Jornal Correio da Paraíba - Religião - 12 de janeiro de 2020
Religião - Paraíba: Domingo, 12 de janeiro de 2020 / N1
Como surgiu o incenso e por que o utilizamos na Missa?
Como surgiu o incenso e por que o utilizamos na Missa?
Este aromático elemento da tradição católica remonta a milênios antes de Cristo
Para mim, há algo espiritualmente inspirador no cheiro do incenso queimado. Mas de onde surgiu o incenso e por que o utilizamos?
O uso do incenso no culto religioso remonta há mais de dois mil anos, antes inclusive do Cristianismo.
Sua utilização foi documentada na China antes de 2.000 a.C. O comércio de incenso e especiarias era um importante fator econômico entre o Oriente e o Ocidente. As caravanas atravessavam a rota do incenso pelo Oriente Médio a partir do Iêmen e através da Arábia Saudita. A rota terminava em Israel.
As religiões no mundo ocidental empregam há muito tempo o incenso em suas cerimônias. Este sacramental é mencionado 170 vezes na Bíblia.
Sua utilização no culto judeu continuou depois do início do Cristianismo, influenciando a Igreja Católica, que passou a usar o incenso nas celebrações litúrgicas.
Igreja considera que a queima do incenso simboliza as orações dos fiéis que alcançam o Céu, como mencionado em Salmos:
“Que minha oração suba até vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para vós sejam como a oferenda da tarde.”
Entretanto, não há um registro temporal específico que nos permita saber quando o incenso foi introduzido nas celebrações católicas.
Não há provas disponíveis que mostrem seu uso durante os primeiros quatro séculos da Igreja, embora haja referências de sua utilização no Novo Testamento.
Por que o utilizamos?
O incenso é um sacramental utilizado para santificar, abençoar e venerar. A fumaça é um símbolo do mistério de Deus.
À medida em que se ela se eleva, sua imagem e seu cheiro expressam a doçura da presença de Nosso Senhor e reforçam como a Missa está vinculada com o Céu e a Terra.
A fumaça também simboliza a intensa fé que deve nos preencher. A fragrância também evoca a virtude cristã.
A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) permite o uso do incenso em diversos momentos da Missa. O turíbulo com o incenso deve ser balançado três vezes para representar a Santíssima Trindade.
Este sacramental pode aparecer nas seguintes partes da Missa:
durante a procissão de entrada;
no começo da Missa, para incensar a cruz e o altar;
na procissão e proclamação do Evangelho;
na preparação das oferendas (ofertório), depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar as ofertas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;
na elevação da hóstia e do cálice, depois da consagração.
Além disso, o incenso é usado nos funerais, tanto na igreja quanto em velórios e cemitérios. Também é utilizado na Sexta-feira Santa, quando o Santíssimo está exposto, e na Vigília Pascal.
Para terminar, vejamos o que o livro do Apocalipse (8,3-4) diz sobre o incenso:
“Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono.A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.”
Realmente, o incenso tem raízes profundas em nossa tradição católica.
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Por que os católicos inclinam a cabeça ao nome de Jesus
O costume é inspirado na Bíblia e foi instituído pelo Papa Gregório X no século XIII
Há muitos gestos corporais que os católicos realizam na missa, e um deles, que foi amplamente praticado há séculos, é o costume de inclinar a cabeça diante da menção do nome de Jesus.
Embora não tenha sido muito enfatizado nas últimas décadas, ainda é honrado por muitos dos fiéis leigos e por alguns sacerdotes.
A origem desse costume é inspirada principalmente pelas seguintes palavras de São Paulo em sua carta aos Filipenses:
Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. (Filipenses 2, 9-11)
Pensando de forma prática, ajoelhar-se toda vez que o nome de Jesus é mencionado é bastante difícil. Diante disso, o Papa Gregório X encontrou uma solução. Ele escreveu sobre isso para a Ordem Dominicana em 1274, expressando seu desejo de que algum gesto físico fosse feito para honrar o nome de Jesus.
A seguinte parte de sua carta foi impressa no livro With God: A Book of Prayers and Reflections, de Francis Xavier Lasance.
Recentemente, durante o Concílio realizado em Lyon, consideramos útil recomendar aos fiéis entrar na casa de Deus com humildade e devoção, e se comportar adequadamente enquanto ali estão, de modo a merecer a graça divina.
Também julgamos apropriado convencer os fiéis a demonstrar mais reverência por este Nome acima de todos os nomes, o único Nome pelo qual reivindicamos a salvação – o Nome de Jesus Cristo, que nos redimiu da escravidão do pecado.
Consequentemente, em obediência a este preceito apostólico: ‘Em nome de Jesus, todo joelho seja dobrado’, desejamos que, ao pronunciar esse nome, principalmente no Santo Sacrifício, todos inclinem a cabeça em sinal de que, interiormente, está-se ajoelhando de coração.
O Papa Gregório queria que todos não apenas honrassem o nome de Jesus, mas se submetessem interiormente a Deus com um ato simples de amor.
Os dominicanos levaram a sério o pedido do Papa e se tornaram os principais promotores do Santo Nome de Jesus na Igreja Católica, pregando sobre o Santo Nome, formando sociedades do Santo Nome, além de colocar altares em suas igrejas dedicadas ao Santo Nome de Jesus.
O costume é simples e deve refletir um desejo interior de honrar Jesus, o único nome pelo qual somos salvos.
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Gestos e posições do povo na Santa Missa
Quando se sentar, ficar de pé e se ajoelhar na celebração do santo sacrifício da Missa? O que prescreve a liturgia, o que recomenda a tradição e o que sugere a piedade nessa matéria?
