Pronome - Prof. Dílson Catarino - Gramática On-Line
Pronomes
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui, retoma ou acompanha o nome, indicando-o como pessoa do discurso ou situando-o. Quando o pronome substituir um substantivo, será denominado pronome substantivo; quando acompanhar um substantivo, será denominado pronome adjetivo. Por exemplo, na frase Aqueles garotos estudam bastante; eles serão aprovados com louvor. Aqueles é um pronome adjetivo, pois acompanha o substantivo garotos e eles é um pronome substantivo, pois substitui o mesmo substantivo.
Pronome substantivo x pronome adjetivo
Esta classificação pode ser atribuída a qualquer tipo de pronome, podendo variar em função do contexto frasal.
pron. substantivo: substitui ou retoma um substantivo, representando-o, exerce funções próprias do substantivo. (Ele prestou socorro)
pron. adjetivo: acompanha um substantivo, determinando-o, exerce a função sintática de adjunto adnominal. (Aquele rapaz é belo)
Obs.: Os pronomes pessoais e relativos (exceto cujo e suas flexões) são sempre substantivos. Os possessivos, demonstrativos, indefinidos e interrogativos podem ser ora pronomes substantivos, ora pronomes adjetivos.
Pessoas do discurso
São três:
1ª pessoa: aquele que fala, falante
2ª pessoa: aquele com quem se fala, interlocutor
3ª pessoa: aquele de que ou de quem se fala, referente
Tipos de pronomes
· pessoal
· possessivo
· demonstrativo
· relativo
· indefinido
· interrogativo
Pessoal
Indicam uma das três pessoas do discurso, substituindo um substantivo. Podem também representar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal anteriormente expressa. Eu e tu são sempre retos. Os demais podem ser retos ou oblíquos.
Ex.:A moça era a melhor secretária, ela mesma agendava os compromissos do chefe.
Apresentam variações de forma dependendo da função sintática que exercem na frase, dividindo-se em retos e oblíquos.
Pronomes Pessoais
número
pessoa
pronomes retos
pronomes oblíquos
tônicos
átonos
singular
1a.
2a.
3a.
eu
tu
ele, ela
mim, comigo
ti, contigo
ele, ela, si, consigo
me
te
se, o, a, lhe
plural
1a.
2a.
3a.
nós
vós
eles, elas
nós, conosco
vós, convosco
eles, elas, si, consigo
nos
vos
se, os, as, lhes
Os pron. pessoais retos desempenham, normalmente, função de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, esse último com tu e vós; enquanto os oblíquos, geralmente, de objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito de verbo no infinitivo.
Obs.: os pron. oblíquos tônicos devem vir regidos de preposição. Em comigo, contigo, conosco e convosco, a preposição com já é parte integrante do pronome.
Os pron. de tratamento estão enquadrados nos pron. pessoais. São empregados como referência à pessoa com quem se fala (2ª pess.), entretanto, a concordância é feita com a 3ª pess.
Abrev.
Tratamento
Uso
V. A.
Vossa Alteza
príncipes, arquiduques, duques
V. Em.ª
Vossa Eminência
cardeais
V. Ex.ª
Vossa Excelência
altas autoridades do governo e oficiais-generais das forças armadas
V. Mag.ª
Vossa Magnificência
reitores das universidades e de outras instituições de ensino superior
V. M.
Vossa Majestade
reis, imperadores
V. Rev.ma
Vossa Reverendíssima
sacerdotes e religiosos em geral
V. S.
Vossa Santidade
papa, Dalai Lama
V. S.ª
Vossa Senhoria
funcionários públicos graduados, oficiais até coronel, pessoas de cerimônia (É bastante frequente na correspondência comercial)
Para bispos e arcebispos, usa-se o pronome Vossa Excelência Reverendíssima (V. Ex.ª Rev.m.ª)
Para abades e superiores dos conventos, usa-se o pronome Vossa Paternidade (V. P.)
Obs.: também são considerados pron. de tratamento as formas você, vocês (provenientes da redução de Vossa Mercê), senhor, senhora, senhorita, dona e madame, embora muitos gramáticos considerem como formas de tratamento ou meros títulos.
Emprego
· você hoje é usado no lugar das 2as pessoas (tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa. As formas tu e vós são restritas à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária, não ocorrem na fala espontânea de nenhum falante do português brasileiro, a menos que seja intencional.
· as formas de tratamento serão precedidas de Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à pessoa e de Sua, quando fizermos referência a ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S.
· quando precedidos de preposição, os pron. retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como oblíquos
· os pron. acompanhados das palavras só ou todos assumem a forma reta (Estava só ele no banco / Encontramos todos eles ali)
· as formas oblíquas o, a, os, as não vêm precedidas de preposição; enquanto lhe e lhes vêm regidos das preposições a ou para (não expressas)
· eu e tu não podem vir precedidos de preposição, exceto se funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ? para mim fazer)
· me, te, se, nos, vos - podem ter valor reflexivo (a ação reflete no próprio sujeito)
· se, nos, vos - podem ter valor reflexivo e recíproco (a ação é mútua entre os sujeitos)
· si e consigo - têm valor exclusivamente reflexivo
· conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica (com nós e com vós) quando vierem com modificadores (todos, outros, mesmos, próprios, outros, ambos, um numeral, aposto explicativo ou oração subordinada adjetiva)
· o, a, os e as viram lo(a/s), quando associados a verbos terminados em r, s ou z e viram no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo nasal
· os pron. pess. retos podem desempenhar função de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, este último com tu e vós (Nós temos uma proposta / Eu sou eu e pronto / Beatriz, ela mesmo, é uma pessoa ilustre / Ó, tu, Senhor Jesus)
· pode-se omitir o pron. sujeito, pois as desinências número-pessoais verbais bastam para indicar a pessoa e o número gramatical
· plural de modéstia - uso do "nós" em lugar do "eu", para evitar tom arrogante ou impositivo da linguagem
· num sujeito composto é de bom tom colocar o pron. de 1ª pess. por último (José, Maria e eu fomos ao teatro). Porém se for algo desagradável ou que implique responsabilidade, usa-se inicialmente a 1ª pess. (Eu, José e Maria fomos os autores do erro)
· não se pode contrair as preposições de e em com pronomes que sejam sujeitos (Em vez de ele continuar, desistiu ? Vi as bolsas dele bem aqui)
· os pronomes átonos podem assumir valor possessivo, não exercem função de objeto indireto, mas de adjunto adnominal (Levaram-me o dinheiro)
Obs.: as regras de colocação dos pronomes pessoais do caso oblíquos átonos serão vistas em separado
Possessivo
Fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Concordam em gênero e número com a coisa possuída.
Pronomes possessivos
pessoa
um possuidor
vários possuidores
1ª
meu (s), minha (s)
nosso (a/s)
2ª
teu (a/s)
vosso (a/s)
3ª
seu (a/s)
seu (a/s)
Dele (a/s) não é pronome possessivo.
Emprego
· normalmente, vem antes do nome a que se refere; podendo, também, vir depois do substantivo que determina. Neste último caso, pode até alterar o sentido da frase
· seu (a/s) pode causar ambigüidade, para desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele (a/s), de você, do senhor ou da senhora (João disse que Maria estava trancada em sua casa - casa do João, da Maria ou da pessoa com quem se fala?)
· pode indicar aproximação numérica (Ele tem lá seus 40 anos), afeto (Meu caro amigo, seja breve, por favor), respeito (Minha senhora, não vá embora) ou ofensa (Onde você pensa que vai, sua imbecil).
· nas expressões do tipo "Seu João", seu não tem valor de posse por ser uma alteração fonética do pronome de tratamento senhor
Demonstrativo
Indicam posição de algo em relação às pessoas do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. São: este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), aquilo.
Mesmo, próprio, semelhante, tal e o (a/s) podem desempenhar papel de pron. demonstrativo.
Emprego
· indicando localização no espaço - este (aqui), esse (aí) e aquele (lá)
· indicando localização temporal - este (presente), esse (passado próximo ou futuro) e aquele (passado remoto ou bastante vago)
· fazendo referência ao que já foi ou será dito no texto (anáfora e catáfora) - este (ainda se vai falar - elemento catafórico) e esse (já mencionado - elemento anafórico) - uso muito exigido em vestibulares.
· o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a aquele (a/s)
· tal é demonstrativo se puder ser substituído por esse (a), este (a) ou aquele (a)
semelhante é demonstrativo quando equivale a tal
· mesmo e próprio são demonstrativos quando significarem "idêntico" ou "em pessoa". Concordam com o nome a que se referem
· podem apresentar valor intensificador ou depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele estava com aquela paciência / Aquilo é um marido de enfeite)
· nisso e nisto (em + pron.) podem ser usados com valor de "então" ou "nesse momento" (Nisso, ela entrou triunfante)
Relativo
Retoma um termo expresso anteriormente (antecedente). Inicia orações subordinadas adjetivas (restritivas ou explicativas). Sempre concordam com seu antecedente.
São eles que, quem e onde - invariáveis; além de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s).
