Prof. Renato Aquino (1)
Concordância nominal
Regra geral - o artigo, o pronome, o numeral, o adjetivo e o particípio concordam com o substantivo em gênero e número
Concordância gramatical - com todos os termos
Concordância atrativa - com o termo mais próximo
Vindo antes ou quando o sentido exige, o adjetivo concorda com o mais próximo. Com nomes próprios ou de parentesco, o adjetivo vai para o plural
Menos, alerta, pseudo, exceto, tirante, salvo, mediante, não obstante, de (modo / maneira / forma / sorte) que - são invariáveis. Alerta só varia quando for substantivo
Bastante - advérbio: invariável / pronome indefinido ou adjetivo: variável
Mesmo e próprio - variáveis em gênero e número como pronomes demonstrativos. Como advérbio (= realmente) ou conjunção (= embora), é invariável
Só - advérbio (= somente, apenas): invariável / adjetivo (= sozinho): variável / a expressão a sós é invariável
Possível - concorda com o artigo
Milhar, milhão, bilhão e trilhão - são masculinos. Todavia, mil é numeral
É bom, é proibido, é necessário, é permitido, é vedado - ficam invariáveis sem determinante, com determinante variam em gênero e número
Anexo / incluso / apenso - são adjetivos
Quite - varia em número. A expressão em dia, embora sinônima de quite, é invariável
Meio - advérbio (= mais ou menos): invariável / numeral (= metade): variável / substantivo: variável
Obrigado - concorda com o gênero do emissor
Tal qual - tal concorda com o primeiro termo e qual, com o segundo
Cores - se forem adjetivos, variam, se forem substantivos usados como adjetivo, ficam invariáveis
Concordância verbal
Regra geral - o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa
Sujeito composto - verbo no plural. Se vier depois do verbo, se os núcleos forem sinônimos ou dispostos em gradação, pode haver a concordância atrativa
Haver - no sentido de existir, acontecer ou realizar-se e quando indica tempo decorrido, é impessoal. Quando é usado como verbo auxiliar, somente o primeiro é conjugado e o verbo principal permanece no particípio
Fazer e estar - indicando tempo ou clima, são impessoais
SE - quando é pronome apassivador, a oração tem sujeito e o verbo concorda com ele, aparece com VTD e VTDI. Quando é índice de indeterminação do sujeito, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular, aparece com VTI, VI, VL e VTD, desde que o objeto venha preposicionado.
Dar, bater e soar - indicando horas, concordam com o numeral. Se houver sujeito expresso, com ele concorda
Pessoas gramaticais diferentes - a 1ª prevalece sobre as demais, a 2ª sobre a terceira
Pronome relativo que - o verbo concorda com o antecedente
Pronome relativo quem - o verbo pode concordar com o antecedente ou ficar na 3ª pessoa do singular
Nomes próprios no plural - concorda com o artigo que o precede, se não houver artigo, o verbo fica no singular. Em caso de obras literárias, pode ir para o plural ou ficar no singular concordando com a palavra 'obra'
Pronome interrogativo ou indefinido + nós ou vós - se o primeiro pronome estiver no singular, o verbo só pode ficar no singular. Se estiver no plural, o verbo pode ficar na 3ª pessoa do plural ou concordar com o pronome pessoal
Um dos que, uma das que / um e outro - o verbo pode ficar no singular ou no plural
Nem um nem outro - o verbo fica no singular
A maioria de, a maior parte de, grande parte de - se houver determinante no plural, o verbo pode concordar com o núcleo ou com o determinante. Se estiver no singular ou se não houver determinante, o verbo fica no singular
Verbo ser:
Tudo, nada, isto, isso, aquilo - pode concordar com o sujeito ou com o predicativo
Horas, datas e distâncias - concorda com o numeral. Com a palavra dia, fica no singular
Quantidade: peso, medida, preço, valor - fica no singular
Cerca de, perto de - concorda com o numeral
Verbo parecer - o verbo ou o infinitivo que o acompanha podem ser flexionados. Com orações desenvolvidas, fica no singular
Mais de, menos de - concorda com o numeral. Se a expressão mais de um indicar reciprocidade ou vier repetida, vai para o plural
Regência verbal
Verbos quanto à transitividade:
Transitivo - precisa de um complemento. Pode ser:
Direto - exige complemento sem preposição
Indireto - exige complemento com preposição
