnação e na imortalidade da alma. Havia regras de lealdade entre os membros da escola e os bens materiais eram distribuídos comunitariamente. Eles viviam de modo austero e obedientes às regras da escola. Eram proibidos de comer carne e beber vinho.
A Escola Pitagórica santificava a vida. Eles também se interessavam por diversas questões filosóficas e tinham profundo interesse intelectual sobre diversas questões. Dentre essas questões destaca-se a matemática a aritmética a geometria e a música. Eles criaram relação da matemática com assuntos abstratos como a justiça, desenvolvendo assim um misticismo em torno dos números. Os números constituíam a essência de todas as coisas. O mundo era governado pelas mesmas estruturas matemáticas que governam os números pois eles simbolizavam a harmonia. Essa harmonia ou ordem eles perceberam analisando os astros e a natureza. Para eles o cosmos é organizado através de uma ordem matemática e a prova disso são os movimentos perfeitos das estrelas, as mudanças de estações e a alternância entre o dia e a noite. Assim como o dia e a noite, existem diversos opostos no mundo, o que concilia a oposição entre eles é o princípio da harmonia e o princípio da harmonia é regido pelos números.
O mundo foi formado no centro do universo, lá existe um fogo central a quem eles chamam de mãe dos deuses e é neste fogo central que são formados todos os corpos celestes. Em torno do fogo central movem-se, do oeste para o leste, dez corpos celestes.
Pitágoras foi quem criou a palavra "Filósofo" e "Matemática".
A harmonia matemática pode ser obtida também na música. Pitágoras descobriu que se dividirmos uma corda em determinadas proporções vamos obter vibrações proporcionais que vão formar a harmonia das notas musicais. Se dividirmos essas notas em determinadas frações e a combinarmos com as notas simples, vamos obter sons harmoniosos. Já frações diferentes produzem sons não harmônicos. Como todos os corpos que se movem velozmente produzem som, isso acontece também com os corpos celestes. O movimento dos astros produz o som correspondente a uma oitava. Este som não é percebido pelas pessoas pois nós o ouvimos desde que nascemos e nossos ouvidos não são próprios para percebê-los.
Em seus estudos eles concluíram também que a terra é redonda e que gira em seu eixo.
Outra grande descoberta geométrica dos pitagóricos é a relação entre os lados do triângulo retângulo. É o que conhecemos hoje por Teorema de Pitágoras: No triângulo retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.

Representação gráfica do Teorema de Pitágoras
A metafísica de Pitágoras também tinha por base a matemática. Como os números formam todas as coisas, inclusive a alma, esta se libertaria através do intelecto. O intelecto da pessoa para libertar a alma tem que descobrir a estrutura numérica das coisas pois nesta estrutura está a harmonia. Os números não são os símbolos, mas o que eles representam.
Para ele o número 10 era místico pois continha em si os quatro elementos que tudo formam, a terra o fogo a água e o ar. Cada um desses elementos é representado por um número e a sua soma 1+2+3+4 forma o 10 que é a base do nosso sistema numérico decimal. O número 1 simboliza a razão, 2 a opinião, 4 a justiça e 5 o casamento. 1 significa também o ponto, 2 a linha, 3 a superfície e 4 o volume.
Outra descoberta dos pitagóricos são os números perfeitos que são os números cuja soma de seus divisores, exceto ele mesmo, resulta no próprio número. Ex: o 6 é dividido por 1,2 e 3, e a soma dos três divisores é 6. O 28 é dividido por 1,2,4,7 e 14 e a soma dos divisores é 28.
Eles descobriram também que certas grandezas não podem ser representadas por um número inteiro nem por uma fração de números inteiros. Essas grandezas eles denominaram inexprimível. Isso gerou uma crise entre eles que fundamentavam tudo nos números e na matemática. Fizeram juramento de nunca revelar esse segredo a ninguém mas a notícia espalhou-se e os números irracionais foram revelados ao mundo.
Pitágoras foi expulso de Crotona e passou a morar em Metaponto onde morreu provavelmente em 496 a.C. Além de não deixar nenhum registro do seu trabalho, sua escola em Crotona foi destruída por rivais políticos e a maioria dos membros foi morta. Os sobreviventes dispersaram-se pela Grécia e continuaram a divulgar a filosofia da religião dos números.
Sentenças Pitagóricas:
- Todas as coisas se assemelham aos números.
- Educai as crianças e não será preciso punir os homens.
- Quem não domina a si mesmo não encontra a liberdade.
- Faz aquilo que achares justo mesmo que o outro pense diferente.
- Quem fala semeia, quem escuta colhe.
- Ajude os outros com a carga, mas não a carregues por eles.
- A vida é como um espetáculo, entramos nele, vemos o que ele nos mostra e dele saímos no final.
- Com ordem e com tempo encontra-se o segredo de fazer tudo e tudo fazer bem.

Pitágoras
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Pouco sabemos de Pitágoras e sua escola e isso se deve também ao fato de que ela tinha muitas regras sigilosas que protegiam os seus segredos. Os iniciados na Escola Pitagórica cumpriam regras de silêncio. O filósofo e matemático Pitágoras, além de fundador e líder, era visto como profeta. A escola praticava rituais de purificação através do estudo de Geometria, Aritmética, Música e Astronomia. Acreditavam na metempsicose, ou seja, a transmigração da alma de um corpo para o outro após a morte. Acreditavam portanto na reencarnação e na imortalidade da alma. Havia regras de lealdade entre os membros da escola e os bens materiais eram distribuídos comunitariamente. Eles viviam de modo austero e obedientes às regras da escola. Eram proibidos de comer carne e beber vinho.