Emprego
· quem será precedido de preposição se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados
· quem = relativo indefinido quando é empregado sem antecedente claro, não vindo precedido de preposição
· cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de posse e não concorda com o antecedente e sim com seu conseqüente
· quanto (a/s) normalmente tem por antecedente os pronomes indefinidos tudo, tanto (a/s)
Também funcionam como pronomes relativos as seguintes palavras:
como - normalmente tem por antecedente as palavras modo, maneira, forma e jeito
quando - normalmente tem por antecedente alguma palavra que indica tempo
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui, retoma ou acompanha o nome, indicando-o como pessoa do discurso ou situando-o. Quando o pronome substituir um substantivo, será denominado pronome substantivo; quando acompanhar um substantivo, será denominado pronome adjetivo. Por exemplo, na frase Aqueles garotos estudam bastante; eles serão aprovados com louvor. Aqueles é um pronome adjetivo, pois acompanha o substantivo garotos e eles é um pronome substantivo, pois substitui o mesmo substantivo.
Pronome substantivo x pronome adjetivo
Esta classificação pode ser atribuída a qualquer tipo de pronome, podendo variar em função do contexto frasal.
pron. substantivo: substitui ou retoma um substantivo, representando-o, exerce funções próprias do substantivo. (Ele prestou socorro)
pron. adjetivo: acompanha um substantivo, determinando-o, exerce a função sintática de adjunto adnominal. (Aquele rapaz é belo)
Obs.: Os pronomes pessoais e relativos (exceto cujo e suas flexões) são sempre substantivos. Os possessivos, demonstrativos, indefinidos e interrogativos podem ser ora pronomes substantivos, ora pronomes adjetivos.
Pessoas do discurso
São três:
1ª pessoa: aquele que fala, falante
2ª pessoa: aquele com quem se fala, interlocutor
3ª pessoa: aquele de que ou de quem se fala, referente
Tipos de pronomes
· pessoal
· possessivo
· demonstrativo
· relativo
· indefinido
· interrogativo
Pessoal
Indicam uma das três pessoas do discurso, substituindo um substantivo. Podem também representar, quando na 3ª pessoa, uma forma nominal anteriormente expressa. Eu e tu são sempre retos. Os demais podem ser retos ou oblíquos.
Ex.:A moça era a melhor secretária, ela mesma agendava os compromissos do chefe.
Apresentam variações de forma dependendo da função sintática que exercem na frase, dividindo-se em retos e oblíquos.
Pronomes Pessoais
número
pessoa
pronomes retos
pronomes oblíquos
tônicos
átonos
singular
1a.
2a.
3a.
eu
tu
ele, ela
mim, comigo
ti, contigo
ele, ela, si, consigo
me
te
se, o, a, lhe
plural
1a.
2a.
3a.
nós
vós
eles, elas
nós, conosco
vós, convosco
eles, elas, si, consigo
nos
vos
se, os, as, lhes
Os pron. pessoais retos desempenham, normalmente, função de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, esse último com tu e vós; enquanto os oblíquos, geralmente, de objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito de verbo no infinitivo.
Obs.: os pron. oblíquos tônicos devem vir regidos de preposição. Em comigo, contigo, conosco e convosco, a preposição com já é parte integrante do pronome.
Os pron. de tratamento estão enquadrados nos pron. pessoais. São empregados como referência à pessoa com quem se fala (2ª pess.), entretanto, a concordância é feita com a 3ª pess.
Abrev.
Tratamento
Uso
V. A.
Vossa Alteza
príncipes, arquiduques, duques
V. Em.ª
Vossa Eminência
cardeais
V. Ex.ª
Vossa Excelência
altas autoridades do governo e oficiais-generais das forças armadas
V. Mag.ª
Vossa Magnificência
reitores das universidades e de outras instituições de ensino superior
V. M.
Vossa Majestade
reis, imperadores
V. Rev.ma
Vossa Reverendíssima
sacerdotes e religiosos em geral
V. S.
Vossa Santidade
papa, Dalai Lama
V. S.ª
Vossa Senhoria
funcionários públicos graduados, oficiais até coronel, pessoas de cerimônia (É bastante frequente na correspondência comercial)
Para bispos e arcebispos, usa-se o pronome Vossa Excelência Reverendíssima (V. Ex.ª Rev.m.ª)
Para abades e superiores dos conventos, usa-se o pronome Vossa Paternidade (V. P.)
Obs.: também são considerados pron. de tratamento as formas você, vocês (provenientes da redução de Vossa Mercê), senhor, senhora, senhorita, dona e madame, embora muitos gramáticos considerem como formas de tratamento ou meros títulos.
Emprego
· você hoje é usado no lugar das 2as pessoas (tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa. As formas tu e vós são restritas à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária, não ocorrem na fala espontânea de nenhum falante do português brasileiro, a menos que seja intencional.
· as formas de tratamento serão precedidas de Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à pessoa e de Sua, quando fizermos referência a ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S.
· quando precedidos de preposição, os pron. retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como oblíquos
· os pron. acompanhados das palavras só ou todos assumem a forma reta (Estava só ele no banco / Encontramos todos eles ali)
· as formas oblíquas o, a, os, as não vêm precedidas de preposição; enquanto lhe e lhes vêm regidos das preposições a ou para (não expressas)
· eu e tu não podem vir precedidos de preposição, exceto se funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ? para mim fazer)
· me, te, se, nos, vos - podem ter valor reflexivo (a ação reflete no próprio sujeito)
· se, nos, vos - podem ter valor reflexivo e recíproco (a ação é mútua entre os sujeitos)
· si e consigo - têm valor exclusivamente reflexivo
· conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica (com nós e com vós) quando vierem com modificadores (todos, outros, mesmos, próprios, outros, ambos, um numeral, aposto explicativo ou oração subordinada adjetiva)
· o, a, os e as viram lo(a/s), quando associados a verbos terminados em r, s ou z e viram no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo nasal
· os pron. pess. retos podem desempenhar função de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, este último com tu e vós (Nós temos uma proposta / Eu sou eu e pronto / Beatriz, ela mesmo, é uma pessoa ilustre / Ó, tu, Senhor Jesus)
· pode-se omitir o pron. sujeito, pois as desinências número-pessoais verbais bastam para indicar a pessoa e o número gramatical
· plural de modéstia - uso do "nós" em lugar do "eu", para evitar tom arrogante ou impositivo da linguagem
· num sujeito composto é de bom tom colocar o pron. de 1ª pess. por último (José, Maria e eu fomos ao teatro). Porém se for algo desagradável ou que implique responsabilidade, usa-se inicialmente a 1ª pess. (Eu, José e Maria fomos os autores do erro)
· não se pode contrair as preposições de e em com pronomes que sejam sujeitos (Em vez de ele continuar, desistiu ? Vi as bolsas dele bem aqui)
· os pronomes átonos podem assumir valor possessivo, não exercem função de objeto indireto, mas de adjunto adnominal (Levaram-me o dinheiro)
Obs.: as regras de colocação dos pronomes pessoais do caso oblíquos átonos serão vistas em separado
Possessivo
Fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Concordam em gênero e número com a coisa possuída.
Pronomes possessivos
pessoa
um possuidor
vários possuidores
1ª
meu (s), minha (s)
nosso (a/s)
2ª
teu (a/s)
vosso (a/s)
3ª
seu (a/s)
seu (a/s)
Dele (a/s) não é pronome possessivo.
Emprego
· normalmente, vem antes do nome a que se refere; podendo, também, vir depois do substantivo que determina. Neste último caso, pode até alterar o sentido da frase
· seu (a/s) pode causar ambigüidade, para desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele (a/s), de você, do senhor ou da senhora (João disse que Maria estava trancada em sua casa - casa do João, da Maria ou da pessoa com quem se fala?)
· pode indicar aproximação numérica (Ele tem lá seus 40 anos), afeto (Meu caro amigo, seja breve, por favor), respeito (Minha senhora, não vá embora) ou ofensa (Onde você pensa que vai, sua imbecil).
· nas expressões do tipo "Seu João", seu não tem valor de posse por ser uma alteração fonética do pronome de tratamento senhor
Demonstrativo
Indicam posição de algo em relação às pessoas do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. São: este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), aquilo.
Mesmo, próprio, semelhante, tal e o (a/s) podem desempenhar papel de pron. demonstrativo.
Emprego
· indicando localização no espaço - este (aqui), esse (aí) e aquele (lá)
· indicando localização temporal - este (presente), esse (passado próximo ou futuro) e aquele (passado remoto ou bastante vago)
· fazendo referência ao que já foi ou será dito no texto (anáfora e catáfora) - este (ainda se vai falar - elemento catafórico) e esse (já mencionado - elemento anafórico) - uso muito exigido em vestibulares.
· o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a aquele (a/s)
· tal é demonstrativo se puder ser substituído por esse (a), este (a) ou aquele (a)
semelhante é demonstrativo quando equivale a tal
· mesmo e próprio são demonstrativos quando significarem "idêntico" ou "em pessoa". Concordam com o nome a que se referem
· podem apresentar valor intensificador ou depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele estava com aquela paciência / Aquilo é um marido de enfeite)
· nisso e nisto (em + pron.) podem ser usados com valor de "então" ou "nesse momento" (Nisso, ela entrou triunfante)
Relativo
Retoma um termo expresso anteriormente (antecedente). Inicia orações subordinadas adjetivas (restritivas ou explicativas). Sempre concordam com seu antecedente.
São eles que, quem e onde - invariáveis; além de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s).