Direto e indireto - exige dois complementos: um com preposição e outro sem
Intransitivo - tem sentido completo, não precisa de complemento. Pode vir acompanhado de adjunto adverbial ou predicativo
De ligação - liga o sujeito ao predicativo do sujeito: expressa estado, qualidade ou característica. Nem sempre esses verbos são de ligação, podem ser transitivos ou intransitivos
Regência de alguns verbos
Assistir: ver - VTI (a) - não aceita lhe; ajudar - VTD; pertencer - VTI (a) - aceita lhe; morar - VI (em)
Aspirar: respirar - VTD; desejar - VTI (a) - não aceita lhe
Visar: mirar - VTD; dar visto - VTD; ter em vista - VTI (a) - não aceita lhe
Pagar, agradecer e perdoar: coisa - VTD; pessoa ou instituição - VTI (a) - pode ter os dois objetos. Com a preposição de, é apenas VTD e o objeto direto se torna adjunto adnominal
Preferir: é VTDI, rege dois objetos: o direto, representado pelo que se escolhe e o indireto, regido pela preposição a, representado pelo que se deixa em segundo plano. Não aceita intensificadores, como mais, mil vezes, muito mais nem a locução conjuntiva do que
Chamar: convocar - VTD; invocar - VTI (por); qualificar - VTD ou VTI (a) - o predicativo do objeto pode vir preposicionado ou não
Esquecer e lembrar: VTD - sem pronome; VTI (de) - com pronome
Informar, avisar, prevenir, notificar, certificar e cientificar: podem ter objeto direto de pessoa e objeto indireto de coisa, ou objeto direto de coisa e objeto indireto de pessoa. Não pode ter dois objetos indiretos ou dois diretos
Responder: VTD - para dar o conteúdo da resposta diretamente; VTI (a) - quando se refere a quem ou ao que produziu a pergunta; VTDI - quando se fornecem duas respostas
Implicar: VTD - acarretar; VTI (com) - ter implicância; VTDI (em) - envolver-se
Proceder: VTI (a) - realizar; VI - ter fundamento; VI - agir; VI (de) - vir
Custar: VI - ter preço, valor; VTI (a) - ser difícil, custoso. A pessoa não pode funcionar como sujeito. Ninguém custa, porque nós não somos produtos nem serviços.
Reparar: VTD - consertar; VTD - indenizar; VTI (em) - observar
Precisar: VTD - indicar com precisão; VTI (de) - necessitar; VI - ser necessitado
Presidir: pode ser VTD ou VTI, com a preposição a
Obedecer e desobedecer: são VTI, com a preposição a
Observações:
O artigo ou pronome que acompanha o sujeito não pode se contrair com a preposição
Verbos transitivos indiretos não vão para a voz passiva, exceto obedecer e desobedecer
Verbos de mesma regência podem ter um único complemento, verbos de regências diferentes devem ter um complemento para cada verbo
Crase - fusão da preposição a com o artigo a, o pronome demonstrativo a ou as, a vogal a que inicia os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo ou o a inicial do pronome relativo a qual (as quais).
Com nomes comuns - substitui-se a palavra feminina por uma masculina, aparecendo ao, existe crase
Com nomes de lugar - substitui-se o verbo pelos verbos vir e estar. Aparecendo da ou na, existe crase. Se vier especificado, a crase ocorrerá
Casos obrigatórios:
Em locuções formadas por palavras femininas, sejam elas adverbiais (às vezes, à direita, à toa, à tarde, à noite, à vontade, à francesa, à beça, à vista), prepositivas (à procura de, à espera de, à beira de, à custa de) ou conjuntivas (à medida que, à proporção que)
Com os adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, a crase é facultativa, mas pode ser obrigatória para evitar ambiguidades
Com as horas exatas
Com a expressão à moda de, mesmo que subentendida
Com as palavras casa, terra e distância, quando especificadas
Com os demonstrativos aquele, aquela, aquilo e seus plurais, substitui-se por 'a esse / essa / isso', se aparecer, existe crase
Com o demonstrativo a - sempre haverá um substantivo subentendido
Com o relativo a qual - a crase depende da regência do termo que se segue ao pronome
Casos facultativos:
Com pronomes possessivos femininos no singular, quando acompanham substantivos. Se houver elipse do substantivo, será obrigatória. Com pronomes possessivos no plural, ou existe ou não existe
Com nomes próprios femininos. Se vierem acompanhados de adjetivo ou locução adjetiva, será obrigatória. Em referência a pessoas com quem não se tem intimidade, não se usa, a menos que venha determinado com um adjunto adnominal.