A Escola Pitagórica santificava a vida. Eles também se interessavam por diversas questões filosóficas e tinham profundo interesse intelectual sobre diversas questões. Dentre essas questões destaca-se a matemática a aritmética a geometria e a música. Eles criaram relação da matemática com assuntos abstratos como a justiça, desenvolvendo assim um misticismo em torno dos números. Os números constituíam a essência de todas as coisas. O mundo era governado pelas mesmas estruturas matemáticas que governam os números pois eles simbolizavam a harmonia. Essa harmonia ou ordem eles perceberam analisando os astros e a natureza. Para eles o cosmos é organizado através de uma ordem matemática e a prova disso são os movimentos perfeitos das estrelas, as mudanças de estações e a alternância entre o dia e a noite. Assim como o dia e a noite, existem diversos opostos no mundo, o que concilia a oposição entre eles é o princípio da harmonia e o princípio da harmonia é regido pelos números.
O mundo foi formado no centro do universo, lá existe um fogo central a quem eles chamam de mãe dos deuses e é neste fogo central que são formados todos os corpos celestes. Em torno do fogo central movem-se, do oeste para o leste, dez corpos celestes.
Pitágoras foi quem criou a palavra "Filósofo" e "Matemática".
A harmonia matemática pode ser obtida também na música. Pitágoras descobriu que se dividirmos uma corda em determinadas proporções vamos obter vibrações proporcionais que vão formar a harmonia das notas musicais. Se dividirmos essas notas em determinadas frações e a combinarmos com as notas simples, vamos obter sons harmoniosos. Já frações diferentes produzem sons não harmônicos. Como todos os corpos que se movem velozmente produzem som, isso acontece também com os corpos celestes. O movimento dos astros produz o som correspondente a uma oitava. Este som não é percebido pelas pessoas pois nós o ouvimos desde que nascemos e nossos ouvidos não são próprios para percebê-los.
Em seus estudos eles concluíram também que a terra é redonda e que gira em seu eixo.
Outra grande descoberta geométrica dos pitagóricos é a relação entre os lados do triângulo retângulo. É o que conhecemos hoje por Teorema de Pitágoras: No triângulo retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.
Representação gráfica do Teorema de Pitágoras
A metafísica de Pitágoras também tinha por base a matemática. Como os números formam todas as coisas, inclusive a alma, esta se libertaria através do intelecto. O intelecto da pessoa para libertar a alma tem que descobrir a estrutura numérica das coisas pois nesta estrutura está a harmonia. Os números não são os símbolos, mas o que eles representam.
Para ele o número 10 era místico pois continha em si os quatro elementos que tudo formam, a terra o fogo a água e o ar. Cada um desses elementos é representado por um número e a sua soma 1+2+3+4 forma o 10 que é a base do nosso sistema numérico decimal. O número 1 simboliza a razão, 2 a opinião, 4 a justiça e 5 o casamento. 1 significa também o ponto, 2 a linha, 3 a superfície e 4 o volume.
Outra descoberta dos pitagóricos são os números perfeitos que são os números cuja soma de seus divisores, exceto ele mesmo, resulta no próprio número. Ex: o 6 é dividido por 1,2 e 3, e a soma dos três divisores é 6. O 28 é dividido por 1,2,4,7 e 14 e a soma dos divisores é 28.
Eles descobriram também que certas grandezas não podem ser representadas por um número inteiro nem por uma fração de números inteiros. Essas grandezas eles denominaram inexprimível. Isso gerou uma crise entre eles que fundamentavam tudo nos números e na matemática. Fizeram juramento de nunca revelar esse segredo a ninguém mas a notícia espalhou-se e os números irracionais foram revelados ao mundo.
Pitágoras foi expulso de Crotona e passou a morar em Metaponto onde morreu provavelmente em 496 a.C. Além de não deixar nenhum registro do seu trabalho, sua escola em Crotona foi destruída por rivais políticos e a maioria dos membros foi morta. Os sobreviventes dispersaram-se pela Grécia e continuaram a divulgar a filosofia da religião dos números.
Sentenças Pitagóricas:
- Todas as coisas se assemelham aos números.
- Educai as crianças e não será preciso punir os homens.
- Quem não domina a si mesmo não encontra a liberdade.
- Faz aquilo que achares justo mesmo que o outro pense diferente.
- Quem fala semeia, quem escuta colhe.
- Ajude os outros com a carga, mas não a carregues por eles.
- A vida é como um espetáculo, entramos nele, vemos o que ele nos mostra e dele saímos no final.
- Com ordem e com tempo encontra-se o segredo de fazer tudo e tudo fazer bem.
Pitágoras
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Heráclito (540 - 470 a.C.)
Heráclito era de Éfeso, na atual Turquia. Ele pertenceu à nobreza pois sua família era descendente do fundador da cidade. Pode ser que por esse motivo ele desprezava o povo simples e nunca interferiu na política. Desprezou também os antigos poetas, os filósofos de sua época e a religião.
Era contemporâneo de Parmênides. É conhecido pelos seus escritos não muito claros, especialmente em sua obra Acerca da Natureza onde aparecem diversas sentenças breves em forma de prosa.
Ele observa o constante devir das coisas, o mundo está em um perpétuo fluxo. O mundo inicia com uma substância, essa substância explica o devir constante através de si próprio. Para ele essa substância é o fogo, que não é algo corpóreo, mas ativo, com inteligência e foi criado. Qualquer mudança que ocorre no mundo se dá através do fogo. O que está mudando ou está indo ao fogo ou está voltando. Esse fluxo eterno é um processo dialético. Para ele a dialética é inicialmente o raciocinar de uma direção à outra. Ela é própria do objeto a que se observa, mas está também no sujeito que observa. Heráclito tenta com isso fundar e buscar a dialética como começo.