São muitos os que nos escrevem, já há algum tempo, perguntando quais são os gestos que deve fazer e as posições que deve assumir o povo durante a celebração da Santa Missa. Por isso, trazemos abaixo um bom guia, publicado pelo site norte-americano Adoremus, traduzido pelo site brasileiro Salvem a Liturgia! e adaptado aqui e ali por nossa equipe.
As orientações a seguir contêm, de modo indiscriminado, gestos a) prescritos pelos livros litúrgicos, outros b) recomendados pela tradição e outros ainda c) apenas sugeridos pelo simbolismo que carregam. Não se trata, portanto, de um “manual” a ser seguido estritamente e em todas as suas particularidades, mas, sim, de um auxílio à piedade dos fiéis, para que participem melhor e mais frutuosamente do santo sacrifício da Missa.
As instruções propriamente obrigatórias a esse respeito encontram-se disponíveis na Instrução Geral do Missal Romano, nn. 42-44, e no Cerimonial dos Bispos.
Ritos Iniciais
Fazer o sinal da Cruz com água benta (sinal do Batismo), se houver, ao entrar na igreja.
Fazer genuflexão em direção ao sacrário contendo o Santíssimo Sacramento e ao altar do sacrifício antes de se dirigir ao banco. (Se não houver sacrário no presbitério ou ele não for visível, inclinar-se profundamente ao altar, a partir da cintura, antes de se dirigir ao banco.)
Chegando ao banco, ajoelhar-se para oração privada antes de a Missa começar.
Ficar de pé para a procissão de entrada.
Inclinar-se quando o crucifixo, sinal visível do sacrifício de Cristo, passar por você na procissão. (Havendo um bispo, inclinar-se quando ele passar, reconhecendo-o assim como pastor do rebanho e representante da autoridade da Igreja e de Cristo.)
Permanecer de pé para os ritos iniciais. Fazer o sinal da Cruz junto com o sacerdote no começo da Missa.
Bater no peito ao “mea culpa” (“por minha culpa, minha tão grande culpa”) no Confiteor.
Fazer inclinação de cabeça e o sinal da Cruz quando o sacerdote disser “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós…”
Fazer inclinação de cabeça ao dizer o “Senhor, tende piedade de nós” no Kyrie.
Se houver o Rito da Aspersão (Asperges), fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.
Durante a Missa, fazer inclinação de cabeça a cada menção do nome de Jesus e a cada vez que a Doxologia [“Glória ao Pai…”] for rezada ou cantada. Também quando pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc., e ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.)
Glória: fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus. (“Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito…”, “Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo…”)
Liturgia da Palavra
Sentar-se para as leituras da Sagrada Escritura.
Ficar de pé para o Evangelho ao verso do Alleluia.
Quando o ministro anunciar o Evangelho, traçar o sinal da Cruz com o polegar na cabeça, nos lábios e no peito. Esse gesto é uma forma de oração para pedir a presença da Palavra de Deus na mente, nos lábios e no coração.
Sentar-se para a homilia.
Credo: De pé; fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus; na maioria dos Domingos inclinar-se durante o Incarnatus (“e se encarnou pelo Espírito Santo… e se fez homem”); nas solenidades do Natal e da Anunciação todos se ajoelham a essas palavras.
Fazer o sinal da Cruz na conclusão do Credo, às palavras: “e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”
Liturgia Eucarística
Sentar-se durante o ofertório.
Ficar de pé quando o sacerdote disser “Orai, irmãos e irmãs…” e permanecer de pé para responder “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício…”
Se for usado incenso, o povo levanta-se e faz inclinação de cabeça ao turiferário quando ele fizer o mesmo, tanto antes como depois da incensação do povo.
Permanecer de pé até o final do Sanctus (“Santo, Santo, Santo…”) e manter-se de joelhos durante toda a Oração Eucarística.
No momento da Consagração de cada espécie, inclinar a cabeça e pronunciar silenciosamente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar. Estas são as palavras de São Tomé ao reconhecer verdadeiramente a Cristo quando este lhe apareceu no Cenáculo (cf. Jo 20, 28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20, 29).
Ficar de pé ao convite do sacerdote para a Oração do Senhor.
Com reverência, unir as mãos e inclinar a cabeça durante a Oração do Senhor.
Manter-se de pé para o sinal da paz, após o convite. (O sinal da paz pode ser um aperto de mãos ou uma inclinação de cabeça à pessoa mais próxima, acompanhada das palavras “A paz esteja contigo”.)
Na recitação (ou canto) do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”), bater no peito às palavras “Tende piedade de nós”.
Ajoelhar-se ao fim do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”).
Fazer inclinação de cabeça e bater no peito ao dizer: “Domine, non sum dignus…” (“Senhor, não sou digno…”).
Recepção da Comunhão
Deixar o banco (sem genuflexão) e caminhar com reverência até o altar, com as mãos unidas em oração.
Fazer um gesto de reverência ao se aproximar do ministro em procissão para receber a Comunhão. Se ela for recebida de joelhos, não se faz nenhum gesto adicional antes de recebê-la.
Pode-se receber a Hóstia tanto na língua como na mão.
Para o primeiro caso, abrir a boca e estender a língua, de modo que o ministro possa depositar a Hóstia de forma apropriada. Para o outro caso, posicionar uma mão sobre a outra (a esquerda sobre a direita, em forma de cruz), de palmas abertas, para receber a Hóstia. Com a mão de baixo (ou seja, a direita), tomar a Hóstia e com reverência depositá-la na sua boca. (Ver as diretrizes da Santa Sé de 1985).