Emprego
· quem será precedido de preposição se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados
· quem = relativo indefinido quando é empregado sem antecedente claro, não vindo precedido de preposição
· cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de posse e não concorda com o antecedente e sim com seu conseqüente
· quanto (a/s) normalmente tem por antecedente os pronomes indefinidos tudo, tanto (a/s)
Também funcionam como pronomes relativos as seguintes palavras:
como - normalmente tem por antecedente as palavras modo, maneira, forma e jeito
quando - normalmente tem por antecedente alguma palavra que indica tempo
Podem ou não ser relativos - que, quem, onde, como, quando e quanto
São sempre relativos - o qual e cujo
Indefinido
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou genérico. Podem fazer referência a pessoas, coisas e lugares. Alguns também podem dar idéia de conjunto ou quantidade indeterminada.
Pronomes indefinidos
pessoas
quem, alguém, ninguém, outrem
lugares
onde, algures, alhures, nenhures
coisas
que, qual, quais, algo, tudo, nada, todo (a/s), algum (a/s), vários (a), nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s), muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s), um (a/s), qualquer (s), cada
As palavras fulano, sicrano e beltrano não são pronomes indefinidos, mas sim substantivos, segundo o VOLP e os principais dicionários. No entanto, Domingos Paschoal Cegalla, na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, afirma ser indefinidos.
Indefinido
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou genérico. Podem fazer referência a pessoas, coisas e lugares. Alguns também podem dar idéia de conjunto ou quantidade indeterminada.
Pronomes indefinidos
pessoas
quem, alguém, ninguém, outrem
lugares
onde, algures, alhures, nenhures
coisas
que, qual, quais, algo, tudo, nada, todo (a/s), algum (a/s), vários (a), nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s), muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s), um (a/s), qualquer (s), cada
As palavras fulano, sicrano e beltrano não são pronomes indefinidos, mas sim substantivos, segundo o VOLP e os principais dicionários. No entanto, Domingos Paschoal Cegalla, na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, afirma ser indefinidos.
As palavras algures, alhures e nenhures não são pronomes indefinidos, mas sim advérbios de lugar, segundo o VOLP e os principais dicionários.
Emprego
· algum, após o substantivo a que se refere, assume valor negativo (= nenhum) (Computador algum resolverá o problema). Na linguagem popular, pode significar dinheiro.
Algum, anteposto ao substantivo, varia em gênero e número. Porém, quando posposto, pode variar em gênero, mas não varia nunca em número.
· cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral, é sempre pronome adjetivo, na língua cotidiana, aparece como pronome substantivo. Sempre acompanha um substantivo, e não o substitui. (Elas receberam 3 balas cada uma)
· certo é indefinido se vier antes do nome a que estiver se referindo. Caso contrário é adjetivo (Certas pessoas deveriam ter seus lugares certos)
· bastante pode vir como adjetivo também, se estiver determinando algum substantivo
· o pronome outrem equivale a "qualquer pessoa"
· o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não está nada contente hoje)
· o pronome outro (a/s) ganha valor adjetivo se equivaler a diferente" (Ela voltou outra das férias)
· existem algumas locuções pronominais indefinidas - cada qual, quem quer que, qualquer um, todo aquele que, seja qual for, seja quem for, cada um, todo o mundo etc.
Interrogativo
Usados na formulação de uma pergunta direta ou indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso.
Na verdade, não existem pronomes exclusivamente interrogativos. São os pronomes indefinidos que, quem, qual (a/s) e quanto (a/s) em frases interrogativas diretas ou indiretas (Quantos livros você tem? / Não sei quem lhe contou)
Flexão
É a variação de forma e, conseqüentemente, de significado de uma palavra.
* Flexão de Gênero
Gênero é o termo que a gramática utiliza para enquadrar as palavras variáveis da língua em masculinas e femininas. Temos os gêneros masculino e feminino.
As classes de palavras que apresentam flexão de gênero são: substantivo, adjetivo, artigo, pronome e numeral.
- palavras do gênero masculino.
seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor.
coisas: pente, lápis, disco, amor, mar.
- palavras do gênero feminino.
seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora.
coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva.
As demais palavras que admitem esse tipo de flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) acompanham o gênero do substantivo a que se referem. Exemplos:
As crianças órfãs.
Pequenos índios.
Esses meninos.
Duas crianças.
* Flexão de Número
As palavras variáveis podem mudar sua terminação para indicar singular ou plural. Apresentam flexão de número: o substantivo, o artigo, o adjetivo, o numeral, o pronome e o verbo.
Exemplo:
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular)
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural)
OBS:
1) A flexão de gênero e de número do substantivo implica flexão correspondente do adjetivo.
alunos espertos
subst. adj.
masc. pl. masc. pl.
2) Há casos de erro de concordância em que a concordância de número pode não acontecer de fato e um dos termos pode ficar sem flexão numérica.
Tinha mãos grande.
Achei coisas meio esquisita por aqui ...
* Flexão de Grau
São as mudanças efetuadas na terminação para indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade (nos adjetivos).
O menino estava nervoso.
O menininho estava nervoso.
O menino estava nervosíssimo.
O grau pode expressar estado emotivo e não somente intensidade ou tamanho:
Que doutorzinho, hein ! (ironia)
Filhinho, venha cá. (carinho)
O advérbio, embora seja uma palavra invariável, admite flexão de grau:
O fato aconteceu cedo. (advérbio não flexionado)
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado)
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam uma das três pessoas do discurso: a que fala, a com quem se fala e a de quem se fala.
Pronomes pessoais do caso reto
Pronomes pessoais do caso reto são os que desempenham a função sintática de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo da oração, esse último com tu e vós. São os pronomes: eu, tu, ele, ela, nós, vós eles, elas.
Pronomes pessoais do caso oblíquo
São os que desempenham a função sintática de complemento verbal (objeto direto ou indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo (sujeito de oração reduzida, sujeito de verbo no infinitivo - com verbo causativo ou sensitivo).
Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdividem em dois tipos: os átonos, que não são antecedidos por preposição, usados diretamente no verbo, e os tônicos, precedidos por preposição.
Pronomes oblíquos átonos:
Os pronomes oblíquos átonos são os seguintes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes.
Pronomes oblíquos tônicos:
Os pronomes oblíquos tônicos são os seguintes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, si, consigo, eles, elas.
Usos dos Pronomes Pessoais
01) Eu, tu / Mim, ti
Eu e tu exercem a função sintática de sujeito. Mim e ti exercem a função sintática de complemento verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição.
Ex.
Trouxeram aquela encomenda para mim.
Era para eu conversar com o diretor, mas não houve condições.
Agora, observe a oração Sei que não será fácil para mim conseguir o empréstimo. O pronome mim NÃO é sujeito do verbo conseguir, como à primeira vista possa parecer. Analisando mais detalhadamente, teremos o seguinte: O sujeito do verbo ser é a oração conseguir o empréstimo, pois que não será fácil? resposta: conseguir o empréstimo, portanto há uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é predicativo do sujeito. O adjetivo fácil exige um complemento, pois conseguir o empréstimo não será fácil para quem? resposta: para mim, que funciona como complemento nominal. Ademais a ordem direta da oração é esta: Conseguir o empréstimo não será fácil para mim.
02) Se, si, consigo
Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recíprocos, portanto só poderão ser usados na voz reflexiva ou na voz reflexiva recíproca.
Ex.
Quem não se cuida, acaba ficando doente.
Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho.
Gilberto trouxe consigo os três irmãos.
03) Com nós, com vós / Conosco, convosco
Usa-se com nós ou com vós, quando, à frente, surgir qualquer palavra que indique quem "somos nós" ou quem "sois vós".
Ex.
Ele conversou com nós todos a respeito de seus problemas.
Ele disse que sairia com nós dois.
04) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst.
Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou qualquer substantivo, funcionarem como sujeito, não devem ser aglutinados com a preposição de. Bechara, Sacconi, Cegalla, Celso Pedro Luft, José Carlos de Azeredo e Cláudio Cezar Henriques, no entanto, admitem essas contrações por razões de eufonia, por estarem consagradas no idioma, seja na língua popular, ou por escritores de renome. Se o sujeito for o pronome eu, não se faz a contração, porque a forma 'deu' é do verbo dar.
Ex.
É chegada a hora de ele assumir a responsabilidade.
No momento de o orador discursar, faltou-lhe a palavra.
05) Pronomes Oblíquos Átonos
Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer diversas funções sintáticas nas orações. São elas:
A) Objeto Direto
Os pronomes que funcionam como objeto direto são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Ex.
Quando encontrar seu material, traga-o até mim.
Respeite-me, garoto.
Levar-te-ei a São Paulo amanhã.
Notas:
01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os pronomes o, a, os, as se transformarão em no, na, nos, nas.
Ex.
Quando encontrarem o material, tragam-no até mim.
Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor.
02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas terminações serão retiradas, e os pronomes o, a, os, as mudarão para lo, la, los, las.
Ex.
Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-las até mim.
As apostilas, tu perde-las toda semana. (Pronuncia-se pérde-las)
As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las com facilidade.
03) Independentemente da predicação verbal, se o verbo terminar em mos, seguido de nos ou de vos, retira-se a terminação -s.
Ex.
Encontramo-nos ontem à noite.
Recolhemo-nos cedo todos os dias.
04) Se o verbo for transitivo indireto terminado em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a terminação s.
Ex.
Obedecemos-lhe cegamente.
Tu obedeces-lhe?
B) Objeto Indireto
Os pronomes que funcionam como objeto indireto são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
Ex.
Traga-me as apostilas, quando as encontrar.
Obedecemos-lhe cegamente.
C) Adjunto adnominal
Os pronomes que funcionam como adjunto adnominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando indicarem posse (algo de alguém).
Ex.
Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a herança. (a herança dele)
Roubaram-me os documentos. (os documentos de alguém - meus)
D) Complemento nominal
Os pronomes que funcionam como complemento nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando complementarem o sentido de adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos. (algo a alguém, não provindo a preposição a de um verbo).
Ex.
Tenha-me respeito. (respeito a alguém)
É-me difícil suportar tanta dor. (difícil a alguém)
E) Sujeito acusativo
Os pronomes que funcionam como sujeito acusativo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, quando estiverem em um período composto formado pelos verbos deixar, mandar, fazer, ver, ouvir, sentir ou perceber, e um verbo no infinitivo ou no gerúndio.
Ex.
Deixei-a entrar atrasada.
Mandaram-me conversar com o diretor.
Pronomes Relativos
O Pronome Relativo Que
Este pronome deve ser utilizado com o intuito de substituir um substantivo (pessoa ou "coisa"), evitando sua repetição. Na montagem do período, deve-se colocá-lo imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.
Por exemplo, nas orações Roubaram a peça. A peça era rara no Brasil há o substantivo peça repetido. Pode-se usar o pronome relativo que e, assim, evitar a repetição de peça. O pronome será colocado após o substantivo. Então teremos Roubaram a peça que... . Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...era rara no Brasil, ficando
Roubaram a peça que era rara no Brasil.
Pode-se, também, iniciar o período pela outra oração, colocando o pronome após o substantivo. Então, tem-se A peça que... Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...roubaram, ficando A peça que roubaram... . Finalmente, conclui-se a oração que se havia iniciado: ...era rara no Brasil, ficando
A peça que roubaram era rara no Brasil.
Outros exemplos:
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto que ...
Restante da outra oração = ... você estava procurando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto que você estava procurando.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto que ...
Restante da outra oração = ... encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto que encontrei.
02) Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo.
Substantivo repetido = rapaz
Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi o rapaz que ...
Restante da outra oração = ... era seu amigo.
Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu amigo.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O rapaz que ...
Restante da outra oração = ... eu vi ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ... era seu amigo
Junção de tudo = O rapaz que eu vi era seu amigo.
03) Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o filme.
Substantivo repetido = filme
Colocação do pronome após o substantivo = Nós assistimos ao filme que ...
Restante da outra oração = ... vocês perderam.
Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que vocês perderam.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Vocês perderam o filme que ...
Restante da outra oração = ... nós assistimos
Junção de tudo = Vocês perderam o filme que nós assistimos.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a primeira oração é Nós assistimos ao filme, porém, na junção, a prep. a desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo do restante da outra oração exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então teremos: Vocês perderam o filme a que nós assistimos.
04) O gerente precisa dos documentos. O assessor encontrou os documentos
Substantivo repetido = documentos
Colocação do pronome após o substantivo = O gerente precisa dos documentos que ...
Restante da outra oração = ... o assessor encontrou
Junção de tudo = O gerente precisa dos documentos que o assessor encontrou.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O assessor encontrou os documentos que ...
Restante da outra oração = ... o gerente precisa.
O verbo precisar está usado com a prep. de, portanto ela será colocada antes do pronome relativo.
Junção de tudo = O assessor encontrou os documentos de que o gerente precisa.
Obs: O pronome que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais e as quais sempre. O gênero e o número são de acordo com o substantivo substituído.
Os exemplos apresentados ficarão, então, assim, com o que substituído por qual:
Encontrei o livro o qual você estava procurando. Você estava procurando o livro o qual encontrei.
Eu vi o rapaz o qual é seu amigo. O rapaz o qual vi é seu amigo.
Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam. Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos.
O gerente precisa dos documentos os quais o assessor encontrou. O assessor encontrou os documentos dos quais o gerente precisa.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.
O Pronome Relativo Cujo
Este pronome indica posse (algo de alguém).
Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo)
Por exemplo, nas orações Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz. o substantivo repetido rapaz possui namorada. Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, tem-se a namorada do rapaz = o rapaz cujo a namorada. Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. É um uso incorreto e redundante, apesar de comum nos concursos, nas notícias, reportagens e na mídia esportiva. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. Então a frase ficará o rapaz cuja namorada. Somando as duas orações, tem-se:
Antipatizei com o rapaz cuja namorada você conhece.
Outros exemplos:
01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.
Substantivo repetido = árvore - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: os frutos da árvore = a árvore cujos frutos. Somando as duas orações, tem-se:
A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo = Os frutos da árvore que...
Restante da outra oração = ...foi derrubada ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ...são venenosos
Junção de tudo = Os frutos da árvore que foi derrubada são venenosos.
02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista.
Substantivo repetido = artista - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: a obra do artista = o artista cuja obra. Somando as duas orações, tem-se:
O artista cuja obra eu falara morreu ontem.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é: Eu falara da obra do artista, porém, na junção, a prep. de desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então, tem-se: O artista de cuja obra eu falara morreu ontem.
03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas.
Substantivo repetido = pessoas - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: as palavras das pessoas = as pessoas cujas palavras. Somando as duas orações, tem-se
As pessoas cujas palavras acreditei estão presas.
O verbo acreditar está usado com a prep. em, portanto ela será colocada antes do pronome relativo. As pessoas em cujas palavras acreditei estão presas.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que ...
Restante da outra oração = ... estão presas
Junção de tudo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que estão presas.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.
O Pronome Relativo Quem
Este pronome substitui um substantivo que representa uma pessoa, evitando sua repetição. Somente deve ser utilizado antecedido de preposição, inclusive quando funcionar como objeto direto, Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória da prep. a, e o pronome passará a exercer a função sintática de objeto direto preposicionado. Por exemplo na oração A garota que conheci está em minha sala, o pronome que funciona como objeto direto. Substituindo pelo pronome quem, tem-se
A garota a quem conheci ontem está em minha sala.
Há apenas uma possibilidade de o pronome quem não ser precedido de preposição: quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá, quando possuir o mesmo valor de o que, a que, os que, as que, aquele que, aquela que, aqueles que, aquelas que, ou seja, quando puder ser substituído por pronome demonstrativo (o, a, os, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o pronome relativo que. Por exemplo: Foi ele quem me disse a verdade = Foi ele o que me disse a verdade. Nesses casos o pronome quem será denominado de Pronome Relativo Indefinido.
Na montagem do período, deve-se colocar o pronome relativo quem imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.
Por exemplo: nas orações Este é o artista. Eu me referi ao artista ontem, há o substantivo artista repetido. Pode-se usar o pronome relativo quem e, assim, evitar a repetição de artista. O pronome será colocado após o substantivo. Então, tem-se Este é o artista quem... Este quem está no lugar da palavra artista da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...eu me referi ontem, ficando Este é o artista quem me referi ontem. Como o verbo referir-se exige a preposição a, ela será colocada antes do pronome relativo. Então tem-se:
Este é o artista a quem me referi ontem.
Não se pode iniciar o período pela outra oração, pois o pronome relativo quem só funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, a que, os que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.
Outros exemplos:
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto quem...
Restante da outra oração = ...você estava procurando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você estava procurando. Como procurar é verbo transitivo direto, o pronome quem funciona como objeto direto. Então, deve-se antepor a prep. a ao pronome relativo, funcionando como objeto direto preposicionado.
Encontrei o garoto a quem você estava procurando.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto quem ...
Restante da outra oração = ... encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto quem encontrei. Novamente objeto direto preposicionado:
Você estava procurando o garoto a quem encontrei.
02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem.
Substantivo repetido = homem
Colocação do pronome após o substantivo = Aquele é o homem quem...
Restante da outra oração = ...lhe falei.
Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe falei. Como falar está usado com a prep. de, deve-se antepô-la ao pronome relativo, ficando
Aquele é o homem de quem lhe falei.
Não se esqueça disto:
O pronome relativo quem somente deve ser utilizado antecedido de preposição;
Quando for objeto direto, será antecedido da prep. a, transformando-se em objeto direto preposicionado;
Somente funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, os que, a que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.
Segundo o gramático Cegalla, a preposição a precederá o relativo sempre, exceto se o verbo ou nome da oração principal exigir outra preposição. De qualquer forma, virá sempre preposicionado.
O Pronome Relativo Qual
Este pronome tem o mesmo valor de que e de quem.
É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os quais, as quais.
Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas ou uma locução prepositiva ou se a preposição for sem ou sob, por motivos eufônicos, só poderemos usar o pronome qual, e não que ou quem. Então só se pode dizer O juiz perante o qual testemunhei. Os assuntos sobre os quais conversamos, e não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos sobre que conversamos.
Outro exemplo:
Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a você sobre o restaurante.
Substantivo repetido = restaurante
Colocação do pronome após o substantivo = Meu irmão comprou o restaurante que ...
Restante da outra oração = ... eu falei a você.
Junção de tudo = Meu irmão comprou o restaurante que eu falei a você. Observe que o verbo falar, na oração apresentada, foi usado com a preposição sobre, que deverá ser anteposta ao pronome relativo: Meu irmão comprou o restaurante sobre que eu falei a você. Como a preposição sobre possui duas sílabas, não se pode usar o pronome que, e sim o qual, ficando, então:
Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você.
O Pronome Relativo Onde
Este pronome tem o mesmo valor de em que.
Sempre indica lugar, por isso funciona sintaticamente como Adjunto Adverbial de Lugar. Semanticamente, a noção de lugar aplica-se a espaços físicos, virtuais ou figurados.
Se a preposição em for substituída pela prep. a ou pela prep. de, substituiremos onde por aonde e donde, respectivamente. Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A cidade donde vim fica longe.
Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por O lugar em que. Por exemplo, na frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu nasci no lugar em que você nasceu.
Outro exemplo:
Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade.
Substantivo repetido = cidade
Colocação do pronome após o substantivo = Eu conheço a cidade que...
Restante da outra oração = ... sua sobrinha mora.
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua sobrinha mora. O verbo morar exige a prep. em, pois quem mora, mora em algum lugar. Então:
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.
O Pronome Relativo Quanto
Este pronome é sempre antecedido de tudo, tantos, tantas, todos ou todas, concordando com esses elementos (quanto, quantos, quantas).
Ex:
Fale tudo quanto quiser falar.
Traga todos quantos quiser trazer.
Beba todas quantas quiser beber.
Pronomes de Tratamento
São pronomes empregados no trato com as pessoas, de modo cerimonioso ou oficial. Embora o pronome de tratamento se dirija à segunda pessoa, toda a concordância deve ser feita com a terceira pessoa. Usa-se Vossa, quando nos dirigimos à pessoa, e Sua, quando nos referimos à pessoa.
Ex.
Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas responsabilidades e não com as dele.
Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra ausente.
Eis uma pequena lista de pronomes de tratamento:
AUTORIDADES DE ESTADO
Civis
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Presidente e Vice-Presidente da República, Senadores, Ministros de Estado, Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal, Deputados Federais, Estaduais e Distritais, Prefeitos Municipais, Embaixadores, Vereadores, Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Militares.
2 - Vossa Magnificência - V. M. - Reitores de Universidades e de outras instituições de ensino superior
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais
Judiciárias
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Desembargador da Justiça, curador, promotor, procurador, Ministros de Tribunais Superiores, Membros e Presidentes de Tribunais, Auditores da Justiça Militar
2 - Meritíssimo Juiz - M. - Juiz, Juízes de Direito
Observação: Não cabe um Vossa Meritíssima (como alguns gramáticos andam ensinando por aí), bem como não cabe um Vossa Excelentíssima (como alguns parlamentares andam usando por aí), pois se criaria uma exótica e inaceitável sequência (Vossa + adjetivo), que nosso idioma desconhece. No mundo jurídico, é muito comum (e adequado) usar-se Meritíssimo como adjetivo de tratamento para magistrados. Ao nos dirigirmos diretamente a um juiz, podemos simplesmente utilizar Merítissimo — ou Meritíssima, caso se trate de uma juíza.
Militares
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Oficiais generais (até coronéis)
2 - Vossa Senhoria - V. S.a - Outras patentes militares
AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Santidade - V. S. - Papa
2 - Vossa Eminência - V. Em.a - Cardeais, arcebispos e bispos
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revma - Abades, superiores de conventos*, outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral
Obs.: Nesse caso, pode-se usar o pronome Vossa Paternidade (V. P.), segundo muitos gramáticos.
AUTORIDADES MONÁRQUICAS
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Majestade - V. M. - Reis e Imperadores
2 - Vossa Alteza - V. A. - Príncipes, Arquiduques e Duques
OUTRAS AUTORIDADES
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Senhoria - V. S.a - Dom
2 - Doutor - Dr. - Doutor (não configura forma de tratamento, mas título acadêmico. Seu uso se limita àqueles que concluíram o grau acadêmico de doutorado. Aceita-se chamar médicos, advogados e dentistas de doutor, embora não tenham doutorado, a possibilidade é histórica. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações)
3 – Comendador - Com. - Comendador
4 – Professor - Prof. - Professor
Pronomes Possessivos
São aqueles que indicam posse, em relação às três pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s).
Dele(s), dela(s) não é pronome possessivo.
Empregos dos pronomes possessivos:
01) O emprego dos possessivos de terceira pessoa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido à frase (ambigüidade). Para evitar isso, coloca-se à frente do substantivo dele, dela, deles, delas, ou troca-se o possessivo por esses elementos.
Ex.
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos.
De quem eram os documentos? Não há como saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a ambigüidade, coloca-se, após o substantivo, o elemento referente ao dono dos documentos: se for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dele; se for Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dela. Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com os documentos dele (ou dela, de você, do senhor, da senhora).
02) É facultativo o uso de artigo diante dos pronomes possessivos adjetivos. Diante dos pronomes possessivos substantivos, o artigo é de rigor.
Ex.
Trate bem seus amigos, e também os meus. ou Trate bem os seus amigos, e também os meus.
03) Não se devem usar pronomes possessivos diante de partes do corpo, peças de vestuário e qualidades do espírito, quando se referem ao próprio sujeito. Nesses casos, o uso do artigo já denota posse.
Ex.
Lavei as mãos.
Rasguei a blusa.
O rapaz perdeu a razão.
04) Não se devem usar pronomes possessivos diante da palavra casa, quando for a residência da pessoa que estiver falando. Quando se deseja dar ênfase à expressão, emprega-se o possessivo.
Ex.
Acabei de chegar de casa.
Estou em casa, tranqüilo.
Em minha casa ninguém vai cantar de galo. (uso enfático)
Pronomes Demonstrativos
Pronomes demonstrativos são aqueles que situam os seres no tempo e no espaço, em relação às pessoas do discurso. São os seguintes:
01) Este, esta, isto:
São usados para o que está próximo da pessoa que fala e para o tempo presente.
Ex.
Este chapéu que estou usando é de couro.
Este ano está sendo cheio de surpresas.
02) Esse, essa, isso:
São usados para o que está próximo da pessoa com quem se fala, para o tempo passado recente e para o futuro.
Ex.
Esse chapéu que você está usando é de couro?
2003. Esse ano será envolto em mistérios.
Em novembro de 2001, inauguramos a loja. Até esse mês, nada sabíamos sobre comércio.
03) Aquele, aquela, aquilo:
São usados para o que está distante da pessoa que fala, e da pessoa com quem se fala e para o tempo passado remoto.
Ex.
Aquele chapéu que ele está usando é de couro?
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Londrina era uma cidade pequena.
Outros usos dos demonstrativos:
01) Quando se redige um texto, em uma citação oral ou escrita, usa-se este, esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, e esse, essa, isso para o que já foi dito ou escrito.
Ex.
Esta é a verdade: existe a violência, porque a sociedade a permitiu.
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. A verdade é essa.
02) Usa-se este, esta, isto em referência a um termo imediatamente anterior.
Ex.
O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.
Quando interpelei Roberval, este assustou-se inexplicavelmente.
03) Em um período ou parágrafo, para estabelecer-se a distinção entre dois elementos anteriormente citados, usa-se este, esta, isto em relação ao que foi mencionado por último e aquele, aquela, aquilo, em relação ao que foi nomeado em primeiro lugar.
Ex.
Sabemos que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos é de domínio destes sobre aquele.
Os filmes brasileiros não são tão respeitados quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a estas.
Apesar de alguns concursos aceitarem o uso de esse, essa e isso para retomar o elemento intermediário, não há respaldo em nenhum gramático. Para retomar três ou mais elementos, recomenda-se o uso de numerais: o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto...
04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos, quando equivalem a isto, isso, aquilo ou aquele(s), aquela(s).
Ex.
Não concordo com o que ele falou. (aquilo que ele falou)
Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (aquilo que aconteceu)
Pronomes Indefinidos
Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso de uma maneira vaga, imprecisa, genérica.
São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem, mais, menos, demais, algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, muita, muitas, bastante, bastantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo, certos, certa, certas, tanto, tantos, tanta, tantas, quanto, quantos, quanta, quantas, um, uns, uma, umas, qualquer, quaisquer, (além das locuções pronominais indefinidas): cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, tudo o mais...
Fulano, sicrano e beltrano são substantivos, não pronomes indefinidos.
Usos de alguns pronomes indefinidos:
01) Todo:
O pronome indefinido todo deve ser usado com artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua frente o exigir; caso signifique cada ou todos não terá artigo, mesmo que o substantivo exija.
Ex.
Todo dia telefono a ela. (Todos os dias)
Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro)
Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a palavra ele não admite artigo)
02) Todos, todas:
Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser usados com artigo, se o substantivo à sua frente o exigir, exceto se houver pronome que o exclua, ou numeral não seguido de substantivo.
Ex.
Todos os colegas o desprezam.
Todas estas meninas foram à festa.
Todos quatro merecem respeito.
03) Algum:
O pronome indefinido algum tem sentido afirmativo, quando usado antes do substantivo; passa a ter sentido negativo, quando estiver depois do substantivo. Na linguagem popular, pode significar dinheiro.
Ex.
Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo)
Algum amigo o ajudará. (Alguém)
Você tem algum aí?
04) Certo:
A palavra certo será pronome indefinido, quando anteceder substantivo e será adjetivo, quando estiver posposto a substantivo.
Ex.
Certas pessoas não se preocupam com os demais.
As pessoas certas sempre nos ajudam.
05) Qualquer:
O pronome indefinido qualquer não deve ser usado em sentido negativo. Em seu lugar, deve-se usar algum, posteriormente ao substantivo, ou nenhum. É pronome de sentido afirmativo, dado assim pelos dicionários, com valor de indeterminar, generalização.
Ex.
Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa frase está inadequada gramaticalmente. O adequado seria:
Ele entrou na festa sem problema algum.
Ele entrou na festa sem nenhum problema.
Pronomes Interrogativos
São os pronomes que, quem, qual e quanto usados em frases interrogativas diretas ou indiretas.
Ex.
Que farei agora? - Interrogativa direta.