Heráclito consegue com o devir trazer um grande avanço para a filosofia. Com o devir a filosofia deixa de ser estática e passa a contemplar também o movimento. O movimento para o filósofo de Éfeso é o próprio princípio.
Para Heráclito o Ser é o único. É nele que tudo começa e após ele temos o devir. Desta forma ele é o primeiro filósofo a utilizar a especulação para fazer filosofia. Para fazer especulações filosóficas ele utiliza a pesquisa e através da pesquisa busca alcançar clareza para os pressupostos da filosofia. A própria natureza da filosofia impõe que ela seja feita através da pesquisa e a especulação é necessária porque essa natureza gosta de se esconder. A natureza não entrega seus fundamentos de forma fácil. Alcançar seus conhecimentos é uma busca difícil para os filósofos e impossível para a maioria dos homens.
Os filósofos vão além da esperteza demonstrada por alguns indivíduos que aparentam saber muitas coisas mas não alcançam a verdadeira inteligência. A verdadeira inteligência dos filósofos vai se dedicar a estudar os diversos objetos mas buscando sempre colocá-los em uma unidade.
Além do mundo o homem deve examinar a si próprio. Na pesquisa o filósofo pode encontrar diversas respostas diretas e claras a respeito do mundo. Mas ao pesquisar a si próprio o homem vai encontrar uma profundidade infinita de conhecimentos a serem descobertos. Quanto mais nos aprofundamos em nós mesmos mais percebemos que somos mais profundos. Essa descoberta de nós mesmos jamais termina. A razão última do que sou vai sempre estar fora do meu alcance, quanto mais conhecimento tenho de mim mesmo mais percebo que tenho outros conhecimentos a conhecer sobre mim mesmo. Esse processo cada vez mais profundo e cada vez mais íntimo de conhecer a mim mesmo não tem fim.
Outro rumo que as pesquisas filosóficas devem tomar, além do mundo e de si mesmo, é também sobre a nossa relação com os outros. Buscar a essência da nossa relação com os outros é mais um dos objetivo da filosofia pois estamos ligados aos outros através de uma comunidade natural. O filósofo deve buscar a razão, a essência da natureza que nos liga a nós mesmos, ao mundo e aos outros. Esta razão da natureza é a lei que tudo regula, regula o homem, regula a relação entre os homens e regula a natureza externa. Esta lei é o ser do mundo e este ser é que vai se revelar na pesquisa filosófica.
Ter essa atitude filosófica é para Heráclito uma opção constante que os homens tem que fazer. É semelhante à opção de estar acordado ou dormindo, entre fechar-se em si em seu pensamento e abrir-se à comunicação consigo mesmo, com os outros e com o mundo objetivo. Quem está dormindo se isola como indivíduo. Quem está acordado vai pesquisar além das aparências e pode alcançar o mais profundo da própria consciência, da relação com os outros e a essência da lei única de todas as substâncias que coordena o mundo. Esta opção entre estar dormindo ou acordado para o mundo é a opção que pode levar o homem à esperteza ou à sabedoria, ela determina também qual será o caráter do homem, que é o que vai definir o seu destino.
A pesquisa para Heráclito deve clarear e aprofundar o significado e também o seu contrário. O que fundamenta e cria tudo não é uma unidade totalizante mas nela coexistem e são necessários os contrários. Para entender o fundamento de tudo é necessário juntar o completo e o incompleto. É a união dos opostos que vai gerar a unidade da mesma forma que da unidade vão ser gerados os opostos. A diferença entre os opostos constitui um significado essencial e racional da própria diferença. Com essas teorias ele funda também a dialética.
Heráclito não percebe a unidade como harmonia, como sendo a síntese dos contrários, um ponto onde as divergências das oposições se anulam. È a unidade que permite a existência dos contrários. A diferença é uma unidade porque é uma relação e a relação só é possível entre contrários. Se as diferenças forem anuladas, anula-se também a unidade. Deus também é identificado com essa relação entre os contrários, entre os opostos, que apesar de mudarem constantemente continuam existindo e tem a capacidade de conter em si a unidade.
Sentenças:
- Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio.
- A doença faz da saúde algo agradável e bom.
- O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.
- Os que procuram ouro escavam muita terra, mas encontram pouco metal.
- Procurei-me a mim mesmo.
- Tu não encontrarás os confins da alma, caminhes o quanto caminhares, tão profunda é ela.
- Este mundo, que é o mesmo para todos, não foi criado por qualquer dos deuses ou dos homens, mas foi sempre, é e será fogo eternamente vivo que ordenadamente se acende e regularmente se extingue.
- Se não esperares, não irás achar o inesperado, porque ele não se pode achar e é inacessível.
- É necessário seguir o que é comum a todos porque o que é comum é geral.
- São iguais, os vivos e os mortos, os que estão acordados e os que dormem, os jovens e os velhos: porque cada um destes opostos quando se transformam tornam-se o anterior.
- A luta é a regra do mundo e a guerra é que cria todas as coisas.

Heráclito
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Era contemporâneo de Parmênides. É conhecido pelos seus escritos não muito claros, especialmente em sua obra Acerca da Natureza onde aparecem diversas sentenças breves em forma de prosa.
Ele observa o constante devir das coisas, o mundo está em um perpétuo fluxo. O mundo inicia com uma substância, essa substância explica o devir constante através de si próprio. Para ele essa substância é o fogo, que não é algo corpóreo, mas ativo, com inteligência e foi criado. Qualquer mudança que ocorre no mundo se dá através do fogo. O que está mudando ou está indo ao fogo ou está voltando. Esse fluxo eterno é um processo dialético. Para ele a dialética é inicialmente o raciocinar de uma direção à outra. Ela é própria do objeto a que se observa, mas está também no sujeito que observa. Heráclito tenta com isso fundar e buscar a dialética como começo.