Depois da preposição até
Antes de Europa, Ásia, África, França, Espanha, Inglaterra, Escócia e Holanda
Casos proibidos:
Com as palavras casa, terra e distância, quando não especificadas
Antes de palavras masculinas
Antes de verbos
Entre palavras repetidas
Antes de pronomes pessoais, relativos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e de tratamento, com exceção de senhora, senhorita, dona, madame, mesma, própria e outra
Quando o A no singular estiver diante de uma palavra no plural. Ocorrerá crase se o A vier seguido de S
Antes de sujeito e objeto direto
Antes da expressão Nossa Senhora e nomes de santas, com exceção de Virgem Maria
Antes de pessoas com quem não se tem intimidade, a menos que estejam determinadas com um adjunto adnominal
Depois de preposição, exceto até
Acentuação gráfica
Oxítonas - última sílaba tônica
Paroxítonas - penúltima sílaba tônica
Proparoxítonas - antepenúltima sílaba tônica
Regras gerais:
Oxítonas - acentuam-se as terminadas em A, E e O (seguidas ou não de S), EM e ENS
Paroxítonas - acentuam-se as terminadas em L, N, R, X, I, IS, US, UM, UNS, Ã, ÃO, PS e ditongo
Proparoxítonas - acentuam-se todas
Monossílabos tônicos - acentuam-se os terminados em A, E e O (seguidos ou não de S)
Com verbos acompanhados de pronome oblíquo átono, retire o pronome e considere a forma verbal como uma palavra só. Se terminar em A, E ou O, acentua-se, se terminar em I, só se acentua se formar hiato
Casos especiais:
Ditongos abertos éu, éi e ói - se forem oxítonas ou monossílabos acentuam-se, se forem paroxítonos não se acentuam
Hiatos - acentuam-se o I e o U quando ficarem sozinhos na sílaba ou estiverem seguidos de S. Se estiver seguido de outra letra que não seja S ou seguido de NH, a vogal for repetida ou se vier precedida de ditongo, não se acentua, exceto se a palavra for oxítona
Ter e vir - recebem acento circunflexo na 3ª pessoa do plural. Seus derivados recebem acento agudo na 3ª pessoa do singular
Trema - não se usa, exceto nas palavras estrangeiras e suas derivadas
Acentos diferenciais:
pôr (verbo) / por (preposição)
pôde (pretérito perfeito) / pode (presente)
quê (substantivo, interjeição ou no fim da frase) / que (pronome, preposição, conjunção, advérbio ou partícula expletiva)
porquê (substantivo) / porque (conjunção)
Desapareceu nos pares:
para - verbo e preposição
pera - verbo e preposição antiga
polo - substantivo e preposição antiga
pelo - substantivo e preposição contraída
coa - verbo e preposição contraída
Pronúncia correta de algumas palavras:
Oxítonas - condor, cateter, ureter, nobel, ruim
Paroxítonas - avaro, aziago, decano, filantropo, ibero, látex, misantropo, pudico, recorde, rubrica, epifania
Proparoxítonas - ágape, arquétipo, bávaro, crisântemo, ínterim, ímprobo, lêvedo, monólito, trânsfuga, ômega, zênite, protótipo
Dupla pronúncia: acrobata e acróbata, hieróglifo e hieroglifo, ortoépia e ortoepia, Oceânia e Oceania, réptil e reptil, projétil e projetil, homilia e homília, eletrodo e elétrodo, xérox e xerox, duplex e dúplex, triplex e tríplex
Interim - oxítona - é como os mineiros pronunciam inteirinho.
Emprego de letras:
EZA / EZ - substantivos abstratos derivados de adjetivos
ESA / ISA - em femininos
IZAR - em verbos derivados de substantivos e adjetivos. Se houver S no radical da palavra primitiva, a derivada mantém o S
Depois de ditongo - usa-se S, exceto em nomes próprios, que aceitam ambas as formas
Depois de ditongo - usa-se X, com exceção de recauchutar e guache
Depois de ditongo - usa-se Ç
Depois de EN - usa-se X, com exceção de encher, encharcar, enchumaçar e derivados
S, J e X - conservam-se nas derivadas
Depois de ME - usa-se X, com exceção de mecha
Substantivos terminados em GEM - usa-se G, exceto pajem, lajem e lambujem
ÁGIO, ÉGIO, ÍGIO, ÓGIO e ÚGIO - usa-se G
Verbos terminados em JAR - usa-se J
TO, TOR e TIVO, substantivos derivados de verbos que perderam o R e verbos de ação terminados em AR - usa-se Ç
Substantivos derivados de verbos terminados em UZIR - usa-se Ç
Substantivos derivados de verbos terminados em TER e TORCER - usa-se Ç
ND, RG, RT, PEL e CORR - usa-se NS, RS, PULS e CURS
CED, GRED, MET e PRIM - usa-se CESS, GRESS, MISS, MESS e PRESS
TIR: quando desaparecer - usa-se SSÃO
Divisão silábica:
Não se separam - ditongos e tritongos, dígrafos CH, LH, NH, QU e GU, encontros consonantais perfeitos