Se estiver carregando uma criança no colo, é muito mais apropriado receber a Comunhão na língua.
Ao comungar também do Cálice, fazer o mesmo gesto de reverência ao se aproximar do ministro.
Fazer o sinal da Cruz após ter recebido a Comunhão.
Ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”.
Ritos Finais
Ficar de pé para os ritos finais.
Fazer o sinal da Cruz durante a bênção final, quando o sacerdote invocar a Trindade.
Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)
Se houver um hino durante o recessional, permanecer de pé até o final da execução. Se não houver hino, permanecer de pé até que todos os ministros tenham se retirado da parte principal da igreja.
Depois da conclusão da Missa, pode-se ajoelhar para uma oração privada de ação de graças.
Fazer uma genuflexão ao Santíssimo Sacramento e ao Altar do Sacrifício ao sair do banco e deixar a (parte principal da) igreja em silêncio.
Fazer o sinal da Cruz com água benta ao sair da igreja, como recordação batismal de anunciar o Evangelho de Cristo a toda criatura.
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Oração Eucarística: "Qual o momento adequado para nos ajoelharmos?"
Dando sequência à série de dúvidas litúrgicas dos nossos leitores, respondemos e publicamos uma comum: Na Oração Eucarística, qual o momento adequado para nos ajoelharmos?
"Na Oração Eucarística I (Cânon Romano), em qual momento ajoelhar-se? Vi explicações que não se deve ajoelhar quando se pronuncia "abençoai estas oferendas" e sim quando se diz "santificai estas oferendas". Nesse caso seria após os "comunicantes próprios". Mas essa explicação não é geral, pois na Oração Eucarística V (Congresso de Manaus) não há "santificai essas oferendas". Logo, a resposta que encontro com frequência não me convenceu. Por outro lado, é no "abençoeis estas oferendas" que o sacerdote traça o sinal da cruz sobre o pão e o cálice ao mesmo tempo. Esse poderia ser o sinal do momento adequado para ajoelharmo-nos. Essa regra se encaixa em todas as 14 orações eucarísticas. Se assim o for, na Oração Eucarística I, o momento adequado seria logo após o prefácio. Resta-me, portanto a dúvida sobre o momento certo, se é que ele existe, pois antigamente durante praticamente toda oração eucarística se ficava de joelhos." (Prof. Eduardo Wanderley)
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Primeiramente, é necessário saber que em todas as Orações Eucarísticas, o que se segue é o toque dos sinos, durante o gesto da Epiclese, isto é, daquele em que o sacerdote que preside, impõe as mãos sobre as oferendas, como que formando uma “pomba” e não é com o sinal do traçado da cruz, que vem seguida, mas pelo gesto e pelas palavras de invocação do Espírito Santo que, em todas as orações eucarísticas, acontece antes das palavras da consagração, com o verbo “santificar”, seja na forma infinitiva, imperativa ou, sobretudo, invocativa.
As exceções acontecem justamente a Oração Eucarística usada apenas no Brasil, do Congresso Eucarístico de Manaus (V), que não usa o verbo “santificar”, mas pede que “mande” o Espírito Santo. As outras, uma sobre a reconciliação e duas para missas com crianças usam de palavras que se referem à misericórdia divina e as outras duas à paternidade amorosa de Deus, também usam os verbos mandar, enviar, respectivamente.
Em todas elas, o “estender as mãos” e, só em seguida, traçar o sinal da cruz são os momentos apropriados e para os quais os coroinhas (ou acólitos instituídos) devem estar atentos, para poderem tocar os sinos, como sinal para que a assembleia se ajoelhe.
Na Oração Eucarística I ou Cânon Romano:
Dignai-vos, ó Pai, aceitar e santificar estas oferendas...
Momento correto para levantar-se: Celebrando, pois, a memória da paixão do vosso Filho...
Na Oração Eucarística II:
Santificai, pois, estas oferendas, derramando sobre elas o vosso Espírito...
Momento correto para levantar-se: Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho...
Na Oração Eucarística III:
Santificai pelo Espírito Santo as oferendas que vos apresentamos...
Momento correto para levantar-se: Celebrando agora, ó Pai, a memória do vosso Filho...
Na Oração Eucarística IV:
... nós vos pedimos que o mesmo Espírito Santo santifique estas oferendas...
Momento correto para levantar-se: Celebrando, agora, ó Pai, a memória da nossa redenção...
Na Oração Eucarística V:
... mandai o vosso Espírito Santo, a fim de que as nossas ofertas se mudem...
Momento correto para levantar-se: Recordamos, ó Pai, neste momento, a paixão de Jesus...
Na Oração Eucarística VI-A (Para Diversas Circunstâncias):
... que envieis o vosso Espírito Santo para santificar estes dons...
Momento correto para levantar-se: Celebrando, pois, ó Pai santo, a memória de Cristo...
Na Oração Eucarística VI-B (Para Diversas Circunstâncias):
... que envieis o vosso Espírito Santo para santificar estes dons...
Momento correto para levantar-se: Idem
Na Oração Eucarística VI-C (Para Diversas Circunstâncias):
... que envieis o vosso Espírito Santo para santificar estes dons...
Momento correto para levantar-se: Idem
Na Oração Eucarística VI-D (Para Diversas Circunstâncias):
... que envieis o vosso Espírito Santo para santificar estes dons...