Heráclito consegue com o devir trazer um grande avanço para a filosofia. Com o devir a filosofia deixa de ser estática e passa a contemplar também o movimento. O movimento para o filósofo de Éfeso é o próprio princípio.
Para Heráclito o Ser é o único. É nele que tudo começa e após ele temos o devir. Desta forma ele é o primeiro filósofo a utilizar a especulação para fazer filosofia. Para fazer especulações filosóficas ele utiliza a pesquisa e através da pesquisa busca alcançar clareza para os pressupostos da filosofia. A própria natureza da filosofia impõe que ela seja feita através da pesquisa e a especulação é necessária porque essa natureza gosta de se esconder. A natureza não entrega seus fundamentos de forma fácil. Alcançar seus conhecimentos é uma busca difícil para os filósofos e impossível para a maioria dos homens.
Os filósofos vão além da esperteza demonstrada por alguns indivíduos que aparentam saber muitas coisas mas não alcançam a verdadeira inteligência. A verdadeira inteligência dos filósofos vai se dedicar a estudar os diversos objetos mas buscando sempre colocá-los em uma unidade.
Além do mundo o homem deve examinar a si próprio. Na pesquisa o filósofo pode encontrar diversas respostas diretas e claras a respeito do mundo. Mas ao pesquisar a si próprio o homem vai encontrar uma profundidade infinita de conhecimentos a serem descobertos. Quanto mais nos aprofundamos em nós mesmos mais percebemos que somos mais profundos. Essa descoberta de nós mesmos jamais termina. A razão última do que sou vai sempre estar fora do meu alcance, quanto mais conhecimento tenho de mim mesmo mais percebo que tenho outros conhecimentos a conhecer sobre mim mesmo. Esse processo cada vez mais profundo e cada vez mais íntimo de conhecer a mim mesmo não tem fim.
Outro rumo que as pesquisas filosóficas devem tomar, além do mundo e de si mesmo, é também sobre a nossa relação com os outros. Buscar a essência da nossa relação com os outros é mais um dos objetivo da filosofia pois estamos ligados aos outros através de uma comunidade natural. O filósofo deve buscar a razão, a essência da natureza que nos liga a nós mesmos, ao mundo e aos outros. Esta razão da natureza é a lei que tudo regula, regula o homem, regula a relação entre os homens e regula a natureza externa. Esta lei é o ser do mundo e este ser é que vai se revelar na pesquisa filosófica.
Ter essa atitude filosófica é para Heráclito uma opção constante que os homens tem que fazer. É semelhante à opção de estar acordado ou dormindo, entre fechar-se em si em seu pensamento e abrir-se à comunicação consigo mesmo, com os outros e com o mundo objetivo. Quem está dormindo se isola como indivíduo. Quem está acordado vai pesquisar além das aparências e pode alcançar o mais profundo da própria consciência, da relação com os outros e a essência da lei única de todas as substâncias que coordena o mundo. Esta opção entre estar dormindo ou acordado para o mundo é a opção que pode levar o homem à esperteza ou à sabedoria, ela determina também qual será o caráter do homem, que é o que vai definir o seu destino.
A pesquisa para Heráclito deve clarear e aprofundar o significado e também o seu contrário. O que fundamenta e cria tudo não é uma unidade totalizante mas nela coexistem e são necessários os contrários. Para entender o fundamento de tudo é necessário juntar o completo e o incompleto. É a união dos opostos que vai gerar a unidade da mesma forma que da unidade vão ser gerados os opostos. A diferença entre os opostos constitui um significado essencial e racional da própria diferença. Com essas teorias ele funda também a dialética.
Heráclito não percebe a unidade como harmonia, como sendo a síntese dos contrários, um ponto onde as divergências das oposições se anulam. È a unidade que permite a existência dos contrários. A diferença é uma unidade porque é uma relação e a relação só é possível entre contrários. Se as diferenças forem anuladas, anula-se também a unidade. Deus também é identificado com essa relação entre os contrários, entre os opostos, que apesar de mudarem constantemente continuam existindo e tem a capacidade de conter em si a unidade.
Sentenças:
- Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio.
- A doença faz da saúde algo agradável e bom.
- O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.
- Os que procuram ouro escavam muita terra, mas encontram pouco metal.
- Procurei-me a mim mesmo.
- Tu não encontrarás os confins da alma, caminhes o quanto caminhares, tão profunda é ela.
- Este mundo, que é o mesmo para todos, não foi criado por qualquer dos deuses ou dos homens, mas foi sempre, é e será fogo eternamente vivo que ordenadamente se acende e regularmente se extingue.
- Se não esperares, não irás achar o inesperado, porque ele não se pode achar e é inacessível.
- É necessário seguir o que é comum a todos porque o que é comum é geral.
- São iguais, os vivos e os mortos, os que estão acordados e os que dormem, os jovens e os velhos: porque cada um destes opostos quando se transformam tornam-se o anterior.
- A luta é a regra do mundo e a guerra é que cria todas as coisas.
Heráclito
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Anaxímenes (585 - 524 a.C.)
Terceiro representante dos Filósofos de Mileto. Foi amigo e seguidor de Anaximandro e conhecia bem as teorias deste filósofo bem como as teorias de Tales, que acreditava que é a água o princípio de todas as coisas. Mas de onde vem à água? Anaxímenes pensava que a água é ar condensado e que o fogo é ar rarefeito e que o principal elemento que constitui as coisas é o ar ou o vapor e a eles as coisas voltam através de um movimento duplo onde o ar se condensa e depois se rarefaz.