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa direta.
Qual é o seu nome? - Interrogativa direta.
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. - Interrogativa indireta.
Notas:
01) Na expressão interrogativa Que é de? subentende-se a palavra feito: Que é do sorriso? (= Que é feito do sorriso? ), Que é dele? (= Que é feito dele?). Nunca se deve usar quédê, quedê ou cadê, pois essas palavras oficialmente não existem, apesar de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais constante, até na linguagem literária.
02) Segundo o gramático Cegalla, 'o que' é uma forma enfática de 'que' como pronome interrogativo.
Ex.
O que são gametas?
O que significa isso?
O que aconteceu aqui?
Em algumas regiões do Brasil, usa-se 'que que'. Ex.: Que que você está procurando? / Que que são hiperônimos?
Emprego
· algum, após o substantivo a que se refere, assume valor negativo (= nenhum) (Computador algum resolverá o problema). Na linguagem popular, pode significar dinheiro.
Algum, anteposto ao substantivo, varia em gênero e número. Porém, quando posposto, pode variar em gênero, mas não varia nunca em número.
· cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral, é sempre pronome adjetivo, na língua cotidiana, aparece como pronome substantivo. Sempre acompanha um substantivo, e não o substitui. (Elas receberam 3 balas cada uma)
· certo é indefinido se vier antes do nome a que estiver se referindo. Caso contrário é adjetivo (Certas pessoas deveriam ter seus lugares certos)
· bastante pode vir como adjetivo também, se estiver determinando algum substantivo
· o pronome outrem equivale a "qualquer pessoa"
· o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não está nada contente hoje)
· o pronome outro (a/s) ganha valor adjetivo se equivaler a diferente" (Ela voltou outra das férias)
· existem algumas locuções pronominais indefinidas - cada qual, quem quer que, qualquer um, todo aquele que, seja qual for, seja quem for, cada um, todo o mundo etc.
Interrogativo
Usados na formulação de uma pergunta direta ou indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso.
Na verdade, não existem pronomes exclusivamente interrogativos. São os pronomes indefinidos que, quem, qual (a/s) e quanto (a/s) em frases interrogativas diretas ou indiretas (Quantos livros você tem? / Não sei quem lhe contou)
Flexão
É a variação de forma e, conseqüentemente, de significado de uma palavra.
* Flexão de Gênero
Gênero é o termo que a gramática utiliza para enquadrar as palavras variáveis da língua em masculinas e femininas. Temos os gêneros masculino e feminino.
As classes de palavras que apresentam flexão de gênero são: substantivo, adjetivo, artigo, pronome e numeral.
- palavras do gênero masculino.
seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor.
coisas: pente, lápis, disco, amor, mar.
- palavras do gênero feminino.
seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora.
coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva.
As demais palavras que admitem esse tipo de flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) acompanham o gênero do substantivo a que se referem. Exemplos:
As crianças órfãs.
Pequenos índios.
Esses meninos.
Duas crianças.
* Flexão de Número
As palavras variáveis podem mudar sua terminação para indicar singular ou plural. Apresentam flexão de número: o substantivo, o artigo, o adjetivo, o numeral, o pronome e o verbo.
Exemplo:
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular)
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural)
OBS:
1) A flexão de gênero e de número do substantivo implica flexão correspondente do adjetivo.
alunos espertos
subst. adj.
masc. pl. masc. pl.
2) Há casos de erro de concordância em que a concordância de número pode não acontecer de fato e um dos termos pode ficar sem flexão numérica.
Tinha mãos grande.
Achei coisas meio esquisita por aqui ...
* Flexão de Grau
São as mudanças efetuadas na terminação para indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade (nos adjetivos).
O menino estava nervoso.
O menininho estava nervoso.
O menino estava nervosíssimo.
O grau pode expressar estado emotivo e não somente intensidade ou tamanho:
Que doutorzinho, hein ! (ironia)
Filhinho, venha cá. (carinho)
O advérbio, embora seja uma palavra invariável, admite flexão de grau:
O fato aconteceu cedo. (advérbio não flexionado)
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado)
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam uma das três pessoas do discurso: a que fala, a com quem se fala e a de quem se fala.
Pronomes pessoais do caso reto
Pronomes pessoais do caso reto são os que desempenham a função sintática de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo da oração, esse último com tu e vós. São os pronomes: eu, tu, ele, ela, nós, vós eles, elas.
Pronomes pessoais do caso oblíquo
São os que desempenham a função sintática de complemento verbal (objeto direto ou indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo (sujeito de oração reduzida, sujeito de verbo no infinitivo - com verbo causativo ou sensitivo).
Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdividem em dois tipos: os átonos, que não são antecedidos por preposição, usados diretamente no verbo, e os tônicos, precedidos por preposição.
Pronomes oblíquos átonos:
Os pronomes oblíquos átonos são os seguintes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes.
Pronomes oblíquos tônicos:
Os pronomes oblíquos tônicos são os seguintes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, si, consigo, eles, elas.
Usos dos Pronomes Pessoais
01) Eu, tu / Mim, ti
Eu e tu exercem a função sintática de sujeito. Mim e ti exercem a função sintática de complemento verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição.
Ex.
Trouxeram aquela encomenda para mim.
Era para eu conversar com o diretor, mas não houve condições.
Agora, observe a oração Sei que não será fácil para mim conseguir o empréstimo. O pronome mim NÃO é sujeito do verbo conseguir, como à primeira vista possa parecer. Analisando mais detalhadamente, teremos o seguinte: O sujeito do verbo ser é a oração conseguir o empréstimo, pois que não será fácil? resposta: conseguir o empréstimo, portanto há uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é predicativo do sujeito. O adjetivo fácil exige um complemento, pois conseguir o empréstimo não será fácil para quem? resposta: para mim, que funciona como complemento nominal. Ademais a ordem direta da oração é esta: Conseguir o empréstimo não será fácil para mim.
02) Se, si, consigo
Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recíprocos, portanto só poderão ser usados na voz reflexiva ou na voz reflexiva recíproca.
Ex.
Quem não se cuida, acaba ficando doente.
Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho.
Gilberto trouxe consigo os três irmãos.
03) Com nós, com vós / Conosco, convosco
Usa-se com nós ou com vós, quando, à frente, surgir qualquer palavra que indique quem "somos nós" ou quem "sois vós".
Ex.
Ele conversou com nós todos a respeito de seus problemas.
Ele disse que sairia com nós dois.
04) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst.
Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou qualquer substantivo, funcionarem como sujeito, não devem ser aglutinados com a preposição de. Bechara, Sacconi, Cegalla, Celso Pedro Luft, José Carlos de Azeredo e Cláudio Cezar Henriques, no entanto, admitem essas contrações por razões de eufonia, por estarem consagradas no idioma, seja na língua popular, ou por escritores de renome. Se o sujeito for o pronome eu, não se faz a contração, porque a forma 'deu' é do verbo dar.
Ex.
É chegada a hora de ele assumir a responsabilidade.
No momento de o orador discursar, faltou-lhe a palavra.
05) Pronomes Oblíquos Átonos
Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer diversas funções sintáticas nas orações. São elas:
A) Objeto Direto
Os pronomes que funcionam como objeto direto são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Ex.
Quando encontrar seu material, traga-o até mim.
Respeite-me, garoto.
Levar-te-ei a São Paulo amanhã.
Notas:
01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os pronomes o, a, os, as se transformarão em no, na, nos, nas.
Ex.
Quando encontrarem o material, tragam-no até mim.
Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor.
02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas terminações serão retiradas, e os pronomes o, a, os, as mudarão para lo, la, los, las.
Ex.
Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-las até mim.
As apostilas, tu perde-las toda semana. (Pronuncia-se pérde-las)
As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las com facilidade.
03) Independentemente da predicação verbal, se o verbo terminar em mos, seguido de nos ou de vos, retira-se a terminação -s.
Ex.
Encontramo-nos ontem à noite.
Recolhemo-nos cedo todos os dias.
04) Se o verbo for transitivo indireto terminado em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a terminação s.
Ex.
Obedecemos-lhe cegamente.
Tu obedeces-lhe?
B) Objeto Indireto
Os pronomes que funcionam como objeto indireto são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
Ex.
Traga-me as apostilas, quando as encontrar.
Obedecemos-lhe cegamente.
C) Adjunto adnominal
Os pronomes que funcionam como adjunto adnominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando indicarem posse (algo de alguém).
Ex.
Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a herança. (a herança dele)
Roubaram-me os documentos. (os documentos de alguém - meus)
D) Complemento nominal
Os pronomes que funcionam como complemento nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando complementarem o sentido de adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos. (algo a alguém, não provindo a preposição a de um verbo).
Ex.
Tenha-me respeito. (respeito a alguém)
É-me difícil suportar tanta dor. (difícil a alguém)
E) Sujeito acusativo
Os pronomes que funcionam como sujeito acusativo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, quando estiverem em um período composto formado pelos verbos deixar, mandar, fazer, ver, ouvir, sentir ou perceber, e um verbo no infinitivo ou no gerúndio.
Ex.
Deixei-a entrar atrasada.
Mandaram-me conversar com o diretor.
Pronomes Relativos
O Pronome Relativo Que
Este pronome deve ser utilizado com o intuito de substituir um substantivo (pessoa ou "coisa"), evitando sua repetição. Na montagem do período, deve-se colocá-lo imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.
