Coluna do professor Trindade - pontuação
Os sinais de pontuação classificam-se em dois grupos: o primeiro grupo engloba os que servem, principalmente, para marcar as pausas; o segundo, compreende os sinais cuja função é marcar a entonação.
São do primeiro grupo:
a vírgula (,)
o ponto (.)
o ponto e vírgula (;)
Pertencem ao segundo grupo:
os dois pontos (:)
o ponto de interrogação (?)
o ponto de exclamação (!)
as reticências (…)
as aspas (“ ”)
os parênteses (( ))
os colchetes ({} )
o travessão (– )
Observação:
Tal distinção não é rigorosa. Em geral, os sinais de pontuação indicam, ao mesmo tempo, a pausa e a entonação.
A VÍRGULA
A vírgula marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se para separar partes de uma oração ou as orações de um período.
Usa-se, no interior das orações, para
Separar termos coordenados (termos da mesma função sintática):
Ex.: Ele vende livros, jornais, revistas (a vírgula separa objetos diretos).
A alegria, a tristeza, a riqueza, o poder são transitórios (a vírgula separa núcleos do sujeito).
Essa omissão da conjunção entre o penúltimo e o último termo em estilística é conhecida como assíndeto.
Atenção: Quando houver diversos elementos e o último estiver ligado por e, não haverá a vírgula isolando o último, já que o e equivale a uma vírgula:
Ex. Ele levou livros, bolsas, ternos e camisas.
Torcedores, jogadores e o técnico criticaram o presidente do clube.
CUIDADO! Isso costuma cair demais em concursos.
Separar o aposto explicativo:
O Sanhauá, rio de João Pessoa, é muito bonito.
Atenção!
Não vá naquela história de que aposto “vem sempre entre vírgulas”; isso não é verdade. Há, inclusive, apostos que não admitem vírgula, como, por exemplo, o aposto especificativo: A cidade de Campina Grande é hospitaleira. (De campina Grande = aposto especificativo).
3.Para separar o vocativo
“Maria, não me apertes assim contra o teu seio” (Castro Alves).
“Não me apertes, Maria, assim contra o teu seio”.
“Não me apertes assim contra o teu seio, Maria”.
4.Para separar adjuntos adverbiais deslocados:
(A posição normal do adjunto adverbial é no final da frase: depois do verbo e do objeto. Quando estiver no início ou no meio, deve ser isolado por vírgula)
Eles, no domingo, foram ao jogo.
No domingo, eles foram ao jogo.
Observações:
a) Quando o adjunto adverbial não estiver deslocado, pode-se dispensar a vírgula. Portanto, podemos escrever:
Ele foram ao jogo no domingo
ou
Eles foram ao jogo, no domingo.
b) Quando o adjunto adverbial for curto - apenas um advérbio, pode-se dispensar a vírgula. Podemos escrever:
Hoje irei ao cinema.
ou
Hoje, irei ao cinema.
Separar as conjunções adversativas e conclusivas deslocadas.
Ela me traiu; não merece, portanto, minha confiança.
Tudo estava perdido; ele, porém, animava os companheiros.
Para indicar a elipse do verbo:
Nós fomos ao cinema; eles, ao teatro.
Observação: A elipse é a omissão de um termo facilmente subentendido pelo contexto e o zeugma, a omissão de um termo que já apareceu antes.
Para indicar quaisquer expressões explicativas ou retificadoras:
(além disso, aliás, a saber, assim, com efeito, isto é, ou seja, por assim dizer, por exemplo, ou melhor, digo, em outras palavras, minto, quer dizer, resumindo, na minha opinião, na verdade, a propósito)
Estarei amanhã lá, ou melhor, depois de amanhã.
O ponto e vírgula também é aceito nesse tipo de construção:
Estarei lá amanhã; ou melhor, depois de amanhã.
Na indicação de datas:
João Pessoa, 16 de fevereiro de 2010.
Não se usa a vírgula:
Separando:
a) O sujeito do verbo e o verbo do objeto, o verbo de ligação e o predicativo, a locução verbal de voz passiva do agente da passiva:
Os sonhadores, acreditam, na felicidade total.
As vírgulas não podem existir, porque a primeira separa o sujeito do verbo e a segunda, o verbo do objeto.
O dia está belo.
As provas foram entregues pela professora.
O nome do complemento nominal:
Eles não são favoráveis, à manutenção da obra.
A vírgula não pode existir, porque manutenção é complemento nominal de favoráveis.
3.O nome do adjunto adnominal:
O povo, de Campina Grande, é hospitaleiro.
As vírgulas não podem existir, porque de Campina Grande é adjunto adnominal de povo.
4.O nome do aposto especificativo:
A cidade, de Campina Grande, é hospitaleira.
As vírgulas não podem existir, porque de Campina Grande é aposto especificativo de cidade.
Entre as orações, emprega-se a vírgula:
1.Nas orações subordinadas adverbais:
Usa-se a vírgula quando a oração adverbial vier antes da principal ou no meio dela:
Quando o professor chegou, estava um pouco triste.