O ar é infinito e se identifica também com a alma. Ele anima o corpo do homem e também todo o mundo. O Ar está em movimento eterno e possui vida. O mundo todo pode ser visto como um enorme animal que respira e a respiração é que lhe dá vida. E como a respiração é que lhe dá a vida, ela é a sua alma. É do ar que nasce todas as coisas presentes, todas as coisas do passado e as do futuro. Incluindo os deuses. É no ar que começa o movimento de todas as coisas.
Um dos exemplos que o filósofo encontra para sustentar suas teorias de rarefação e condensação é o de como o ar sai da nossa boca: se assoprarmos com os lábios mais apertados e com força o ar sai frio e se soltamos o ar com a boca bem aberta ele sai quente. O que muda portanto é a quantidade e a pressão que se imprime sobre o ar. Da mudança destas situações é que vão se originar todas as coisas.
Desta forma tudo o que existe são diferentes formas de ar que é o que forma tudo. O ar sob a influência do calor se expande aumentando seu volume e sob a influência do frio se contrai diminuindo seu volume. Tudo vai depender se é o calor ou o frio que vai predominar.
Essa teoria Anaxímenes provavelmente formulou após identificar o ar em movimento incessante. Percebeu também que a vida geralmente precisa do ar para se manter. Respirar é o que dá vida aos seres e dependemos da respiração por toda nossa vida. Ele percebeu ainda que no céu existem nuvens e que a matéria possui vários graus de solidez. O ar para ele é algo divino, ou mais, o ar é o próprio Deus.
Poucas notícias sobre a cosmologia de Anaxímenes chegaram até nós. Para ele a Terra a Lua e o Sol bem como todos os demais astros conhecidos na época, são planos e flutuam como se estivessem cavalgando sobre o ar. Todos os astros se movem ao redor da terra como se fosse um chapéu girando ao redor da nossa cabeça. A terra é feita de ar comprimido e o sol a lua e os outros astros também se originam da terra.
Para ele o sol também é terra que se movimenta mais rápido e por isso gera o calor próprio daquele astro. Foi o primeiro pensador a chegar à conclusão de que a luz da Lua vem do Sol. A Terra foi a primeira a se formar e dela ergueram-se as estrelas. As estrelas são fogo rarefeito. A Terra é plana e flutua no Ar assim como o Sol que é largo como uma folha e se desloca também através do ar.
Anaxímenes acreditava ainda que as estrelas não produziam calor porque estavam bem mais distantes da terra do que o sol.
Consta que ele escreveu uma obra intitulada Sobre a Natureza que foi escrita em prosa. Estudou também meteorologia.
Sentenças:
- Da mesma forma como a nossa alma o ar nos mantém juntos, de forma que o sopro, bem como o ar, abraçam o mundo inteiro.

Anaxímenes
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
O ar é infinito e se identifica também com a alma. Ele anima o corpo do homem e também todo o mundo. O Ar está em movimento eterno e possui vida. O mundo todo pode ser visto como um enorme animal que respira e a respiração é que lhe dá vida. E como a respiração é que lhe dá a vida, ela é a sua alma. É do ar que nasce todas as coisas presentes, todas as coisas do passado e as do futuro. Incluindo os deuses. É no ar que começa o movimento de todas as coisas.
Um dos exemplos que o filósofo encontra para sustentar suas teorias de rarefação e condensação é o de como o ar sai da nossa boca: se assoprarmos com os lábios mais apertados e com força o ar sai frio e se soltamos o ar com a boca bem aberta ele sai quente. O que muda portanto é a quantidade e a pressão que se imprime sobre o ar. Da mudança destas situações é que vão se originar todas as coisas.
Desta forma tudo o que existe são diferentes formas de ar que é o que forma tudo. O ar sob a influência do calor se expande aumentando seu volume e sob a influência do frio se contrai diminuindo seu volume. Tudo vai depender se é o calor ou o frio que vai predominar.
Essa teoria Anaxímenes provavelmente formulou após identificar o ar em movimento incessante. Percebeu também que a vida geralmente precisa do ar para se manter. Respirar é o que dá vida aos seres e dependemos da respiração por toda nossa vida. Ele percebeu ainda que no céu existem nuvens e que a matéria possui vários graus de solidez. O ar para ele é algo divino, ou mais, o ar é o próprio Deus.
Poucas notícias sobre a cosmologia de Anaxímenes chegaram até nós. Para ele a Terra a Lua e o Sol bem como todos os demais astros conhecidos na época, são planos e flutuam como se estivessem cavalgando sobre o ar. Todos os astros se movem ao redor da terra como se fosse um chapéu girando ao redor da nossa cabeça. A terra é feita de ar comprimido e o sol a lua e os outros astros também se originam da terra.
Para ele o sol também é terra que se movimenta mais rápido e por isso gera o calor próprio daquele astro. Foi o primeiro pensador a chegar à conclusão de que a luz da Lua vem do Sol. A Terra foi a primeira a se formar e dela ergueram-se as estrelas. As estrelas são fogo rarefeito. A Terra é plana e flutua no Ar assim como o Sol que é largo como uma folha e se desloca também através do ar.
Anaxímenes acreditava ainda que as estrelas não produziam calor porque estavam bem mais distantes da terra do que o sol.
Consta que ele escreveu uma obra intitulada Sobre a Natureza que foi escrita em prosa. Estudou também meteorologia.
Sentenças:
- Da mesma forma como a nossa alma o ar nos mantém juntos, de forma que o sopro, bem como o ar, abraçam o mundo inteiro.
Anaxímenes
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Anaximandro (610 - 547 a.C.)