Por exemplo, nas orações Roubaram a peça. A peça era rara no Brasil há o substantivo peça repetido. Pode-se usar o pronome relativo que e, assim, evitar a repetição de peça. O pronome será colocado após o substantivo. Então teremos Roubaram a peça que... . Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...era rara no Brasil, ficando
Roubaram a peça que era rara no Brasil.
Pode-se, também, iniciar o período pela outra oração, colocando o pronome após o substantivo. Então, tem-se A peça que... Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...roubaram, ficando A peça que roubaram... . Finalmente, conclui-se a oração que se havia iniciado: ...era rara no Brasil, ficando
A peça que roubaram era rara no Brasil.
Outros exemplos:
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto que ...
Restante da outra oração = ... você estava procurando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto que você estava procurando.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto que ...
Restante da outra oração = ... encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto que encontrei.
02) Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo.
Substantivo repetido = rapaz
Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi o rapaz que ...
Restante da outra oração = ... era seu amigo.
Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu amigo.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O rapaz que ...
Restante da outra oração = ... eu vi ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ... era seu amigo
Junção de tudo = O rapaz que eu vi era seu amigo.
03) Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o filme.
Substantivo repetido = filme
Colocação do pronome após o substantivo = Nós assistimos ao filme que ...
Restante da outra oração = ... vocês perderam.
Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que vocês perderam.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Vocês perderam o filme que ...
Restante da outra oração = ... nós assistimos
Junção de tudo = Vocês perderam o filme que nós assistimos.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a primeira oração é Nós assistimos ao filme, porém, na junção, a prep. a desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo do restante da outra oração exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então teremos: Vocês perderam o filme a que nós assistimos.
04) O gerente precisa dos documentos. O assessor encontrou os documentos
Substantivo repetido = documentos
Colocação do pronome após o substantivo = O gerente precisa dos documentos que ...
Restante da outra oração = ... o assessor encontrou
Junção de tudo = O gerente precisa dos documentos que o assessor encontrou.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = O assessor encontrou os documentos que ...
Restante da outra oração = ... o gerente precisa.
O verbo precisar está usado com a prep. de, portanto ela será colocada antes do pronome relativo.
Junção de tudo = O assessor encontrou os documentos de que o gerente precisa.
Obs: O pronome que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais e as quais sempre. O gênero e o número são de acordo com o substantivo substituído.
Os exemplos apresentados ficarão, então, assim, com o que substituído por qual:
Encontrei o livro o qual você estava procurando. Você estava procurando o livro o qual encontrei.
Eu vi o rapaz o qual é seu amigo. O rapaz o qual vi é seu amigo.
Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam. Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos.
O gerente precisa dos documentos os quais o assessor encontrou. O assessor encontrou os documentos dos quais o gerente precisa.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.
O Pronome Relativo Cujo
Este pronome indica posse (algo de alguém).
Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo)
Por exemplo, nas orações Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz. o substantivo repetido rapaz possui namorada. Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, tem-se a namorada do rapaz = o rapaz cujo a namorada. Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. É um uso incorreto e redundante, apesar de comum nos concursos, nas notícias, reportagens e na mídia esportiva. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. Então a frase ficará o rapaz cuja namorada. Somando as duas orações, tem-se:
Antipatizei com o rapaz cuja namorada você conhece.
Outros exemplos:
01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.
Substantivo repetido = árvore - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: os frutos da árvore = a árvore cujos frutos. Somando as duas orações, tem-se:
A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo = Os frutos da árvore que...
Restante da outra oração = ...foi derrubada ...
Finalização da oração que se havia iniciado = ...são venenosos
Junção de tudo = Os frutos da árvore que foi derrubada são venenosos.
02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista.
Substantivo repetido = artista - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: a obra do artista = o artista cuja obra. Somando as duas orações, tem-se:
O artista cuja obra eu falara morreu ontem.
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é: Eu falara da obra do artista, porém, na junção, a prep. de desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então, tem-se: O artista de cuja obra eu falara morreu ontem.
03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas.
Substantivo repetido = pessoas - o substantivo repetido possui algo.
Algo de alguém = Alguém cujo algo: as palavras das pessoas = as pessoas cujas palavras. Somando as duas orações, tem-se
As pessoas cujas palavras acreditei estão presas.
O verbo acreditar está usado com a prep. em, portanto ela será colocada antes do pronome relativo. As pessoas em cujas palavras acreditei estão presas.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome que após o substantivo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que ...
Restante da outra oração = ... estão presas
Junção de tudo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que estão presas.
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.
O Pronome Relativo Quem
Este pronome substitui um substantivo que representa uma pessoa, evitando sua repetição. Somente deve ser utilizado antecedido de preposição, inclusive quando funcionar como objeto direto, Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória da prep. a, e o pronome passará a exercer a função sintática de objeto direto preposicionado. Por exemplo na oração A garota que conheci está em minha sala, o pronome que funciona como objeto direto. Substituindo pelo pronome quem, tem-se
A garota a quem conheci ontem está em minha sala.
Há apenas uma possibilidade de o pronome quem não ser precedido de preposição: quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá, quando possuir o mesmo valor de o que, a que, os que, as que, aquele que, aquela que, aqueles que, aquelas que, ou seja, quando puder ser substituído por pronome demonstrativo (o, a, os, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o pronome relativo que. Por exemplo: Foi ele quem me disse a verdade = Foi ele o que me disse a verdade. Nesses casos o pronome quem será denominado de Pronome Relativo Indefinido.
Na montagem do período, deve-se colocar o pronome relativo quem imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.
Por exemplo: nas orações Este é o artista. Eu me referi ao artista ontem, há o substantivo artista repetido. Pode-se usar o pronome relativo quem e, assim, evitar a repetição de artista. O pronome será colocado após o substantivo. Então, tem-se Este é o artista quem... Este quem está no lugar da palavra artista da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...eu me referi ontem, ficando Este é o artista quem me referi ontem. Como o verbo referir-se exige a preposição a, ela será colocada antes do pronome relativo. Então tem-se:
Este é o artista a quem me referi ontem.
Não se pode iniciar o período pela outra oração, pois o pronome relativo quem só funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, a que, os que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.
Outros exemplos:
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.
Substantivo repetido = garoto
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto quem...
Restante da outra oração = ...você estava procurando.
Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você estava procurando. Como procurar é verbo transitivo direto, o pronome quem funciona como objeto direto. Então, deve-se antepor a prep. a ao pronome relativo, funcionando como objeto direto preposicionado.
Encontrei o garoto a quem você estava procurando.
Começando pela outra oração:
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto quem ...
Restante da outra oração = ... encontrei
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto quem encontrei. Novamente objeto direto preposicionado:
Você estava procurando o garoto a quem encontrei.
02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem.
Substantivo repetido = homem
Colocação do pronome após o substantivo = Aquele é o homem quem...
Restante da outra oração = ...lhe falei.
Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe falei. Como falar está usado com a prep. de, deve-se antepô-la ao pronome relativo, ficando
Aquele é o homem de quem lhe falei.
Não se esqueça disto:
O pronome relativo quem somente deve ser utilizado antecedido de preposição;
Quando for objeto direto, será antecedido da prep. a, transformando-se em objeto direto preposicionado;
Somente funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, os que, a que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.
Segundo o gramático Cegalla, a preposição a precederá o relativo sempre, exceto se o verbo ou nome da oração principal exigir outra preposição. De qualquer forma, virá sempre preposicionado.
O Pronome Relativo Qual
Este pronome tem o mesmo valor de que e de quem.
É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os quais, as quais.
Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas ou uma locução prepositiva ou se a preposição for sem ou sob, por motivos eufônicos, só poderemos usar o pronome qual, e não que ou quem. Então só se pode dizer O juiz perante o qual testemunhei. Os assuntos sobre os quais conversamos, e não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos sobre que conversamos.
Outro exemplo:
Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a você sobre o restaurante.
Substantivo repetido = restaurante
Colocação do pronome após o substantivo = Meu irmão comprou o restaurante que ...
Restante da outra oração = ... eu falei a você.
Junção de tudo = Meu irmão comprou o restaurante que eu falei a você. Observe que o verbo falar, na oração apresentada, foi usado com a preposição sobre, que deverá ser anteposta ao pronome relativo: Meu irmão comprou o restaurante sobre que eu falei a você. Como a preposição sobre possui duas sílabas, não se pode usar o pronome que, e sim o qual, ficando, então:
Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você.
O Pronome Relativo Onde
Este pronome tem o mesmo valor de em que.
Sempre indica lugar, por isso funciona sintaticamente como Adjunto Adverbial de Lugar. Semanticamente, a noção de lugar aplica-se a espaços físicos, virtuais ou figurados.
Se a preposição em for substituída pela prep. a ou pela prep. de, substituiremos onde por aonde e donde, respectivamente. Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A cidade donde vim fica longe.
Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por O lugar em que. Por exemplo, na frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu nasci no lugar em que você nasceu.
Outro exemplo:
Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade.
Substantivo repetido = cidade
Colocação do pronome após o substantivo = Eu conheço a cidade que...
Restante da outra oração = ... sua sobrinha mora.
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua sobrinha mora. O verbo morar exige a prep. em, pois quem mora, mora em algum lugar. Então:
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora.
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.
O Pronome Relativo Quanto
Este pronome é sempre antecedido de tudo, tantos, tantas, todos ou todas, concordando com esses elementos (quanto, quantos, quantas).
Ex:
Fale tudo quanto quiser falar.
Traga todos quantos quiser trazer.
Beba todas quantas quiser beber.