O professor, quando chegou, estava um pouco triste.
OBSERVAÇÃO:
A vírgula pode ser dispensada se a oração subordinada adverbial vier depois da principal:
O professor estava um pouco triste quando chegou à sala.
ou
O professor estava um pouco triste, quando chegou à sala.
Orações subordinadas adjetivas:
Usa-se vírgula nas orações subordinadas adjetivas explicativas, mas não nas adjetivas restritivas:
Exemplos:
O homem, que é mortal, nem sempre cuida da saúde.
“Que é mortal” = oração adjetiva explicativa.
O homem que ama sofre
“Que ama” = oração adjetiva restritiva.
3.Orações subordinadas substantivas
Não se usa vírgula separando a oração principal da subordinada substantiva, exceto a apositiva, que pode aparecer entre vírgula ou dois-pontos:
Todos os presentes afirmavam, que o show não estava bom.
Não haverá vírgula depois da expressão afirmavam, porque que o show não estava bom é uma oração subordinada substantiva.
Tenho apenas um desejo: que você volte em breve.
Tenho apenas um desejo, que você volte em breve.
A vírgula deve ser usada em caso de objeto pleonástico ou anacoluto:
Os presentes, entreguei-os à aniversariante.
Amanda, ela nunca está presente como esperava.
pleonasmo = redundância de termos
anacoluto = frase quebrada, interrompida por outra
4.Orações coordenadas
Usa-se a vírgula separando orações coordenadas, exceto nas iniciadas por e*:
Ela caiu de mal jeito, mas logo se recompôs.
*No caso das orações coordenadas ligadas por e, usaremos o seguinte critério:
a) Se o sujeito for o mesmo, não haverá vírgula: O marido deixou a mulher no shopping, beijou-a e saiu.
b) Se os sujeitos forem diferentes, haverá poderá haver vírgula, dependendo do sentido da frase: O marido deixou a mulher no shopping, e ela foi fazer compras.
c) Se a conjunção tiver valor adversativo ou vier repetida, haverá vírgula: Estava muito cansada, e continuou trabalhando. Cantava, e dançava, e sorrria.
Essa repetição da conjunção em estilística é conhecida como polissíndeto.
ATENÇÃO:
Muita gente tem dificuldade em usar a vírgula nas orações ligadas por e e mas.
Na verdade, só haverá vírgula depois do e e do mas se houver intercalação de elementos (termos da oração ou oração). Observe:
O promotor se irritou e desrespeitou o juiz.
O promotor se irritou e, apesar de o juiz estar calmo, falou palavras desrespeitosas.
Eu iria à festa, mas não vou.
Eu iria à festa, mas, como não fui convidado, não vou.
Orações intercaladas
Usa-se a vírgula para isolar a oração intercalada:
Aprender Português, disse-nos o professor, não é difícil.
O PONTO E VÍRGULA
Vocês já devem ter percebido que o ponto e vírgula anda fora de moda. E o pior é que o leitor sofre pra danado ao ler a maioria dos escritos, uma vez que a falta do sinal aludido faz a gente ficar relendo o texto várias vezes para entendê-lo; sobretudo os períodos longos, em que o excesso de vírgula confunde bastante.
O ponto e vírgula é uma pausa um pouco longa (maior do que a da vírgula e menor do que a do ponto) e que representa continuidade de pensamento. Ou seja: você dá uma pausa um tanto longa, mas continua o mesmo pensamento, como no exemplo:
Aqueles que não leem pagam caro, a certa altura da vida; infelizmente, só muito tarde é que vão perceber isso.
Em verdade, usaremos o ponto e vírgula quando fizermos uma pausa longa, mas haja uma continuidade de pensamento. Se a pausa for rápida, usa-se a vírgula; se for longa e encerrar o pensamento, usa-se o ponto.
O emprego do ponto e vírgula é mais estilístico do que gramatical e depende, substancialmente, do contexto; não havendo regras infalíveis para todos os casos. Na verdade, a única maneira de aprender a empregar tal sinal é ler muito; sobretudo em voz alta.
É possível, no entanto, destacar algumas orientações.
Usa-se o ponto e vírgula:
1.Para separar, num período, orações da mesma natureza, que tenham certa extensão:
“Os dois primeiros alvitres foram desprezados por impraticáveis; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito tão alto.”
2.Para separar partes de um período já dividido por vírgulas:
“O incêndio é a mais impaciente das catástrofes; a explosão, a mais impulsiva e lacônica; o abalroamento, a mais colérica; a inundação, a mais feminina e majestosa.”
- Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, regulamentos, portarias, etc.). Tomemos como exemplo o título I (Dos Princípios Fundamentais) da Constituição da República Federativa do Brasil:
“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e o Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.
(…).”