Quase nada conhecemos da sua vida mas sabemos que foi discípulo, seguidor e sucessor de Tales de Mileto. Anaximandro pensava que nosso mundo é somente um entre diversos outros mundos que irão se desenvolver, evoluir e se desintegrar em um processo infinito. Nosso cosmos, um entre os infinitos que existiram e os infinitos que virão, iniciou-se com os contrários principais que são o frio e o calor. Uma ideia muito parecida de como alguns físicos modernos concebem a teoria do Big-Bang.
Anaximandro estudou e escreveu sobre geografia, astronomia, matemática e política, mas um dos seus principais escritos intitulado Sobre a Natureza não chegou até nós. Existem somente relatos dele. Esta obra é o primeiro escrito filosófico do ocidente. Anaximandro é considerado o fundador da astronomia na Grécia pois mediu a distância entre as estrelas e o tamanho das mesmas. Ao que parece ele iniciou o uso do relógio solar na Grécia e desenhou um mapa do mundo conhecido na época.
Para ele a água não era o princípio de todas as coisas como defendia Tales, assim como nenhum dos quatro elementos fundamentais: terra, fogo, ar e água. Mas tudo começava com o que ele chama de a-peiron, que é o infinito na qualidade e na quantidade. O a-peiron não surgiu de nada mas existe e não tem fim. E justamente por ser infinito em extensão e profundidade pode gerar todas as coisas. Muitos identificam esse infinito com o divino pois é imortal e não pode ser destruído. Aqui a imortalidade não é somente algo que não tem fim mas também algo que não tem começo. Neste ponto Anaximandro destrói as bases das crenças nos deuses gregos. Estes não tinham fim mas tinham começo, eles nascem em um determinado tempo. Anaximandro no entanto não acreditava em nenhum Deus. Para ele as sequências de se criar desenvolver e destruir eram fenômenos naturais que aconteciam quando a matéria abandonava e se separava do a-peiron. O a-peiron era a realidade inicial e final de todas as coisas e por consequência continha em si toda a natureza divina.
Mas ele vai além, ele se questiona também de como e porque as coisas se formam do a-peiron. Para ele as coisas se constituem através de uma eterna luta entre contrários, onde algo não pode existir enquanto existe também o seu contrário. O mediador desta eterna luta é o tempo, que permite que ora exista um e ora exista o seu contrário. Esses contrários podem ser observados na natureza calor, frio; úmido, seco; claro, escuro, etc. E é o tempo que vai colocar limites para a existência destes contrários.
Anaximandro acreditava que a terra tinha a forma cilíndrica e era circundada por diversas rodas cósmicas que eram imensas e de fogo. A terra ficava suspensa sem que nada a sustentasse o que a conservava desta forma era a igual distância entre todas as partes. Existe um equilíbrio entre as diversas forças que atuam sobre a terra. Para ele o sol é que fez que do líquido do lodo marinho nascessem os primeiros seres vivos. Esses seres marinhos aos poucos foram se desenvolvendo em seres mais complexos. O homem teria se formado inicialmente dentro de alguns peixes. Ali ele se desenvolveu e foi expulso quando cresceu de tamanho o suficiente para manter-se a si mesmo.
Hoje muitos cientistas se admiram com estas antecipações, embora simplistas, de muitos conhecimentos posteriormente comprovados pela ciência:
- Para ele a terra se sustenta através do equilíbrio das diversas forças que atuam sobre ela, o que é parecido com a força da gravidade e com a força centrípeta que é o que mantém a Terra girando em torno do Sol.
- Anaximandro acreditava que os opostos se excluíam. O que é muito parecido com a teoria moderna de que logo após o Big-Bang foram criadas matéria e antimatéria que se anulam quando se encontram.
- Ele acreditava que o sol agia sobre a água e gerava os seres e estes seres depois se deslocaram para a terra e foram se tornando mais elaborados conforme se desenvolviam. Esse pensamento é muito parecido com a teoria da evolução das espécies.

Anaximandro
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Anaximandro estudou e escreveu sobre geografia, astronomia, matemática e política, mas um dos seus principais escritos intitulado Sobre a Natureza não chegou até nós. Existem somente relatos dele. Esta obra é o primeiro escrito filosófico do ocidente. Anaximandro é considerado o fundador da astronomia na Grécia pois mediu a distância entre as estrelas e o tamanho das mesmas. Ao que parece ele iniciou o uso do relógio solar na Grécia e desenhou um mapa do mundo conhecido na época.
Para ele a água não era o princípio de todas as coisas como defendia Tales, assim como nenhum dos quatro elementos fundamentais: terra, fogo, ar e água. Mas tudo começava com o que ele chama de a-peiron, que é o infinito na qualidade e na quantidade. O a-peiron não surgiu de nada mas existe e não tem fim. E justamente por ser infinito em extensão e profundidade pode gerar todas as coisas. Muitos identificam esse infinito com o divino pois é imortal e não pode ser destruído. Aqui a imortalidade não é somente algo que não tem fim mas também algo que não tem começo. Neste ponto Anaximandro destrói as bases das crenças nos deuses gregos. Estes não tinham fim mas tinham começo, eles nascem em um determinado tempo. Anaximandro no entanto não acreditava em nenhum Deus. Para ele as sequências de se criar desenvolver e destruir eram fenômenos naturais que aconteciam quando a matéria abandonava e se separava do a-peiron. O a-peiron era a realidade inicial e final de todas as coisas e por consequência continha em si toda a natureza divina.
Mas ele vai além, ele se questiona também de como e porque as coisas se formam do a-peiron. Para ele as coisas se constituem através de uma eterna luta entre contrários, onde algo não pode existir enquanto existe também o seu contrário. O mediador desta eterna luta é o tempo, que permite que ora exista um e ora exista o seu contrário. Esses contrários podem ser observados na natureza calor, frio; úmido, seco; claro, escuro, etc. E é o tempo que vai colocar limites para a existência destes contrários.