Pronomes de Tratamento
São pronomes empregados no trato com as pessoas, de modo cerimonioso ou oficial. Embora o pronome de tratamento se dirija à segunda pessoa, toda a concordância deve ser feita com a terceira pessoa. Usa-se Vossa, quando nos dirigimos à pessoa, e Sua, quando nos referimos à pessoa.
Ex.
Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas responsabilidades e não com as dele.
Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra ausente.
Eis uma pequena lista de pronomes de tratamento:
AUTORIDADES DE ESTADO
Civis
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Presidente e Vice-Presidente da República, Senadores, Ministros de Estado, Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal, Deputados Federais, Estaduais e Distritais, Prefeitos Municipais, Embaixadores, Vereadores, Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Militares.
2 - Vossa Magnificência - V. M. - Reitores de Universidades e de outras instituições de ensino superior
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais
Judiciárias
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Desembargador da Justiça, curador, promotor, procurador, Ministros de Tribunais Superiores, Membros e Presidentes de Tribunais, Auditores da Justiça Militar
2 - Meritíssimo Juiz - M. - Juiz, Juízes de Direito
Observação: Não cabe um Vossa Meritíssima (como alguns gramáticos andam ensinando por aí), bem como não cabe um Vossa Excelentíssima (como alguns parlamentares andam usando por aí), pois se criaria uma exótica e inaceitável sequência (Vossa + adjetivo), que nosso idioma desconhece. No mundo jurídico, é muito comum (e adequado) usar-se Meritíssimo como adjetivo de tratamento para magistrados. Ao nos dirigirmos diretamente a um juiz, podemos simplesmente utilizar Merítissimo — ou Meritíssima, caso se trate de uma juíza.
Militares
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Oficiais generais (até coronéis)
2 - Vossa Senhoria - V. S.a - Outras patentes militares
AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Santidade - V. S. - Papa
2 - Vossa Eminência - V. Em.a - Cardeais, arcebispos e bispos
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revma - Abades, superiores de conventos*, outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral
Obs.: Nesse caso, pode-se usar o pronome Vossa Paternidade (V. P.), segundo muitos gramáticos.
AUTORIDADES MONÁRQUICAS
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Majestade - V. M. - Reis e Imperadores
2 - Vossa Alteza - V. A. - Príncipes, Arquiduques e Duques
OUTRAS AUTORIDADES
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para
1 - Vossa Senhoria - V. S.a - Dom
2 - Doutor - Dr. - Doutor (não configura forma de tratamento, mas título acadêmico. Seu uso se limita àqueles que concluíram o grau acadêmico de doutorado. Aceita-se chamar médicos, advogados e dentistas de doutor, embora não tenham doutorado, a possibilidade é histórica. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações)
3 – Comendador - Com. - Comendador
4 – Professor - Prof. - Professor
Pronomes Possessivos
São aqueles que indicam posse, em relação às três pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s).
Dele(s), dela(s) não é pronome possessivo.
Empregos dos pronomes possessivos:
01) O emprego dos possessivos de terceira pessoa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido à frase (ambigüidade). Para evitar isso, coloca-se à frente do substantivo dele, dela, deles, delas, ou troca-se o possessivo por esses elementos.
Ex.
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos.
De quem eram os documentos? Não há como saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a ambigüidade, coloca-se, após o substantivo, o elemento referente ao dono dos documentos: se for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dele; se for Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dela. Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com os documentos dele (ou dela, de você, do senhor, da senhora).
02) É facultativo o uso de artigo diante dos pronomes possessivos adjetivos. Diante dos pronomes possessivos substantivos, o artigo é de rigor.
Ex.
Trate bem seus amigos, e também os meus. ou Trate bem os seus amigos, e também os meus.
03) Não se devem usar pronomes possessivos diante de partes do corpo, peças de vestuário e qualidades do espírito, quando se referem ao próprio sujeito. Nesses casos, o uso do artigo já denota posse.
Ex.
Lavei as mãos.
Rasguei a blusa.
O rapaz perdeu a razão.
04) Não se devem usar pronomes possessivos diante da palavra casa, quando for a residência da pessoa que estiver falando. Quando se deseja dar ênfase à expressão, emprega-se o possessivo.
Ex.
Acabei de chegar de casa.
Estou em casa, tranqüilo.
Em minha casa ninguém vai cantar de galo. (uso enfático)
Pronomes Demonstrativos
Pronomes demonstrativos são aqueles que situam os seres no tempo e no espaço, em relação às pessoas do discurso. São os seguintes:
01) Este, esta, isto:
São usados para o que está próximo da pessoa que fala e para o tempo presente.
Ex.
Este chapéu que estou usando é de couro.
Este ano está sendo cheio de surpresas.
02) Esse, essa, isso:
São usados para o que está próximo da pessoa com quem se fala, para o tempo passado recente e para o futuro.
Ex.
Esse chapéu que você está usando é de couro?
2003. Esse ano será envolto em mistérios.
Em novembro de 2001, inauguramos a loja. Até esse mês, nada sabíamos sobre comércio.
03) Aquele, aquela, aquilo:
São usados para o que está distante da pessoa que fala, e da pessoa com quem se fala e para o tempo passado remoto.
Ex.
Aquele chapéu que ele está usando é de couro?
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Londrina era uma cidade pequena.
Outros usos dos demonstrativos:
01) Quando se redige um texto, em uma citação oral ou escrita, usa-se este, esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, e esse, essa, isso para o que já foi dito ou escrito.
Ex.
Esta é a verdade: existe a violência, porque a sociedade a permitiu.
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. A verdade é essa.
02) Usa-se este, esta, isto em referência a um termo imediatamente anterior.
Ex.
O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.
Quando interpelei Roberval, este assustou-se inexplicavelmente.
03) Em um período ou parágrafo, para estabelecer-se a distinção entre dois elementos anteriormente citados, usa-se este, esta, isto em relação ao que foi mencionado por último e aquele, aquela, aquilo, em relação ao que foi nomeado em primeiro lugar.
Ex.
Sabemos que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos é de domínio destes sobre aquele.
Os filmes brasileiros não são tão respeitados quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a estas.
Apesar de alguns concursos aceitarem o uso de esse, essa e isso para retomar o elemento intermediário, não há respaldo em nenhum gramático. Para retomar três ou mais elementos, recomenda-se o uso de numerais: o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto...
04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos, quando equivalem a isto, isso, aquilo ou aquele(s), aquela(s).
Ex.
Não concordo com o que ele falou. (aquilo que ele falou)
Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (aquilo que aconteceu)
Pronomes Indefinidos
Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso de uma maneira vaga, imprecisa, genérica.
São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem, mais, menos, demais, algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, muita, muitas, bastante, bastantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo, certos, certa, certas, tanto, tantos, tanta, tantas, quanto, quantos, quanta, quantas, um, uns, uma, umas, qualquer, quaisquer, (além das locuções pronominais indefinidas): cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, tudo o mais...
Fulano, sicrano e beltrano são substantivos, não pronomes indefinidos.
Usos de alguns pronomes indefinidos:
01) Todo:
O pronome indefinido todo deve ser usado com artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua frente o exigir; caso signifique cada ou todos não terá artigo, mesmo que o substantivo exija.
Ex.
Todo dia telefono a ela. (Todos os dias)
Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro)
Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a palavra ele não admite artigo)
02) Todos, todas:
Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser usados com artigo, se o substantivo à sua frente o exigir, exceto se houver pronome que o exclua, ou numeral não seguido de substantivo.
Ex.
Todos os colegas o desprezam.
Todas estas meninas foram à festa.
Todos quatro merecem respeito.
03) Algum:
O pronome indefinido algum tem sentido afirmativo, quando usado antes do substantivo; passa a ter sentido negativo, quando estiver depois do substantivo. Na linguagem popular, pode significar dinheiro.
Ex.
Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo)
Algum amigo o ajudará. (Alguém)
Você tem algum aí?
04) Certo:
A palavra certo será pronome indefinido, quando anteceder substantivo e será adjetivo, quando estiver posposto a substantivo.
Ex.
Certas pessoas não se preocupam com os demais.
As pessoas certas sempre nos ajudam.
05) Qualquer:
O pronome indefinido qualquer não deve ser usado em sentido negativo. Em seu lugar, deve-se usar algum, posteriormente ao substantivo, ou nenhum. É pronome de sentido afirmativo, dado assim pelos dicionários, com valor de indeterminar, generalização.
Ex.
Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa frase está inadequada gramaticalmente. O adequado seria:
Ele entrou na festa sem problema algum.
Ele entrou na festa sem nenhum problema.
Pronomes Interrogativos
São os pronomes que, quem, qual e quanto usados em frases interrogativas diretas ou indiretas.
Ex.
Que farei agora? - Interrogativa direta.
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa direta.
Qual é o seu nome? - Interrogativa direta.
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. - Interrogativa indireta.
Notas:
01) Na expressão interrogativa Que é de? subentende-se a palavra feito: Que é do sorriso? (= Que é feito do sorriso? ), Que é dele? (= Que é feito dele?). Nunca se deve usar quédê, quedê ou cadê, pois essas palavras oficialmente não existem, apesar de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais constante, até na linguagem literária.
02) Segundo o gramático Cegalla, 'o que' é uma forma enfática de 'que' como pronome interrogativo.
Ex.
O que são gametas?
O que significa isso?
O que aconteceu aqui?
Em algumas regiões do Brasil, usa-se 'que que'. Ex.: Que que você está procurando? / Que que são hiperônimos?
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