Momento correto para levantar-se: Idem
Na Oração Eucarística VII (Sobre a Reconciliação I):
... olhai vosso povo aqui reunido e derramai a força do Espírito, para que estas ofertas se tornem...
Momento correto para levantar-se: Lembramo-nos de Jesus Cristo, nossa Páscoa e certeza da paz definitiva...
Na Oração Eucarística VIII (Sobre a Reconciliação II):
Cumprindo o que ele nos mandou, vos pedimos: Santificai, por vosso Espírito, estas oferendas.
Momento correto para levantar-se: Ó Deus, Pai de misericórdia, Vosso filho nos deixou esta prova de amor...
Na Oração Eucarística IX (Para Missas com crianças I):
... pedimos que mandeis vosso Espírito Santo para que estas ofertas e tornem...
Momento correto para levantar-se: Nesta reunião fazemos o que Jesus mandou. Lembramos...
Na Oração Eucarística X (Para Missas com crianças II):
Enviai, ó Deus nosso Pai, o vosso Espírito Santo para que este pão e este vinho...
Momento correto para levantar-se: Por isso lembramos agora, Pai querido, a morte e ressurreição de Jesus...
Na Oração Eucarística XI (Para Missas com crianças III):
... mandai vosso Espírito Santo para santificar este pão e este vinho...
Momento correto para levantar-se: Por isso, ó Pai, estamos aqui reunidos diante de vós e cheios de alegria recordamos...
Mas não é algo tão simples de responder assim. Esta temática já foi (e ainda é) causa de grandes debates teológicos e litúrgicos. Há diferenças entre os ritos latinos (ocidentais) e os orientais, de diversos ritos.
A Instrução Geral do Missal Romano, por exemplo, determina que “os fiéis se ajoelhem durante a consagração” (nº 43). E no nº 79, alínea c, explica: “… a epiclese, na qual a Igreja implora por meio de invocações especiais a força do Espírito Santo, para que os dons oferecidos pelo ser humano sejam consagrados, isto é, se tornem o Corpo e o Sangue de Cristo”.
O ficar de joelhos é uma norma invariável e aplicada a todos os fiéis e para os clérigos abaixo e a partir do grau de Diácono: A Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR) assim se expressa na sua última edição (2003): “A partir da epiclese até a apresentação (elevação) do cálice, o diácono normalmente permanece de joelhos” (n. 179b).
O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, no número13, nos ensina que: “neste horizonte, compreende-se a função decisiva que tem o Espírito Santo na celebração eucarística e, de modo particular, no que se refere à transubstanciação. É fácil de comprovar a consciência disto mesmo nos Padres da Igreja; nas suas Catequeses, São Cirilo de Jerusalém recorda que “invocamos Deus misericordioso para que envie o seu Santo Espírito sobre as oblações que apresentamos a fim de Ele transformar o pão em corpo de Cristo e o vinho em sangue de Cristo. O que o Espírito Santo toca, é santificado e transformado totalmente”.(Catequese 23, 7: Patrologia Grega 33, 1114s.) Também São João Crisóstomo assinala que o sacerdote invoca o Espírito Santo quando celebra o Sacrifício: (Cf. Sobre o sacerdócio, 6, 4: PG 48, 681.) à semelhança de Elias, o ministro atrai o Espírito Santo para que, “descendo a graça sobre a vítima, se incendeiem por meio dela as almas de todos”.(Ibid., 3, 4: o.c., 48, 642.) É extremamente necessária, para a vida espiritual dos fiéis, uma consciência mais clara da riqueza da anáfora: esta, juntamente com as palavras pronunciadas por Cristo na Última Ceia, contém a epiclese, que é invocação ao Pai para que faça descer o dom do Espírito a fim de o pão e o vinho se tornarem o corpo e o sangue de Jesus Cristo, e para que “a comunidade inteira se torne cada vez mais corpo de Cristo”.(Propositio 22.) O Espírito, invocado pelo celebrante sobre os dons do pão e do vinho colocados sobre o altar, é o mesmo que reúne os fiéis “num só corpo”, tornando-os uma oferta espiritual agradável ao Pai.”(Cf. Propositio 42: “Este encontro eucarístico realiza-se no Espírito Santo, que nos transforma e santifica. Ele desperta no discípulo a vontade decidida de anunciar aos outros, com desassombro, tudo o que ouviu e viveu, para conduzi-los, também a eles, ao mesmo encontro com Cristo. Deste modo o discípulo, enviado pela Igreja, abre-se a uma missão sem fronteiras”.).
Mas, afinal o que é a Epiclese? A Epiclese ou Epíclese (do grego antigo: ἐπίκλησις - epíklesis, fusão das palavras pí e kaleô: "chamar sobre") é a oração de invocação que pede a descida do Espírito Santo nos sacramentos. É a invocação que se eleva a Deus para que envie o seu Espírito Santo e transforme as coisas ou as pessoas. Também do latim, in-vocare.