Anaximandro acreditava que a terra tinha a forma cilíndrica e era circundada por diversas rodas cósmicas que eram imensas e de fogo. A terra ficava suspensa sem que nada a sustentasse o que a conservava desta forma era a igual distância entre todas as partes. Existe um equilíbrio entre as diversas forças que atuam sobre a terra. Para ele o sol é que fez que do líquido do lodo marinho nascessem os primeiros seres vivos. Esses seres marinhos aos poucos foram se desenvolvendo em seres mais complexos. O homem teria se formado inicialmente dentro de alguns peixes. Ali ele se desenvolveu e foi expulso quando cresceu de tamanho o suficiente para manter-se a si mesmo.
Hoje muitos cientistas se admiram com estas antecipações, embora simplistas, de muitos conhecimentos posteriormente comprovados pela ciência:
- Para ele a terra se sustenta através do equilíbrio das diversas forças que atuam sobre ela, o que é parecido com a força da gravidade e com a força centrípeta que é o que mantém a Terra girando em torno do Sol.
- Anaximandro acreditava que os opostos se excluíam. O que é muito parecido com a teoria moderna de que logo após o Big-Bang foram criadas matéria e antimatéria que se anulam quando se encontram.
- Ele acreditava que o sol agia sobre a água e gerava os seres e estes seres depois se deslocaram para a terra e foram se tornando mais elaborados conforme se desenvolviam. Esse pensamento é muito parecido com a teoria da evolução das espécies.
Anaximandro
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Tales (624 - 545 a.C)
De seus pensamentos originais conhecemos quase nada, o que sabemos dele é através de outros filósofos. Aristóteles o chamou de fundador da filosofia.
Tales pensava que diversos deuses estavam nas coisas do mundo, dessa forma a natureza passa também a ser considerada como algo divino. O espírito do mundo é Deus e as coisas têm alma que penetra nelas através da umidade. É também através da umidade que o poder de Deus entra nas coisas e as movimenta.
O primeiro pensador de Mileto observou que o calor precisa de água, que a pessoa quando morre fica seca, que as coisas vivas na natureza são úmidas, que os gérmens são úmidos, que os alimentos tem seiva e concluiu que a água era o princípio e a origem de todas as coisas. Ele dizia que as terras são sustentadas pela água e se deslocam como um barco. Quando dizemos que ela treme, como nos terremotos, na verdade ela está balançando devido ao movimento da água. Ele observou que a água muda constantemente e dizia que para que ela pudesse suportar todas as transformações e continuar inalterada ela deveria ser um elemento eterno.
Para ele todas as coisas estão cheias de deuses. Ele chega a essa afirmação por perceber que as coisas no mundo estão em constante movimento. Se as coisas se movem é porque estão vivas. E se estão vivas é porque Deus está nelas. Não podemos esquecer que quando Tales diz que todas as coisas têm deuses e alma, ele não estava se referindo ao sentido religioso que damos hoje às palavras Deus e Alma.
Mesmo que muitas das suas conclusões nos pareçam estranhas hoje, dizemos que a Filosofia iniciou com Tales porque com ele acontece a primeira separação entre o pensamento racional e o que as pessoas percebem através dos cinco sentidos. Ele utiliza a razão para buscar explicações para as coisas do mundo.
Tales previu um eclipse que ocorreu em 28 de maio de 585 a.C. O seu interesse pela astronomia o levou a descobrir a mudança do sol de um trópico ao outro. Tales descobriu também que algumas estrelas não eram fixas em relação às outras como pareciam e as chamou de planetas. Ele fixou ainda em trinta o número de dias durante o mês e constatou que o ano era composto de 365 dias e um quarto. Estudou ainda a eletricidade estática.
Atribui-se a Tales também uma teoria para explicar as constantes inundações do rio Nilo e a solução de diversos problemas geométricos. Ele viajou por diversas regiões e no Egito teria calculado a altura de uma pirâmide. O cálculo foi feito a partir da sua própria altura e o comprimento de sua sombra e através desta proporção calculou a altura da pirâmide através da sombra desta, pois a proporção é a mesma. Esse cálculo de proporções é conhecido até hoje na geometria como Teorema de Tales.
Se alguém perguntasse a Tales se antes vinha a noite ou o dia ele respondia que antes de tudo vinha a noite, depois de um dia. Dizia que a coisa mais simples é dar conselhos a outras pessoas; que a coisa mais agradável é ter sucesso e que a mais desagradável é um tirano poder envelhecer; que o divino é o que não tem nem início nem fim; que Deus vê os injustos mesmo quando eles ainda estão pensando em fazer a injustiça; que o falso juramento não é pior que o adultério; que se suporta mais facilmente a má sorte se percebermos que o inimigo está pior que nós; que se vive virtuosamente não fazendo ao outro o que não queremos para nós; que é feliz quem é saudável do corpo, rico de alma e bem educado.
Dizia ainda que precisamos recordar dos amigos presentes e ausentes; cuidar do nosso comportamento mais que da nossa aparência; não enriquecer de modo injusto e não cair em descrédito com aqueles com quem fizermos um trato.
Tales sustentava que a morte não é diferente da vida. E se alguém lhe perguntava porque então ele não morria ele dizia que era porque não tinha diferença entre vida e morte.
Platão no livro Teeteto conta uma anedota que dá testemunho dos interesses de Tales pela astronomia e esboça o que popularmente se pensa dos filósofos. Escreve Platão “Ele observava os astros e tendo o olhar dirigido ao céu, cai em um poço. Conta-se que uma espirituosa e inteligente serva o havia visto dizendo que se preocupava mais em conhecer o que acontece no céu sem preocupar-se com o que acontecia na frente dos seus pés. A mesma ironia é reservada a quem passa o tempo filosofando.”