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
1.O ponto e vírgula divide períodos longos em partes menores, geralmente quando os elementos são simétricos, dando-se um ritmo encadeado ao período. Observem este exemplo de Ruy Barbosa, acerca de Machado de Assis, citado por Celso Cunha:
“Modelo foi de pureza e correção, temperança e doçura; na família, que a unidade e devoção do seu amor converteu em santuário; na carreira pública, onde se extremou pela fidelidade e pela honra; no sentimento da língua pátria, em que prosava como Luís de Souza, e cantava como Luís de Camões; na convivência dos seus colegas, dos seus amigos, em que nunca deslizou da modéstia, do recato, da tolerância, da gentileza.”
2.Costuma-se empregar o ponto e vírgula em lugar da vírgula, antes das conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, etc.) e das conclusivas (logo, portanto, por isso, etc.) colocadas no início de uma oração coordenada, para, com o alongamento da pausa, acentuar-se o sentido adversativo ou conclusivo das referidas conjunções, com nos períodos seguintes:
“Desgostou-se, sofreu, mas não maldisse a Pátria.”
“Desgostou-se, sofreu; mas não maldisse a Pátria.”
Ele está doente, por isso não poderá vir às aulas.
Ele está doente; por isso, não poderá vir às aulas.
Em certos casos, o tom enfático aconselha mesmo o uso do ponto em tal posição, como no exemplo:
Ele estava triste; resolveu, então, não sair de casa.
Poder-se-ia muito bem escrever:
Ele estava triste. Resolveu, então, não sair de casa.
OS DOIS PONTOS
Os dois pontos indicam, na escrita, uma suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída (Celso Cunha – adaptado). Empregam-se para anunciar:
- Uma citação: Desabafa o homem: “Que sina a minha!”.
- Uma enumeração explicativa: “De vez em quando, o olhar distraído se fixa num ponto da cidade baixa: as casas vazias, quase destruídas, a estação, o Porto do Capim…”.
- Um esclarecimento, uma conclusão, uma síntese ou uma consequência do que foi dito:
Teve uma ideia brilhante: levar os alunos ao circo para explicar o que é cultura popular.
Não és apenas uma mulher bonita: és, simplesmente, a mais bela do lugar.
“A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.” (Ruy Barbosa, citado por Celso Cunha).
Também é usado em orações apositivas e exemplos ou observações.
Só te peço uma coisa: que chegues cedo.
Pronomes de tratamento são usados no trato familiar, cerimonioso ou oficial. Exemplo: você, senhor, senhora, senhorita, Vossa Senhoria, Vossa Excelência.
O PONTO FINAL
Usa-se o ponto final para denotar uma pausa longa de encerramento de períodos que não sejam exclamativos ou interrogativos diretos:
A INTERROGAÇÃO
Usa-se o ponto de interrogação:
- a) Nas orações interrogativas diretas: Afinal, por que estou triste?
- b) Nos diálogos; sozinho ou acompanhado de outro sinal: – Conheceu gente pior do aquele homem?!
- Em frases interrogativas indiretas, não se usa: Perguntei se ele faria o concurso.
A EXCLAMAÇÃO
Usa-se o ponto de exclamação:
a) para expressar emoções: Não acredito! (surpresa) / Isso não vai ficar assim! (indignação) / Bom dia, galera! (alegria) / Está doendo demais! (dor) / Por favor, eu imploro! (súplica) / Pobre rapaz! (piedade)
b) em uma frase exclamativa e optativa: Ganhamos! / Feliz aniversário! / Deus te guie!
c) após uma interjeição: Ui! / Viva! / Nossa!
d) em frases imperativas: Pare agora com isso! / Vá embora imediatamente! / Não aguento mais isso!
e) em um vocativo enfático / apóstrofe: Não diga isso, Lúcia!
AS RETICÊNCIAS
Usam-se para denotar hesitação, interrupção do pensamento:
“Sei não… sei não… a vida tem sempre razão.” (Vinícius de Moraes)
O TRAVESSÃO
Emprega-se o travessão:
1.Para iniciar discurso direto:
– Ele foi à festa?
– Não.
- Para intercalar elementos. Nesse caso, substitui a vírgula:
Castro Alves – poeta baiano – é uma das glórias do nosso país.
- Para destacar, na frase, um elemento:
Disso não duvidem amigos: Aquele rapaz – desonesto como é – não hesitará em nos enganar.
AS ASPAS
Usam-se para
- transcrever expressões (geralmente de outrem):
Disse Vandré: “Chico Buarque e Tom Jobim merecem nosso respeito”.
- b) ressaltar expressões: É preciso destacar que certas “verdades” não devem ser ditas.
- c) destacar nomes de publicações: No caderno “Cotidiano”, da “Folha de São Paulo”, encontram-se crônicas de Danuza Leão.
- d) destacar gírias: Na verdade, ele estava a fim de uma “grana”.
- e) expressar pensamento irônico: Aquele “respeitável” governante já fora preso várias vezes.
- f) destacar estrangeirismos: Trabalhamos com serviço de “delivery”.
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