Na Oração Eucarística da Missa há duas epicleses (cf. IGMR 79c):
a) a que o sacerdote pronuncia sobre os dons do pão e do vinho, com as mãos estendidas sobre eles, dizendo, por exemplo: “Santificai estes dons, derramando sobre eles o Vosso Espírito, de modo que se convertam, para nós, no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Oração II) – e a epiclese “consacratória”; outras Orações Eucarísticas pedem que o Espírito “torne”, “abençoe”, “santifique”, “transforme” o pão e o vinho;
b) a que o sacerdote diz na mesma Oração Eucarística, depois do memorial e da oferenda, pedindo a Deus que de novo envie o seu Espírito, desta vez sobre a comunidade que vai participar da Eucaristia, para que também ela se transforme, ou se vá construindo na unidade: “humildemente Vos suplicamos que, participando do Corpo e Sangue de Cristo, sejamos pelo Espírito Santo congregados na unidade” (Oração II) – e a epiclese “de comunhão”, que, noutras Orações Eucarísticas, pede que “sejamos em Cristo um só corpo e um só espírito”; “Derramai sobre nós o Espírito… fortalecei o vosso povo com o Corpo e o Sangue do vosso Filho e renovai-nos a todos à sua imagem”… Estas duas epicleses, nas Anáforas orientais e na da liturgia hispano-moçárabe, estão unidas e dizem-se depois do relato da instituição. Enquanto que na liturgia romana – e em algumas das orientais, como a alexandrina – situam-se uma antes da consagração e a outra depois. Foi um enriquecimento que, agora, no rito romano, se tenha decidido nomear claramente o Espírito na primeira epiclese, nas novas Orações Eucarísticas: no cânon romano, existe a invocação a Deus, mas sem, explicitamente, nomear o Espírito. A epiclese não faz só parte da Eucaristia. A oração consacratória central de todos os sacramentos, depois da anamnese ou memória de louvor a Deus, contém sempre a oração de epiclese, pois, invocando a força do Espírito nos sacramentos, estamos reconhecendo que é Deus quem salva e que o protagonismo é da ação do seu Espírito santificador.
• pede-se-lhe que santifique a água do Batismo: “Receba esta água, pelo Espírito Santo, a graça de vosso Filho Unigênito, para que o homem, criado à vossa imagem, no sacramento do Batismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo”;
• na Missa Crismal invoca-se o Espírito sobre os óleos para os sacramentos e, a seguir, na Confirmação, pede-se a Deus que envie o seu Espírito sobre os confirmandos para que os encha de seus dons;
• no sacramento da Reconciliação também se nomeia o Espírito: “enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados”;
• na Unção dos Doentes o sacerdote ora pelo doente na fé da Igreja: “é a epiclese própria deste sacramento” (CIC 1519);
• no sacramento da ordem é onde, talvez, com maior expressividade o bispo, impondo as mãos sobre a cabeça dos ordenandos e pronunciando a seguir a invocação do Espírito, põe em relevo a força da epiclese;
• e, finalmente, no Matrimônio: “Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão do amor de Cristo e da Igreja” (CIC 1624).
Como dizia São Cirilo de Jerusalém, no século IV: “Depois de santificados por esses hinos espirituais, suplicamos ao Deus benigno que envie o Espírito Santo sobre os dons colocados, para fazer do pão corpo de Cristo e do vinho sangue de Cristo. Pois tudo o que o Espírito Santo toca é santificado e transformado” (Catequeses Mistagógicas V,7). “O Pai atende sempre a oração da Igreja do seu Filho, a qual, na epiclese de cada sacramento, exprime a sua fé no poder do Espírito. Tal como o fogo transforma em si tudo quanto atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete ao seu poder” (CIC 1127). (Cf.: VAGAGGINI, Cipriano. O sentido teológico da liturgia. São Paulo: Loyola, 2009. pp. 210-226.)
No Catecismo da Igreja Católica (CIC), a epiclese também é explicitada:
§1105 A epiclese ("invocação sobre") é a intercessão na qual o sacerdote suplica ao Pai que envie o Espírito Santificador para que as oferendas se tornem o Corpo e o Sangue de Cristo, e para que ao recebê-los os fiéis se tomem eles mesmos uma oferenda viva para Deus.
§1353 Na epiclese ela pede ao Pai que envie seu Espírito Santo (ou o poder de sua bênção) sobre o pão e o vinho, para que se tornem, por seu poder, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e para que aqueles que tomam parte na Eucaristia sejam um só corpo e um só espírito (certas tradições litúrgicas colocam a epiclese depois da anamnese). No relato da instituição, a força das palavras e da ação de Cristo e o poder do Espírito Santo tornam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o Corpo e o Sangue de Cristo, seu sacrifício oferecido na cruz uma vez por todas.
Atentos ao gesto de impor as mãos sobre as oferendas, os acólitos tocam os sinos (ou sinetas) na igreja e todos se ajoelham, pois é a descida do Espírito Santo sobre as espécies do pão e do vinho sobre o altar.
Juntamente com o momento seguinte, no qual o sacerdote toma em suas mãos, primeiro o pão e, depois, o cálice com o vinho, repetindo as mesmas palavras que o Senhor pronunciou durante a Última Ceia, a epiclese atualiza o momento sagrado, no tempo e no espaço, em que a Hóstia sobre o Altar se transforma no Corpo de Cristo, e o Vinho dentro do Cálice se transforma no Sangue de Cristo.
Este é um momento sacratíssimo! Nossos olhos e nossos corações devem estar fixos para o altar. Ali, a poucos metros de nós, está acontecendo o maior milagre da face da terra: o Nosso Deus mais uma vez se digna descer do Céu e vir até nós, pobres pecadores, para dar-Se a nós como Alimento e Penhor da Eternidade!
Jamais nos deixemos levar pelas distrações, ou pelo cansaço, ou pelas preocupações, ou por qualquer outra situação. Estejamos atentos com os olhos do corpo e da alma!
Na Forma Extraordinária (“Tridentina”):
Na chamada "Missa Tridentina", o momento de ajoelhar-se acontece após o canto do Sanctus e no sequente início do Cânon, às palavras “Te igitur...” (A Vós...). Porém, esta é uma das orações em voz baixa. Então, é necessário os acólitos estarem atentos ao término do Sanctus, para tocarem as sinetas, pois, apenas eles verão este momento.