Além da famosa sentença Conhece-te a ti mesmo, algum pensador de sua época atribuíram a Tales as seguintes outras:
- A água é o princípio de todas as coisas
- O ser mais antigo é Deus, porque não foi gerado
- Todas as coisas estão cheias de deuses
- A coisa mais bela é o mundo, porque é obra divina
- A pedra magnética (ímã) tem poder porque move o ferro
- O maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo
- O mais veloz é o intelecto porque passa através de tudo
- A mais forte é a necessidade porque tudo domina
- O mais sábio é o tempo porque tudo revela
Tales foi contemporâneo de Anaximandro e professor de Anaxímenes os outros dois primeiros filósofos da história da cultura ocidental.

Tales de Mileto
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Tales pensava que diversos deuses estavam nas coisas do mundo, dessa forma a natureza passa também a ser considerada como algo divino. O espírito do mundo é Deus e as coisas têm alma que penetra nelas através da umidade. É também através da umidade que o poder de Deus entra nas coisas e as movimenta.
O primeiro pensador de Mileto observou que o calor precisa de água, que a pessoa quando morre fica seca, que as coisas vivas na natureza são úmidas, que os gérmens são úmidos, que os alimentos tem seiva e concluiu que a água era o princípio e a origem de todas as coisas. Ele dizia que as terras são sustentadas pela água e se deslocam como um barco. Quando dizemos que ela treme, como nos terremotos, na verdade ela está balançando devido ao movimento da água. Ele observou que a água muda constantemente e dizia que para que ela pudesse suportar todas as transformações e continuar inalterada ela deveria ser um elemento eterno.
Para ele todas as coisas estão cheias de deuses. Ele chega a essa afirmação por perceber que as coisas no mundo estão em constante movimento. Se as coisas se movem é porque estão vivas. E se estão vivas é porque Deus está nelas. Não podemos esquecer que quando Tales diz que todas as coisas têm deuses e alma, ele não estava se referindo ao sentido religioso que damos hoje às palavras Deus e Alma.
Mesmo que muitas das suas conclusões nos pareçam estranhas hoje, dizemos que a Filosofia iniciou com Tales porque com ele acontece a primeira separação entre o pensamento racional e o que as pessoas percebem através dos cinco sentidos. Ele utiliza a razão para buscar explicações para as coisas do mundo.
Tales previu um eclipse que ocorreu em 28 de maio de 585 a.C. O seu interesse pela astronomia o levou a descobrir a mudança do sol de um trópico ao outro. Tales descobriu também que algumas estrelas não eram fixas em relação às outras como pareciam e as chamou de planetas. Ele fixou ainda em trinta o número de dias durante o mês e constatou que o ano era composto de 365 dias e um quarto. Estudou ainda a eletricidade estática.
Atribui-se a Tales também uma teoria para explicar as constantes inundações do rio Nilo e a solução de diversos problemas geométricos. Ele viajou por diversas regiões e no Egito teria calculado a altura de uma pirâmide. O cálculo foi feito a partir da sua própria altura e o comprimento de sua sombra e através desta proporção calculou a altura da pirâmide através da sombra desta, pois a proporção é a mesma. Esse cálculo de proporções é conhecido até hoje na geometria como Teorema de Tales.
Se alguém perguntasse a Tales se antes vinha a noite ou o dia ele respondia que antes de tudo vinha a noite, depois de um dia. Dizia que a coisa mais simples é dar conselhos a outras pessoas; que a coisa mais agradável é ter sucesso e que a mais desagradável é um tirano poder envelhecer; que o divino é o que não tem nem início nem fim; que Deus vê os injustos mesmo quando eles ainda estão pensando em fazer a injustiça; que o falso juramento não é pior que o adultério; que se suporta mais facilmente a má sorte se percebermos que o inimigo está pior que nós; que se vive virtuosamente não fazendo ao outro o que não queremos para nós; que é feliz quem é saudável do corpo, rico de alma e bem educado.
Dizia ainda que precisamos recordar dos amigos presentes e ausentes; cuidar do nosso comportamento mais que da nossa aparência; não enriquecer de modo injusto e não cair em descrédito com aqueles com quem fizermos um trato.
Tales sustentava que a morte não é diferente da vida. E se alguém lhe perguntava porque então ele não morria ele dizia que era porque não tinha diferença entre vida e morte.
Platão no livro Teeteto conta uma anedota que dá testemunho dos interesses de Tales pela astronomia e esboça o que popularmente se pensa dos filósofos. Escreve Platão “Ele observava os astros e tendo o olhar dirigido ao céu, cai em um poço. Conta-se que uma espirituosa e inteligente serva o havia visto dizendo que se preocupava mais em conhecer o que acontece no céu sem preocupar-se com o que acontecia na frente dos seus pés. A mesma ironia é reservada a quem passa o tempo filosofando.”
Além da famosa sentença Conhece-te a ti mesmo, algum pensador de sua época atribuíram a Tales as seguintes outras:
- A água é o princípio de todas as coisas
- O ser mais antigo é Deus, porque não foi gerado
- Todas as coisas estão cheias de deuses
- A coisa mais bela é o mundo, porque é obra divina
- A pedra magnética (ímã) tem poder porque move o ferro
- O maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo
- O mais veloz é o intelecto porque passa através de tudo
- A mais forte é a necessidade porque tudo domina
- O mais sábio é o tempo porque tudo revela
Tales foi contemporâneo de Anaximandro e professor de Anaxímenes os outros dois primeiros filósofos da história da cultura ocidental.
Tales de Mileto
Responsável - Arildo Luiz Marconatto
Comentários
Postar um comentário