Separam-se - hiatos, dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC e XS, vogais idênticas, grupos CC e CÇ, encontros consonantais imperfeitos
TRANS, BIS, CIS, DES, DIS, SUB, HIPER, INTER e SUPER - depois do prefixo vem consoante: fica inteiro na sílaba anterior / depois do prefixo vem vogal: a última letra pula para a próxima sílaba
Uso do hífen:
Na ênclise e na mesóclise
Na relação início-fim
Em palavras compostas por justaposição, exceto naquelas que representam uma coisa só
Em prefixos e falsos prefixos:
Regra geral - usa-se hífen diante de H, vogais e consoantes iguais. Sem hífen se as vogais forem diferentes e se estão seguidas de R ou S, essas consoantes devem ser dobradas
Super, inter, hiper, ciber e nuper - usa-se hífen antes de H e R
Circum e pan - usa-se hífen antes de H, vogal, M ou N
Bem e sem - sempre com hífen
Mal - usa-se hífen antes de H, vogal e L
Sub - usa-se hífen diante de H, B e R
Pré, pró e pós - quando tônicos, recém, além, aquém, sota, soto, vice, vizo e ex - no sentido de estado anterior ou cessamento - sempre com hífen
Em 'extraordinário' não há o prefixo ex e sim o prefixo extra
Em 'excursão' o prefixo ex significa movimento para fora
Co, re, des, in, pre, pro e pos - quando átonos - sempre sem hífen
Letras maiúsculas e minúsculas:
Usa-se maiúscula - nos substantivos próprios em geral, no início de um período ou citação, nos pronomes e expressões de tratamento, nos nomes de épocas notáveis e eras históricas, nos nomes de instituições científicas, religiosas, políticas, de ensino etc., nos nomes de atos das autoridades governamentais quando seguidos de numeral, nos nomes de festas e festividades
Usa-se minúscula - nos nomes dos dias da semana, meses do ano e estações do ano, nos nomes de acidentes geográficos e idiomas, nos nomes de pontos cardeais quando designam direção ou limite geográfico
É facultativo - nos nomes de vias públicas, mesmo abreviadas, nos nomes de ciências e disciplinas, nas expressões que designam altos cargos ou postos
Semântica:
Denotação - sentido real, que está no dicionário
Conotação - sentido figurado, que depende do contexto
Sinônimos - sentido semelhante
Antônimos - sentido oposto
Homônimos:
Perfeitos - mesma grafia e som: são - verbo ser, são - sadio e são - santo
Homófonos - mesmo som: ascender - subir e acender - iluminar
Homógrafos - mesma grafia: ele - pronome pessoal e ele - nome da letra
Parônimos - grafia e pronúncia parecidas, mas sentidos diferentes: infringir - desrespeitar e infligir - aplicar pena, castigo
Campo lexical - palavras que pertencem a uma área de conhecimento: site, internet, computador, plataforma, aplicativo, programa, software, hardware (informática)
Campo semântico - usos de uma palavra em contextos diferentes: natureza - meio ambiente, essência, qualidade
Polissemia - vários sentidos de uma palavra
Colocação pronominal:
Próclise - pronome antes do verbo: proclítico
É obrigatória com advérbios (seguidos de pausa, ocorre a ênclise), palavras negativas, pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos, com conjunções subordinativas integrantes e adverbiais, em frases interrogativas, exclamativas e optativas, com infinitivo pessoal precedido de preposição, com gerúndio precedido da preposição em
É facultativa com pronomes pessoais, possessivos e de tratamento, substantivos e numerais, conjunções coordenativas e infinitivo precedido de preposição ou palavra negativa. Com verbos monossilábicos ou proparoxítonos, a eufonia ordena que se use a próclise.
Mesóclise - pronome no meio do verbo: mesoclítico
É obrigatória com verbo no futuro do presente ou futuro do pretérito. Se houver palavra atrativa, desfaz-se a mesóclise
Ênclise - pronome depois do verbo: enclítico
No início da frase, com imperativo afirmativo, infinitivo pessoal e gerúndio sem a preposição em
Locuções verbais e tempos compostos:
Verbo principal no infinitivo ou gerúndio - o pronome pode ficar antes do verbo auxiliar, antes do verbo principal, depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Se houver palavra atrativa, o pronome não pode ficar depois do auxiliar
Verbo principal no particípio - o pronome pode ficar antes do verbo auxiliar, antes do verbo principal ou depois do verbo auxiliar. Não se admite a ênclise com o particípio. Se houver palavra atrativa, o pronome só pode ficar antes do verbo principal ou antes do verbo auxiliar.
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