Após o “Communicantes” – memória dos Santos – às palavras “Hanc igitur” (Esta oblação), em preparação à consagração, o celebrante estende as mãos sobre as oblatas à semelhança do gesto que outrora fazia o sumo sacerdote, que estendia as mãos sobre a vítima que se imolava em expiação dos pecados. Significa, na Nova Lei, que Jesus Cristo se substitui a nós, como vítima imolada.
Como é o próprio Espírito Santo que opera a mudança do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Nosso Senhor, no Santo Sacrifício da Missa, é justo que seja mencionado no correr deste sacrifício. A Igreja o invoca, a fim de que, assim como ele formou Nosso Senhor no seio da Virgem Maria, digne-se apresentá-lo de novo sobre o altar.
Este gesto é muito importante de ser notado, ele nos vem da antiga Lei. Quando se apresentava no templo uma vítima para ser oferecida, o rito de imposição das mãos tinha um sentido duplo e uma dupla eficácia. A vítima era, mediante o rito, isolada, separada para sempre do uso profano e posta a serviço e honra de Deus. O Senhor tomava possessão da hóstia, qualquer que fosse. Ora, a Igreja, depois de ter separado o pão e o vinho do uso profano, no Ofertório, e tê-los apresentado a Deus, insiste, agora que a Consagração está próxima. Na santa impaciência de sua espera quase realizada, para que a oblação seja favoravelmente acolhida diante de Deus, o padre estende as mãos sobre o pão e o vinho e diz estas palavras:
Hanc igitur oblationem servitutis nostrae, sed et cunctae familiae tuae, quaesumus, Domine, ut placatus accipias: diesque nostros in tua pace disponas, atque ab aeterna damnatione nos eripi, et in electorum tuorum jubeas grege numerari – (Esta oblação que nós, vossos servos, e toda a vossa família, Vos oferecemos, aceitai-a, Senhor, benignamente; firmai na paz os dias da nossa vida, livrai-nos da eterna condenação e ordenai sejamos contados na sociedade dos vossos eleitos.).
O Papa Bento XVI, com o Motu proprio Summmorum Pontificum, ressaltou que esta forma é "um duplo uso do único e mesmo Rito [romano]". Portanto, nos dois usos é permitido que nos ajoelhemos nos momentos apropriados.
Assim, oferecendo o Santo Sacrifício da Missa, neste momento em que designa tão especialmente sua oferta, o padre reza por si mesmo, por todos aqueles que estão presentes e por todos os que Lhe estão unidos, e pede que a paz nos seja dada neste mundo, que evitemos o inferno e que nos alegremos com os eleitos na glória do céu.
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Seleção de perguntas e respostas (verdadeiras) sobre normas litúrgicas
1º É realmente necessário, na hora de rezar o Pai-Nosso, erguer as mãos como o sacerdote? Se sim, pq?
Pelo contrário! Não se deve erguer as mãos.
2º Na hora da comunhão o sacerdote deve sempre comungar primeiro?
Sim, e só a comunhão do celebrante é necessária para a licitude da Missa. Se os fiéis não comungarem, não há problema, mas o celebrante é obrigado.
3º O sacerdote pode, antes de comungar (logo após o Cordeiro de Deus), alertar os fiéis que estiverem em pecado que eles não poderão comungar?
Claro! Pq não poderia?
4º Nas missas durante a semana, é permitido trocar a primeira leitura por um trecho da vida de um santo? Pq eu fui até uma Igreja de São Francisco e lá eles leram a vida desse santo no lugar da primeira leitura...Eu achei mto estranho.
Estranho e ERRADO! É preciso fazer o que está no Missal, ler o que está no Missal... As leituras são as propostas, pelo Lecionário, para o dia (exceto em dias feriais do Tempo Comum, quando outras, em ocasião especial, podem ser escolhidas; ou nas Missas Votivas e Rituais, quando há Lecionário específico).
Aqui no Rio não se costuma levantar as mãos durante o Pai Nosso, mas é costume dar as mãos. Isto é errado?
Sim. O que não está previsto, não se deve fazer. Não há sentido litúrgico no ato, além disso.
Quando se ora: Por Cristo, com Cristo...levanta-se a mão ou não?
A chave para entender as normas litúrgicas é se perguntar: pra que serve tal ato?
Aplica nesse caso: qual o sentido de levantar a mão, estendendo-a ao altar? É tornarmo-nos participantes do oferecimento que o padre faz, não? Ora, se não se pode dizer a oração com ele, justamente porque o oferecimento é algo específico de sua condição sacerdotal, pq iríamos fazer a mesma coisa que dizer a oração, só que de outro modo (levantando as mãos)?
--> Neste ponto, um interlocutor tenta contra-argumentar:
"Levantar as mãos é uma atitude orante. Pode significar súplica, louvor e entrega a Deus." - Assim definem alguns autores.
É sabido que o Batismo e a Crisma conferem o Sacerdócio Comum dos fiéis (1Pd2,4-6); todos os fiéis são cooferentes do sacrifício do Cristo Sacerdote e são cooferecidos com Cristo Hóstia em cada Eucaristia.
É sabido também que a Doxologia Final é o verdadeiro e próprio ofertório da missa.
Logo, o gesto de levantar as mãos nesse momento tem sentido. Pode não estar previsto no Missal, mas sentido tem.
Por essa tua definição, o sacerdócio comum dos fiéis em nada se diferencia do sacerdócio hierárquico.
Reitero que não há sentido em elevar as mãos no "Por Cristo", nem em nome do sacerdócio comum dos fiéis, dado que tal ato é próprio do sacerdócio hierárquico. O "Por Cristo" nada mais é do que o oferecimento do sacrifício recém efetuado. Ora, é próprio do sacerdócio oferecer o sacrifício da Missa, que com a Cruz possui uma identidade substancial.
Entender que o gesto tem sentido à luz do sacerdócio comum dos fiéis é desvalorizar o sacramento da Ordem, e dessacralizar a Missa, já tão pouco crida e entendida como sacrifício. Os ritos da Missa devem apontar para a sua substância sacrifical e, para tal, colabora a previsão de palavras, gestos e cerimônias que ressaltem o sacerdócio hierárquico, o poder de tornar presente a Cruz durante a Missa, a ação in Persona Christi.
O modo pelo qual oferecemos, com o sacerdote, o sacrifício da Missa, é distinto. Tanto é assim que, em latim, o celebrante convida os fiéis, antes da Oração sobre as Oferendas: "Ora, irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício sejam aceitos por Deus Pai onipotente." Não bastaria dizer "nosso" em vez de "meu"+"vosso"? Não. Pois essa distinção de termos implica na distinção de sacrifícios, na distinção de modos de participação no sacrifício. O padre sacrifica, oferecendo a substância do sacrifício da Cruz, tornando-a realmente presente. Nós sacrificamos pelo sacrifício de louvor, i.e., pela união com os sentimentos, a inteligência e a vontade de Cristo que no altar renova, de modo incruento, seu sacrifício.
É lícito ao sacerdote omitir as 2 leituras e o salmo da Missa de Domingo quando esta é a chamada Missa das Crianças?
A Liturgia da Palavra não pode ser mutilada. A supressão de leituras só ocorre, dentro das regras, e com suficiente motivo, na Solene Vigília Pascal.
Missa com Crianças NÃO tem rito próprio: apenas muda-se a Oração Eucarística, utilizando-se uma das três que estão no Missal especialmente para tal.
A prática de suprimir leituras, embora comum, é proibida.
Na minha paróquia era comum o seminarista presidir a celebração da missa das 17h.
Se não é sacerdote, não é Missa. Missa é o sacrifício de Cristo na Cruz tornado novamente presente. Sacrifício pressupõe sacerdote. Sem sacerdote, não há sacrifício. Sem sacrifício não há Missa.
Insisto que não se trata de decorar regras litúrgicas, mas de entender a teologia por trás disso.
celebração pode ser feita por um seminarista??
Bem, ordinariamente, o Rito da Sagrada Comunhão com Celebração da Palavra de Deus, que é composto da Liturgia da Palavra e da distribuição da Santíssima Eucaristia, só pode ser feito quando não se pode celebrar Missa (seja porque o padre já celebrou no dia e não pode binar, seja porque não há tempo, seja porque o padre está suspenso da autorização de celebrar Missa, seja por qualquer outro motivo). Mesmo esse rito, que se chama, popularmente, de "celebração", deve ser feito por sacerdote e diácono. O leigo só pode presidi-lo em casos excepcionais, de falta de sacerdote mesmo.
Já uma celebração sem distribuição da Comunhão é um rito não-litúrgico e, como tal, pode ser presidido por leigos.
Sempre entendi que a Santa Ceia remete ao sacrifício da cruz. Entretanto já ouvi alguns defenderem a idéia de que já naquela última refeição Jesus ofertava realmente seu corpo e sangue, como se naquela ceia tivesse acontecido a primeira transubstanciação. Não entendo essa hipótese, porque o sacrifício ainda não havia acontecido.
Então pergunto, na última ceia, o que os apóstolos comeram e beberam já era o corpo e sangue de Cristo, ou era vinho e pão? Se já era corpo e sangue, como isso foi posível antes do sacrifício da cruz?
Assim como a Missa atualiza o Sacrifício da Cruz, a Santa Ceia o antecipa.
Missa, Cruz e Ceia são uma só realidade, com a mesma identidade substancial. Assim como o Corpo e o Sangue de Cristo tornam-se presentes na Missa pela perpetuação da Cruz, igualmente tornaram-se presentes na Última Ceia pela antecipação da Cruz.
Por isso, os elementos foram, sim, transubstanciados.
Tenho dúvidas quanto ao momento em que dizemos: "Cordeiro de Deus que tirais..." 1. Ele pode ser cantado? Porque dependendo de onde assisto a missa, a equipe de música embala logo após o cumprimento da "Paz de Cristo".
Existem cantos na Missa e cantar a Missa. Toda a Missa pode ser cantada. Infelizmente, isso é raro no Brasil, ainda mais em latim.
O Cordeiro não é um canto de Missa, mas uma parte do Ordinário da Missa. Como tal, pode ser recitado ou cantado.
2. No momento em que proclamamos "Cordeiro de Deus..." não devemos estar virados para o altar? Complementando a primeira questão: porque ou quando o Padre diz "Cordeiro de Deus..." as pessoas ficam se abraçando ou quando a equipe de música canta as pessoas continuam dispersas...
Pois é... Aí um dos problemas da tal "música de paz", que não existe!
Outra coisa que me incomoda muuuuuuito é quando inventam de cantar: "Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui, ao teu dispor, Senhor..."
(erguendo os braços)
"Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, te aclamar, (salva de palmas) Deus Trino de Amor! (número três)"
De fato, é antilitúrgico, e ainda um erro teológico, pois a invocação tradicional diz apenas uma vez "em nome de", para significar que, embora três Pessoas, é um só Deus.
Ou então quando alguém toma o microfone depois da oração pós-comunhão e começa com as invenções: "Agora eu queria..."
Se for depois da pós-comunhão não pode. Mas na Ação de Graças, é possível, sim, rezar orações em voz alta, e mesmo espontâneas, desde que ordenadas, calmas, sem euforia.
Não gosto nem quando, é verbo, pronome, numeral, adjetivo, advérbio, artigo, substantivo, interjeição, preposição, conjunção, é adversativa, concessiva ou conclusiva?
Não é preferência nem questão de gramática, caríssimo. É desobediência mesmo.
em vez da invocação à Ssma. Trindade, o padre diz: "Bom dia".
Sim. A Missa não é para o povo, mas para Deus. Não é pronome pessoal, possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo, relativo, reflexivo nem recíproco, nem é controle remoto. Não é o padre falando com o povo, e sim o padre, com o povo, falando para Deus. Logo, o "bom dia" deve ser para Deus, hehehe, e esse "bom dia" é dado nas diferentes orações litúrgicas previstas. A saudação ao povo é dada no início, após o sinal-da-cruz, e é com ela que o padre deve saudar o povo.
Há um tempo li num site não-tradicionalista um professor dizendo que mulheres não devem fazer as leituras. Isto é correto?
Não. A IGMR não proíbe, a Cúria Romana já disse que pode, os maiores especialistas em liturgia (entre eles, o Mons. Peter Elliott, que é minha fonte de consulta permanente) dizem que pode. Aliás, nas Missas do Papa seguidamente mulheres fazem leituras.
O que não pode é uma mulher receber o ministério ("ordem menor") de leitor. Mas servir como leitora em Missas, sem o ministério instituído, pode.
O momento imediatamente depois que comungamos, o que fazer? Uma oração de agradecimento? Pedidos? Um Pai-Nosso? Alguma outra oração específica para o momento? Ou essa parte é livre e de escolha individual?
Fazer uma ação de graças, conforme a piedade de cada um. Agradece-se a Deus pelo dom recebido da presença de Cristo na alma. Pode-se pedir algo, contemplar, simplesmente, agradecer por outros favores, dialogar com Jesus.
Comunidades (paróquias, movimentos, associações) podem, após o período de silêncio necessário à ação de graças pessoal, ter um momento de ação de graças comum: um canto, uma oração etc.
Os membros do Regnum Christi, por exemplo, sempre rezam, individualmente, algumas das muitas orações sugeridas em nosso Manual: "Oração a Jesus Crucificado", "Oração de Clemente XI", "Oferecimento de Santo Inácio de Loyola", "Alma de Cristo", "Oração a Cristo Rei" etc. E, nas nossas Missas, além dessa ação de graças pessoal, rezamos, em comum e em voz alta, a "Oração pelo Papa" e a "Oração pelo Diretor Geral". Em determinadas solenidades, a "Oração pela fidelidade dos membros do RC e dos Legionários de Cristo".
O breviário (o livro que contém a Liturgia das Horas, Ofício Divino) do rito novo (não sei se no antigo há) traz, como apêndice, algumas orações sugeridas para o sacerdote após a Comunhão (algumas delas são as que usamos no Manual de Orações do RC).
Eu fiz um encontro de formação com o Frei Joaquim Fonseca, Coordenador de música-litúrgica da CNBB, ele nos ensinou bater palmas no Glória, além de ensaiarmos uns minutos antes com a Assembléia, para q todos cantem. E eu 'sabia' que só na Quaresma não podia bater palmas. Mas com o que escrevestes, pposso concluir que na Missa palmas não debem existir de maneira alguma?
Na Missa não se bate palma. Missa não é show, é sacrifício, não é espetáculo, é encontro com Cristo, é Calvário. Diante da Cruz, quem bateria palmas?
O tal frei pode ser assessor de liturgia da CNBB, mas continua errado. Aliás, isso só explica o motivo do estado lamentável de nossas celebrações. Aqueles que deveriam ensinar o certo são os primeiros a fazer o errado.
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Normas para o jejum e a abstinência
Chegou a Quaresma. Iniciamos o tempo forte da Igreja para combater, em nós, a influência do demônio, do mundo e da carne. E um dos métodos, que nos vem da Bíblia, e é atestado pela unânime tradição católica, é o jejum, em sentido amplo. Esse jejum abarca o jejum em sentido estrito, e as várias formas de abstinência.
Para melhor realizarmos o propósito que o Senhor tem para as nossas almas, a Igreja dá normas simples e mínimas para que os fiéis iniciemos a luta espiritual.
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Conforme o Código de 1983, eis as normas:
Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais, nem outros petiscos durante o dia (embora, pela tradição, se possa beber algo sem açúcar). Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.
Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente (bovina, ovina, aviária, bubalina etc), bem como seus caldo de carne. Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.
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Quarta-feira de Cinzas: jejum e abstinência obrigatórios.
Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: jejum e abstinência obrigatórios.
Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial (carne permitida só na refeição principal/completa) recomendados.
Dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas: jejum e abstinência recomendados.
Dias assinalados pelo calendário antigo como Quartas-feiras das Têmporas e Sábados das Têmporas: jejum e abstinência parcial recomendados.
Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas é opcional o jejum. Essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência, conforme estabelecer a conferência episcopal (no Brasil, a CNBB estabeleceu qualquer outro tipo de penitência, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc).
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